quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Hilton Cobra será o novo Presidente da Fundação Cultural Palmares

Hilton Cobra

Hilton Cobra será o novo Presidente da Fundação Cultural Palmares. Cobra é ator, diretor da Cia dos Comuns e um grande ativista da cena cultural negra. É coordenador do Fórum Nacional de Performance Negra, juntamente com Marcio Meirelles e Chica Carelli, ambos do Bando de Teatro Olodum. Também é membro do AKOBEN, coletivo de artistas e produtores negros interessados em uma Política Cultural honesta, inclusiva e verdadeiramente democrática.

O Vila deseja uma ótima gestão!

Participe da Pipoca Indignada!


O bloco Pipoca Indignada surgiu no carnaval de 2012 a partir de coletivos que tinham em comum movimentos de resgate da cidadania, contra a privatização de espaços públicos e, em especial, a privatização do carnaval de Salvador. Este ano, o grupo, e quem mais quiser se juntar, se reúne novamente para abrir mais uma vez o circuito Barra/Ondina no dia 07 de fevereiro (quinta), com concentração às 15h30 no Farol da Barra.

No Facebook foi criado um evento para que os interessados possam interagir e se organizar. "Abrimos o carnaval com muita irreverência e colocamos para fora o grito dos indignados com o descaso e subestimação que o povo da cidade de Salvador é tratado pelos seus governantes. As nossas bandeiras continuam as mesmas. Juntem-se a nós. Não temos partido, mas, tomamos partido! Precisamos agora levantar fundos para conseguir colocar, novamente, o bloco na rua. Deixe seu contato para retornarmos e passarmos os dados p a contribuição. Faça sua fantasia, bole seu cartaz e vamos nos divertir em um carnaval diferente".


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cônsul de Portugal visita o Teatro Vila Velha


O Cônsul de Portugal, José Manuel Lomba, esteve no Teatro Vila Velha para um encontro com o Diretor caboverdiano João Branco. A visita aconteceu por conta da realização do espetáculo "Quarto do Nunca", hoje e amanhã, e que integra a programação do Ano de Portugal no Brasil, através do Projeto K Cena, um diálogo lusófono entre Brasil, Portugal e Cabo Verde.

Natural de Macedo de Cavaleiros, cidade localizada na região norte de Portugal, o Cônsul foi empossado pelo governo lusitano, em novembro de 2010, e vai ocupar o cargo até 2014. Antes de ser nomeado cônsul-geral de Portugal em Salvador, o diplomata esteve por cinco anos no Ministério de Negócios Estrangeiros, em Lisboa. Foi cônsul em Bilbao, na Espanha, entre 2001 e 2005. Também atuou na Embaixada de Moçambique, na África, onde se dedicou às relações políticas, de 1998 a 2001. Antes disso, também assumiu o consulado de Paris, na França, de 1986 a 1994.

O espetáculo
Nos dias 30 e 31 de janeiro, o Teatro Vila Velha apresenta o espetáculo “Quarto do Nunca”, inspirado no romance “Peter Pan”, de J.M. Barrie, como resultado do Projeto K Cena. A montagem foca em quatro temas presentes na obra: memória, sombra, tempo e sabedoria e está longe de ser um espetáculo apenas para crianças. De acordo com o diretor, a peça é para todas as idades e pretende envolver, além de fantasia e o lúdico, a memória, sensações, energia e musicalidade.

Dirigido por João Branco, de Cabo Verde, e encenado por jovens atores com idades entre 14 e 23 anos, o espetáculo integra a programação do Ano de Portugal no Brasil, através do Projeto K Cena, que é um diálogo lusófono entre Brasil, Portugal e Cabo Verde. Elenco e diretor partiram na aventura de buscar um saber coletivo a respeito do que a obra de J.M. Barrie quer dizer, até os desejos mais inconfessáveis, para transformar esses assombros tão pessoais numa experiência partilhada. “Tentamos criar algo que faça as pessoas refletirem, pensarem e voarem um pouco também. Acho que essa é uma das funções do teatro, fazer com que as pessoas sejam mais humanas, em tempos de tanta tecnologia”, explica Branco.

30 e 31/01 | qua e qui | 20h
R$ 10 e 5
Sala Principal

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Espetáculo "Quarto do Nunca" é encenado no Teatro Vila Velha

Nos dias 30 e 31 de janeiro, o Teatro Vila Velha apresenta o espetáculo “Quarto do Nunca”, inspirado no romance “Peter Pan”, de J.M. Barrie, como resultado do Projeto K Cena. 

A montagem foca em quatro temas presentes na obra: memória, sombra, tempo e sabedoria e está longe de ser um espetáculo apenas para crianças. De acordo com o diretor, a peça é para todas as idades e pretende envolver, além de fantasia e o lúdico, a memória, sensações, energia e musicalidade.

Dirigido por João Branco, de Cabo Verde, e encenado por jovens atores com idades entre 14 e 23 anos, o espetáculo integra a programação do Ano de Portugal no Brasil, através do Projeto K Cena, que é um diálogo lusófono entre Brasil, Portugal e Cabo Verde.

Elenco e diretor partiram na aventura de buscar um saber coletivo a respeito do que a obra de J.M. Barrie quer dizer, até os desejos mais inconfessáveis, para transformar esses assombros tão pessoais numa experiência partilhada. “Tentamos criar algo que faça as pessoas refletirem, pensarem e voarem um pouco também. Acho que essa é uma das funções do teatro, fazer com que as pessoas sejam mais humanas, em tempos de tanta tecnologia”, explica Branco.

30 e 31/01 | qua e qui | 20h
R$ 10 e 5
Sala Principal


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Espetáculo do Núcleo Viladança traduz as diversas muvucas no Teatro Vila Velha*

Qual a experiência – de quem não tem nenhuma experiência – em um espetáculo de dança?

(foto: João Millet Meirelles)
Essa foi a minha primeira pergunta ao entregar o ingresso na entrada do palco principal do Vila. Como é possível notar, não sou uma pessoa que frequenta muitos espetáculos de dança. Não é por não gostar, já vi todos os tipos de espetáculos, em especial no Vila; é falta de hábito mesmo. Talvez achasse que a Dança fosse algo para um público bastante específico. Só que, nesse caso, me interessei pelo nome – é, sou dessas que compra o livro pela capa – e decidi experimentar. Acho que, muito provavelmelmente já estava sentindo que precisava ir por novos caminhos (veja, esse ano foi minha primeira vez no Bonfim). Foram muitos os pensamentos que vieram à minha cabeça enquanto esperava a Muvuca começar.

Como leiga, o que me atrai em um espetáculo de dança é a hipnose que os movimentos dos corpos dos bailarinos pode provocar na plateia. Muvuca é uma conjunção desses movimentos, ora suaves, ora abruptos. O jogo com as luzes e com as “paredes móveis”, a sucessão de imagens e o casamento dessas duas características com a música me fizeram muito bem. A princípio, fiz como todo bom (e leigo) amante de teatro e cinema: tentei encontrar a história, a tal Muvuca. Depois, passei a não tentar interpretar tudo e a curtir a hipnose. Foi aí que as coisas começaram a ter alguma lógica, os movimentos foram sendo reconhecidos como uma mistura de leituras estilizadas dos movimentos do cotidiano – festa, briga, sexo, religião, de tudo um pouco.

A trilha sonora (de JoãoMillet Meirelles e Roberto Barreto) é um sucesso à parte. É possível entender cada pedaço que compõe a música separadamente. O carnaval, o candomblé, a música eletrônica, a baianidade e a modernidade, uma coisa bem Baiana System. Se você não ficar hipnotizado, certamente estará embriagado pela música.

A temporada de Muvuca se encerra hoje, culminando com o fim do Amostrão Vila Verão, às 19h. E eu sugiro que você passe lá, que prestigie. Depois de sair do espetáculo eu tive a sensação de que é preciso entender um espetáculo de dança como o que se sente, a experiência ali, e não como numa peça de teatro linear, onde esperamos sempre alguma frase, algo que impacte. A gente sai de um bom espetáculo de dança como o Muvuca como se tivesse acabado de acordar: bem, leve, relaxado. E olha que o trabalho de corpo dos bailarinos é surreal, uma das coisas que pensei foi “céus, eles devem estar esgotados!”. É uma entrega da alma mesmo.

Muvuca tem a direção e coreografia de Cristina Castro, que também assina a dramaturgia, com Sérgio Rivero e as projeções de vídeo de Amaranta César e Danilo Scaldaferri. Quando o espetáculo acabou, um dos atores agradeceu por estarmos lá, “mesmo com tanta atração num sábado à noite, no verão de Salvador”. Pois acho que isso reflete uma novidade: a vontade que o soteropolitano (e quem veio de fora também) está de experimentar, de se envolver com tudo. Aproveita que Muvuca é o penúltimo espetáculo no Vila antes do carnaval.

*Texto publicado no Colorlilas

Ingressos para arquibancada do carnaval serão vendidos de hoje até quarta-feira no Teatro Vila Velha


Os ingressos para as arquibancadas do carnaval montadas no Campo Grande, centro de Salvador, começam a ser vendidos na segunda-feira (28) na bilheteria do Teatro Vila Velha. São três mil ingressos por dia e a venda na bilheteria do Vila segue até a quarta-feira (30). De quinta a sábado, a arquibancada vai custar R$ 20. De domingo a terça-feira de folia, os preços variam entre R$ 30, R$ 40 e R$ 50. A partir de quinta-feira (31), serão vendidos nos postos da Ticketmix nos shoppings da capital baiana.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Hoje já sou também um pouco Baiano


João Branco, Marcio Meirelles, Bertho Filho e elenco do Quarto do Nunca


"Difícil transmitir por palavras o quanto foi gratificante trabalhar com este grupo durante o processo de construção de Quarto do Nunca. O quanto cresci e aprendi, o quanto me emocionei, o quanto procurei dar de mim, para que de mim alguma coisa ficasse também em cada um deles. Quando telefonava para casa tentando amenizar essa dor permanente a que chamamos poeticamente de saudade, do outro lado brincavam dizendo que já se notava meu sotaque baiano no jeito de falar. E embora este possa ser um pormenor sem importância, representa a forma como nos agregamos uns aos outros em todo este processo de criação sem nunca perdermos nossa individualidade, criando uma energia própria e única. Por isso sou eternamente grato por ter conhecido e trabalhado com este coletivo, grato a todos e a cada um, sorrindo e pensando com meus botões, melhor era impossível!"


João Branco

João Branco é cidadão português radicado na cidade do Mindelo, Cabo Verde, desde o início da década de 1990, João Branco, que adquiriu a nacionalidade cabo-verdiana, é considerado como o grande dinamizador de um teatro novo no arquipélago. Em 1993, fundou o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, do qual é diretor artístico e encenador, sendo responsável por mais de três dezenas de peças, montadas em português e crioulo cabo-verdiano. Em 1995, fundou a Associação Mindelact, da qual é presidente, e que anualmente organiza o festival internacional de teatro do Mindelo (Mindelact). 

Participe da Pipoca Indignada!!




Sábado, 26 de janeiro, às 10h, no Teatro Vila Velha, Passeio Público, os pipocas, do Movimento Desocupa, estarão reunidos para confeccionar suas fantasias para o carnaval! 

E no dia 7 de fevereiro, quinta-feira de carnaval, a pipoca vai abrir mais uma vez o desfile do circuito Barra-Ondina com protesto e bom humor!

Imagens da Pipoca Indignada de 2012



Site do Movimento Desocupa: http://movimentodesocupa.wordpress.com/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Está chegando a hora!

Foto João Milet Meirelles

Nos dias 30 e 31 deste mês, estreia "Quarto do Nunca", espetáculo que trata do universo de “Peter Pan” e tem como mote, a memória, sombra, tempo e sabedoria. Estes quatro conceitos que tanto dizem à arte cênica foram os fios condutores que levaram elenco e diretor até o produto final. O público (de todas as idades) pode esperar um espetáculo cheio de memória,sensações, energia e musicalidade.

O K Cena é um projeto que une jovens de diferentes contextos, culturas e realidades, ligados apenas pela Língua Portuguesa, através do Teatro. O K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem procura estimular o gosto pela escrita e pela interpretação teatral, valorizar a língua portuguesa e utilizar a prática teatral como estratégia de desenvolvimento da identidade lusófona e de enriquecimento pessoal e interpessoal. Aposta singular, o projeto é uma iniciativa do Teatro Viriato (Viseu, Portugal), em parceria com o Teatro Vila Velha (Salvador-Bahia, Brasil) e o Centro Cultural Português/Pólo do Mindelo, do Instituto Camões, com o apoio local da Mindelact – Associação Artística e Cultural (Cabo Verde). O projeto faz parte do programa de apoio à internacionalização das artes, promovido pela DGARTES (Portugal) e integrado no programa oficial Ano de Portugal no Brasil. É uma ideia que une grandes artistas do mundo, e não podia deixar de começar no Brasil, na Bahia, no Teatro Vila Velha.

Além das parcerias institucionais desse intercâmbio, o projeto conta com vários outros parceiros:

Bertho Filho – Ator e diretor teatral, foi quem começou o processo de preparação dos jovens atores para a encenação, com muitos jogos de atenção, foco, improvisação e postura de palco.

Ridson Reis - Ator e também percussionista, foi convidado a ministrar uma oficina de música pra teatro e a musicalidade do corpo do ator. E agora nesta reta final está como criador da musicalidade percussiva e ambientação do espetáculo.

A Das Preta – Produções e Assessorias é formada por Fernanda Borges e Larissa Cerqueira foi convidada a partir do elenco do espetáculo para dar um auxílio na produção do projeto, e a partir do primeiro contato em uma reunião com o diretor João Branco e elenco, vem dando todo apoio necessário de produção e assessoria para a montagem.

A concepção do cenário surgiu de um processo coletivo no qual se fizeram presentes os diretores João Branco e Márcio Meirelles e os cenotécnicos Gei Correia e Guilherme Barsan, que são membros do Armazém Cenográfico e que também apoia a montagem. Os dois são formados pela Escola de Belas Artes - UFBA e experientes em cenografias na área teatral, de esposição e artística em geral, trazendo essa experiência para tornar "real” o Quarto do Nunca.

Serviço:
30 e 31/01 | qua e qui | 20h
R$ 10 e 5 | Sala Principal
Diretor convidado João Branco (Cabo Verde)

Morre o ator e cineasta Zózimo Bulbul, aos 75 anos*



O ator e cineasta Zózimo Bulbul morreu nesta quinta-feira aos 75 anos em sua casa na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, ao lado de sua companheira, Biza Vianna. Ele sofria de câncer havia alguns anos e sofreu um infarto agudo do miocárdio às 9h50m da manhã. O velório será na Câmara Municipal, na Cinelândia, de 17h a 20h e na sexta de 8h às 11h. O sepultamento será amanhã dia 25 de Janeiro, às 12h, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

Ator e diretor de mais de 30 filmes, 50 anos de carreira, estreou no cinema com "Cinco vezes favela", de Cacá Diegues, na década de 60, e trabalhou com ícones do Cinema Novo como Glauber Rocha e Leon Hirzsman. Em 2010, a convite do Presidente do Senegal, Zózimo realizou o filme média metragem “Renascimento Africano”, que mostra a realidade do país africano nas comemorações dos 50 anos de independência. No final do ano passado, organizou a 6ª edição do Encontro de Cinema Negro Brasil, África & Américas. Uma das últimas entrevistas que concedeu foi para documentário em produção do cineasta norte-americano Spike Lee.

Zózimo começou sua carreira no cinema com "Cinco vezes favela", e em seguida participou de dezenas de filmes, sobretudo nos anos 1960 e 70. O último que contou com seu nome nos créditos foi "As filhas do vento" (2005). Ele também integrou elenco de programas de TV como "Vidas em conflito" (1969), novela da TV Excelsior - em que viveu o primeiro protagonista negro e fazia par com Leila Diniz - "Memorial de Maria Moura" (1994), série da TV Globo, e "Xica da Silva" (1996), novela da TV Manchete.

*Notícia retirada do site O Globo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Saiu a lista com os indicados ao Prêmio Braskem de Teatro 2012!


Entre os indicados, quatro espetáculos tiveram suas estreias no Teatro Vila Velha em 2012, dois de grupos residentes e dois de projetos em residência.


A Companhia Teatro dos Novos (CTN), grupo residente do Vila, estreou em junho de 2012 o espetáculo "O Olho de Deus - O Avesso dos Retalhos" com texto inédito de Sônia Robatto e colaboração e direção de Marcio Meirelles. A montagem concorre em três categorias: Melhor Espetáculo Adulto, Melhor Atriz (Neyde Moura) e Melhor Texto (Sônia Robatto).

Concorrendo a Melhor Espetáculo Infantojuvenil, "Paparutas", que tem texto de Lázaro Ramos e direção de Débora Landim, teve sua estreia em outubro de 2012 e foi encenada pela Companhia Novos Novos, outro grupo residente do teatro.

Dois dos resultados dos projetos em residência também receberam indicações. "Breve [Outono-Inverno]", da Cia Teatro da Queda, recebeu a indicação de Melhor Direção para Thiago Romero e estreou em agosto, mesmo mês em que o Núcleo Supernova Teatro, também em processo de residência, estreou "Drácula", com direção de Marcio Meirelles. A montagem é indicado na Categoria Especial pela cenografia do próprio Marcio.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Bicicletário no Passeio Público


No último sábado, 19/01, aconteceu no Passeio Público a instalação de três paraciclos, suporte físico onde a bicicleta é presa. O mobiliário urbano está localizado em frente a portaria do Teatro Vila Velha e fornece um total de 6 vagas para bicicletas, demanda que este espaço cultural já apresenta cotidianamente. A implantação dos paraciclos foi em esquema de mutirão e contou o apoio de entidades como a Associação Psicólogos do Trânsito e Mobilidade Humana (PATRAMH), o Coletivo Mobicidade, o Movimento Desocupa, o Canteiros Coletivos e outras entidades que circulam em torno da Bicicletada (Massa Crítica) de Salvador.

Confira as imagens da instalação:





Fotos retiradas daqui: Implantação coletiva de Paraciclo no Passeio Público

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Juiz autoriza despejo dos moradores do Quilombo Rio dos Macacos

Foi publicado no Jornal A Tarde de 18 de janeiro, que o Juiz Evandro Reimão dos Reis, reconheceu a sentença de despejo dos moradores do Quilombo Rio dos Macacos. Vale lembrar que a área já foi reconhecida como Quilombo pelo INCRA e o relatório aponta que os quilombolas descendem de escravos de fazendas que produziam cana de açúcar para o Engenho de Aratu, no período colonial. Com a decadência do engenho e, como consequência, das fazendas. Ao longo do tempo, as famílias de descendentes desses escravos se fixaram no local. A Defensoria Pública Da União da Bahia apresentará recurso.

Entre os anos 1950 e 1960, a Marinha recebeu a área como doação, onde construiu uma barragem e a Vila Militar. Segundo o chefe do Serviço de Regularização Fundiária de Territórios Quilombolas do Incra/BA, Flavio Assiz, com a ocupação do espaço muitas famílias remanescentes saíram de lá. “Os que resistiram hoje compõem a comunidade quilombola Rio dos Macacos”.

O Teatro Vila Velha sediou em fevereiro de 2012 um ato a favor do Quilombo Rio dos Macacos e o Bando de Teatro Olodum, em julho, foi impedido de entrar na comunidade quilombola, quando seria feita a leitura de Candaces, a Reconstrução do Fogo”, que ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil, além de contar a história de resistência das rainhas guerreiras associada à luta da comunidade quilombola pela dignidade e em defesa do seu território

João Branco, diretor teatral, escreve sobre Drácula


Drácula, teatro total
Foto Tai Oliver


Muitas vezes falamos do enorme potencial do teatro. E quando nos apercebemos disso, nos espantamos também com a quantidade de peças –  logo recursos, tempo e paciência – que desperdiça esse potencial que a arte cénica tem e disponibiliza. Porque no teatro, na arte cénica, tudo cabe. É a forma de expressão artística que enquadra todas as outras, a interpretação, a arte plástica, a música, a arquitetura, o audiovisual, a coreografia, a poesia. Além do mais tem essa vantagem suprema de se apresentar, enquanto obra de arte, olho no olho do público, que permite que se cheire, que se toque, que aconteça um tipo de provocação, de comunicação diferente de qualquer outra no momento da apresentação da obra ao seu público. A peça Drácula, de Márcio Meirelles, vem nos lembrar isso mesmo de uma forma arrebatadora. 

Em primeiro lugar, destaca-se a forma brilhante como o Teatro Vila Velha é ocupado na concepção cenográfica de Márcio Meirelles: toda a lógica do teatro à italiana inverte-se lembrando a estruturação do espaço cénico da escola elisabetana, que contemplava uma visão de baixo para cima da maioria do público (aquele que se situava ao nivel do solo), com um proscénio mais acentuado. Neste caso, quando entramos no teatro, somos confrontados com uma imensa plataforma inclinada, solução brilhante conseguida com a aplicação de um tecido flexível preto na bancada do teatro, onde estão também colocados os instrumentos musicais – uma bateria, um sintetizador, um baixo e uma guitarra – e onde decorre a maioria das cenas, e uma extensa mas estreita estrutura que atravessa toda a sala, sendo o público colocado de um lado e de outro da mesma. Em torno da plataforma frontal, um enorme painel branco, exposto em u aberto, que serve para ao longo de toda a peça, projetar o complemento audiovisual que é tão poderoso que poderia facilmente ter vida própria e afirmar-se enquanto obra de arte autónoma.

É isso que mais fascina em Drácula: o conjunto de linguagens artísticas e dramatúrgicas com que somos confrontados são tão bem construídas que no seu conjunto dão corpo a uma obra cénica excepcional e que separadas tem, pela sua qualidade, possibilidade de serem apresentadas como criações artísticas válidas autónomas, plenas de intensidade e contemporaneidade. Estamos perante um  espetáculo narrativo, mas não só. Um espetáculo que podia ser e existir enquanto concerto musical, na belíssima e intensa partitura musical de João Meirelles (aliás, quando o público entra na sala é confrontado com um show musical que decorre no espaço cénico, com os atores tocando os diferentes instrumentos musicais); que podia ser e existir enquanto filme, na extraordinária sequência visual projetada e que envolve personagens e público durante as duas horas de duração da peça; que podia ser e existir enquanto coreografia, porque sendo o estilo de interpretação propositadamente narrativo, o corpo vai falando enquanto a personagem conta o pedaço da sua história e enquanto este pedaço de história é relatado, outros corpos se movem e interagem no espaço, ao mesmo tempo que outros tocam os instrumentos que de forma marcada foram colocados na enorme plataforma; podia existir enquanto poesia porque a inteligente versão de Márcio Meirelles leva-nos a ser ouvintes de uma envolvente história de ódios, amores, confrontos, paixões, violência, coragem, misticismo, plena de humanidade.  Estamos perante uma amostra do que Wagner sonhou para a sua ópera, uma obra de arte total (gesamtkunstwerk), ou seja, uma obra que conjuga de forma harmoniosa e competente a música, o teatro, o canto, a dança e as artes plásticas. 

Feliz também a concepção dos figurinos e maquilhagem, do diretor Márcio Meirelles, os primeiros com longas camisas brancas rendilhadas e longos sobretudos pretos, reforçando o carácter monocromático da peça e conferindo um suplemento dramático ao aparecimento da cor vermelha nos momentos de maior tensão, no filme ou no único adereço de cena utilizado enquanto tal, uma pena vermelha; a segunda com as máscaras brancas pintadas em todas as faces dos atores, sem distinção de personagem, construindo um corpo hermafrodita que atua ora em uníssono, respirando, tocando e falando, ora em sutis dissonâncias e harmonias vocais e sonoras. Com isso se cria um ambiente sonoro e visual diferenciado e identificável para cada personagem, ambiente esse complementado pelo competente desenho de luz de Pedro Dultra, e que envolve e identifica o público no decorrer e desenvolvimento da história.

O toque brecthiano, com a apresentação, antes da cena final da perseguição ao Conde Drácula, do pressuposto político desta produção, coloca os pontos todos nos ís. Não estamos perante um objeto lúdico, mormente toda a sua beleza e a forma como toca nossos sentidos. Estamos perante uma declaração política: o monstro, esse vampiro que nos suga até ao tutano, que nos explora, que nos desrespeita, é esse sistema capitalista que continua a cavar o fosso entre quem mais tem e quem menos pode. Essa a grande metáfora de Drácula.  

E quem dá corpo a esse belíssimo manifesto artístico e político é um elenco competente constituído por Ciro Sales, Igor Epifânio, Lis Luciddi, Luisa Proserpio, Rafael Medrado e Will Brandão, que contou com a participação especial de Fernando Fulco como Van Helsing e Bertho Filho como Renfield, que complementam de forma brilhante o elenco da SuperNova Teatro. 

A maior dificuldade desta proposta pode ser colocada na compreensão plena do texto, que é denso e extenso, dada a enorme quantidade de estímulos com que o público é confrontado ao longa da apresentação. A opção da amplificação sonora das vozes dos atores em cena compreende-se pela presença constante da trilha sonora, quase toda ela tocada ao vivo. Mas nada disso desmerece ou diminui o que se vê ou se ouve, antes pelo contrário, dá vontade de ir ver de novo. Porque esta não é uma peça que se veja de novo, é uma peça que se vê diferente mesmo que se repita. Ou porque estamos num local diferente da sala, mais atrás, mais à frente, de um lado ou do outro, ou porque estamos predispostos para ficar mais atentos à música, ao filme, ao texto, ao movimento e a tudo o mais que esta peça de teatro é capaz de nos ofertar. Uma peça de teatro que reforça, pelo tema e pela direção de Márcio Meirelles, o caráter simbólico e cerimonial da arte cénica. Ou seja, um teatro que não tem vergonha de ser teatro. 

Salvador, 13 de janeiro de 2013
João Branco
Encenador cabo-verdiano
Diretor do Mindelact  e do Centro Cultural Português no Mindelo



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Marta Suplicy fala sobre Vale-Cultura


O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro para o consumo cultural

A Folha publicou editorial ("Vale-populismo", 10/1) crítico do Vale-Cultura (VC). Chama de "populismo" e promoção pessoal e eleitoreira projeto de lei que buscava aprovação desde 2009. Com a regulamentação do VC, empresas poderão passar R$ 50 a seus funcionários que recebam prioritariamente até cinco salários mínimos (R$ 3.390) para gastarem em cultura.

O Brasil nos últimos anos, com Lula e agora Dilma, tem dado passos gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento de erradicação da pobreza.

O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows, revistas...

Lembro que, quando fizemos os CEUs (Centro Educacional Unificado), na pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro, fascinado.

Fomento ao teatro, aquisição de conhecimento e bagagem cultural! Não foi à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e escolher mais do que hoje podem. E os que não têm CEU têm televisão e conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que aparece no bairro. E sabem que não podem ir.

Existe toda uma multidão de brasileiros (17 milhões) que hoje ganha até cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais público para sua oferta.

Quando chegarmos nesse potencial, serão R$ 7 bilhões injetados na cultura. Nossa previsão é atingir R$ 500 milhões neste ano.

Em 2008, o Ibope realizou pesquisa sobre indicadores de cultura no Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.

Segundo a Folha, estaremos incentivando blockbusters e livros de autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui advertida pela gestora: "Esse é um instrumento que eles estão aprendendo a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não".

Não custa lembrar que a fome pelo acesso à cultura é enorme, o que ficou evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.

O que a Folha também menosprezou é a enorme alavanca que o VC pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo, vestuário, iluminador...

Quanto ao recurso ir para formação e atividades de menor sustentação comercial, citadas como prioritários pela Folha, os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento, 124 em construção no país.

Artigo publicado em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/88803-quota-gente-nao-quer-so-comidaquot.shtml
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MARTA SUPLICY, 67, é ministra da Cultura. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e senadora (2011-2012) e este artigo é uma resposta a este: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1212563-editorial-vale-populismo.shtml

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Quem tem fé, vai a pé | Lavagem do Bonfim 2013



Nesta quinta-feira, 17/01, tem a lavagem do Bonfim, e a turma do Vila se reúne para fazer a tradicional caminhada.

O Café do Vila abre, excepcionalmente, às 7h30 para a venda de mingau, bolo e outras delícias.

A camisa "De Graça Não Tem Graça" estará a venda por R$ 15 e será nossa identificação na caminhada.

Venha também! 


SCDC e UFRJ realizam Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural em 2013*


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro realizam, em 2013, por meio de Acordo de Cooperação, o Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. O Curso tem como fundamento a busca de soluções necessárias para uma cultura democrática e inclusiva e a formação de agentes multiplicadores, e é destinado a gestores culturais e a trabalhadores nas áreas da Cultura e de pessoas com deficiência.

Serão oferecidas 42 vagas e as inscrições podem ser feitas no endereço eletrônico da Faculdade de Medicina da UFRJ, no período de 21 de janeiro a primeiro de março de 2013. Na grade de conteúdos estarão relacionadas matérias sobre gestão em políticas culturais, conhecimentos sobre deficiências, legislação relacionada às áreas da Cultura e da Acessibilidade e informações sobre as novas tecnologias de fruição para a acessibilidade cultural da pessoa com deficiência.

Das 42 vagas para o curso, 27 delas serão destinadas a gestores públicos concursados de instituições culturais públicas de todo o território nacional, contemplando cada um dos estados da Federação. Outras 05 vagas serão ocupadas por representantes de Pontões de Cultura, de cada uma das regiões da Federação, devidamente conveniados junto à Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural ou às Secretarias Estaduais ou Municipais de Cultura, conveniados no Programa Mais Cultura. O curso destinará ainda 05 vagas, também distribuídas por cada região, para representantes de instituições da sociedade civil, que atuam no campo da deficiência e da cultura. Outras 05 vagas serão oferecidas para docentes de Cursos de Terapia Ocupacional ou áreas afins de Universidades Públicas.

*Informações retiradas daqui: Ministério da Cultura

Arena na Praça Castro Alves?


O secretário estadual do Turismo, Domingos Leonelli, anunciou nesta sexta-feira, 11, que, em até seis meses, deverão começar as obras para a construção de uma arena para shows e outros eventos no entorno da Praça Castro Alves, no Centro Histórico  de Salvador. O anteprojeto da arena, que ficará entre a Rua do Sodré e a Ladeira da Preguiça, prevê que ela comporte cinco mil pessoas - por enquanto, a secretaria aguarda o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A arena deve custar R$ 25 milhões, segundo Leonelli.

O Ministério do Turismo já empenhou R$ 10 milhões, e o montante restante deverá ser liberado após a fase de projeto e licitação da obra. "Este projeto foi apresentado ao Iphan, que deu sinais positivos de aprovação. Talvez haja apenas uma redução da capacidade da arena", comentou Leonelli. O secretário disse, ainda, que, nesta segunda-feira, o projeto da arena será apresentado ao secretário municipal de Desenvolvimento, Cultura e Turismo, Guilherme Bellintani.

Domingos Leonelli considera que o projeto visa revitalizar não somente a Praça Castro Alves, mas todo o Centro Antigo da capital baiana. "A arena será uma extensão da praça. Ali faremos shows, apresentações de dança, música, espetáculos de teatro, além de encontros religiosos", enumerou o secretário.

Pacto - As verbas para a construção da arena fazem parte do Pacto pelo Desenvolvimento do Turismo, do Ministério do Turismo. A pasta liberou, no início deste mês, R$ 305 milhões para obras em 16 estados brasileiros. O programa federal busca melhorar a estrutura de turismo no País, preparando-o para a Copa das Confederações, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

"Com o pacto do turismo, cristalizamos a gestão participativa no segmento e invertemos o fluxo de demandas. Trabalhamos em comum com estados e municípios", disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira.

Matéria original do Jornal A Tarde

E mais: Já está circulando uma petição pública contra a construção da Arena.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Passeio Público ganhará bicicletário


Aproveitando a recente eliminação de vagas de estacionamento para automóveis no Passeio Público de Salvador, efetuada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), alguns coletivos de Salvador resolveram implementar as primeiras ações de uma política cicloviária para este local.

Dia 18 de janeiro, sexta-feira, a Associação Psicólogos do Trânsito e Mobilidade Humana (PATRAMH) e o Coletivo Mobicidade farão a primeira contagem fotográfica de fluxo de bicicletas de Salvador. O ponto usado para observação será a entrada do Passeio Público que dá para a Avenida Sete de Setembro, ao lado do Bar Quintal, das 19h às 22h, horário que corresponde à demanda de mobilidade para os espetáculos do Teatro Vila Velha, que fica dentro do parque. A ação tem apoio do Conselho Regional de Psicologia, secção Bahia, através do Grupo de Estudos sobre Motorcracia e Carrodependência de sua pioneira Comissão de Mobilidade Humana e Transito.

No dia 19, sábado, pela manhã, serão implantados três paraciclos dentro do parque, próximos a entrada de serviço do Teatro Vila Velha, fornecendo um total de 6 vagas para bicicleta, demanda que este espaço cultural já apresenta cotidianamente. O bicicletário ficará em frente a um dos sofás de concreto do Passeio Público que, antes, não era acessível por ter sempre um automóvel estacionado na frente. Assim, este mobiliário urbano recupera e aumenta a possibilidade de usos pedestres da área.

A implantação dos paraciclos será em mutirão, e qualquer cidadão pode participar, basta comparecer. Foram convidados para este evento também o Movimento Desocupa, o Canteiros Coletivos e outras entidades que circulam em torno da Bicicletada (Massa Crítica) de Salvador.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Vaga de estágio para o setor financeiro

O Teatro Vila Velha abre seleção para uma vaga de estágio remunerado para o financeiro. Para concorrer à vaga, os interessados deverão estar cursando contabilidade, administração ou economia.

INFORMAÇÕES SOBRE O ESTÁGIO:
o     Local: Teatro Vila Velha
o     Atividades desenvolvidas  administração, economia e ciências contábeis
o     Carga horaria de 6 horas diárias + 1 hora de intervalo, totalizando 7 horas diárias  
o     Carga  horaria semanal de 30 horas
o     Valor da bolsa-auxílio: R$ 600,00
o     Auxílio-transporte
o     O aluno deve estar cursando a partir do quarto semestre

I - DA INSCRIÇÃO
Os candidatos devem fazer sua inscrição no site do IEL ou encaminhar currículo para pessoal@teatrovilavelha.com.br até 30 de janeiro de 2013.  

II - SELEÇÃO
O processo seletivo se dará em duas etapas: análise de currículo e avaliação presencial dos candidatos pré-selecionados. A jornada do estágio deve ser compatível com o horário de aulas do estudante. Capacidade de se antecipar às solicitações de tarefas e facilidade para o trabalho em equipe são aspectos que serão levados em consideração para a avaliação final. 

III - DA CONTRATAÇÃO 
O(A) candidato (a) selecionado será convocado(a) para preenchimento imediato da vaga de estágio.


Vaga de estágio para a técnica

O Teatro Vila Velha abre seleção para uma vaga de estágio remunerado para a técnica (som e iluminação). Para concorrer à vaga, os interessados deverão ter experiência comprovada ou cursos nas áreas de técnico de áudio (básico) e eletrônica.

INFORMAÇÕES SOBRE O ESTÁGIO:
o Local: Teatro Vila Velha 
o Atividades desenvolvidas: apoio à realização das atividades do teatro (montagem de som e iluminação)
o Carga horária semanal: 30 horas 
o Disponibilidade de trabalho aos sábados e domingos
o Valor da bolsa-auxílio: R$ 440,00 
o Auxílio-transporte: sim 

I - DA INSCRIÇÃO
Os candidatos devem fazer sua inscrição no site do IEL ou encaminhar currículo para pessoal@teatrovilavelha.com.br até 30 de janeiro de 2013.  

II - SELEÇÃO
O processo seletivo se dará em duas etapas: análise de currículo e avaliação presencial dos candidatos pré-selecionados. A jornada do estágio deve ser compatível com o horário de aulas do estudante. Criatividade, interesse em música e artes cênicas e capacidade de se antecipar às solicitações de tarefas e facilidade para o trabalho em equipe são aspectos que serão levados em consideração para a avaliação final. 

III - DA CONTRATAÇÃO 
O(A) candidato (a) selecionado será convocado(a) para preenchimento imediato da vaga de estágio.

Nós, por exemplo - Centro de Documentação e Memória



No verão de 1974 o Teatro Vila Velha foi mais uma vez palco de um momento histórico. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e outros artistas realizaram shows, nos meses de janeiro e fevereiro, que resultaram na gravação do disco "Temporada de Verão – Ao Vivo na Bahia". O disco é um registro à parte na carreira dos três, que longe da psicodelia final do Tropicalismo, inaugura uma nova fase em suas histórias. Apesar de não haver um encontro entre eles em nenhum momento do registro, os shows individuais se interligam formando um conceito de disco próprio para a época. Gal participa de duas faixas, Caetano de três e Gil é contemplado com quatro faixas. “Temporada de Verão” foi produzido por Perinho Albuquerque e Guilherme Araújo e deixou marcas permanentes na história da MPB.


Pesquisadores podem ter acesso ao vasto acervo que envolve fotos, catálogos, cartas, notícias, textos teatrais e cartazes. Agende sua visita: 3083-4617.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

As faces de “Drácula”

Foto João Milet Meirelles

Adaptar com certeza é um desafio. Livro, cinema, Tv e teatro tem liguagens próprias e adaptar uma obra de um formato para o outro requer muita atenção e criatividade.

É importante ressaltar que uma adaptação deve ser analisada pela sua funcionalidade dramática e não pela sua fidelidade ao texto de origem e que o vital para uma transubstanciação é a sua história e não os personagens que estão presentes.

Para começar, uma característica em comum que auxilia na adaptação é que todos os formatos (Teatro, Cinema e TV) possuem uma narrativa dramática que são apresentadas em apenas três momentos. A apresentação do problema, o desenvolvimento, onde surgem os conflitos e seus desdobramentos e o desfecho do problema que foi exposto inicialmente. Essas são as únicas características em comum desses suportes que narram a história com uma linguagem completamente diferente da outra. No teatro o espectador escolhe o que quer ver no palco, ele acompanha o ator o tempo inteiro já no cinema quem direciona o nosso olhar é o diretor na utilização dos planos. Nos palcos também não é possível a utilização do real que é substituído pelo artificial e por isso a interpretação dos atores é fundamental e tem que ser verdadeira para ser aceita, é preciso buscar outras formas de se buscar o real, através de outra linguagem e aparatos como sonoplastia, figurino. Já nas telas o real é possível, a interpretação abre espaço para outros elementos que vão construir a cena como fala Alcione Araújo em seu texto, Leituras e Linguagens: "Entre o teatro e o cinema, abstraindo-se o fato de que pessoas podem ser sensíveis a um e impermeáveis a outro, são muito diferentes os recursos e percursos para se provocar uma mesma e determinada emoção usando-se o palco e a tela."

Existem várias formas de transcrever um material de um suporte para outro, você pode “adaptar” que é a forma que não altera a história, o tempo, o local, os personagens, mas nem por isso transforma-se em uma ilustração audiovisual do texto porque nem tudo em um livro pode ser adaptado. Pode ser apenas “baseada em” que mantém a história na integra, mas permite modificação dos nomes dos personagens e de algumas situações. A obra pode ser “Inspirada em” que desenvolve uma nova estrutura para a história tomando referência um personagem e uma situação dramática, pode ser uma “recriação” que requer um grau de fidelidade mínimo ou uma “adaptação livre” que apenas a história, tempo e personagens são mantidos, mas a estrutura é montada sobre um dos aspectos dramáticos da obra, ou seja, trabalha-se sob um ponto de vista.

Para adaptar uma obra do texto para o audiovisual é preciso cumprir três etapas. A primeira é a idéia que já temos pois partimos de um texto. A segunda é estabelecer qual o conflito principal na storyline e a terceira é a sinopse, depois é preciso definir a estrutura.

Na adaptação do livro “Drácula”, de Bram Stocker para o cinema com o filme de Francis Ford Coppola e com a peça de Márcio Meireles observamos que houve uma adaptação bem fiel ao texto mas cada uma trouxe características que se encaixam com o suporte que estão trabalhando.

São os detalhes que geram as diferenças nas adaptações, pois podemos manter a mesma estrutura, ou seja, ordenação de ações de um texto original em um adaptado, mas construiremos a narrativa dando vida e corpo aos personagens criando através do cenário, figurino, e iluminação um mundo possível e diferente.

No filme, é o personagem Drácula que conduz a narrativa, ele que passa as emoções, a sensualidade predominante da história, tem também um trabalho primoroso de efeitos para dramatizar a cena, os efeitos sonoros e visuais são importantíssimos na construção da narrativa. Na peça Márcio Meireles optou-se por não ter o personagem Drácula em cena, mas ele aparece nos vídeos, recurso que ele usou para junto com os atores contar a história, o “Drácula” da peça está vampirizado em cada um de nós, é a sociedade e todos os males que nos rodeia. Vídeo, recursos sonoros e atuação marcam a peça Drácula e o diretor utilizou esses vários recursos que conversavam entre si, uma excelente idéia na adaptação para o teatro. Já o texto foi bem fiel ao livro, o que torna a peça extensa e cansativa, poderia ter uma exugada nas falas e também a atuação dos atores deixa a desejar, eles pareciam fazer uma leitura dramática do texto, sem uma atuação mais envolvente. No teatro as expressões corporais são importantíssimas, os atores precisam passar o drama, a emoção, a raiva através do olhar, dos gestos e a platéia precisa perceber isso como podemos ver no texto, Leituras e Linguagens, de Alcione Araújo: “O que é mais importante, pondo em xeque a interiorização da interpretação, vale dizer, a consistência da construção da personagem, que precisa estar viva e inteira, com as mínimas nuances de emoção.”

Adaptar um produto a outras linguagens é um desafio para todas as pessoas que estão envolvidas no processo, principalmente para o roteirista e diretor que precisam ter em mente exatamente o que se quer passar com a adaptação e a peça e o filme “Drácula” conseguiram, de formas diferentes passar a sua mensagem. A adaptação do filme é maravilhosa e chama para a leitura do livro. 

*Texto de Michelle Guimarães Oliveira aluna do 4º semestre do curso de Produção Audiovisual da Unijorge.

Prêmio Funarte de Arte Negra: inscrições até 25 de março

A Fundação Nacional de Artes Funarte publicou, na segunda-feira, dia 31 de dezembro de 2012,  portaria que prorroga as inscrições do Prêmio Funarte de Arte Negra até 25 de março de 2013. Realizado em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR, o edital vai contemplar 33 projetos nas áreas de artes visuais, circo, dança, música, teatro e preservação da memória. Para participar, os proponentes precisam se autodeclarar pretos ou pardos, categorias de classificação de cor ou raça adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

*As informações são da FUNARTE

Estudante universitário de baixa renda terá bolsa assistência de R$ 400


O aluno de baixa renda aprovado por meio de cotas sociais em instituições federais de ensino superior receberão uma bolsa assistência de R$ 400 por mês. O benefício foi anunciado hoje (8) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e deve começar a ser distribuído ainda este ano.


Segundo o ministro, uma medida provisória (MP) editada pela presidente Dilma Rousseff e atualmente está em tramitação no Congresso Nacional estabelece a ajuda. Serão beneficiados alunos com renda familiar per capta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e que optarem por cursos com carga horária diária superior a cinco horas.

O dinheiro da bolsa será liberado por meio de um cartão de crédito pré-pago, semelhante ao que ocorre no Programa Bolsa Família e outras bolsas de estudo, como a do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).

"Já encaminhamos a MP para o Congresso Nacional. Os estudantes que entrarem pelo sistema de cotas, com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, que optarem por cursos com mais de cinco horas de jornada, terão direito a uma bolsa de R$ 400 por mês, assim que entrarem na universidade, e durante todo o curso", disse Mercadante.


*As informações são da Agência Brasil

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Abertas as inscrições para o Digitalia 2013; evento conta com convidados internacionais


Encontram-se abertas as inscrições para o Festival/Congresso Internacional de Música e Cultura Digital (Digitalia), que acontece entre os dias 1º e 5 de fevereiro no Teatro Vila Velha, no ICBA e na Concha Acústica. Os interessados podem se inscrever gratuitamente através do site oficial do evento: http://digitalia.com.br/?page_id=7

Além de performances e shows com VJs, DJs e bandas brasileiras e internacionais, durante cinco dias mais de 50 convidados – acadêmicos, artistas, críticos, produtores, políticos – de todo o mundo vão discutir temas relacionados à 'onda digital', desde inclusão aos direitos autorais e escoamento de músicas na rede em tempos virtuais. 

Entre os convidados confirmados, além dos brasileiros Gilberto Gil, Fausto Fawcett e Ronaldo Lemos, está o responsável pela editoria de música do New York Times, o crítico Jon Pareles, o presidente da Pitchfork Media, Chris Kaskie, entidade proprietária do famoso portal www.pitchfok.com, Derrick de Kerckhove, que trabalhou diretamente com Marshall McLuhan. 

Também estarão presentes Aram Sinnreich, Brian Mackern, Douglas Rushkoff Sterne, Javier Bustamente, Martin Groisman, Michale Goddard, Tom Silvermann e o DJ  Spooky, entre outros.

Daqui: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/abertas-as-inscricoes-para-o-digitalia-2013-evento-conta-com-convidados-internacionais/

Ética do espetáculo "Drácula, por Marcio Meirelles"*

Espetáculo Drácula (foto Tai Oliver)

O espetáculo Drácula, por Marcio Meireles, foi baseado no romance de horror de Bram Stock (1897) de mesmo nome. A adaptação, feita por Marcio Meireles, sugere que o vampiro está associado ao monstro que deseja contaminar a civilização ocidental, retirando suas vidas, lazer, trabalho, alimentos entre outros bens. Marcio nos induz a interpretar Drácula como o monstro que simboliza a força esmagadora do imperialismo que reinava no final do século XIX.
De acordo com Valls (1994, p.14,15) se formos pesquisar os costumes de uma civilização de forma mais minuciosa perceberemos que podem haver outros valores mais altos, como as alianças político-militares, a paz social, a linhagem, dessa forma percebemos que a ética muitas vezes é modificada em beneficio de pessoas da alta burguesia. Cria-se “ monstros”, e novas regras para que suas atitudes sejam justificadas e aceitas. E é justamente esse o problema da ética, a sua interpretação depende muito do ambiente que se analisa, dos costumes da população e todas as situação que estão ao redor do fato.Assim entendemos que a figura do Drácula foi criada para tirar o foco da população das coisas feitas pelo imperialismo, onde na verdade o “monstro” era o próprio imperialismo.
*Texto de Juliet Magalhães apresentado como requisito parcial para avaliação da disciplina ética, do curso Superior em Tecnologia Design de Interiores, sob orientação do professor Sergio Rivero.

Vila Velha Social Club*


Dos fatores que me levaram a escolher a Gamboa de Cima para morar, mais do que a vista da Baía de Todos os Santos, a proximidade com o Chez Bernard, a mítica de ser vizinho imaginário de Genaro de Carvalho, Batatinha e de personagens de Jorge Amado, ou fazer feira aos sábados no Largo Dois de Julho, pesou o fato de ser exatamente atrás do Teatro Vila Velha.

É de se estranhar que logo eu diga isso - eu que não sou afeito às artes cênicas, e particularmente não gosto de teatro (ou melhor: não gosto disso que se faz hoje em dia e se chama, erroneamente, de teatro; gosto no entanto de Teatro, aquele que se fazia até Beckett, inclusive). Ocorre que o Teatro Vila Velha é mais do que um teatro, no sentido de espaço para as artes cênicas, tanto quanto uma boa biblioteca não pode ser um lugar meramente de guardar livros, um bom museu deve servir para várias outras coisas além de expor obra de arte (e Lina Bo Bardi bem sabia disso ao garantir que o Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, tivesse uma praia sempre muito frequentada pelos moradores dos arredores, desde a Gamboa de Baixo até os Barris).

Arqueologicamente, o Vila Velha sempre herdou a sina de ser um espaço que, sendo das artes, é mais do que delas - é da política porque dos encontros da pólis. Era assim com a Galeria Oxumaré, de onde brotou o modernismo bahiano, tardio mas potente; foi assim ao romper com a encenação naturalista da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (único dos campi de artes produzidos pelo Magnífico Edgar Santos cuja linguagem era do século XIX e não do XX - em tempo: não vejo nisso demérito), e surgir no meio do governo de Luís Vianna Filho, que tentava fazer barricada, salvando alguns espólios da Avant Gard, contra os coturnos dos milicos que já tentavam arrombar a porta; depois, com sua resistência e reerguimento nos anos 1990 junto com o Bando de Teatro Olodum, justamente em contraponto a reforma esvaziadora do Pelourinho sob o carlismo; e por último (mas não por fim), gerando o primeiro (e até agora único) Secretário de Cultura do Estado da Bahia que chama(va) a indústria cultural predatória, especulativa e monocultória pelo nome que tem: Axé-System (e com todas as consequências em execução de políticas públicas que isso teve).

No ano de 2012, o Vila Velha deu outros passos nesta direção. Quer indiretos e discretos, como a abertura de seu café ao longo do dia, passando a concorrer com outros restaurantes executivos do centro de Salvador, e garantindo assim uma maior circulação e ocupação do Passeio Público (espaço em que o Vila se insere e que, não fosse isso, seria um parque totalmente desertificado - Jane Jacobs dá as dicas...); quer sediando generosamente o Movimento Desocupa, que pode fazer coincidir claramente o problema da especulação imobiliária e da especulação cultural, através do seu ataque frontal ao Camarote Salvador, e a partir dele contra a mutilação sofrida pela Lei Orgânica do Uso do Solo nesta capital reconvexa sob sua última e neuropática des-prefeitura; e dentro disso, a série A Cidade Que Queremos.

Dizendo assim, parece que o Velho Vila é um bunker quase politburo; contudo, quem o frequenta sabe que o agenciamento é involuntário, afetuoso e afetivo, e micropolítico. Gosto de ir no Vila para simplesmente ficar sem fazer nada de sério, quando ele está lotado mesmo em eventos de que não gosto, como o Festival Viva Dança - que aliás consegue unir companhias profissionais, escolas de balet da alta burguesia de Salvador, e molecada de hip-hop das periferias nordestinas, tudo ao mesmo tempo (que outro espaço você conhece que faria isso, leitor?); gosto de ir no Vila para escrever e me inscrever em prêmios de Literatura - costumo dizer que cumpro residência literária no Teatro Vila Velha, só nunca fui pago para isso, até porque é dom & dádiva, jamais dívida.

E, como um dos primeiros críticos da nova geração a se levantar contra a bobagem de se dizer que o formato-canção morreu, queria lembrar que em 2012 o Teatro Vila Velha acirrou sua abertura para eventos musicais. Sim, talvez isso tenha começado lá em 2009, quando houve edições do Baile Esquema Novo na sua salaprincipal, desterrados que estávamos com o fim da Boate Boomerangue; e ganhou força quando, em 2010, o Encontro de Compositores passou a existir - evento de que me sinto co-autor, uma vez que realiza in vivo o que apenas fiz in vitro com meu Cartel Sobre A Canção (série de entrevistas em que fica claro que a canção é sobretudo, e vale repetir a título de redundância, um utensílio político em seus efeitos e em suas causas, porque da pólis e na pólis).  

* Texto de Lucas Jerzy

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Drácula no cinema e no teatro



Espetáculo Drácula (foto Tai Oliver)

O cinema e o teatro são linguagens diferentes, mas possuem uma construção dramática para o desenvolvimento da obra. Faço aqui então um comparativo de obras baseadas na história do Drácula, que foi dramatizado no romance de Bram Stocker em 1897, sendo a melhor versão para o cinema, Drácula de Bram Stocker (1992), baseada na obra literária original e adaptada para o cinema por Francis Ford Coppola. Já no teatro Drácula é o mais novo espetáculo do diretor Marcio Meirelles, baseado também no célebre romance de horror, por sua vez acompanhado pelas interfaces entre o teatro, a tecnologia e as novas mídias.


Os recursos para provocar uma determinada emoção usando o cinema e os teatros são bem diferentes. No cinema estamos a mercê do diretor ele escolhe o que e como iremos acompanhar a narrativa. No cinema a cena é realista e pode ser composta por uma montagem artificial feita a partir das decisões do diretor. A transubstanciação para o formato de filme conta a história do conde Vlad de diversos pontos de vista, em momentos do próprio conde, em outros, através das cartas do Jonathan ou pela narração do Professor Van Helsing. O roteiro é dinâmico e sempre busca localizar o espectador em viagens através de Londres e a Transilvânia. Viajando por mapas, em navios ou carruagens, sempre por locações amedrontadoras tomadas por sombra ou névoa, clima muito bem trabalhado nos filmes de terror.

O teatro é disposto em um palco aberto, então o espectador pode escolher o que quer acompanhar, que ator ele quer ver. O teatro não tem os recursos tecnológicos do cinema, mas podem revelar como as situações acontecem através de ações e reações e com uma profundidade que só as palavras podem alcançar. Profundidade essa que é verdadeira alcançada pela dramaturgia, pois o real aqui não é possível.  Por sua vez, na transubstanciação para o teatro do romance Drácula, a montagem é inovadora, a posição do protagonista é revista, não há um ator para interpretar o Drácula, há uma série de projeções percorrendo a sala de teatro, com palavras e imagens que contracenam com os atores. Esse novo modo de construção trouxe o tema do romance, que é a criação de um mito, utilizando de todos os meios disponíveis. 

Na adaptação os personagens e as situações em que se encontram servem se apoio e substrato para sua construção. Um filme ou uma peça de teatro baseados em obras literárias são entendidos como uma leitura do áudio, vídeo e representações dos atores, e podem ser moldadas de acordo a vontade e percepção dos diretores e roteiristas. As obras são o resultado da leitura de cada um, roteirista ou diretor, seja ele qual for quem tenha realizado a obra. Sabemos que nunca será igual ou totalmente fiel a obra romântica.

Desse modo o diretor Marcio Meirelles opta pela representação de Drácula somente em vídeo. Nenhum ator aparece como o vampiro, mas a alusão ao seu poder de destruição se torna grande. A peça busca falar indiretamente sobre as questões com a morte, com o desconhecido e com os monstros que nós criamos e temos que enfrentar.

Já no filme, Coppola aderiu a um visual gráfico e estilizado. A Transilvânia é vermelha, cheia sangue e sombras, e a perduração do filme acaba dependendo mais das imagens do que dos atores. O roteiro é cheio de becos sem saída que começam cedo na história, e imprime uma narrativa ligeira, com trinta minutos de filme parece ter passado, pelo menos uma hora. Mas talvez isso seja um problema ocorrido no livro e acabou sendo trazido para o cinema. A adaptação tenta de certo modo ser fiel, pois assim como no livro o filme também fornece informações provenientes de diários, cartas. 

No filme os cenários e figurinos são muito bem estilizados, e possuem uma mistura que remete ao teatro e quadrinhos ao mesmo tempo, com cores vivas e figurinos espetaculares.

No teatro a ideia de figurino do diretor é bonita e interessante, e trabalha certa dualidade. Os atores usam vestido branco e um casaco comprido preto. A extremidade entre as cores preta e branca e entre o feminino e masculino se encaixa com a proposta da montagem, que trata de luz/sombra, bem/mal, noite/dia, etc.
No palco os inúmeros vídeos que são projetados simultaneamente às cenas, transportam o espectador para a época em que os fatos acontecem. Por sua vez, a banda musical que aparece em cena, que são os próprios atores tocando, remete ao século atual, mostrando os dois mundos.

Em Drácula de Bram Stoker existe uma grande quantidade de personagens, alguns talvez até dispensáveis. Provenientes da quantidade de informações adaptadas do romance podem estar ali somente para afirmar o filme como adaptação fiel, o que pode talvez até prejudicar um pouco o desenvolvimento dos personagens.

A obra literária trás muito de cartas documentos, reportagens de jornais, diários e etc. Sendo assim, na obra de Marcio Meirelles o recurso da narração é por muito tempo empregado pelos atores. Em alguns momentos os interpretes poderiam investir melhor nas palavras, no sentido das imagens que elas podem resultar. Se a leitura é rica em imagens o texto sai vibrante. Se for uma leitura morna o texto sai sem graça.

Aliada a boa direção de Coppola, há uma bela direção de fotografia, que provavelmente rege tributo há grandes filmes de terror. Há momentos muito bem pensados e produzidos, por exemplo, quando Drácula está voando em direção à sua vítima, atravessando a cidade e pátios, a câmera voa pelos objetos, persegue as pessoas. O filme também é composto com uma bela e característica trilha sonora.

O Drácula de Copolla é um filme visual, os movimentos de câmera valorizam cores e formas em cada enquadramento, tornando o filme bastante atraente pela beleza plástica sem abrir mão dos efeitos gráficos.

No Drácula de Marcio, são boas as projeções expostas na sala de espetáculo, quando associadas às metáforas e nas cenas de Drácula no cinema. Entretanto, em alguns momentos, perdem a força quando são muito ilustrativas. Onde já há pronunciações no texto não seria necessário ilustrar, ou até mesmo repetir as ilustrações.

*Texto de Jéfter Filipe da Silva Duarte, aluno do 4º semestre de Produção Audiovisual da UNIJORGE.
Texto elaborado para as disciplinas Oficina de Leitura e Escrita – professor Sérgio Rivero e Técnicas de Elaboração de Roteiro – professora Silvana Moura.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Prêmio Funarte de Arte Negra

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) publicou, na segunda-feira, dia 31 de dezembro de 2012, portaria que prorroga as inscrições do Prêmio Funarte de Arte Negra até 25 de março de 2013. Realizado em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), o edital vai contemplar 33 projetos nas áreas de Artes Visuais, Circo, Dança, Música, Teatro e preservação da memória. Para participar os proponentes precisam se autodeclarar pretos ou pardos, de acordo com as categorias de classificação de cor ou raça adotadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

+ informações aqui

Daqui: http://www.cultura.gov.br

Diretor de Cabo Verde ministra a segunda etapa do projeto KCena no Teatro Vila Velha

Chega hoje a Salvador, o diretor português, radicado na cidade do Mindelo, Cabo Verde, João Branco para realizar a segunda etapa do projeto KCena no Teatro Vila Velha. O projeto celebra o ano de Portugal no Brasil, e é uma realização do Teatro Vila Velha, o Teatro Viriato, de Portugal, e a Mindelact – Associação Artística e Cultural de Cabo Verde.

No Vila, o projeto iniciou em 2012 com oficina ministrada por Bertho Filho para jovens (14 a 26 anos), e agora segue para sua segunda etapa com a montagem de um espetáculo, inspirado em "Peter Pan", dirigido por João Branco (Cabo Verde). O intercâmbio internacional, procura estimular o gosto e a curiosidade pela escrita e interpretação teatral, promovendo a valorização da língua portuguesa e o reconhecimento desta e do teatro como veículo de desenvolvimento da identidade e enriquecimento pessoal e interpessoal.

Sobre João Branco
Cidadão português radicado na cidade do Mindelo, Cabo Verde, desde o início da década de 1990, João Branco, que adquiriu a nacionalidade cabo-verdiana, é considerado como o grande dinamizador de um teatro novo no arquipélago. Em 1993, fundou o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, do qual é diretor artístico e encenador, sendo responsável por mais de três dezenas de peças, montadas em português e crioulo cabo-verdiano. Em 1995, fundou a Associação Mindelact, da qual é presidente, e que anualmente organiza o festival internacional de teatro do Mindelo (Mindelact). João Branco, que lançou, dois anos depois, a revista especializada em assuntos teatrais com o mesmo nome, coordenou também a edição do livro "10 Anos de Teatro", referente ao historial do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo

Fotos dos jovens participantes da oficina ministrada no Teatro Vila Velha: http://www.flickr.com/photos/marciomeirelles/sets/72157632300357655/

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2012 no Vila*


O Olho de Deus - O Avesso dos Retalhos
Maio de 2012. Os dois palcos do Teatro Vila Velha – Sala Principal e Cabaré dos Novos – apareceram conectados pela encenação high-tech de Márcio Meirelles para contar a história de "O Olho de Deus: o Avesso dos Retalhos", sem dúvida um dos maiores acontecimentos do teatro soteropolitano no ano. Como assistente de direção, tive o prazer de estar nesse barco e, dentre os bons encontros propiciados por essa experiência, conhecer Sonia Robatto. Atriz, dramaturga, uma das fundadoras do Vila e autora de mais de 400 histórias infantis, Sonia tem ainda muitas boas histórias para nos contar. "O olho de Deus" comprova isso, uma peça sobre a memória, tema recorrente nas produções do TVV este ano.

O Teatro da Queda, por exemplo, veio com as versões estacionais do espetáculo Breve. Assisti há pelo menos duas delas, atento a cada memória revelada pelos atores, muitos conhecidos de longa data. O apuro visual, o jogo real/ficção e o modo de acolher o espectador são os pontos altos dessa peça (ou dessas peças) já transformada, a meu ver, no grande destaque do repertório da companhia.

Outras memórias também estiveram presentes, as ancestrais, como em "Oyaci: a filha de Oyá", do NATA. Infelizmente não pude assistir a essa peça, assim como também não assisti aos Novos Novos e seu "Paparutas", ou ao "Muvuca", do Viladança, portanto, não posso falar muito sobre tais espetáculos que aguardo ainda poder ver em 2013. Mas, ainda assim, vi muita coisa nesse Teatro em 2012.

O Supernova Teatro, outra companhia presente no TVV, apresentou "Drácula", um dos dez monstros que Márcio Meirelles quer levar aos palcos antes de morrer (as palavras são do próprio). A encenação épica não nos mostra o vampiro mais famoso da História, buscando maior fidelidade à obra de Bram Stoker (fidelidade sempre impossível de ser alcançada por completo numa operação entre sistemas de signos distintos como são a literatura e o teatro), mas nos apresenta um conjunto de belas imagens. Confesso ter me afastado completamente das palavras ditas no palco ao ver algumas destas imagens, e isso não é um demérito para a peça.

E o que dizer de "Dô", o encontro Bando/Tadashi Endo? Seria o butoh japonês modificando o movimento dos corpos dos atores baianos e afrodescendentes do Bando? Ou tais corpos transformando o butoh? O fato é que, o que quer que seja "Dô", a experiência teatral está presente. O movimento ali é o dos corpos dos atuantes, mas é também o mobilizar do sensível em nós, ou ao menos em mim, enquanto espectador individual.

Ah, e teve mais. A Outra, uma companhia mais que querida, mesmo num ano movimentadíssimo – trabalhando no Memorial Brasil de Artes Cênicas, com viagens, intercâmbios artísticos e uma breve residência em São Paulo –, não esteve ausente do Vila em 2012. Pelo contrário, a companhia reapresentou "Remendo Remendó", estreou "Colcha de Retalhos" e ainda compartilhou parte das viagens e dos encontros que tiveram através do Habite-se, projeto que trouxe os grupos Teatro do Concreto (DF), Atores à Deriva (RN), Teatro do Invertido (MG) e Magiluth (PE).

O TVV recebeu ainda diversos espetáculos teatrais, de dentro e de fora da cidade, exposições, espetáculos de dança diversos, mini, médios e grandes festivais. E recebeu também alguns amigos meus, daqueles que vão muito pouco ao teatro, mas que foram muitas vezes este ano. E, olha só: escolheram o Vila. Pois que eles venham mais em 2013, que eu mesmo vá mais ao Teatro em 2013 e que 2013 venham mais boas surpresas nos palcos do TVV.

*Texto de Hayaldo Copque: mestre em Artes Cênicas e Bacharel em Interpretação Teatral pela UFBA e, atualmente, professor substituto de dramaturgia pela mesma instituição. É autor de diversas peças curtas, dentre as quais se destacam: Entrevista de emprego (dirigida por ele no I Festival Ilusório de Peças Curtas, Teatro ICBA, Salvador, 2010); Um homem de sorte (vencedora do edital Teatro NU: Cinema, dirigida por Gil Vicente Tavares, Saladearte Cinema da UFBA, Salvador, 2011) e Fantasmas da noite (apresentada dentro de um automóvel, a convite do grupo Os Satyros, com direção de André Garolli, Praça Roosevelt, São Paulo, 2011). Escreveu ainda as peças Sobre a aldeia (resultante de sua pesquisa de mestrado sobre ouniverso criativo do pintor russo Marc Chagall).