sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Artes e Pontes - Intercâmbio cultural entre América do Sul e Reino Unido, em Salvador.


Atenção meu povo:

A Cia. Novos Novos tanto fez que conseguiu trazer para Salvador a segunda fase do Intercâmbio Cultural Artes e Pontes. É o seguinte: O projeto foi idealizado em Londres e a partir daí foi se estruturando a possibilidade de realização do intercâmbio em três fases, a primeira fase já aconteceu e foi em Buenos Aires. Agora chegou a vez de o Brasil receber jovens da América do Sul e do Reino Unido para trocas de atividades artísticas e culturais entre ingleses, argentinos e baianos, proporcionando a estes participantes o desenvolvimento de novos conceitos e habilidades. A terceira fase está prevista para ser em Londres/Inglaterra.

O Projeto Artes e Pontes conta com a parceria do Project Phakama (Inglaterra) e com a Fundación Defensores Del Chaco (Argentina) além do apoio institucional do Fundo de Cultura (Secult) e de organizações comunitárias locais.

Começa segunda-feira, às 14 horas, aqui no Vila! E nos dias 10 e 11 vai ser realizada uma performance cênica em grande escala. Aguardem mais novidades!

Lenina Uzêda //tchururu tchururu, é, tô de volta.

Agitos do fim de semana

O lirismo de O olhar inventa o mundo enche o Vila de poesia e beleza neste final de semana. Não deixe de ver, pois a temporada é curtíssima - só até domingo!



O olhar inventa o mundo: hoje, sábado e domingo

E por falar em final de semana, o nosso já começa muito bem: hoje tem Cabaré ao Vapor depois dO Olhar, com um frango francês especialmente preparado pela atriz Rita Carelli. Já o tempero artístico quem vai trazer é a platéia - teremos uma estrutura montada para os cantores e outros artistas da noite darem uma canja no palco.



Vale tudo!

Por isso, ensaie no espelho e traga pra gente o seu número. Pode ser a dança do quadrado, atirei o pau no gato, aquela piada de português... até strip Gordo liberou! Hoje o artista do Cabaré é você!






O OLHAR INVENTA O MUNDO

Hoje - 18h e 20h

Sábado e domingo - 20h

Sala Principal do Vila

Ingressos: r$ 16/ 8




CABARÉ AO VAPOR

Hoje - 21h30

Cabaré dos Novos

Entrada franca

Prato: r$ 10

Erotismo e sensualidade no palco






Sussurros e lábios, seios e juras, por trás ou de lado, os pés nas alturas! O espetáculo Dominatrix aborda o sem fim de fantasias do imaginário do erotismo, de forma lúdica e interativa, em um sarau de música, contos e poemas eróticos que transportam o espectador para um verdadeiro cabaret.

Inspiradas em um universo que abarca clássicos da literatura erótica universal, como D.H. Lawrence, La Fontaine, Hilda Hilst e Glauco Mattoso, as personagens se alternam, no palco, com as próprias atrizes, ultrapassando a fronteira entre a ficção e a realidade.

Dominatrix é dirigida por Marcelo Brito, artista colaborador do Vila. A peça estará em cartaz em curta temporada de estréia, nos dias 2, 9 e 16 de dezembro, no All Music Bar , no Rio Vermelho - e, é claro, é imperdível!



DOMINATRIX - recital de música e poesia erótica

Dias 2, 9 e 26 de dezembro - 22h

All Music Bar - Rio Vermelho

Entrada: r$ 15 (mulher) / r$ 20 (homem) (sem consumação)

Informações: 3334.3288 / 3334.6599


cada participante deverá trazer uma bolinha de tênis e um cabo de vassoura

são 20 vagas destinadas a atores e diretores profissionais e estudantes de teatro com experiência
inscrições a partir de 01 de dezembro

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dezembro tem...

De volta ao Vila:







O Olhar está de volta, em curta temporada, no Vila. Venha assistir a esse belo espetáculo permeado de poesia e subjetividade, inspirado nos poemas em prosa da escritora Cacilda Povoas.

Nesta temporada, serão oferecidos ingressos gratuitos para alunos e professores de escolas públicas. Entre em contato com a produção e traga sua turma!




O OLHAR INVENTA O MUNDO

27 e 28 de novembro - 18h e 20h

29 e 30 de novembro - 20h

Sala Principal do Teatro Vila Velha

Ingressos: r$ 16/ 8

Mais informações:
Cacilda Povoas - 9972.2983 / 8880.2983

"Sejamos o lobo do lobo do homem"...



Enquanto expectativas e temores, tanto pessoais quanto coletivos, em relação a um elevado nível de exposição nos cerca a todos integrantes desse grupo de Teatro Negro; enquanto as negociações contratuais compreensivelmente necessárias e assustadoras para a maioria desses artistas enrolam-se em nosso pescoço à maneira de cachecol/cascavel e modifica o tom de nossa fala; enquanto certa classe dotada de alguma intelectualidade faz suas análises acerca de linguagem e conteúdo exibidos na série e mantêm-se, pelo menos para si, com algum estatus ao proferir suas sentenças de natureza estético-racial (acho que são os mesmos que há anos atrás diziam que aquele elenco não representava nada além deles mesmos); Enquanto esse enredo - extra palco e tela - se desenrola, a terra gira e muita coisa ACONTECE!

No site tudoagora vêm a tona a discussão sobre regionalização da tv brasileira e os cânones globais ao longo das ultimas décadas.

No Estadão, Mário Viana faz o que a meu ver é uma queixa velada e ressentida sobre certa discriminação contra os brancos. E eu acho que tem aí uma ligeira sensação de perda do protagonismo branco! Mas é no mínimo curioso ouvir isso do "lado étnico" que sempre classificou como paranóia esse tipo de discurso na boca de uma pessoa negra.

Aliás, ouvi de uma pessoa outro dia que o ator Lázaro Ramos não tem discurso. "É sempre um ator negro fazendo algo sem conseguir transpor as "barreiras" da sua pele" Juro que NÃO ENTENDI! Confessei minha falta de alcance e acuidade mental para prosseguir o papo e fui embora!

No Teleséries tem o depoimento de uma carioca que, no mínimo, mostra um pouco de certo imaginário de alguém de fora da Bahia e que é legal a gente ter conhecimento também.

No A Capa, que é um site que reúne notícias e informações focadas na temática GLBT, Yolanda e Neuzão são celebrados.

No blog Radioativo, um nordestino residente em São Paulo fala do seu orgulho em se ver regionalmente representado e faz críticas à emissora pelo seu tratamento usual do tema.

Já em blogs como o Papo de Buteco, tem aqueles depoimentos de pessoas comuns, expectadores não especializados que tanto foram e são úteis pro trabalho do Bando nesses anos.

Acho legal a gente ter um certo domínio do que rola acerca desse trabalho.

Não me lembro de uma outra situação em que as pessoas que vivem a olhar para o "espelhotelazul", ao se verem de forma decalcada pelos atores e diretores do sul do país, tenham celebrado tanto uma sua representação!

Acho no mínimo loucura acharmos que nossa presença naquela emissora tenha o poder de reformular seus paradigmas ideológicos. Mas, num mundo real feito de pequenas conquistas, acho que esse nível de protagonismo é um feito importante para a história da luta racial nesse país!

É preciso ter coragem! E conseguir olhar para além de nós, de nossos medos, de nossa fragilidade frente a tudo isso e reconhecer a nossa força.

Acho que nos momentos em que conseguimos sair do nosso imaginário individual, discutimos muito sobre as burocracias e demais pragmatismos profissionais. E até com certa dificuldade... mas precisamos nos por em condição de discutir sem conceitos maniqueístas, absolutos e utópicos essa gama de informações que cerca esse trabalho de Bando, conteúdos, etc... E oxalá tenhamos tempo algum dia para celebrar o que há de bom nisso tudo. Vou terminar com um e-mail que Chica encaminhou e que não sei bem quem escreveu. Mas acho que ela comemora de forma ajuizada a situação:

Chica e Márcio:

Liguei a TV sexta à noite, pra ver alguma besteira e apagar a cabeça de um dia cheio. Totalmente por fora e desprevenida. E de repente dou de cara com o Bando todo, forte e lindo, estampado na telinha pro Brasil inteiro ver! Peguei no meio, mas gostei muito de todos os personagens, de todos os atores. Vibrei com a invasão baiana. Tudo bem que é o Bando adaptado ao quadrado, adaptado ao melodrama, arrumadinho. Mas não importa, é um feito histórico. Torço pra fazer muito sucesso e a moda pegar. Parabéns por estes quase vinte anos de resistência, de continuidade, de pé no chão, de utopia, de alegria. Parabéns a todos do grupo e muito obrigada - foi emocionante.

beijos,


Rosyane


(Jarbas Bittencourt)

terça-feira, 25 de novembro de 2008





Inscrições pelo e-mail transitosnacena@teatrovilavelha.com.br ou no próprio teatro, dia 03, das 9h às 10h.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

a segunda é terça!

Nesta segunda-feira (24) houve a primeira apresentação da Leitura em Vox Alta de novembro.



Nesta terça-feira (25) haverá a segunda e última apresentação da divertida peça política "Só o Faraó tem alma"


Não perca!



Vilavox
(Fotos Bruno Guimarães)

Adeus Maria Manuela






Faleceu ontem a atriz baiana Maria Manuela. Ela integrou o elenco dos colaboradoes da Companhia de Teatro dos Novos durante a década de 60 e com os Novos trabalhou em diversas peças inclusive em Eles Não Usam Black Tie, espetáculo que inaugurou o TVV em 1964, ela participou de Histórias de Gil Vicente, Teatro de Cordel, As damas da corte, A Paixão Segundo os Retirantes, O Noviço, Romanceiro da Paixão e outros. Maria Manuela ficou conhecida também por trabalhar com teatro de bonecos a frente do grupo Teatrinho Chique Chique que montou dentre outras peças As Aventuras de Piolim, Fantoches para as Crianças, Boi de Carro. Dentre outros tantos Manuela foi peça importante para a produção e manutenção do Teatro Vila Velha nos anos 60. É com pesar que registramos nosso adeus.

Vinicio de Oliveira Oliveira
Núcleo de Acervo e Memória do Teatro Vila Velha

Política + Comédia = Leitura



Na Leitura em Vox Alta de hoje Iara Colina dirige Só o Faraó tem Alma, texto "políticômico" de 1950. Para o bate-papo, Luiz Marfuz, professor da Escola de Teatro. Amanhã, quem discute com a platéia é o deputado federal Roque Aras.

As leituras desta semana serão as últimas com o tema "Teatro e Política", por isso, não deixe de participar! Em dezembro, o Vilavox discute "A comédia e suas urdiduras - exemplos de carpitaria cômica".

Leitura do Vilavox acontece na Sala João Augusto e a entrada é franca.

Só alegria!






Gostaria de informar que esta semana eu estarei só! Meu dignissímo chefe Bruno Machado, por motivo de força maior, irá se ausentar nos próximos 5 dias. Isso significa que eu vou poder chegar às 10h e sair às 11h, me dar ao luxo de não fazer clipagem, ouvir IRA em alto e bom som (viu, Bruno? alto e BOM SOM!) e botar piadas e fofocas no blog. Teremos dias intensos por aqui, podem aguardar!

Agora eu tenho que parar de escrever porque Luisa, Camilo e Daniel acabaram de chegar com a carne do churrasco! Vamo que vamo!





Isabela Garrido - a estagiária livre por uma semana

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Só o Faraó tem Alma



Como foi visto aqui mais embaixo, o Vilavox anda cheio de atividades. Então, pra dar prosseguimento ao Projeto Leitura em Vox Alta, convidamos a amiga Iara Colina para dirigir a de novembro que acontecerá nas próximas segunda e terça (24 e 25).

O tema ainda é teatro e política. Em dezembro e janeiro mudamos para "a comédia e suas urdiduras, exemplos de carpitaria cômica". Então nada melhor do que uma transição: um texto político e cômico! Esse é "Só o Faraó tem alma", de 1950 de autoria de Silveira Sampaio, implementador de um estilo cômico característico, intrinsecamente ligado à cultura carioca dos anos 50 e 60.

No momento retratado pela peça o Império do Faraó está em crise, porque o povo do Egito resolveu reivindicar almas às portas do palácio. Para solucionar o problema, reúnem-se o sacerdote, o general, Jaftás (o homem mais rico do império), o Faraó e sua mulher. Com diálogos com forte apelo cômico, chegam a propostas inusitadas e sugestivamente atuais, que mostram que a forma de fazer política, enfrentar questionamentos e garantir a permanência no poder ultrapassa os tempos.

No elenco Aícha Marques, Ana Aragão, André Tavares, Eduardo Albuquerque, Haroldo Garay, Jorge Baía, Ricardo Luedy, Ruy Manthur, Waldir Santos. Nando Borges pontua intervenções musicais e André Tavares assina a assistência de direção.

Como de praxe, após as leituras haverá bate-papos. Na segunda o convidado é Luiz Marfuz, diretor e professor da escola e na terça o deputado federal Roque Aras marca presença.

Apareça, assista, converse. É de graça e você é fundamental.

Vilavox encerra temporada e oficina

Domingo passado acabou a curta temporada de Primeiro de Abril. E num ritmo bom. A platéia encheu de estudantes, professores, ex-guerrilheiro, documentarista... e é claro que trocamos algumas idéias necessárias. Obrigado a quem veio ver, pensar e falar. Pretendemos contar essa História ainda por muitos anos...



(Maísa Paranhos, Carlos Pronzato, Raimundo Matos, Picó, Jones e Fabrício)

E já que estamos falando de ritmo, no último dia tivemos na platéia Ernani Maletta. Ele é o nosso professor convidado para a primeira de três oficinas de intercâmbio que promoveremos até o final de março dentro do nosso projeto de oito meses de programação. O que ele tem a ver com ritmo? Tudo! Ernani é maestro, ator, cantor, professor da UFMG, arranjador e preparador vocal, com atuação em vários espetáculos teatrais, incluindo uma parceria constante desde 1994 com o renomado Grupo Galpão, de Minas Gerias, como diretor musical e preparador vocal.


(Ernani suando a camisa)

Maletta desenvolve um trabalho juntos aos atores para apurar seu senso de musicalidade e plasticidade, sensibilizando-os para o que ele chama de “atuação polifônica”: aquela em que o ator conta, em sua atuação, com os elementos provenientes não só da música, mas também das Artes Plásticas, Artes Corporais e Literatura.


(na grande roda cabe todo mundo)

A oficina encheu bastante e está bem variada. A metodologia é relamente fascinante. E o teatro agradece os recursos da música. Pena que já está acabando. Mas fiquem ligados que em dezembro já vem aí uma outra oficina. Inté daqui a pouco.

A VALA COMUM - Páginas do Processo - nº 04

"um tiro certeiro
no meio do peito
um corpo estendido
um grito contido
um soco, um sopro, um choro
e nada mais"

"Foi como um tiro certeiro que iniciamos a 3ª etapa do processo A Vala Comum. Interrompemos o método de criação coletiva extrema e intensa, onde cada ator trouxe para o ensaio suas histórias e casos pessoais para levantarmos células-criativas que poderiam entrar na montagem, mesclando com as cenas originais do texto.


Nessa nova etapa, que chamei de MÃOS, nos direcionamos à metáfora "mãos á obra". Nosso objetivo foi criar as cenas do Mena Abrantes escritas e organizadas no texto-base usado como ponto de partida para a montagem do espetáculo.


Para isso, ensaios extras começaram a ser marcados. A esta altura, cada um já tinha uma função a desempenhar na peça, já se encaminhava ao encontro com um personagem. MÃE - Ana Paula Carneiro. FILHO MORTO - Roquildes Junior. AMIGO - Israel Barretto. HOMENS - Luiz Buranga e Vinicio de Oliveira Oliveira. CAVÍOLAS - Jeferson Dantas, Manuela Santiago, Márcia Gil-Braz, Saulus Castro e Sunny Mello (que chegou por último no processo, encontrando um coletivo coeso, uma intimidade já estabelecida e uma atmosfera densa instalada, e no entanto se adaptou rapidamente, integrando e compondo esse grupo de pessoas, passando a dividir histórias e sensações presentificadas na "memória da pele".


Chamo de "memória da pele" o registro de sensações e reações experimentadas nos laboratórios cênicos, onde o ator é conduzido a rememorar fatos de seu passado (as vezes esquecidos), revelando informações armazenadas na memória de seu corpo (compreendido como uma estrutura não-dicotomizada). Tomando como mola propulsora a vivência dos atores de situações semelhantes às experimentadas na sala de ensaio, ou imagens absorvidas do imaginário popular/televisivo/, ou ainda dos casos transformados em pop pela mídia. Assim, uma vez ativada a chamada memória emotiva (aqui apelidada por memória da pele), o processo criativo é intensificado, gerando ações e reações físicas, deslocamentos físicos-sensoriais no tempo e no espaço, deixando o ator num estado dilatado que favorece o jogo da criação de cenas.


Partimos do texto para chegar à cena de fato. Primeiro um momento para leitura e compreensão do texto, e em seguida improvisações da cena, que pouco a pouco ganhavam "marcadas", indicando caminhos e circuitos corporais de interpretação (ação/reação).


Nesse momento, trouxe para os ensaios as contribuições adquiridas ao longo de meu processo de formação na UFBA, com os professores Jacyan Castilho, Meran Vargens e Harildo Deda. O tratamento do texto, o jogo das palavras na construção dos diálogos, o destaque para frases-de-valor, a valorização e transposição das imagens textuais para ação corpóreo-vocal, a tecitura da cena de modo ascendente e justificado (uma ação levando a outra, com objetivos claros, empurrando a história para frente)..."


por Luiz Antônio Jr.

Manda descer pra ver!

Sexta-feira, fim de semana chegando e nem a chuva vai esfriar a programação do Vila hoje!

Às 20h tem a estréia de Silêncio, espetáculo que traz uma forte reflexão sobre loucura e segregação racial, tema que tem tudo a ver com a Semana da Consciência Negra.



Silêncio: corpos e palavras que levam à reflexão sobre o racismo


Depois da peça, a noite continua no Cabaré ao Vapor. Indaía Oliveira e Bruno Guimarães preparam a famosa "comida de santo" (xinxim de galinha, vatapá, arroz e farofa de azeite), com um tempero especial de Germano Cruz e banda Ijexá da Bahia.





A festa também será regada com danças e contos de Orixás e muita poesia negra. Não dá pra perder!





quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A outra dA Outra



Se eu estivesse em Salvador nesse dia eu iria...


Ah! O Clube Bogary fica na Ribeira.

Bruno Machado
Nucom

E tome Sacanagem!


Esse povo já gosta de uma sacanagem...
Depois de muitas cartas, e-mails, torpedos, comentários no blog e telefonemas pedindo para A Sacanagem voltar, os alunos da oficina d'A Outra Companhia de Teatro vão fazer mais!

Venha rir com a história do homem que perdeu o pinto, dias 13 e 14 de dezembro, às 18h, no Cabaré dos Novos.

Curtíssima temporada, não vá esquecer!





Isabela Garrido
NUCOM

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

feridas...

- um encontro inesperado;

- personagens que buscam a verdade dos fatos;

- histórias que se misturam;

- o tempo é mesmo capaz de curar?

...

Estréia hoje A Memória Ferida, com direção de Carol Vieria - 20h, no Cabaré do Novos.






A MEMÓRIA FERIDA
Dias 19, 20, 25, 26 e 27 de novembro - 20h
Cabaré dos Novos, Teatro Vila Velha
Ingressos: r$ 10/ 5

A VALA COMUM - Páginas do Processo - nº 03



Ao final da segunda etapa (CABEÇA-PÉ), havíamos levantado cerca de 12 células-criativas, cada uma delas com foco na questão da perda de algúm ente querido e na violência urbana, criadas a partir de recortes de jornais, fragmentos de músicas e poesias, depoimentos e casos de mortes noticiadas em sites e revistas eletrônicas (de pessoas conhecidas ou que tornaram-se conhecidas com sua morte).




A partir deste levantamento de cenas, algumas quebras na estrutura dramatúrgica (tal como o texto original) poderiam ser feitas. A idéia é que essas inserções aproximassem a história escrita a partir do contexto político angolano de 1989 da realidade barsileira contemporânea. Assim, pensei que traria para a encenação a discussão política de uma questão social urgente (violência), no intuito de gerar ecos na sociedade após a encenação.




Para validar essa proposta, trouxe para a sala de ensaio o trabalho de quebra do discurso lógico (seja ele oral / físico / textual / corpóreo), criando um HIATO (conceito trabalhado pelo ator-performer Fábio Vidal, onde uma cena é interrompida como se uma janela fosse aberta para discutir alguma coisa que não etsá diretamente ligada a cena que logo depois volta do ponto onde havia parado, danod prosseguimento a ela). Foi aí que encontrei as possibilidades de quebra do texto para inserir elementos (um cena, uma música, uma coreografia, um depoimento pessoal, um dado estatístico), de modo a "abrasileirar" a história contada pelo José Mena Abrantes.




E uma questão brotou: o que eu, enquanto encenador, quero falar com essa peça? Qual é a história que pretendo contar? A saga de uma mãe que vai em busca do corpo de seu filho morto, ou a história de uma mãe que perde o filho como tantas outras - sendo ela representante de um coletivo social?




A resposta novamente foi apontada pelo texto:






"(...) Uma mãe a chorar um filho morto é apenas uma mãe a chorar um filho morto. Eu preciso ser a mãe de todos os mortos (...)"







por Luiz Antônio Jr.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Só hoje!




A peça Álbum de Família encerra sua temporada hoje, com duas apresentações - às 19h e às 21h. A motagem tem texto de Nelson Rodrigues e revela os segredos e perversões de uma família burguesa, bem ao estilo rodriguiano. A entrada é gratuita, chegue cedo e pegue sua senha!

Já começou!






Começou ontem o I Encontro Internacional de Dança Negra, com uma programação bem variada que inclui espetáculos, oficinas e seminários. O encontro traz diversas atrações nacionais e internacionais para trocar experiências com o público sobre esse universo que é a dança afro. A programação é inteiramente gratuita e vai até o dia 6 de dezembro. Não deixe de conferir!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sem Arte

reproduzo abaixo mensagem distribuída pela Cipó Comunicação interativa, em virtude do assassinato de um de seus alunos.

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A expressão "sem arte", comumente usada pelos baianos para designar a incapacidade de agir diante de alguma circunstância, notícia ou susto, pode ser duplamente utilizada hoje (14/11/08) nesse desabafo que tenta traduzir o sentimento daqueles que trabalham na CIPÓ. Porque foi assim que ficamos (sem arte) com a notícia devastadora do assassinato de Bruno Marques Santos, aluno de Design da Turma III da Oi Kabum! Salvador, que completou 17 anos no dia 1º de outubro. Bruno cursava o 2º ano do ensino médio no Colégio Manoel Novaes e seu enterro foi realizado hoje, às 16h30, no Cemitério do Campo Santo.

Passado o primeiro momento, nos demos conta de que a tristeza que nos arrebatou é ainda maior porque ficamos sem arte na Kabum, sem a arte de Bruno. Experimentando o uso do seu talento no desenvolvimento de peças de comunicação há seis meses, ele expressava suas idéias, seus desejos e os seus sonhos, que foram enterrados com ele hoje.

Nos perguntamos mais uma vez: o que fazer? Não sabemos, estamos ainda sem arte diante da notícia. Sabemos apenas que na segunda-feira, quando a Escola, sediada no mesmo bairro onde Bruno vivia e foi morto, voltaremos aos poucos à nossa rotina, buscando de forma incansável estar próximos dos 79 amigos e amigas dele. Voltaremos, entretanto, com a certeza de que o nosso trabalho, assim como tantos outros, não dará conta sozinho do complexo contexto social em que estamos inseridos. E é por isso que nos unimos às inúmeras vozes que apontam as mazelas sociais e alguns caminhos para solucioná-las, convocando a todos (as) a encarar de forma séria a violência e o genocídio da juventude negra em nossa cidade.


A Gargalhada de Ulisses

A escritora, dramaturga e pesquisadora Cleise Mendes lança amanhã, às 19 horas, o ensaio "A gargalhada de Ulisses", no bar e restaurante ExTudo.

Autora de mais de 30 textos teatrais já encenados, este novo volume é fruto de sua pesquisa de doutorado e estudos anteriores e trata da catarse na comédia.

Dividido em cinco capítulos, o livro também aborda o preconceito sobre o gênero, a construção da comicidade e reflete sobre a comédia enquanto construção artística.

Clique aqui para ler mais sobre o livro.

E não perca o lançamento!


Livro: "A Gargalhada de Ulisses"
de Cleise Furtado Mendes.
Lançamento amanhã - terça (18)
19h - ExTudo (Rio Vermelho)
Entrada Franca

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Selecionados para a oficina de iluminação cênica

O Teatro Vila Velha tem o prazer de divulgar a lista dos selecionados para a Oficina de Iluminação Cênica. A procura foi grande: foram 107 inscritos para um total de 25 vagas. Ficamos muito felizes em comprovar a confiança que a cidade tem pelas ações de capacitação oferecidas pelo Vila, que sempre primou pela qualidade na escolha de seus professores-artistas.

Esta oficina, com aulas teóricas e práticas, é totalmente gratuita graças ao convênio com o Ministério da Cultura, que, desde 2005, reconheceu o Teatro Vila Velha como Ponto de Cultura devido a suas constantes atividades de produção artística, formação de platéia e capacitação profissional. Aqui, o aluno tem a oportunidade de aprender com o dia-a-dia desta casa coletiva que é o Vila, e acompanhar de perto todo o processo de construção de um espetáculo de teatro, dança ou música. O conhecimento aqui não se guarda, compartilha-se.

Ousamos mais uma vez! Devido à grande procura, decidimos aumentar o número de vagas de 25 para 39, porque temos consciência da importância desta ação para a formação de novos técnicos para o mercado cultural baiano. Desse modo, espero que os alunos selecionados aproveitem o máximo e que também multipliquem o conhecimento que irão adquirir aqui.

Para os que não foram, desta vez, selecionados, informo que outras oficinas estão a caminho. Elas chegarão no próximo ano quando o Vila completa 45 anos. É só esperar um pouquinho.

O Vila Velha agradece o interesse e o carinho de todos os candidatos por este teatro.

Boa sorte para os selecionados e boa oficina!

Um grande abraço,

Fábio Espírito Santo
Diretor do Teatro Vila Velha



SELECIONADOS PARA A OFICINA DE ILUMINAÇÃO CÊNICA

1. Albert de Souza Vieira
2. André Santiago de Souza
3. Anildo Bonfim Cabral
4. Cláudio Serra da Silva
5. Daílson Barroso dos Santos
6. Danillo Amorim Novais
7. Elaine Cristine Pinho Santos
8. Eleidson Vicente Rosa
9. Eliane de Almeida Vasconcelos e Oliveira
10. Emillie Lapa do Espírito Santo
11. Fabio Belmonte dos Santos
12. Fernanda Barros da Silva
13. Franclin Correia da Rocha
14. Gabriela dos Santos Vianna
15. Jilson dos Santos Soares
16. João Evangelista de Jesus
17. Joilson Batista da Conceição
18. Jailton Souza de Moraes
19. Joseane Reis Varjão de Almeida
20. Lorena Paixão Morais
21. Luiz Ailton Andrade Santos Filho
22. Maurício Lessa da Silva
23. Mônica Andrade Navarro Santos
24. Naiara Leite Costa
25. Nilmara Lima Rocha
26. Paulo Sérgio Santos
27. Pedro de Albuquerque Oliveira
28. Quênia Borges Rebouças dos Santos
29. Rangel dos Santos Souza
30. Ruhan Alves Álvares
31. Renilza Machado Ramos
32. Saulo Jair da Silva Vianna
33. Susana Quirino da Silva
34. Tarcísio de Oliveira de Souza
35. Tiago Florentino de Jesus
36. Ubaldo do Nascimento Pereira
37. Vinício Rogério Nascimento Pereira
38. Vinicius Bustani Valente
39. Vinicius Sena dos Santos

A VALA COMUM - Páginas do Processo - nº 02


Continuando a falar do processo criativo da Vala Comum...


"A segunda fase do processo de pesquisa, criação e montagem da Vala Comum, chamei de CABEÇA-PÉ - fazendo uma metáfora da cabeça nas nuvens e os pés no chão.


Durante cerca de 30 dias, enveredamos no processo de construção de cenas a partir de improvisações norteadas por reportagens de jornal, de revistas e de sites da internet; por vídeos, múscias e textos poéticos que tem algum tipo de ligação com a temática do texto-base, de autoria do angolano José Mena Abrantes.


Cada ensaio, neta fase, era dividido em duas partes. No primeiro momento trabalhávamos exercícios ligados a bioenergética e a exaustão física, buscando um estado dilatado para a cena, mais aberto ao universo denso da criação e livre de couraças adquiridas no seu percurso sob a linha do tempo, e um corpo tonificado para a construção das imagens reveladas na própria estrutura física do ator, como do coletivo. Também trazia jogos para despertar a ludicidade e o entrosamento do coletivo, afinal no elenco de 10 pessoas, apenas 05 vinham desenvolvendo um trabalho mais continuado (há cerca de 01 ano). os outros nunca haviam trabalhado juntos, pessoas que nem sequer sabiam da existência da outra agora se encontravam num mesmo espaço para ensaio, onde compartilhavam suas particularidades e sua história de vida.


No momento seguinte, dividia o grupo em subgrupos e cada um recebia um texto, ou um fragmento de música, ou uma reportagem, ou um depoimento, ou ainda uma fotografia, e então num dado espaço de tempo eles esboçavam uma cena livremente - fosse pra contar o que ali estava, fosse para tomar aquilo como base para criar uma outra história; de maneira narrativa, com música ou não, idependente de quem era o que. tudo era livre e permitido. o tempo inteiro friso que não existe certo nem errado, bonito nem feio, este ou aquele... o que existe é a leitura do que se faz, se isso serve ou não para este processo é algo que eu (diretor) tenho que optar, afinal eu sou o olhar de fora!


E nesta etapa dois caminhos eram apontados, a partir da dramaturgia do texto. Uma que o nome A VALA COMUM já sugere uma pesquisa acerca das valas comuns utilizadas ao longo da história mundial para dar sumiço em milhões de pessoas. Foi então que me deparei com a questão: "Qual é a vala comum de hoje" E a resposta, me veio com uma leitura mais atenta do texto, mergulhando na história dessa mulher guerreira que vai em busca de um menino morto e desse menino que morre com um tiro ao atravessar a rua. Um tiro. O que levou esse menino a tomar um tiro? Quem deu esse tiro? E essa mãe - o que fica dela sem o filho?


A disputa pelo poder. Isso é o texto inteiro se fala disso, é um querendo mandar no outro, tomar o outro, ser mais que o outro, um duela pra ver quem fica com o corpo do filho morto... E hoje, vivemos nesse universo, é um conflito entre PM e bandidos, entre facções, entre representantes do poder, entre candidatos a qualquer coisa, e cada vez mais é maior o número de mortes, de assaltos, de sequestros - a violência se impõe, é crescente o seu índice.


E Salvador é uma cidade onde a violência parece velada. Não se pode mais andar na rua de bobeira, não existe mais parâmetro para reconhecer um assaltante, não existe predisponibilidade temporal para o furto, quiçá para tomar um tiro ou uma facada ou um soco... Salvador está sitiada. E as pessoas não parecem reconhecer isso. A violência é sempre algo distante. Só acreditamos quando acontece conosco ou com alguém próximo... E o que se faz para evitar ou controlar ou reduzir os índices de violência? Se antes os casos de violência aconteciam a noite ou em bairros mais distantes ou em períodos mais festivos (como carnaval, final de ano, S. João...), agora não existe isso. No Campo Grande, as 16h, uma pessoa é assaltada, outros vêm e nada é feito... celular, relógio, dinheiro, cartões, tudo é levado... Na Avenida Sete, as 10h, a bolsa é aberta e a carteira é tirada que nem se percebe... em inúmeros bairros o Toque de Recolher é instaurado!


E é essa a Vala Comum de hoje... se fala de números, de dados estatísticos, de casos, de protestos... mas na verdade, quem sabe a dor de perder um filho?! É essa dor de quem fica, a saga dessa mulher que rasga o mundo em busca do corpo do filho que um dia lhe rasgou pra vir ao mundo.


E esses personagens? Quem são essas pessoas? A minha pesquisa é em cima da possibilidade de ser qualquer um. Não quero enveredar na contação de uma história específica e fechada. Quero uma obra aberta, de modo que as leituras sejam múltiplas. Pois todos podemso estar no lugar desse filho ou dessa mãe...


Podia ser seu filho, amigo, irmão

seu pai, sua mãe, sua paixão

Podia ser você ou qualquer um

(...)"


por Luiz Antônio Jr.

Tá acabando...



Tá acabando... Restam seis vagas apenas para a oficina com o Diretor Musical do Grupo Galpão, Ernani Malleta. De segunda a sexta, na próxima semana, das 19 às 22h.

3083-4616 e 8843-4248

Corram! Estaremos inscrevendo nesse final de semana também.


Mais em http://www.teatrovilavelha.com.br/


clique na imagem para mais informações:


Gordo Neto
Vilavox

aproveite...

Hoje é na Fazenda Coutos!



Hoje a farra de Ó paí, ó é na Fazenda Coutos. A terra natal de Érico Brás - o Reginaldo da série - armou a maior festa na feira do bairro, com direito a telão, apresentação da companhia de teatro Kulturart (de lá da região) e do grupo de samba de roda Cabelo Pixaim, da qual o próprio Brás faz parte.


Val Soriano e Érico Brás em cena

A farra começa às 20h; pára para assistir ao novo episódio em torno das 22h30 e depois continua até quando o povo agüentar.

O Bando vai descer!

Se jogue!

-x-x-x-x-x-x-x-x-


E esse aí, você conhece?

Deixe seu comentário.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Acabou...



Estão encerradas as inscrições para a Oficina de Iluminação. Quem não conseguiu se inscrever, fique ligado no blog ou no nosso site, pois outras oportunidades legais podem surgir a qualquer momento.

Para os inscritos, não se esqueçam de vir à entrevista com a facilitadora da oficina, Fernanda Paquelet, nesta sexta-feira (14 - amanhã!), às 9 horas da manhã. É desse processo que vai sair a lista final, com os nomes dos 25 participantes. O resultado será publicado aqui no blog e no site do Vila no fim da tarde desse mesmo dia.

As aulas já começam na segunda, dia 17.

Verba da Cultura pode dobrar em 2009

Agencia Estado

O Ministério da Cultura deverá ter seu orçamento duplicado em 2009, saltando de R$ 1 bilhão para R$ 2,1 bilhões. Se confirmado, o aumento, que elevaria as verbas destinadas à cultura para cerca de 0,9% do Orçamento da União, chega perto daquele que era considerado um patamar "razoável" pelo ex-ministro Gilberto Gil (e do recomendado pelas Nações Unidas, 1%).

A elevação da verba se deverá a duas emendas ao Orçamento propostas ontem pelas Comissões de Educação e Cultura do Senado e da Câmara. A aprovação das quantias passa agora pelas mãos do relator setorial, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), e segue finalmente para o relator-geral, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Ontem, os deputados, por consenso, resolveram destinar R$ 500 milhões (R$ 400 milhões para investimento e R$ 100 milhões para custeio) para instalação de espaços culturais em projetos do Ministério da Cultura.

A comissão do Senado, por sua vez, também aprovou ontem uma quantia extra de R$ 600 milhões para a pasta. A emenda está prevista na rubrica Fomento a Projetos em Arte e Cultura. Ficou acertado entre os senadores que subscreveram a proposta que 20% do valor da emenda irá para a Fundação Nacional de Artes (Funarte), com destinação específica ao prêmio Miriam Muniz, que fomenta a produção teatral em todo o País.

Mas o Ministério da Cultura informou ontem que, no total, destinará R$ 300 milhões para o aumento do orçamento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que acaba de ser assumida pelo ator Sérgio Mamberti. Ele trabalhará com 6 vezes mais dinheiro do que seu antecessor, Celso Frateschi (a Funarte teve anualmente, para investimento e custeio, a quantia de R$ 50 milhões). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A VALA COMUM - Páginas do Processo - nº 01







Faltando um mês para a estréia, abro um pouco do meu diário de processo para todos do TVV - artistas, colegas, técnicos, produtores, público e os fãs de carteirinha deste espaço múltiplo.



"Aproveito a oportunidade, o tempo razoavelmente livre para exercitar o poder da escrita e nada melhor do que dividir um pouco do processo criativo da montagem de A Vala Comum com todos.

Ao fim da terceira semana de processo, num total de 06 encontros - defino o meu preterido elenco. Algumas certezas saltam e muitas inquietações pipocam! No Texto A VALA COMUM - tal como está escrito e impresso pelo angolano José Mena Abrantes, há 11 personagens, o que sugere um elenco formado por 11 pessoas. No entanto, minha proposta é que tenhamos 12 figuras no elenco. Logo, busquei as 12 pessoas. Só que ao final destes 06 encontros, não tive ainda a oportunidade de me encontrar com todos num único ensaio - nem mesmo na 1ª leitura feita lá em junho... rsrss... parece brincadeira mas é verdade. O último ensaio desta primeira etapa foi o mais tenso. Considerando que duas pessoas confirmaram suas saídas, o elenco cai pra 10 pessoas, e destas apenas 06 estavam lá na sala. 06 é metade do meu elenco, ou melhor seria...! Onde estaria a outra meia dúzia de gente pra o elenco?

Uns estavam trabalhando, pra ganhar uma grana -é a resposta! Como não estamos com grana pra pagar as pessoas para virem ao ensaio e etc... não sou maluco de dizer não vá trabalhar, venha pra ensaio e coisas e coisas... afinal as contas aparecem na caixa do Correio todo mês e precisam ser pagas... eu gostaria de poder oferecer um mínimo para que todos possam estar no ensaio tranquilos - pelo menos na vinda e no retorno para suas casas... Entretanto, as certezas são poucas. E é aí que invisto num trabalho que possa gerar algum outro tipo de retorno - formação, orientação, percepção, construção...

Outros ainda, não apareceram por outros motivos, saúde, família... o fato é que cada um é responsável pelo que coloca em cena, pelo que propõe ou deixa de propor. A minha proposta é que o processo não sirva apenas como uma fonte de criação da cena, mas que ele possa ir pra cena, que seja mais um organismo da encenação. Que esta atmosfera laboratorial, experimental, ritualistica e sensorial esteja exposta durante a encenação do VALA COMUM. Como? É nisto que tenho me debatido, e acredito que foi revelado aos poucos. Uma coisa que me incomoda é que nos processos criativos pelos quais participei - seja como ator seja como diretor, seja como auxiliar, sei lá... - o processo, os laboratórios são sempre utilizados para gerar material, para auxiliar na construção das personagens e de suas relações e na sequência transformam-se em memórias que depois são contadas numa mesa de quintal, ao sabor de uma gelada cerveja com um arrumadinho de carne-do-sol e calabresa... Eu pretendo que este laboratório aconteça na encenação, que as pessoas participem, que o público não só assista como esteja dentro, que não seja passivo por costume, mas por escolha... que a platéia possa optar entre a atividade e a passividade "livremente".


Ao fim desta primeira etapa da pesquisa a qual denomino de etapa MÃO - reflexos psico-neuro-sensoriais, onde o SIM é a grande palavra dita. Nesta etapa propus a perda de alguns sentidos (visão e tato, em especial) para que outros sentidos (audição, fala, e os não titulados, mas existentes...) fossem ativados de fato, despertando um estado dilatado para encenação, por uma via não tão convencional. Isso gerou situações as quais os atores foram inseridos, trazendo para a sala de ensaio memórias, sensações, construções / reconstruções de histórias particulares que encontram ecos nas histórias dos outros e acabam por sair do universo particular/individual ganhando representatividade coletiva. Para aguçar estes sentidos, utilizei até onde pude alguns dos elementos base constituintes da vida: Fogo, Terra, Ar e Água - utilizado com máxima frequência. No início o choque, a lama, o sujo, depois o contraste do gelado no quente, em seguida como algo que desperta.

Experimentamos sensações estranhas e trouxemos para o coletivo histórias escondidas nos véus de nosso passado, coisas que acreditávamos esquecidas, superadas e/ou resolvidas. Passamos do over da alegria e da felicidade para o baço absurdo e dolorido, pela sua concretude - seja no acontecimento outrora lembrado, seja pelo embate entre a reação física e o que era pensado como estratégia de reação. Alguns, senão todos, passaram pela fase do "a mente pensa numa coisa e o corpo faz outra", os arrepios, os socos, as escoriações, as pancadas, os arranhões e machucados percebidos ao final do ensaio, ou sentidos no banho ou no dolorido do acordar, no arrocheado dos dias posteriores.


Utilizei ainda uma série de livre associações físicas entre os atores do grupo, de modo a formar grupos, tribos, guetos, coletivos que tem afinidades - através do lançamento de perguntas do tipo: por quem você rasgaria o mundo? / por quem você mataria nesta sala? / quem parece com você? / com quem você brigaria na certeza de que venceria? / que tem alguma coisa no corpo que você gostaria de ter?


O fato é que a exaustão que acaba por nortear minha pesquisa revelou-se invertido - surgindo da mente para o corpo. Normalmente os trabalhos de exaustão acontecem do corpo, cansando a "matéria" para liberação do inconsciente, de modo a proporcionar um estado de reação nas pessoas mais intenso e rápido. Ou seja, caminha na via do corpo para a mente - e portanto, o corpo acaba estando mais trabalhado, mais resistente, mais definido, tonificado... Neste processo experimento uma via oposta, que não pretende negar a outra, afinal estamos numa fase de dizer SIM - as propostas e proposições, as ações e reações. Enfim, propus e percebi que a exaustão originava-se na mente, no desgate psicológico, sendo refletido no corpo que reage, entrando num estado dilatado, para a geração do material cênico.

Tem sido um processo intenso, perigoso e delicado! Onde proponho um ser ATUANTE (oriundo do contato com a pesquisa do ator-performer Fábio Vidal), onde ator e indivíduo são o mesmo, a história pessoal ganha tom e cor e é encenada, a ficção imbrinca-se com o real. É uma quebra entre o que estar fora da sala de ensaio e o que está dentro - respeitando os limites do processo. Valorizando as potencialidades de cada intérprete e construtor da cena.


Nos expomos, entramos em contato direto com o outro, corpo no corpo, a energia dionisíaca e apolínea, prazerosa e dolorida, baça, estranha. E por isso, a importância do reconhecimento do outro enquanto colaborador de seu processo criativo. O que é gerado na sala de ensaio fica lá - sendo material para a encenação. E daí a pergunta: até onde podemos ir neste processo? Até onde posso expor este material coletado/gerado/potencializado? Porque digo isso? Porque durante os laboratórios experimentamos sensações não muito agradáveis e que são ressaltadas a partir do contato com o outro e das relações que são estabelecidas no jogo - mas o outro é um companheiro, é um cúmplice seu. E lá fora o mundo continua a girar e somos próximos/conhecidos/amigos. As "viagens" mexem como nosso sistema nervoso, fisiológico, sensorial e humano (entendendo o homem como um ser dotado de memórias).

O segredo, o nada, o silêncio e seus sons, o vazio e os seus mil seres, a escuridão e suas mil lembranças, o medo, a dor, a morte, o sexo, o beijo roubado e escondido, o soco, a briga, a lembrança do menino crescendo no meio dos maiores, o vômito, a argila e a sala suja pra limpar no dia seguinte, as velas e o preto do querosene no nariz e na garganta, a queda, o vocalize e o choro, o grito, o desespero, a profusão de sons entre apitos e atabaques, as cipuadas, o estouro da camisinha, o surto, o querer sair e as saídas dos outros, o não entrar no jogo, o ficar a querer entender o que eu (diretor) queria com este ou aquele exercício, a tentativa de sacar quais os meus objetivos, a proposta do nu, o desconforto de ficar de pau duro ou de seio arrebitado, a angústica de vir para o ensaio, a ressaca no outro dia, os e-mails, as perguntas, os depoimentos e as revelações, os encontros, as chegadas, as origens, as reflexões sobre o dia anterior, as massagens, a tontura, o toque, o tecido e o pano-de-chão, o não saber o que fazer, os reflexos nas relações cotidianas, a fita adesiva, as vendas, a cabra, o espelho, a bacia e a garrafa, o sem fim de perguntas e respostas e inquietações e urgências.

Ao longo dos primeiros 06 dias, depomos, conhecemos e reconhecemos o outro, dividimos uma intimidade e fortalecemos uma cumplicidade gigantesca, acreditamos e nos permitimos entrar neste universo da Vala Comum. Onde o SENTIR - FAZER - REAGIR ganha validade e velocidade sobre o PENSAR!


Ressalto ainda as coincidências do processo, o encontro, as respostas e as revelações. Utilizo um clichê: não é por acaso que estamos reunidos neste processo. Creio nisso! E quero trazer para cena as nossas vontades, inquietações, expectativas sobre o mundo o qual estamos inseridos. Discutir nossa memória histórica e contemporânea, individual e coletiva. O texto por se só, enquanto título, sugere um aprofundamento sobre as valas comuns utilizadas como ferramenta nas grandes guerras e conflitos mundiais, assim como nas ditaduras militares latino-americanas, no nazismo e no holocausto, nos processos de colonização... E o texto, me permite associar e aproximar a realidade brasileira a partir de uma discussão sobre a violência urbana a qual vivenciamos e integramos. Os assaltos, as chacinas, as disputas pelas bocas, o homicídios e os índices crecentes de violência em Salvador, no Brasil e no Mundo - reforçando a pergunta "Qual é a vala comum de hoje?"

E foi assim que enveredamos numa outra etapa onde discutimos sobre estas questões, estas proposições, pesquisando, debatendo, trocando, catando, e gerando mais material para a encenação que estréia no próximo mês (11/12), aqui no Palco Principal do Teatro Vila Velha. Desta vez mesclando o imaginário, as improvisações, e as loucuras nossas com a propopsta de encenação.


Quero aproveitar para frisar que algumas das técnicas, jogos e execírcios aplicados nos ensaios foram influenciados por outros processos, ensaios, espetáculos, oficinas e cursos. Então, trago para a sala de ensaio coisas que aprendi com Fábio Vidal, com o DIMENTI, com o BAC - Alagoinhas, com o OFICCINA Multimédia, com o José Celso Correia Martinez, Hebe Alves, Adelice Souza, André Rosa, Juliana Ferrari, Jacyan Castilho, Harildo Deda, Gordo Neto, Márcio Meirelles, com tantos outros e, pricinpalmente, com A OUTRA COMPANHIA DE TEATRO.

Aproveito este processo para ressaltar, aplicar e questionar alguns dos elementos e princípios utilizados pel'A Outra ao longo destes 04 anos de atividade, que geraram os 05 espetáculos dirigidos por Vinicio de Oliveira Oliveira - agora ator neste processo. A colcha de retalhos e a improvisação, o caboré, a música, a dança e o cenário enquanto elementos que se configuram num organismo integrante da encenação, o imaginário e a loucura de seus artistas, a pesquisa e fundamentação de seus espetáculos, a quebra do texto-base com a inserção de materiais gerados na sala de ensaio criando uma dramaturgia particular.

Neste momento, A Outra experimenta uma inovação na sua escritura cênica, descentralizando a imagem da direção do grupo. São três diretores, três propostas de encenação, três processos criativos, três janelas que apontam para horizontes distintos embora aproximados, e uma única encenação. Tarefa difícil pra os jovens diretores, para a jovem companhia, e para seu elenco multável. Espero estar contribuindo na edificação de uma companhia corajosa que se permite lançar no precipício teatral, experimentando coisas, arriscando-se, buscando novos caminhos e a afirmação de sua pesquisa por uma linguagem sua - que não precisa ser estática, presa a um molde ou formato de trabalho, mas que é entendida e compartilhada por seus integrantes, que é pensada, e consciente. Espero estar contribuindo na construção e formação destes atores que toparam fazer o trabalho e têm acreditado/confiado em mim. Espero contribuir no trabalho dos meus colegas não inseridos diretamente no processo laboratorial-experimental-sensorial-ritual, de modo a encontrar-se ressonâncias do processo na montagem da encenação com seus outros elementos - cenário, figurino, maquiagem, som, luz, projeto gráfico, fotografia e registros múltiplos..."

por Luiz Antônio Jr.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

CEL.U.CINE

Festival de micrometragem, patrocinado pela Oi, premiará filmes inéditos de até três minutos. O primeiro colocado irá para o Festival de Cannes




Um concurso para quem admira a sétima arte e é ligado em tecnologia promete movimentar ainda mais o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. É o CEL.U.CINE – FESTIVAL DE MICROMETRAGEM, um evento nacional para filmes de até três minutos feitos em celular, câmeras digitais, mini-dv. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 20 de novembro, pelo site http://www.oifuturo.org.br/celucine. O CEL.U.CINE tem o patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.
A primeira edição do CEL.U.CINE premiará filmes feitos a partir do tema “Figuraça”. Em gíria, o jargão “figuraça” se refere a uma pessoa que tanto pode ser caricata e exagerada ou extremamente exemplar. Pode ser aquele vizinho que vai todo dia de pijama e pantufas comprar pão, aquela amiga que adora se exibir e não perde uma oportunidade de aparecer ou um trabalhador bem humorado e atencioso. É ligar a câmera e ficar de olhos bem atentos.O júri do CEL.U.CINE, composto por especialistas e diretores de cinema, vai anunciar os vídeos vencedores no dia 21 de novembro. O primeiro colocado ganhará uma viagem, com passagem e hospedagem, para o “Festival de Cannes”; o segundo, uma viagem para 'La Villette', o grande centro das artes, da cultura, da ciência e da tecnologia, nos arredores de Paris; e o terceiro, irá conhecer Festival de Cinema de Gramado. Todas as viagens com direito a acompanhante. O júri também vai escolher os dois melhores videomakers do festival. Cada um ganharáumaparelhocelular.Os vídeos participantes do CEL.U.CINE serão exibidos na Praça de Alimentação do Cine Brasília, na Asa Sul, a partir do dia 19 de novembro.

Não perca a Sacanagem!

A Sacanagem da Outra está em cartaz até hoje!
A história do homem que descobre que perdeu o pinto promete boas risadas no palco do Cabaré, às 19h. A peça é encenada pelos alunos da oficina da Outra Companhia de Teatro, que trazem personagens insólitos e clichês acerca do sexo numa linguagem inspirada nos quadrinhos. Chegue cedo e garanta seu lugar!

A SACANAGEM DA OUTRA
Cabaré dos Novos - Teatro Vila Velha
Hoje, 19h
Ingressos: r$ 10/ 5

Toma Kulturart


O grupo Kulturart esteve neste domingo reunido no Centro Cultural Plataforma -Território 01 do Projeto TOMALADACÁ -, monitorado por Érico Brás - ator do Bando - para mais um encontro de grupos.

O Grupo Kulturart é de Paripe e surgiu na escola para apresentar trabalhos de classe. Mas o aluno e hoje diretor do grupo, Eddy, juntou os colegas e foi além, montando um grupo de teatro que fala das condições de vida dos suburbanos.



Brás e o Grupo Kulturart


No mês passado, fizeram uma apresentação do seu espetáculo "A CARA DESSA CIDADE", no Centro Cultural Plataforma, que abriu as suas portas para o jovem grupo.

Eddy diz que "fazer teatro do jeito que eles estão fazendo é sempre bom. Todos participam de alguma forma - figurino, produção... e a satisfação é certa, porque os nossos parentes vêm assistir e continuam apoiando o nosso projeto".

Vale ressaltar que o TOMALADACÁ é um projeto do Teatro Vila Velha!

Érico Brás
Bando de Teatro Olodum

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Santo de Casa faz Milagre

Desde que vi pela primeira vez um desses orixás da capa da agendinha do Gamboa eu gostei. Comecei a guardar as edições novas sempre que saíam e, não contente, escrevi para Maurício Ferreira, da comunicação de lá, perguntando pelas antigas. Consegui uns exemplares e continuei acompanhando. Gosto do tema e do traço. Lembro de quando era mais novo e achava que os mitos dos orixás dariam ótimas HQs.

Agora, as imagens ganham um espaço bem maior que o 10x15cm da agenda. Rino Carvalho - o responsável pelos desenhos, abre neste domingo (09) a exposição "Santo de Casa faz Milagre" na galeria Jayme Fygura, no mesmo Gamboa Nova.

São
doze desenhos de entidades dos cultos afro-brasileiros. Daquelas que a gente bem conhece: Iemanjá (essa aí do lado), Oxóssi, Iansã, Ogum, Xangô, Oxalá e outras mais. O vernissage é aberto ao público, a partir das 19h.

Bruno Machado
Núcleo de Comunicação

O ibope do Cabaré



A edição especial do Cabaré ao Vapor, na sexta-feira passada - para assistir à estréia de Ó paí, ó - foi sucesso absoluto. Robson Mauro tirou fotos e emprestou pr'a gente colocar aqui no blog.

Aí, aproveitamos para lembrar que hoje à noite tem mais!

Depois de 1º de Abril, venha assistir ao segundo capítulo da minissérie, curtir Aglomerassons e comer a Moqueca de Carne de Sertão de Jorge Washington.

Começa às 21h30!

Vá esquentando...



o povo fez silêncio para ouvir


gente saindo pela porta


gente subindo as escadas


Teve até "fiscal do ecad"


A notícia que corre é que foi a maior venda da história do espaço Cabaré dos Novos. Vou procurar saber os números com Dona Irá, Vânia e Gordo.

E que tal a gente quebrar esse recorde hoje?!


Bruno Machado

Núcleo de Comunicação