segunda-feira, 30 de abril de 2007

Cia Viladança comemora resultado do mês da dança no Vila

Mais de 2.000 espectadores conferiram 7 espetáculos de dança, 4 vindos pela Caravana Funarte-Petrobras, além de 4 oficinas gratuitas, 1 evento especial de improvisação (o IMPROVILAÇÃO, para quem não veio, olha as fotos de Márcio Lima) com diferentes linguagens artísticas e uma série de palestras com temas ligados às várias tendências da dança.

Para a Cia Viladança o resultado traz uma certeza: a dança está mais do que nunca ganhando espaço na cidade e conquistando um público muito especial, apreciador da linguagem do corpo. Mas quem deu esse recado direitinho foi o público infantil, que lotou o teatro no espetáculo Da Ponta da Língua à Ponta do Pé (Cia Viladança), mostrando que gosta de dança e que esse espaço para programação infantil, ainda tão carente de produções, deve ser rapidamente preenchido.


O público que compareceu a uma das apresentações de Da Ponta da Língua à Ponta do Pé

Na terça, dia 24, aconteceu a ultima palestra do mês, tendo como tema Danças Populares, com Amélia Conrado, e na platéia a presença de pessoas bem especiais como Maria de Lourdes Siqueira, diretora do Ilê Ayê e professora da Faculdade de Administração da Ufba, Deti Lima, estilista de moda afro e coordenadora do grupo de dança do Ilê Ayê, assim como dançarinos do grupo, além de Elísio Pita, Gil Vicente e profissionais da capoeira e dança contemporânea da cidade.


Da esquerda para a direita:
Cristina Castro, Maria de Loudes Siqueira, Deti Lima e Amélia Conrado


A professora e coreógrafa Lêda Ornelas, presença constante em todas as palestras, trouxe mais uma vez seu grupo Folclórico do SESC, que compõe o espetáculo OMI OLORUM, e deixou um comentário entusiasmado sobre esse encontro:

"Após ter ficado em estado de graça durante três horas com a valiosa referência da Profª Dra. Amélia Conrado ao falar das nossas tradições, dizer algo é dificil, mas desafiador, então vamos lá: Como diz Paulinho da Viola, 'As coisas estão no mundo minha nêga, só que eu preciso aprender', e a nós foi mostrado, por nossos mais velhos, a sabedoria do conhecimento do povo com seus conceitos morais, intelectuais fazendo parte na evolução da história nossa de cada dia. Tradições passadas e reconstruídas nessa era globalizada, e com corpos dançantes comtemporaneamente. As manifestações chamadas Folclóricas e/ou Populares, tradicionais, regionais - o que importa a nomeclatura? - o que podemos observar é uma busca constante de ampliar e compartilhar o conhecimento, uma organização de idéias e pessoas, que vêm de Antonio Nobrega ao Mestre Curió e Mestre Ambrósio, que não estão nas universidades, porém deixaram ramificações e uma gama de informações, que são, em nossos dias atuais, referendadas no Brasil e no mundo. Na dança, a língua é o corpo e o verbo se torna o gesto, a dramaticidade, a diversidade das bailarinas dos blocos afros e sexualidade das danças popularmente mostradas nas ruas durante o carnalval é sem dúvida a cultura inerente de um povo, o apredizado corporal com seu jeito e trejeito como um instrumento para esta chamada Dança Popular Comtemporânea Tradicional. Parabéns a nós bailarinos, pesquisadores e incentivadores que durante anos e anos se fizeram presentes".

No sábado, dia 28, foi a vez da última oficina, IMPROVISAÇÃO - UMA FERRAMENTA DO ARTISTA ministrada por Izabel Stewart da Benvinda Cia. de Dança (MG), e logo após a performance POÉTICA DE UM ANDARILHO com Dudude Herrmann em pleno Passeio Público.

Vida longa para a programação de dança no Vila!!!!

quarta-feira, 25 de abril de 2007



Caravana Funarte Petrobras de Circulação Nacional 2007

27 a 29 de abril - Salvador (Teatro Vila Velha)
2 e 3 de maio
- Natal (Teatro Alberto Maranhão)
5 e 6 de maio
- Recife (Teatro Hermilo Borba Filho)
9 e 10 de maio
- João Pessoa (Teatro Santa Rosa)

Informações sobre oficina IMPROVISAÇÃO - UMA FERRAMENTA DO ARTISTA (com Izabel Stewart) e performance POÉTICA DE UM ANDARILHO (com Dudude Herrmann) em cada cidade da Caravana:

www.dududeherrmann.art.br

71 8201-0258

É educação ou Exército na rua

Para educador francês, ensino de má qualidade compromete a democracia brasileira
Entrevista publicada no Jornal O Globo
Imagem retirada do site www.ufpa.br

O historiador Jean Hébrard, inspetor-geral do Ministério da Educação da França, afirma que o fato de a escola pública brasileira não ser mais o espaço no qual convivem crianças da classe média e das camadas mais pobres, e de oferecer a estas últimas uma educação de péssima qualidade, está na raiz da violência que sacode as cidades brasileiras de médio e grande porte. Para Hébrard, que participou do ciclo de palestras "Os custos do analfabetismo funcional", organizado pela ONG Leia Brasil, só há dois caminhos, e o país precisa escolher: educação ou tanques nas ruas.

Num português fluente, embora carregado no sotaque, o francês - que já fez diversos trabalhos no Brasil, como a elaboração dos parâmetros curriculares brasileiros - afirma que, se morasse aqui, lutaria para convencer a classe média a voltar para a escola pública e exigir que o governo dê educação de qualidade a toda a população. Sem isso, diz, a democracia brasileira está em risco.

O senhor diz que a escola pública no Brasil foi desenhada para a classe média, que hoje em dia está na escola particular, e que esse modelo, portanto, não serve à educação das camadas mais pobres.

JEAN HÉBRARD: Foi um erro dos anos 50 repartir o mundo entre duas escolas, a particular e a pública. Porque o que faz a democracia num país é a possibilidade de todas as crianças estarem aprendendo na mesma escola. O lugar onde se partilha uma cultura comum é absolutamente essencial numa democracia. A separação das crianças em dois mundos que não se encontram vai acabar num desastre. Temos um desafio semelhante nos Estados Unidos e na Europa: como promover uma educação que seja social, numa democracia moderna? É a única maneira de partilhar as representações da cultura. A coisa mais importante é dar à população pobre a melhor cultura possível, e não uma cultura desvalorizada. Não se pode deixar a classe média confiscar a cultura somente para ela. Senão vamos para um mundo em que cada um estará fechado em seu condomínio, com cerca elétrica.

Isso é muito agudo no Brasil.

HÉBRARD: Sim, porque o Brasil é um país em desenvolvimento rápido, e, nos países que estão crescendo rapidamente, há grandes diferenças econômicas e sociais entre a parte da população que aproveita o desenvolvimento e a que fica fora dele.

O senhor avalia que essa situação se reflete na segurança pública?

HÉBRARD: Certamente. A violência nasce dessa falta de convivência. É preciso abrir um espaço novo para a confrontação social. E o único momento em que se pode fazer isso é a infância. O que de melhor uma família pode fazer hoje por suas crianças é oferecer a elas a possibilidade de encontrar crianças de outras classes sociais. Que não sejam apenas os filhos da empregada, claro. Senão o mundo fica patriarcal. Nesse sentido, o Brasil de hoje pouco difere daquele do século XIX. A diferença é o nascimento da classe média, o que é muito importante, porque é essa classe que pode fazer a democracia. E ela precisa abrir mão de privilégios. Na França temos o mesmo problema. Temos um mundo partido entre o que chamamos de banlieue, as periferias das cidades, que são culturalmente semelhantes às favelas. Se fala uma outra língua, se fala de uma outra maneira. E os dois mundos estão se matando.

O senhor acredita que seria um movimento a favor da democracia se a classe média voltasse a pôr seus filhos na escola pública e exigisse qualidade?

HÉBRARD: Minha filha se casou com um brasileiro, vive aqui. E vejo que ela está se abrasileirando, porque pôs o filho na escola particular. Eu disse a ela: você foi da escola pública na França a vida toda. Acho, sim, que tem que haver um movimento para a classe média voltar para a escola pública. O que faz diferença é a capacidade de viver junto. É preciso que a escola reaja, seja capaz de fazer uma proposta nova de cultura, que una a sociedade. Eu vejo que o Brasil não gosta de construir sua própria história. Não é o futebol que faz uma nação, é a história. E a história, na escola, foi completamente abandonada. Assim, o orgulho de ser brasileiro não tem sentido. O que é o Brasil? É um país que tem uma história muito interessante, com a colonização, a escravidão, a imigração. Não se pode deixar apenas a TV Globo mostrar uma imagem espetacular dessa história. A novela "Terra Nostra", por exemplo. Um encantamento essa obra, mas somente a escola pode pegar essa saga dos italianos e colocá-la ao lado da história da imigração alemã, dos portugueses, dos escravos. Somente a escola permite a visão crítica daquilo que a TV apresenta. E cada brasileiro, idoso ou novinho, deveria saber de cor as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Porque o que está na obra desse autor genial é o Brasil.

Os gestores de centros culturais, como o CCBB e o Instituto Moreira Salles, queixam-se que, apesar da programação gratuita, as pessoas pobres não freqüentam esses lugares. Elas simplesmente não entram lá.

HÉBRARD: Para entender por que razão, a questão da pré-escola é fundamental. As crianças da classe média não precisam tanto da pré-escola, porque têm tudo em casa, têm acesso a ela. As crianças pobres, que precisam demais porque não têm nada em casa, não. A criança vai para a escola muito tarde no Brasil. E mesmo aos 6 anos, como o governo quer agora, é tarde. A idade para começar na escola é aos 3 anos. Porque a criança precisa de três anos para ser alfabetizada, para dominar a língua e começar a utilizá-la de forma criativa, inteligente. Se a criança pobre vai para a escola com 6 ou 7 anos, e só vai ser alfabetizada - se for - lá pelos 10 anos, ela perde o interesse. Vai preferir ficar na favela trabalhando com drogas para ganhar algum dinheiro. Na Europa, o salário do professor da pré-escola é igual ao do profissional de outros níveis, e ele deve ser valorizado. Por volta dos 3 anos, a criança é flexível, é a idade em que ela pode entrar na cultura. O tempo que a criança fica fora da escola organiza a sua desculturação.

O governo brasileiro anunciou um plano...

HÉBRAD: É preciso sair dessa idéia de que um plano é a solução, um milagre. Um plano é uma maneira de gastar dinheiro, não de fazer uma política educativa que dê resultados. É preciso que toda a nação decida sustentar um processo educativo democrático.

Mas aqui no Brasil há ainda o fato de que o ensino privado tem uma bancada forte e influente no Congresso.

HÉBRAD: Trata-se de uma escolha. O Rio é o lugar onde se dá a experimentação dessa divisão do país. Como acabar com o que acontece hoje, da guerra entre morros até em bairros centrais da cidade? Existem duas possibilidades: a educação ou o Exército. Pode-se decidir que é o Exército que vai acabar com a violência que brota dessa divisão entre quem aproveita e quem não aproveita o desenvolvimento. Faz-se campos, isola-se as pessoas. Ou pode-se optar pela educação, já. É um desafio para um país que será um dos maiores do mundo em duas gerações.

E como começar?

HÉBRARD: O Fundeb (Fundo de Valorização do Ensino Básico) foi um movimento muito interessante. Mas quando se deixa a educação fundamental a cargo do município, aumenta-se a desigualdade, porque os municípios são muito desiguais. Há muitos que são muito pobres, e poucos que são muito ricos. Não é um bom lugar para se organizar a educação fundamental. A educação básica é uma questão federal, é do país. Eu visitei escolas no Pará e no Maranhão, meu Deus, quanta miséria!

Esse descaso do Brasil com a educação afeta a imagem do país no exterior?

HÉBRARD: Eu sempre digo, na Europa, que o Brasil será um dos maiores países do mundo em duas gerações. Mas um país pode ser o maior para o bem ou para o mal. O Brasil precisa escolher se será um bom país. Não é somente a economia que dá papel de líder a uma nação, é também a qualidade, o modelo de sociedade que vai apresentar ao mundo. Vejam o caso dos Estados Unidos. Não é o modelo do Bush que queremos para o mundo. Que tipo de líder intelectual, ideológico, o Brasil quer ser? Tem muita responsabilidade nessa escolha. E tudo começa com a educação. O aluno de hoje será o produtor desse país-líder em 20 anos, 30 anos.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A dança se espalha pela cidade



Ontem à tarde, a companhia Viladança realizou uma apresentação aberta ao público, integrando uma série de atividades especiais promovidas pelo Shopping Piedade em homenagem ao Dia da Dança, comemorado no próximo dia 29.

Numa das principais praças do shopping, o Viladança se apresentou durante 30 minutos, demonstrando como é uma aula de dança contemporânea dentro de uma companhia profissional. O grupo iniciou a atividade com um alongamento, seguida de sequências coreográficas, sob a condução de Maitê Soares, dançarina da companhia, responsável por aulas de pilates. Também estiveram presentes os dançarinos Bruno Serravale, Janahina Santos, João Rafael Neto, Jorge Oliveira, Leandro de Oliveira, Mariana Morais e Sérgio Diaz. A aula pública foi acompanhada pelas explicações de Andréa Gama, produtora da companhia, que falou da importância de cada etapa da aula e do processo de criação de um espetáculo de dança.

Além da companhia Viladança, ontem também houve a performance da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado, com dança popular.

A programação segue às tardes, até sábado, gratuitamente:

24/abr
14h Ballet Márcia Santos - Jazz, Street Dance
16h Companhia de Jazz Viviane Lopes
17h American Bahia Internacional com convidados Estilo Brasil e Power Black

25/abr
15h Ballet Márcia Santos - Infantil
16h30 Escola Contemporânea de Ballet
17h Escola Contemporânea de Ballet - apresentação de ballet

26/abr
16h Ballet Márcia Santos - Dança de Salão
17h Ballet do Bahiano de Tênis
17h30 Cia de Dança Livre - Colégio Marista de Salvador

27/abr
14h JKL Dance
15h Ballet Márcia Santos - Contemporânea
16h Academia Baiana de Dança de Salão e Ballet da ABDS
16h30 Ballet do Teatro Castro Alves
17h Stúdio de Ballet Ana Campello
17h30 Academia de Ballet da Bahia

28/abr
14h Ballet Esperança
15h JKL Dance 16h Ballet Helena Palma
17h Casa do Sapateado Rachel Cavalcanti

Mais informações: www.shoppingpiedade.com.br

Idas e Vidas

Em abril, o Vila está vendo algumas partidas. Tudo começou com a ida de Stella Voutta, a escrava branca d'A Outra Companhia de Teatro, a estagiária alemã que caiu no meio do Vila como uma luva, de alma brasileira na descontração e calor humano. Stella pintou por aqui querendo trabalhar e aprender o caminho das pedras na produção de arte e cultura. Carismática, inteligente e divertida, foi absorvida pelos delirantes pés-no-chão d'A Outra e foi ficando. Nos bastidores, ralou na produção de O Contêiner, na elaboração de projetos e viajou com o grupo para o Festival de Curitiba. Em sua temporada baiana, Stella passou até pelo palco, no papel da surreal Viúva Negra da peça A Sacanagem da Outra, sucesso da companhia no verão.

Como não deu tempo de nenhum dos meninos da Companhia se casar com ela, garantindo-lhe a cidadania brasileira, Stellinha teve de voltar para sua terra natal, lá do outro lado do Atlântico. Depois deste intercâmbio intensivo, ela partiu deixando saudades - e levando outro punhado bem grande no coração. Um grande beijo e um abraço forte, Stella!

Outra que vai deixar saudades anunciadas é Sheila Andrade, estagiária do Núcleo de Comunicação. Popularmente conhecida como Sheilinha, a moça vai partir para se dedicar aos estudos e seu projeto de conclusão do curso de Jornalismo nas Faculdades Jorge Amado. Desde março que avisa que está indo embora, mas o laço com o Vila se fortaleceu - e há quem aposte que dentro de alguns meses é capaz de ela estar estreando nos palcos. Sheilinha se jogou na dança do ventre, no teatro e anda até de salto alto pelas aulas de dança de salão. Mesmo assim, agora é de verdade: ela nos deixa a partir de maio.

A gente sente muito, não dá para negar. Sheilinha é muito ágil, cabeça aberta e focada. Tem bom texto, bom humor e jogo de cintura, todas essas características fundamentais para funcionar bem aqui dentro do teatro, essa estrutura dinâmica e temperada com o imprevisível. Com seu temperamento tranquilo e amistoso, Sheilinha conquistou espaço em nossa área de trabalho (ali, bem pertinho do cursor do mouse) e nos nossos corações. Boa sorte, menina, e continue por perto. Sua amizade e competência cativaram a gente.

Por último, mas não menos marcante, temos a saída de Maiana Santana. Depois de quase sete anos de Vila, tendo passado por diversos setores do teatro, conhece de perto as artes e manhas daqui. Mai criou relações fortes por aqui, cresceu e se transformou, fazendo sua própria história lado a lado com a história recente do Vila. Ela pegou projetos, reformas, mudanças de várias naturezas. Chegou perto do palco e aos poucos foi se deixando encantar. Dança afro, dança do ventre, oficina de teatro, tanta coisa mexendo com um caldeirão interno de emoções e desejos. Aqui no Vila, em contato com tanta gente que passa e traz novidades, narrativas poéticas e aventuras, Mai deu um pouco de si, ao mesmo tempo em que também absorveu o conhecimento de mundos. Chega então a hora de ir em direção a diferentes horizontes, seguir um caminho novo, tendo como ponto de partida as portas abertas de uma casa de cultura.

Maiana vai nessa, levando uma bagagem volumosa, não pesada. O que ela plantou por aqui, com seu trabalho e sua amizade, é grande e leve como pluma. A experiência e tudo que ela viu e ouviu neste período em que de adolescente, passou à idade adulta, com tantas outras mudanças dentro e fora, serão bons companheiros de jornada. Sua alegria peculiar irá fazer falta e seu espaço fica aqui, garantido em nosso afeto e na platéia.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Ultimo Fala Vila do Mês da dança

Encerrando a programação de palestras no mês da dança, Amélia Conrado.
Natural de Boa Vista (Roraima), coreógrafa, doutora e mestra em Educação(UFBA) e graduada em Educação Física (pela Universidade Federal de Pernambuco), Amélia Conrado vem dar o seu recado falando sobre DANÇAS POPULARES.

O encontro, com entrada franca, acontece amanhã, terça-feira, às 19h.

Ótima pedida para quem quer saber um pouco mais sobre as diversas tendências da dança!!!!

E para quem não pôde vir aos encontros anteriores, uma reflexão da professora Maria Cândida, que esteve por aqui participando destes diálogos com a dança:

Desconstrudança

Na década de 70, Silviano Santiago supervisionou e publicou um “Glossário de Derrida”. No verbete Desconstrução (Déconstruction), podemos ler:

Operação que consiste em denunciar num determinado texto (o da filosofia ocidental) aquilo que é valorizado e em nome de quê e, ao mesmo tempo, em desrecalcar o que foi estruturalmente dissimulado nesse texto.

A leitura desconstrutora da metafísica ocidental se apresenta como a discussão dos pressupostos, dos conceitos dessa filosofia, e portanto a denúncia de seu alicerce logo-fono-etnocêntrico. Apontar o centramento é mostrar aquilo que é “relevado” no texto da filosofia; apontar o que foi recalcado e valorizá-lo é a fase do reversement (inversão), pois estaria apenas deslocando o centro por inversão, quando a proposição radical é a anulação do centro como lugar fixo e imóvel.

O texto continua, mas só com este começo já podemos tentar sair do dilema que acompanha os dois últimos debates do Fala Vila - Mês da dança, que resumo em uma pergunta: como seria a desconstrução em dança?

A dança parece por si desconstrutora já que está fora da parte logo-fono do sistema “logo-fono-etnocêntrico”, no entanto, sua constituição como um sistema expressivo não se funda apenas em um programa etnocêntrico, pois o próprio corpo exigido pelo balé, não é o corpo étnico europeu, mas o corpo perfeito para aquela linguagem. O corpo moldado no gestual específico, como no “método Royal”, conforma então um corpo-ideal a ser alcançado, se comportando como a filosofia ocidental de viés platônico que têm como paradigma primeiro a noção de Idéia “perfeita e imutável” que deves ser buscada. Assim funcionam os modelos: conformam o ideal a ser alcançado, organizam uma “origem” que implica um lugar fixo, um centro a ser copiado e reproduzido tal qual, a perfeição está em abolir a distância da cópia e do modelo em uma “compreensão de que uma mesma técnica pode ser empregada para ensinar a dançar em qualquer canto do mundo” (Helena Katz).

O não uso do lugar fixo das técnicas corresponderia então a uma “desconstrução” em dança? Creio que ao se buscar um “modelo desconstrutor” reinstalamos um “centro”. Ciane Fernandes alertou sobre isso ao tratar em artigo: “as danças de desconstrução e fragmentação, que já viraram uma estética padrão” (2006). O mesmo fez Leda Muhana, em sua fala, alertando que mesmo um gesto improvisado, quando repetido busca um padrão, um eixo.

Como então colocar em dança o “duplo movimento” como descreve Santiago da desconstrução: a “inversão” seria o primeiro deles, que corresponde a marcar o que organizou os traços da dança até aqui, hierarquizando e colocando no centro certos valores e apagando outros, por exemplo, a perfeição do gesto repetido de uma leveza ensaiada à exaustão contra a imperfeição do improviso (também discutido no Fala Vila). Permanecer neste primeiro movimento implicaria em “operar no interior do sistema desconstruído”, mas ao afastar-se do sistema desconstruído “marca-se o afastamento”, “situando-se no campo desconstruinte”, não em favor de uma síntese mas de uma transgressão. Atenta as constantes reinscrições nos modelos antigos, que segundo Santiago são como um tecido que é preciso continuar a desfazer sempre, e conclui: “Nesse sentido, desconstruir é também descoser”. E é nestes constantes movimentos de perceber como o tecido se regenera e então descoser que se opera do desafio de produzir uma dança desconstrutora.

Salvador, 21 de abril de 2007
Maria Cândida Ferreira de Almeida

REFERÊNCIAS:

- FERNANDES, Ciane AtraveRsando Corpos: Dança e Contemporaneidade no Evento Conexão Sul 2006. http://www.revista.art.br/site-numero-06/trabalhos/9.htm#_ftnref1

- SANTIAGO, Silvio. Glossário de Derrida. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

- KATZ Helena. vistos de entrada e controle de passaportes da dança brasileira [Texto originalmente produzido para o livro da exposição Tudo É Brasil, realização Itaú Cultural e Paço Imperial 2004]

sexta-feira, 20 de abril de 2007

EXTRA! EXTRA!

Notícias de última hora


Fábio Espírito Santo
Será que ele sabe mesmo o que o espera?


Fábio 'Sprite' Santo acaba de assinar com A Outra Companhia de Teatro um contrato de escravidão temporária, assumindo três grandes responsabilidades:

1. Fazer a adaptação da peça Arlequim - Servidor de dois patrões para ser encenada na rua
2. Interpretar o personagem Pantaleão nesta mesma montagem
3. Interpretar o Pai, o personagem místico de Debaixo d'água em cima da areia

Agora é só esperar para ver no que isso vai dar. Boa sorte, Sprite! Boa sorte, A Outra!

Lázaro Ramos em entrevista no Jô


imagem retirada do site do Jô

O ator Lázaro Ramos - o nosso Lazinho - fala do Bando de Teatro Olodum, do filme Ó paí, ó! e de seu mais novo trabalho no teatro, 'O ...Método Grönholm' em cerca de 15 minutos de entrevista no programa do Jô Soares exibido no dia 16/04. Clique aqui e confira a gravação.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Os êres entram na dança

diversidade , diversão e movimento



A Turma do Barriquinha - à direita, Valdo e à esquerda, Inácio D'eus, produtor do Viladança

O musical Da Ponta da Língua a Ponta do Pé, da Cia Viladança, trouxe nesse mês da dança a platéia mais movimentada e divertida do planeta - o público infanto-juvenil.

579 espectadores assistiram atentos à história de Zé, Isadora e sua turma, e se divertiram com a Rádio Umbigo, feita com bonecos de latas e vozes de 2 radialistas pra lá de irreverentes. Durante a temporada, vários grupos da comunidade, através do Projeto Tomaladacá promovido pelo Vila, vieram assistir ao espetáculo, integrando uma rede de espectadores ávidos por conhecer a arte. Alguns experimentaram os primeiros passos pela entrada de um teatro como o Grupo Barriquinha, formado por meninos de rua do bairro São Caetano. O Grupo Barriquinha foi criado através da iniciativa de Valdo, comerciante do local, que toda sexta feira agita uma campanha e oferece um sopão para os meninos. No sábado, ele realiza atividades esportivas e musicais (percussão) no fundo do seu bar. Dia 14 , Valdo reuniu 47 crianças em 2 vans, emprestadas por amigos e trouxe a turma para conhecer o teatro.



A alegria estampada no rosto dos meninos do Barriquinha



Também vieram ao teatro: o grupo de dança do Ilê ayê, Grupo Conexão, Grupo 2ª opinião, Grupo Resistência, Grupo Cala Boca, Kabum, Escola de Dança da Fundação Cultural , Rede Sarah (Hospital) e Grupo Bejeró.

Ao lado, um dos desenhos produzidos em troca do ingresso para o espetáculo do final de semana. O Tomaladacá aqui no Vila é assim: uma troca simbólica envolvendo participação ativa, que etimula a valorização do fazer artístico. Esta iniciativa só é possível graças à existência de patrocinadores institucionais do Vila, como a Redecard, que abraçou o Projeto Vá ao Vila, Velho, através do projeto Viva Cultura da Prefeitura Municipal de Salvador, a PETROBRAS, através da Lei Rouanet, e o Fundo de Cultura do Estado da Bahia.

Até hoje Da Ponta... foi asisitido por 31.962 espectadores. Para o segundo semestre, a Cia Viladança prepara o lançamento da revista em quadrinhos Da Ponta da Língua a Ponta do Pé que terá, não somente a história dessa turma divertida, mas jogos e brincadeiras educativas. Aguardem!!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Fala Dança

Qualquer iniciativa, como bem diz a etimologia, é um início. Deste ciclo Fala Vila sobre dança, fui pra dois dos três. Fica aqui a provocação de que isso seja um embrião para se discutir arte de forma mais sistemática, numa cidade onde a palavra discussão foge – por falta de inteligência ou coragem, não sei – dos meios possíveis para que ela se concretize como uma ferramenta de evolução da arte.

Leda Muhana e Rossana Alves apenas abriram possibilidades de discussão. Com um tempo curto para as duas, ficou no ar a vontade de debater, mais a fundo, questões sobre improvisação, tema principal de Rossana, e processos criativos, a base da apresentação de Leda.

Falando da experiência pessoal à frente de processos de improviso, Rossana nos mostrou – através de imagens e de sua fala – sua percepção da improvisação bem como sua contribuição acadêmica e criativa à frente de experimentos profissionais.

E foi sobre criatividade que Leda falou, trazendo toda sua experiência que a levou a um pós-doutorado. Desde o ensino coreográfico até os diferentes processos criativos e suas abordagens processuais, Leda Muhana mostrou uma ínfima parte de seu conhecimento e do que pode vir a ser um futuro debate sólido sobre a arte contemporânea (com direito a imagens do processo e do resultado de seu recente trabalho à frente do GDC).

Espero que possamos ter este espaço de forma mais ampla e regular. E por falar em ampla... Pensei que encontraria um Cabaré insuportavelmente cheio de bailarinos, pensei até que seria no palcão... Semana que vem é a última chance pra lotar o Vila e mostrar que queremos e precisamos discutir.

Gil Vicente Tavares

terça-feira, 17 de abril de 2007

Workshop de Tango

A partir desta quarta-feira, estão abertas as inscrições para o primeiro Workshop de Tango no Teatro Vila Velha. As aulas acontecerão em dois domingos, (dias 29/04 e 06/05), sob coordenação do professor canadense Denis Beauchamp. O tango, que se expandiu para além das fronteiras da Argentina, alcançando países como Alemanha, França e Holanda, está se tornando febre também no Brasil, despertando interesse de pessoas de todas as idades. Ao longo das 8 horas do curso ministrado no Vila, os alunos irão trabalhar com exercícios de ritmo, a partir de músicas tradicionais dos anos 20, 40 e contemporâneas, e entrarão em contato com técnicas que servem para realizar mais de 20 passos da dança. Há espaço ainda para noções sobre a História do Tango, para dar uma idéia melhor sobre a origem dos passos.

Denis Beauchamp ensina Tango argentino desde 1990. O professor presidiu o Cercle Tango de Montreal e teve a oportunidade de aperfeiçoar seu talento com mestres de Buenos Aires, Paris, Berlim e Amsterdã.

Informações importantes:

Inscrições: de 18 a 27/04, das 14h às 17h (exceto finais de semana)
Valor: R$ 60,00 (individual) e R$ 80,00 (casal)
Dias das aulas: 29/04 e 06/05
Horário: das 10h00 às 12h00 e das 13h30 às 15h30
Local: Teatro Vila Velha (Av. Sete de Setembro, s/n - Passeio Público. Próximo ao Hotel da Bahia)
Informações: 71 3336-1384

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Pesquisando o Medo

A Cia Novos Novos está passando pelo processo de criação de sua próxima montagem, que terá um elenco digno de nota: 40 crianças e adolescentes que hoje fazem parte do grupo. Depois de passar pelo mundo da literatura e da imaginação, pela preocupação com o meio-ambiente, com a liberdade e de discutir diferenças, a turma dirigida por Débora Landim parte para um tema totalmente novo: o medo.


Novos Novos se preparam para estrear Ciranda do Medo

Com o título de Ciranda do Medo, a peça irá mexer com os novos bichos-papões que vêm azucrinando crianças e adolescentes. Com texto de Sônia Robatto, o jovem elenco encenará a história do Dono do Medo e seu lucrativo negócio de vender emoções fortes. No palco, a Novos Novos utilizará metáforas e uma linguagem singela para mostrar como os meios de comunicação, a violência e outros aspectos da correria do cotidiano atual estão interferindo no imaginário da garotada.

Os ensaios e a pesquisa estão rolando. Como o assunto tem muitos desdobramentos, a cada dia as coisas vão aparecendo aos poucos. No final de março, por exemplo, Débora compareceu a um bate-papo com alunos do Colégio Villa Lobos, no qual falou da influência da literatura na criação cênica. O encontro, que integrou a programação do Armazém Literário, serviu também como parte da busca de material para a nova montagem. Em contato com os estudantes, além de apontar os livros como fonte de inspiração para a dramaturgia da Novos Novos, a diretora propôs uma atividade, pedindo a todos os presentes que escrevessem sobre seus medos. Como as pessoas poderiam se identificar ou não, houve grande liberdade e acabou se tornando um interessante momento de catarse em sala de aula. Eis uma mostra do que apareceu por lá:

Tenho medo do futuro. Medo de perder amizades. Medo do que a vida pode nos proporcionar. Medo da morte, de não alcançar meus objetivos. Medo do meu futuro profissional. Medo de perder familiares.

Eu tenho medo de mim, dos outros, de não fazer o que quero, de deixar para trás meus antigos sonhos, perdidos. Tenho medo de me perder, de não me encontrar em nenhum lugar, nem em nenhum lugar dentro de mim. Tenho medo da cidade, de gente, de calçada curta, do buraco na rua e do buraco na cabeça. Tenho medo da verdade, da mentira, de olhar para trás, de ficar, de olhar para frente. Quero só ficar aqui quietinho sem pensar. Pensar também dá medo.

Eu tenho medo de pessoas más! Eu tenho medo de barata, tenho medo de ser feia, de atitudes contra o bem. Eu tenho medo dos políticos, tenho medo da sociedade e do grande avanço do mundo em busca do capitalismo. Tenho medo de ficar sozinha. Tenho medo de que aconteçam guerras e de um mundo onde não haja pessoas dignas. Eu tenho medo de quem posso ser a partir do mundo.

Eu tenho medo de que um dia as pessoas não confiem mais umas nas outras, de que o fantasma da violência e da desigualdade acabe com os sonhos, com as eseranças e com a vontade de lutar pelos seus direitos e de instituir um mundo justo para todos. Talvez seja uma grande hipocrisia o que estou dizendo, mas isto é o que eu penso.

Eu tenho medo dos humanos, dos seus atos do futuro, do presente. Do escuro da solidão. Eu tenho medo da ganância do poder, dos sonhos, da morte e mais ainda, da vida. Tenho medo do frio e da fome. De causar decepção ou ser decepcionada. Tenho medo de ter medo.

A Dança Alemã sob o olhar de Ciane Fernandes

Na terça passada, dia 10, a platéia do Mês da Dança se movimentou com a palestra de Ciane Fernades aqui no Cabaré dos Novos. Depois da exibição do documentario sobre a trajetória da dança e das artes na Alemanha, entre 1900 até Pina Bausch, o público foi convidado a refeltir e debater sobre várias questões polêmicas a respeito do corpo em movimento nessa tão intrigante construção da dança contemporânea.


Ciane Fernandes - dançarina e especialista no assunto

Ciane Fernandes trouxe videos, citações, livros e muitas interrograções para uma platéia curiosa que com certeza saiu do Vila com a cabeça em movimento. Atores, músicos e dançarinos estiveram presentes, no total de 54 espectadores. A professora Maria Cândida Ferreira de Almeida, do Programa Multidisciplinar da Pós Garduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, trouxe os alunos da matéria Cultura e Experiência Estética para uma vivência extra classe.


Livros sobre dança, com textos de Ciane, divulgados na ocasião da palestra

O evento marcou a segunda edição do FalaVila especial do Mês da Dança, organizado pelo núcleo de dança do Teatro Vila Velha, a Cia. Viladança.


Notas sobre Fala Vila com Ciane Fernandes, da Professora Maria Candida

Uma reflexão sobre a dança na atualidade requer a compreensão dos termos que fundamentam um debate que está às vésperas de completar 100 anos: a multidisciplinaridade que pauta este fazer artístico; o desafio de pensar a arte a partir do corpo; lidar com as estruturas abertas, com as transições e os rastros de uma arte sem fixidez. São estes os caminhos que Ciane Fernandes propõe para tema tão pouco trabalhado pela crítica: a dança contemporânea, cuja complexidade de uso de linguagens exigiu um novo nome - artes do corpo - para que os limites de um rótulo impliquem em uma interpretação equivocada. Dia 10, podemos ver uma performance intelectual no palco, provocadora como devem ser tanto a fala teórica e quanto a atuação estética. Ciane Fernandes coloca todo isso em cena, a apresentação de tópicos teóricos pertinentes acompanhados de um gestual palestrante desconstruído pelo corpo que dança


O próximo Falavila acontece amanhã (17/04) e será sobre Processos Criativos e Improvisação, com as palestrantes Leda Muhana e Rosana Alves.

Vale a pena lembrar: a entrada é franca!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

UMA BELA PERFORMANCE MULTIMÍDIA

Publicado hoje no Jornal A Tarde

A Companhia Viladança, grupo residente no Teatro Vila Velha, que tem se destacado na cena local e marcado presença no cenário da dança contemporânea nacional, comemora nove anos apresentando performance criada na hora , a partir de improvisações. A intenção é celebrar o processo criativo.


Aroeira - o mais recente espetáculo da companhia
Fotos: Márcio Lima

Trata-se do espetáculo Improvilação, que reúne profissionais convidados que atuam em diferentes linguagens artísticas, como música, vídeo, artes plásticas e dança. A performance será apresentada, hoje, às 20 horas, no Palco Principal do Teatro Vila Velha. A entrada é franca, de modo a ampliar a participação do público nessa festa.

A diretora do Viladança, a dançarina e coreógrafa Cristina Castro, lembra que ao longo desses nove anos a companhia tem mostrado trabalhos de qualidade, inclusive no exterior, apesar da ausência de patrocínio efetivo da iniciativa privada.

INSPIRAÇÃO – Sobre a apresentação de hoje, ela explica que o público verá uma apresentação livre de amarras temáticas ou marcações, criada e executada a partir da inspiração do momento.
“Não há preocupação com o resultado. O interessante é o processo criativo‘, pontua.Cristina explica, ainda, que o Improvilação foi um dos primeiros projetos do Viladança, acrescentando que a improvisação com interação entre linguagens é a base da sua pesquisa de criação.

Além da dança, música, vídeo e artes plásticas, a coreógrafa tem se aproximado muito da fotografia e do desenho, o que tem resultado no enriquecimento dos trabalhos do Viladança O Improvilação já teve edições em 2000 e 2001, que contaram com a presença de artistas como os atores João Miguel, Wagner Moura, Meran Vargens e Neide Moura, os músicos Ivan Huol e Rowney Scott e os coreógrafos Zebrinha e Fafá Daltro, dentre outros profissionais que atuam no cenário baiano.


Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, em cartaz sábado e domingo - 16h

CONVIDADOS – Para a performance de hoje, além da própria Cia. Viladança, estão confirmadas as presenças, entre outras, do grupo Thris, dos músicos João Meirelles, Humberto Moneiro e Tuzé de Abreu, e dos artistas plásticos Naum Bandeira e Moacyr Gramacho. Outros interessados em participar podem se inscrever até uma hora antes da apresentação do espetáculo.

A Cia. Viladança, criada em abril de 1998, traz, no repertório, vários espetáculos multimídia, a exemplo de José Ulisses da Silva (2002), Caçadores de Cabeças (Prêmio Unesco de Fomento às Ar tes, 2003) e Aroeira – Com quantos Nós se Faz uma Árvore (com música de Milton Nascimento, 2006).

Em 2004, a companhia estreou o musical infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, abrindo um programa de formação de platéia para crianças e adolescentes. O espetáculo recebeu por dois anos consecutivos o reconhecimento da Unesco.

Por EDUARDA UZÊDA


x.x.x

Hoje a companhia Viladança faz aniversário. Lá se vão 9 anos desde a estréia do grupo. De 1998 para cá o grupo criou nove espetáculos, se apresentou por várias cidades brasileiras e fora do país, levando o nome da Bahia e do Vila na bagagem. Que haja energia (e patrocínio!) para os anos continuarem se acumulando, inquetos, nesta história.

Mais parabéns!


Parte d'A Outra num ensaio de O Contêiner
Foto: Sprite


E hoje, quem também sopra as velinhas é o caçula dos nossos grupos residentes: A Outra Companhia de Teatro. Mal voltaram de sua primeira participação na mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba, eles já estão atarefados com seus novos projetos - um aprovado pelo Programa BNB de Cultura e o outro que recentemente foi contemplado pelo edital Oi Futuro. Com apenas três anos de grupo, essa moçada já vem acumulando vitórias e investindo no profissionalismo de sua produção, aliando responsabilidade e pesquisa no fazer artístico à arte de tornar seus sonhos possíveis. Se o Vila é uma família e uma escola, os 'irmãos' mais velhos estão dando boas lições.

Vida longa à Outra!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Deu Sonho!


Pucks e Fadas no olho de Márcio Lima

Os 'sonhadores' do Bando de Teatro Olodum dormiram felizes de ontem para hoje, tendo debaixo do travesseiro a estatueta brilhante do Prêmio Braskem de Teatro 2006. O espetáculo Sonho de uma noite de verão faturou o troféu, que além do reconhecimento à qualidade do trabalho desempenhado pelos artistas, financiará uma nova temporada do espetáculo em Salvador. Outro acontecimento importante ligado à essa vitória do Bando é que o grupo deve se apresentar também no Rio Grande do Sul, num intercâmbio proporcionado pelo prêmio, realizado também nesse estado. De acordo com o que informamos anteriormente (leia), o vencedor de lá - por coincidência, uma versão do mesmo Sonho de Shakespeare - se apresenta na noite de hoje, no mais novo teatro de Camaçari, situado no complexo cultural Cidade do Saber. O Bando, ainda curtindo o sonho que se tornou realidade, por enquanto não tem definições sobre as datas das novas apresentações.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Um comentário...

No domingo de Páscoa, fui ver Aroeira e me deparei com um espetáculo lindíssimo. Um espetáculo inovador, com uma trilha sonora maravilhosa, super bem explorado, repleto de surpresas cênicas, contemporâneo e surreal. Encontrei dançarinos com excelente técnica. Enfim, um show de uma companhia visivelmente madura.

E no final, não pude conter minha emoção. Um dançarino e uma tela de projeção. O virtual interagindo com a realidade, a Janela, a saudade do futuro, a busca...o final que sempre recomeça.
Foi muito bonito e gratificante, ter passado uma Semana Santa um pouco exigente pessoalmente e deparar-me com aquele espetáculo , convite mesmo à transformação.

Parabéns Viladança, parabéns Vila Velha.

Lázaro Gomes Carvalho Santos, por e-mail

terça-feira, 10 de abril de 2007

Oficinas no Mês da dança trazem inspiração e conhecimento

Ainda no finalzinho de março, o Grupo Basirah, de Brasília, deu a largada para o Mês da Dança no Vila. Além do espetáculo De Água e Sal, o grupo ofereceu a dançarinos e coreógrafos baianos uma oficina pra lá de inspiradora. Sob a direção da diretora Giselle Rodrigues, 19 alunos trocaram idéias e experimentaram novas possibilidades de discursar através do corpo.

No último final de semana, quem também deu seu recado como mestra foi a professora de ballet clássico Maria de Fátima Guimarães (Pernambuco). Em visita à Bahia, "Fatinha", como todos a conhecem, assistiu aos 2 espetáculos que a Cia Viladança apresentou nesse final de semana: Aroeira e Da Ponta da Lingua à Ponta do Pé, e ministou aulas para a Cia, preparando o elenco para entar em cena. O encontro com a Cia Viladança já gerou ganchos para futuras oficinas e intercâmbios entre Bahia e Pernambuco.


E por falar em Pernambuco, já estão abertas as inscrições para a próxima oficina, que será oferecida pela Cia ETC, de Recife, nos dias 13, 14 e 15 (sexta. sábado e domingo), das 9 s 12h. Os interessados devem se inscrever através do telefone 71 8201 0258.

As oficinas são gratuitas!

Saiba mais: www.teatrovilavelha.com.br/29deabril

Toda quarta tem!


Foto: Márcio Lima

"Primeiro de abril é uma montagem teatral poucas vezes vista no teatro baiano. Dirigida por Gordo Neto, trata-se de um relato histórico detalhista e primoroso sobre a ditadura militar, mas baseado em um lado pouco lembrado da história: os fatos que a antecederam, como o decisivo comício de Jango na Central do Brasil, e a preparação para o golpe, incluindo toda a farsa de deposição da presidência forjada no Congresso. É claro que outras facetas da mesma ditadura, as piores e não por acaso as mais lembradas, também fazem parte do enredo. Cenas de tortura, em especial contra as mulheres, prisões e repressão são retratadas de forma dinâmica pelo grupo – contando inclusive com 5 pequenos “atos” durante a peça, representando o contexto e as conseqüências de cada Ato Institucional decretado durante o governo ditatorial."

Beth Ponte

Leia tudo. Tudinho. Na Cocó.

Vá além. Venha ver!
Primeiro de Abril - quartas, 20h.
Preços promocionais para grupos escolares.
Informações: 71 3336-1384

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sonho de uma noite de verão já faturou o Braskem

Calma, calma! Não estamos falando sobre o Bando de Teatro Olodum. Para quem não sabe, o Prêmio Braskem de Teatro acontece em Salvador e, agora, também do Rio Grande do Sul (Prêmio Braskem em Cena). Lá, o vencedor da categoria de melhor espetáculo foi o Sonho... da Companhia Rústica, sob a direção de Patrícia Fagundes. O grupo gaúcho está a caminho da Bahia para apresentar o seu musical shakespeariano, dias 12 e 13/04, quinta e sexta-feira, no Teatro Cidade do Saber, em Camaçari. E tem mais uma novidade! Haverá uma troca de apresentações. Como o Sonho gaúcho vem para cá, o vencedor da mesma categoria, irá viajar para o sul. Seria muita coincidência se trocássemos de Sonho. Saiba mais sobre a Cia gaúcha no site.


Não esqueçam que quarta-feira é o dia do Prêmio Braskem!

Atenção grupos residentes!
Vadinha Moura, que está organizando a apresentação dos gaúchos em Camaçari, oferece um ônibus para levar alguns artistas baianos interessados em assistir à peça, nesta quinta (dia 12). O ingresso será trocado por 1kg de alimento ou 1 pacote de leite. A saída do transporte será no Jardim dos Namorados, próximo à churrascaria, às 17h. O retorno está previsto para às 22h, após os debates com os artistas e a diretora da montagem.


Ó Paí, Ó e o cinema baiano: novas perspectivas


Érico Brás e Wagner Moura em cena do filme
foto: www.opaio.com.br


Ó paí, ó! continua dando o que falar - debater e pensar. Alunos do quinto semestre do curso de jornalismo das Faculdades Jorge Amado promovem, no próximo dia 18 de abril o debate Ó Pai, Ó e cinema baiano: novas perspectivas, no auditório Zélia Gattai. O evento acontecerá das 8h às 22:30.

No período da manhã será debatido O crescimento e os novos caminhos do cinema baiano, quando estarão presentes alguns nomes importantes do cinema baiano como a produtora e diretora do Festival de Cinema Panafricano, Fátima Fróes; o crítico de cinema, André Setaro; a diretora do Dimas, Sofia Frederico e Pedro Léo, ganhador do prêmio Braskem 2005 de roteiro para curta-metragem. À tarde, serão exibidos longas, curtas e documentários produzidos por cineastas baianos.

Das 19 às 22:30 acontecerá o debate Ó, Pai, Ó: o cinema e a cidade desigual. O texto de Ó, Paí, Ó, que ganhou várias formas de expressão, denuncia a violência contra crianças na cidade de Salvador, enquanto a vida do baiano comum segue dura, mas repleta de gozos e belezas. Estarão presentes na mesa Luciana Souza (que faz o papel de Joana, a dona do cortiço do Pelourinho); Marcio Meirelles, autor da peça e atual Secretário de Cultura do Estado da Bahia ; o sociólogo José Maurício Daltro do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) ; Jecilda (Pró), presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Centro Histórico(AMACH) e atores do Bando de Teatro Olodum .

Passados 15 anos, a bem-sucedida peça foi adaptada para o cinema e chegou às telonas em 30 de março. Também será tema de um seriado na rede globo, com gravações previstas para setembro. O CD com as músicas do filme, lançado recentemente, contêm a música Ó Paí Ó, de Caetano Veloso e Davi Moraes.

Para mais informações:
projetoopaio@gmail.com

Somos parceiros e não inimigos

Tem gente por aí que acha que branco é um horror, um demônio. Eu não acho.
Luis Carlos Prestes, por exemplo, não foi um demônio.

Matilde Ribeiro
Ministra da Secretaria Especial de
Política da Promoção da Igualdade Racial

Que declaração infeliz, ministra! E não adianta dizer que pinçaram uma frase do contexto. Nós somos parceiros dos brancos, não inimigos. Estamos na outra ponta do preconceito. Temos que ir contra tudo o que ofende negros, brancos, judeus, índios, japoneses; ou seja, o ser humano. Independe de raça, credo ou qualquer tipo de discriminação. Eu não faço parte de nenhum movimento de negro. Não por ojeriza. É que para isso é preciso disciplina; e eu não tenho
disciplina. Lembrando Tony Tornado, costumo dizer que sou um negro em movimento.


É claro que já fui discriminado. Hoje muito menos, pois tenho como me defender; me defendo com a intelectualidade, conversando. Mas é claro também que tenho objeções. Contra quem açoitou e contra quem vendeu o meu “tatatataravô”, contra os mercadores dos escravos africanos.


Eu, particularmente, tenho serviços prestados à nação, à libertação do país. Tenho militância ideológica no teatro e na política. Sou contra essa sociedade injusta que não fornece aos cidadãos condições de sobrevivência e possibilidade de progresso. Não é justo que se morra de fome no país. É preciso brigar sim contra a impunidade dos que foram eleitos e não cumprem suas obrigações com dignidade, independente de raça. Essa gente não é punida. Alguém pode dizer que isso não tem nada a ver com a declaração da ministra. Tem sim. Vivo no Brasil, pago meus impostos no Brasil, criei meus filhos no Brasil, exerço minhas atividades no Brasil. É preciso melhorar as condições de vida da raça humana.

A ministra, pela posição que ocupa, não pode se comportar como uma panfletária de rua ou uma estudante adolescente. A declaração veio num momento equivocado e, lamentavelmente, colaborou para que não se encaminhe a discussão para questões mais profundas. Tem gente por aí que acha que branco é um horror, um demônio. Eu não acho. Luis Carlos Prestes, por exemplo, não foi um demônio. Poderia citar muitos mais.

Sou ator. Meu sonho é que um dia não utilizem atores negros em novelas se não for absolutamente necessário. Atores devem ser escalados nos elencos independentemente da raça. E sim pela competência. É claro que numa novela como “Sinhá moça” ninguém vai deixar de colocar um negro como escravo. É diferente.

Por fim um questionamento. A ministra, por ser negra, não deveria ser necessariamente designada para ser a responsável pela Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial. O importante é que se escolha as pessoas independente da cor. Que isso não seja uma obrigação, e sim um destino. Por que a ministra Matilde não foi escolhida para o ministério do
Trabalho, ou da Educação, ou até mesmo como representante do Ministério da Saúde em São Paulo?

Autor: Milton Gonçalves

sexta-feira, 6 de abril de 2007

VILADANÇA A TODO VAPOR

O mais novo espetáculo da Cia Viladança, AROEIRA - com quantos nós se faz uma árvore, volta a cartaz no Vila nesse final de semana dentro da programação do MÊS DA DANÇA (www.teatrovilavelha.com.br/29deabril).
A montagem, com direção de Cristina Castro e músicas inéditas de Milton Nascimento, apresenta-se, sexta, sábado e domingo as 20horas.

A Cia Viladança tambem apresenta, sábado e domingo, as 16 horas, o musical DA PONTA DA LÍNGUA Á PONTA DO PÉ, que conta de forma divertida a história da dança para crianças e adolescentes.
Sucesso de público em 2006, o espetáculo possue a chancela da UNESCO pela sua qualidade artística e educativa.

Vale a pena conferir!!!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Depois do sucesso, o que eles estão fazendo?

O Bando está de volta com a peça Ó paí, ó, às segundas. Disso todo mundo já sabe. E tem o filme em cartaz nos cinemas. Isso todo mundo está careca de saber também. O que poucos sabem é que os artistas do Bando de Teatro Olodum estão em processo de construção de África, o primeiro espetáculo infantil do grupo, que contará as histórias da cultura africana.
Fotos: Juliana Protásio
À esquerda uma cabaça em construção e à direita o Bando se diverte e aprende

Eles já estão mergulhados na pesquisa, estudando as lendas da África e fazendo oficinas, para aprender, por exemplo, a fazer um xequerê (instrumento musical usado no afoxé e maracatu feito de uma cabaça - semente com a casca dura - cortada ao meio em uma das extremidades e envolta por uma rede de contas). Além disso, as coreografias que acompanharão a montagem já estão sendo desenvolvidas por Zebrinha e os ritmos estão sendo analisados, sob a regência de Jarbas Bittencourt.


foto: www.opaio.com.br

Em tempo: Arnaldo Jabor recomenda o filme Ó paí, ó! Clique aqui e ouça a opinião do comentarista, que foi ao ar no dia 20 de março.

Carlos Moraes abre a série de Fala Vilas especiais sobre Dança




Platéia atenta no Cabaré dos Novos do Vila

O primeiro Fala Vila do Mês da Dança, realizado na última terça-feira, abriu em grande estilo a rodada de mesas-redondas preparadas para discutir questões relacionadas corpo e ao movimento. O nosso primeiro convidado foi o maitre de balé Carlos Moraes, que trouxe seus conhecimentos sobre o Balé Clássico, alcançando uma platéia de 62 pessoas, em sua maioria, dançarinos, coreógrafos, professores e estudantes de dança. Entre os presentes, estiveram as professoras Lusinete, com seus alunos do Ilê Ayiê, e Leda Ornellas, com alunos da SESC, a Associação Afro Os Negões, sediada na Vasco da Gama, Carlos Eduardo , diretor da área artística do Malê de Balê, além dos integrantes da própria Cia. Viladança.


Carlos Moraes ao lado de Cristina Castro, diretora da Cia Viladança


Elísio Pitta - diretor da Cia Balé da MatA - também veio conferir a fala de Carlos Moraes e, encantado, nos deixou o seguinte depoimento:

O 'Sermão' do Mestre Carlos Moraes

Foram algumas horas de alumbramento. O homem é uma enciclopédia viva. Com a sua narrativa levou toda a platéia em uma jornada de luz pelos caminhos da historia da dança – de Porto Alegre onde ele começou, ao Rio de Janeiro onde se celebrizou, da Bahia onde ele mais viveu, aprendeu e ensinou, e, finalmente, do mundo, lugar onde ele é apenas um passageiro.

Foi como se estivéssemos diante da 'W.W.W.' com emoções. Suas ilustrações em forma de grandes 'Bailados' foram divinas. Para 'alguém que apenas está tentando'. Ele é o máximo! Tudo isso precisa ser documentado para as novas gerações.

Como diz o Mestre Curió – 'De boca o vento leva'.

Deixai-nos beber mais e mais dessa fonte de sabedoria...

Continua...

Na próxima terça (10/04), receberemos a performer Ciane Fernandes, que irá apresentar ao público alguns dos resultados de seus estudos sobre as tendências mais recentes da dança, especialmente a dança-teatro e a estética alemã. Sua apresentação contará com o apoio de vídeos cedidos gentilmente pelo Göethe Institut. A palestra começa às 19h e todo público está convidado.

terça-feira, 3 de abril de 2007

O caminho das pedras no Incentivo à Cultura

Qual artista ou produtor não arranca os cabelos com a árdua tarefa de levantar recursos para viabilizar suas realizações? E para as empresas, qual é a forma mais viável de investir em cultura? Para dar uma luz aos dois lados da moeda do investimento no campo cultural, o advogado Fábio de Sá Cesnik lançou o Guia do Incentivo à Cultura. O livro, em sua segunda edição, apresenta diversos mecanismos de financiamento nacionais - em âmbito federal, estadual e municipal - esclarecendo seu funcionamento em detalhes, além de trazer sugestões precisas a respeito da "difícil arte" de captar recursos.

Fábio de Sá Cesnik é especialista em cultura, entretenimento e terceiro setor, atuando na consultoria jurídica para empresas que investem em cultura, artistas, produtores culturais e projetos sociais. Sua publicação é indicada a profissionais de comunicação, advogados, artistas e produtores, enfim, a todas as pessoas interessadas na construção do patrimônio artístico-cultural brasileiro.

Parece que nas lojas de Salvador o Guia já se encontra esgotado, mas pode ser adquirido na Siciliano virtual. Aos artistas e grupos aqui do Vila interessados no livro, ele já se encontra disponível no nosso acervo, basta falar com Cell.

Gostou? Então anote:

Guia do Incentivo à Cultura
Fabio de Sá Cesnik

ISBN: 8520425968
Editora: MANOLE
Número de páginas: 400
Encadernação: Brochura
Edição: 2006

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A peça Ó Pai ó, que deu origem ao filme, continua em cartaz no Vila Velha

Depois do sucesso da estréia do filme Ó Paí ó, com grandes platéias na Concha Acústica de Salvador, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Bando de Teatro Olodum segue em cartaz com a peça que despertou todo este interesse nacional pelo cotidiano dos moradores do Centro Histórico de Salvador. A peça Ó Paí ó, com o elenco do Bando de Teatro Olodum e atores convidados da primeira versão de 1992, será apresentada no Teatro Vila Velha, todas as segundas-feiras de abril até o dia 23, sempre às 20h.

Em um Cortiço , administrado com mão de ferro por uma evangélica, moram os mais diferentes tipos que movimentavam o Centro Histórico. A realidade do Pelourinho Antigo é apresentada através de personagens cômicos que dividem o ambiente do pequeno cortiço, tendo que enfrentar a intolerância de Dona Joana, a religiosa proprietária. São músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros, enfim, personagens reais que foram expulsas para dar espaço a um fictício shopping turístico a céu aberto. A montagem do Bando retrata um dia na vida desses diversos tipos que viviam no Centro Histórico. Um dia especial: uma Terça-feira de Benção, quando a movimentação na área era ampliada e também as alegrias e sofrimentos dos moradores de uma região estigmatizada e abandonada pelas autoridades. Enquanto se preparam para curtir a farra da Terça da Benção, os moradores precisam enfrentar a falta de água no prédio (ação proposital da proprietária) e o extermínio de crianças da área a mando de comerciantes interessados na "limpeza étnica" do local para aumentar a atração de turistas. Tudo discutido com criatividade, consciência racial e deboche, marcas definitivas das produções do Bando de Teatro Olodum.

Cinema – o sucesso do filme de Monique Gardemberg inspirado na peça, que teve pré-estréia na Concha Acústica do TCA para mais de 5 mil pessoas e reuniu famosos no Rio de Janeiro e em São Paulo, tem despertado o interesse do público em conhecer ou rever a montagem original do Bando. A versão que está sendo apresentada no Vila Velha traz semelhanças em relação a da estréia, em 1992. As atrizes Tânia Tôko, Edvana Carvalho e Luciana Souza, ex-integrantes do Bando que participaram da montagem inicial foram convidadas a reviverem seus personagens no filme e na peça. A trilha sonora é uma das grandes novidades dessa montagem, já que na primeira versão o tom era dado pelas composições do Grupo Olodum. Para esta nova montagem, o diretor musical Jarbas Bittencourt compôs músicas originais. O samba reggae, ritmo criado no Centro Histórico, é elemento forte na peça, tocado e cantado, o vivo, pelo elenco. A movimentação também traz novidades, pois o coreógrafo do Bando, Zebrinha, valorizou os antigos passos da dança de rua com técnicas da dança moderna.

Maturidade - Para a atriz Valdinéia Soriano, uma das fundadoras do Bando de Teatro Olodum, essa nova montagem de Ó Pai ó revela a experiência adquirida pelo Bando após 16 anos de trajetória e da encenação de diferentes gêneros teatrais como clássicos da dramaturgia mundial, teatro de cordel, musicais etc. "A maturidade e o aprendizado nos possibilitam uma limpeza das cenas, articulação melhor das idéias e das palavras e uma melhor utilização dos recursos técnicos como a música e as coreografias".