quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Ó paí, ó! Que coisa linda!


Travestidos nos bastidores de Ó Paí, ó!



O Bando curtiu o Carnaval na pipoca e nos blocos, inclusive atrás do trio Ó PAÍ, Ó! que teve Caetano Veloso e Jauperi - com participação de Lázaro Ramos - pelas ruas da cidade a entoar as músicas que vão na trilha sonora do filme de Monique Gardenberg que estréia daqui a pouquinho. Sucesso antecipado no verão, mais do que comentado na imprensa e nos burburinhos da classe artística, o lançamento leva o Bando mais uma vez para as telonas do Brasil, interpretando seus próprios personagens - vale a pena lembrar que essa história que milhares de pessoas vão ver no cinema saiu do teatro, daqui da Bahia.

Para ver como tudo começou, assista ao Bando em cena: Ó paí, ó! está em cartaz aqui no Vila, às sextas e sábados, 20h. Adiante seu lado, que a temporada só vai até dia 24 de março!

Gostou de ver as "meninas do Garcia"? Então confira o canal do Vila no Youtube (www.youtube.com/vilavelha), onde você encontra um monte de trechos e cenas de bastidores do filme, com o pessoal do Bando e atores como Wagner Moura e Dira Paes.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Na cidade de Vila Velha...

Acontece na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, de 14 a 18 de Março, no Museu Vale do Rio DOce, o II Seminários Internacionais: Sentido na/da arte contemporânea.

http://www.seminariosmvrd.org.br

Descobrimos o evento por causa dos nomes iguais, e calhou de o evento parecer muito legal.

Vale conferir.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Audição para o VILADANÇA



A Companhia Viladança abre audição para seleção de um bailarino do sexo masculino. Os interessados deverão comparecer ao Teatro Vila Velha no dia 28 de fevereiro, às 15h30. A avaliação será realizada nos dias 1º e 2 de março, no mesmo horário e local.

A Companhia Viladança é um dos grupos residentes do Teatro Vila Velha. Fundada em 1998, trabalha sob a direção e pesquisa da coreógrafa Cristina Castro, se exercitando na criação de espetáculos de dança contemporânea, nos quais a interação com diferentes linguagens artísticas e projetos de formação de platéia fazem parte da sua área de atuação.

Atualmente é formada por 7 criadores-intérpretes que trabalham de 2ª a 6ª, das 14 às 19 horas, no Teatro Vila Velha. A companhia não possui patrocínio institucional, nem remuneração permanente para os seus integrantes. A sua manutenção é efetivada através de patrocínios eventuais, apoios e parcerias.

Para mais informações: ciaviladanca@gmail.com

“OS SERTÕES” DO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA ESTÁ ONLINE


Foto: Lenise Pinheiro

Ligue-se no www.teatroficina.com.br para assistir em tempo real as apresentações dos 5 espetáculos de OS SERTÕES, baseado na obra de Euclydes da Cunha, com direção de José Celso Martinez Corrêa, com patrocínio da Petrobras.

Todos os finais de semana, a partir de agora, cada uma das peças terá transmissão ao vivo via internet, ao mesmo tempo em que acontecem as gravações para edição de DVDs, que se tornará o “longa mais longo da história”.

Ao todo são 25 horas de espetáculo divididas pelas 5 peças: A TERRA, O HOMEM 1, O HOMEM 2, A LUTA 1 e A LUTA 2, em um dos projetos mais ousados das artes cênicas mundiais. A saga sertaneja iniciada em 2001, com base no clássico OS SERTÕES, de Euclides da Cunha, tem como inspiração impedir o massacre do Teatro Oficina e ao mesmo tempo ampliar o movimento pela criação do Teatro de Estádio, da Universidade de Cultura Popular Brazyleira de Antropofagia e da Uzyna Tropical de Florestas.

Construída com a atuação aberta das platéias durante os ensaios e recriada, permanentemente, nos seus quase 300 espetáculos em São Paulo, Recklinghausen, São José do Rio Preto e Berlim (Teatro Volksbühne), OS SERTÕES traz para os palcos a Guerra de Canudos e ainda a formação do homem brasileiro e toda a geografia do sertão. Pelas mãos da Companhia Uzyna Uzona, plantas, animais, rios e montanhas ganham vida e viram personagens na primeira peça: A TERRA, que será transmitida nesse fim de semana.

Conecte-se. A tragicomédiaorgya está na rede.

As transmissões serão feitas acessando diretamente o site do Teatro Oficina, seguindo o horário de Brasília. Acompanhe:


A TERRA
24 de fevereiro, às 18h * 25 de fevereiro, às 19h
Direção: Tommy Pietra (duração: 3h30)

O HOMEM 1
03 de março, às 19h * 04 de março, às 19h
Direção: Fernando Coimbra (duração 4h30)

O HOMEM 2
10 de março, às 19h * 11 de março, às 19h
Direção: Marcelo Drummond (duração 5h30)

A LUTA 1
17 de março, às 19h * 18 de março, às 19h
Direção: Elaine César (duração 6h15)

A LUTA 2
24 de março, às 19h * 25 de março, às 19h
Direção geral: Eryck Rocha (duração 6h10)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O Sol do Vila brilhou!

Salvador, este ano, teve um dos verões mais quentes. Deu muita praia e, depois, muita gente veio ao teatro. O Amostrão Vila Verão 2007 terminou. Uma pena... estava tão divertido! O ano começou com programação todos os dias da semana: 6 espetáculos em cartaz e 2 shows. Sem falar nas Oficinas Vila Verão, que foram recorde de inscrições.

O Bando de Teatro Olodum chegou com três de seus maiores sucessos em cartaz de uma só vez, comemorando os 16 anos de existência: Cabaré da Rrrrraça (10 anos em cartaz e sempre atual), Sonho de uma noite de verão (indicado em 3 categorias para o Prêmio Braskem de Teatro) e Ó pai ó (peça que inspirou o filme previsto para março e também irá para a televisão).

                         Foto: Márcio Lima

Depois do Carnaval, Ó paí ó está de volta apenas nos dias 23, 24 e 25.

A Cia Teatro dos Novos voltou à cena com Divorciadas, Evangélicas e Vegetarianas, garantindo boas risadas no verão. Os adolescentes da Cia Novos Novos trouxeram Diferentes Iguais, um olhar sobre a intolerância, indicada ao prêmio Braskem na categoria Espetáculo infanto-juvenil. A Outra Cia de Teatro estreou uma Sacanagem da Outra, com casa cheia e público voltando para casa. A música, este ano, ficou a cargo de Gabriel Povoas, em seu show Quase Incompleto, tocando sucessos e raridades da MPB e com Ramiro Musotto, em seu show CIVILIZACAO&BARBARYE, um espetáculo multimídia.

Para início de ano, o Vila abalou geral! Tivemos 8 programações diversificadas e reunidas em 30 apresentações em janeiro e 15 em fevereiro. O público? Compareceu, sim senhor! 5414 pessoas vieram conferir os espetáculos do Amostrão nos dois meses e o resultado das oficinas, que trouxe para o Vila mais de 750 amigos, parentes e curiosos. Muita agitação por aqui!

Agora não podemos esquecer de agradecer aos responsáveis por tanta alegria e energia nesse verão. Aos grupos residentes que montaram novamente (ou estrearam) suas peças, promovendo a diversidade de gêneros. Aos atores e atrizes, incansáveis, que ensaiavam e apresentavam com muita raça. Aos funcionários do Vila, que trabalharam nos bastidores para que tudo estivesse correto, especialmente à equipe técnica, que enfrentou uma maratona de troca de luz e cenário, além da movimentação nos camarins. E, lógico, ao público, porque teatro só existe se a platéia estiver presente.

Valeu, galera. Ano que vem tem mais!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Shakespeare, autor de massa, é traduzido por companhia local

Neste sábado acontece a última apresentação do Sonho no Amostrão Vila Verão
fotos: Márcio Lima



por ERNESTO DINIZ*
Artigo publicado em
03/02/2007 no caderno Cultural do Jornal A Tarde.

A peça Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, foi escrita num inverno longínquo de 1595 e é encenada agora, em 2007, no Teatro Vila Velha. Eu considero essa uma adaptação ousada por conjurar um dos maiores nomes do teatro mundial e, talvez, um dos mais temidos pelo público em geral.

Mas a proposta logo ficaria clara: derrubar os tabus e os preconceitos, numa via de mão dupla que conseguiu unir raça e história em um só palco.

E o palco do TVV sempre me deixa com uma sensação de platéia mais do que observadora, talvez pela disposição das cadeiras, as luzes direcionadas, os instrumentos musicais no fundo da cena, a fumaça leve no ar tão aconchegante e uterina. Senti-me como numa espécie de Globe Theatre reinventado.

Foi inevitável não me surpreender imediatamente com o palco montado. Reparei na iluminação auspiciosa, com tiras enormes de pano pendendo do teto, tons fortes de amarelo, laranja e vermelho, cadeiras e uma mesa no meio do palco, como uma parte desencontrada de algum boteco soteropolitano.

Não sei como seria um sonho de uma noite de verão numa terra onde o verão é uma constante cultural, e o teatro shakespeareano uma incógnita ou um monstro, pelo menos para a maioria.

Sentei na última fila, lugar perfeito para que eu pudesse me sentir entre a peça e a platéia, reservado, no fundo do que iria acontecer.

Do outro lado, uma foto grandiosa do dramaturgo descia da parede, fazendo vezes de estandarte respeitoso do seu espírito. Talvez para lembrar que ali estava presente uma entidade trazida de outras terras que não a africana: William Shakespeare. Era bastante apropriado renomear o terreiro.

ATUALIZAÇÕES – Já havia ouvido elogios desse espetáculo através de amigos, mas fiquei pensando como seria essa nova versão, já que o Bando de Teatro Olodum havia encenado essa mesma peça em 1999.

Como pesquisador de Shakespeare, eu estava deliciado com a proposta ousada e arrojada do Bando, pelo simples motivo de Shakespeare ser um nome que desperta medo em muitas pessoas e estranhamento em tantas outras.

Como uma espécie de fantasma ou território não-autorizado a qualquer um, como um portal apenas ultrapassado por aqueles iluminados, dignos de alcançar a intensidade dos versos mágicos do inglês vindo de Stratford-upon-Avon, para daí deliciar-se com seu teatro.

Mas o grupo teatral trata a questão com muito realismo, respeito e paixão pela arte. Em 2006, foram celebrados os 16 anos de existência da companhia e, sob a direção de Márcio Meirelles, soube aproveitar toda a experiência conquistada e invocar o legado do dramaturgo inglês.

A adaptação trouxe de forma simples e clara a peça que figura como uma das altas comédias do autor, considerada obra-prima pelo seu complexo e delicioso enredo.

As atualizações estéticas e culturais transformaram Sonho de Uma Noite de Verão em uma fábula fundamentada em traços identitários do Nordeste e da Bahia, abusando da afro-baianidade com o uso de panos de Angola, adereços e pinturas faciais que lembram os usados no candomblé, com tintas vermelhas, brancas e pedaços de papéis metalizados em seus rostos.

E foram ainda mais longe com a música, amplificando o poder do espetáculo.

As canções, belamente executadas ao vivo pelo elenco, brincam com os versos da peça original, mesclando ritmos locais como o arrocha, o afoxé, o samba-de-roda e até o hip hop com os aforismos da linguagem shakespeareana corajosamente reescritos para as platéias de hoje.

Essa foi uma característica interessante que trouxe para perto do espectador de teatro soteropolitano a realidade elisabetana do teatro inglês. Construiu-se, então, uma inteligente ponte entre Londres do século XVI e Salvador do século XXI.

O teatro de Shakespeare nunca teve compromisso com uma forma restritiva de fruição da arte, pelo contrário. O apelo das peças do dramaturgo era popular, ele sempre fez questão de agradar a todos os extratos sociais e, sempre que pôde, inseriu figuras de classes sociais divergentes em suas tramas.

Esse era seu artifício mais poderoso para cativar a todos e refletir a platéia no palco.

Sonho de verão pertinente para o imaginário baiano



O trabalho de pesquisa denota afinco e cuidado, sem esquecer o uso de marcações estéticas, e suas naturais atualizações, que concordam perfeitamente com a peça original. A tradução de Bárbara Heliodora cabe exatamente na língua portuguesa, sem perder sonoridade, nem diluir-se em uma linguagem fora do alcance do público. Esse encaixe proporcionou terreno fértil para o grupo, que soube aproveitar todo o poderio lírico e cênico da peça.

Nessa comédia, cada personagem possui características refletidas em suas roupas e posicionamento no palco. Não só esteticamente, mas fundindo isso ao espírito baiano de familiaridade com a música. Bobina, peça principal da comédia, foi a reinvenção do personagem original Bottom e manteve sua intensidade na trama. O carisma e a naturalidade gestual do ator Jorge Washington contribuíram para a manutenção da essência da personagem.

Os triplos Pucks e Oberons renovaram os personagens e criaram performances que adicionaram plasticidade às cenas. Talvez essas tríplices tenham sido reflexo do resgate da simbologia das sociedades matriarcais. Os Pucks, acertados no tom e representados pelos atores Dailton Silva, Roquildes Júnior e Ridson Reis, mostraram a energia da figura mitológica e atrapalhada da personagem. Sem deixar de marcar as danças das fadas, com seus panos volumosos e coloridos que hipnotizaram a platéia. E, finalmente, o grupo de teatro dentro da peça, desenvolvendo um jogo metalingüístico, desenha com perfeição a brincadeira que o dramaturgo costumava fazer em suas peças: uma peça dentro da peça.

UNIVERSAL – Como diz o prólogo do espetáculo, tudo foi sonho. E esse figurou como um sonho pertinente para o imaginário baiano e contou com a força dos ritmos musicais da terra e seus traços peculiares.

Unidos, esses elementos fizeram da peça uma aula de boa adaptação e mostram que o teatro é muito mais acessível ao público do que reza a cartilha austera do preconceito, que costuma relegar Shakespeare ao ambiente acadêmico e inatingível de salas de aulas e versões herméticas.

O Bando de Teatro Olodum dá uma aula de compreensão da diversidade, de resgate da identidade de um escritor das massas. Os atores golpeiam o texto com força suficiente para expor seus valores universais e contemporâneos, dentro de uma cultura tão rica como a cultura nordestina, sem a preocupação com o respeito engessado à obra do autor.

Da última fila, aplaudi o espetáculo de pé, porque me senti parte dele. Creio eu, isso foi o que Shakespeare sempre quis. Somos atores de uma grande peça e reconhecer isso numa obra-prima e adaptada depois de séculos, numa terra e numa cultura tão diversa da cultura de origem do dramaturgo, nos ensina o real motivo do teatro não ser sepultado: de ser sonho.

Sonhe, mesmo que não seja numa noite de verão.


ERNESTO DINIZ | é graduando em Letras pela Ufba e pesquisador do CNPq na área de Tradução Intersemiótica em Shakespeare.

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO | Teatro Vila Velha (Passeio Público).
Sábados, às 19h. Até o dia 10.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Artista residente


"Eu sou d'A Outra Companhia de Teatro"


Inácio D'eus - produtor da Cia Viladança, integrante do elenco
de Sonho de uma Noite de Verão do Bando de Teatro Olodum.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

A Mostra bombou geral


Sábado e domingo pela manhã, o palco principal do Vila recebeu a platéia mais numerosa de todo o Amostrão Vila Verão para assistir aos resultados das Oficinas Vila Verão 2007. Com quatro apresentações no sábado e o no domingo, o evento recebeu cerca de 800 pessoas, que riram, se emocionaram, interagiram e aplaudiram com muita animação aqueles que se aventuravam pela primeira vez em um palco. Alguns, inclusive, mais de uma vez, já que muitas pessoas aproveitam a folga de janeiro para dedicar as horas livres aos cursos artísticos oferecidos no Vila. Tem gente que se matricula em 2, 3 oficinas...

Nos dois dias, as mostras de teatro infantil justificaram todos os atrasos no término das aulas, demonstrando o empenho das crianças na realização de apresentações fofíssimas e bem cuidadas, com temas atuais como a poluição, aquecimento global e preservação do meio-ambiente. Débora Landim, que coordenou as crianças, apareceu emocionada, mostrando que lidar com os pequenos exige carinho e dedicação para trazer bons resultados.


Teatro infantil - em cena, Sr. Chuvisco e os Pingos de Chuva


Teatro/ Comédia - turma de Zeca

As turmas de teatro adulto tiveram um maior foco na comédia, fazendo graça e levantando o olhar irônico sobre personagens e temas que fazem parte do nosso cotidiano, como os traços da cultura afro-baiana, questões da sexualidade, tensões sociais entre pobres e ricos, festas populares, e até mesmo a violência. Com grande quantidade de alunos (cerca de 30 por turma), os professores Zeca Abreu, Vinício de Oliveira Oliveira e Iara Colina conseguiram reunir as situações criadas por eles em apresentações que encontraram cumplicidade com o público, que riu sem pudores.


Mostra de Técnica Silvestre

Em outra área, os alunos de Nildinha (Dança Afro) e Rosângela Silvestre (Técnica Silvestre), fizeram apresentações rápidas e eletrizantes, nas quais demonstraram o vigor dos movimentos criados a partir das raízes na cultura afro-brasileira. Dançarinos e amadores, locais e estrangeiros, enfim, todos marcados pela percussão, mostraram em cena que ter molejo não é mole não!


Percussão

Por falar em percussão, a programação do domingo foi aberta com o ritmo marcante da turma comandada por André Luiz, Nine Vieira e Márcio Luiz. Os alunos se revezaram nos instrumentos, mostrando a variedade das aulas, ao mesmo tempo em que faziam a trilha sonora para o desfile de tranças e penteados afro da oficina orientada por Jamile Alves. A turma de canto, por sua vez, 'sob a batuta' de Marcelo Jardim, apresentou ao público uma série de esquetes musicais, evidenciando a variedade de timbres dos alunos e a preferência pelos sucessos clássicos e atuais da MPB.


Quem canta seus males espanta

As apresentações do domingo foram encerradas com a Dança do Ventre, que provocou grande admiração na platéia que, seduzida pelo suave chocalho das medalhas ciganas, respondia às coreografias com aplausos, gritos de "mais um!" e elogios às dançarinas belíssimas em seus trajes coloridos, confeccionados pelas próprias. Um final grandioso para um evento que promete entrar para o calendário como o grande acontecimento do verão no Vila.

Mesmo já tendo encerrado os cursos de verão, o público continua entrando em contato conosco para saber quando abriremos as vagas para as próximas oficinas. Ufa! Mal dá tempo de descansar... Por enquanto, ainda não temos previsões exatas, mas adiantamos que as aulas de Dança do Ventre terão prosseguimento e é possível que haja ainda turmas de teatro e percussão.

Mas calma! Ainda estamos acertando todos os detalhes para oferecer o melhor aos alunos e professores que passarem por aqui. Se você tem interesse, aguarde novidades. Ou então, ligue para cá (71 3336-1384) e deixe seus contatos para que possamos informar logo que estejam abertas as inscrições.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Tá rindo de quê?

Fazer rir é arte especialmente difícil, mais ainda se a provocação é fazer rir de si mesmo – rir com a finura de espírito dos que não temem a auto-ironia e o ridículo da condição humana. Chorar de rir diante da compreensão súbita do drama bufo que protagonizamos numa sociedade de Divorciadas, Vegetarianas e Evangélicas.

Tivemos Um dia de cão, poderíamos dizer com todo exagero que nos é peculiar, bem ao estilo do clássico hollywoodiano do diretor Sidney Lumet, estrelado em 1975 por Al Pacino e John Cazale. A decisão por findá-lo num teatro, assistindo a uma comédia, pareceu-nos a terapêutica recomendada para uma tranqüila noite de sono, após o estresse do trânsito, dos celulares insistentes, das tarefas por realizar e do relógio que não nos dava tréguas. Durante o dia nos falamos por várias vezes quase como uma promessa.

Três atrizes. Duas anônimas na platéia. O espetáculo burlesco exibia sem pudores a nossa vida tão ordinária. Gargalhávamos e igualmente gargalhavam todos os presentes, dir-se-ia, às bandeiras despregadas. Tão ordinária... por isso o inevitável contágio do riso. E já não nos parece pouco modesto dizermos que éramos muitas no palco: pudicas, contidas, peruas, apaixonadas, sensuais, desmedidas, tolas... Mulheres.

Foto: Márcio Lima

Cumprimentamos as atrizes, Iara Colina, Luciana Comin e Vivianne Laert, agradecendo-lhes ter nos emprestado o espelho – artefacto invariavelmente presente nas bolsas femininas. Já não ríamos, refletíamos de renovadas perspectivas. Maravilhosas!!! Maravilhadas. À mirada caleidoscópica nos mostrava as mil máscaras que ocultamos ou deixamos à vista – brincávamos com a forma como as recriávamos com batons, blushs, lápis, gloss, bases e tantos badulaques que nos ajudam a caretear.

O depois foi revirar a bolsa, meio atabalhoadas, à semelhança de uma das personagens, à procura de moedas para o guardador de carros. Bolsas que guardam muitas bolsinhas e segredos, importantes bilhetinhos e canhotos de contas (claro que não vamos publicizar, aqui, os nossos absurdos paradoxalmente tão recônditos quanto flagrantes. O conteúdo das bolsas é sempre um mistério e uma aventura, assim como algumas máscaras femininas). A bolsa de Glória nos cabia inteirinhas. Um jeito e desejos que matamos todos os dias.Um tempo de espera como a divorciada, ou um tempo de pudores e comedimentos que sufocam e destrambelham na primeira oportunidade, como a evangélica e a vegetariana. E continuamos a nos indagar: estamos rindo de quê?

Vanda Machado
Ana Rita Ferraz
22 de janeiro de 2005

O berimbau ideológico de Ramiro Musotto

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

No segundo CD, percussionista contrapõe civilização e barbárie em viagem sonora multirracial



Ramiro Musotto é o mais baiano dos argentinos. Discípulo do pernambucano Naná Vasconcelos, apaixonado pelo samba-reggae, criador inquieto e detalhista, o percussionista, compositor e produtor busca sempre o inusitado, para fazer um tipo de música 'com características que ninguém tenha mostrado antes'. Autor de projetos arrojados, ele se prepara para lançar no Brasil o segundo álbum-solo, Civilizacao & Barbarye (Los Años Luz Discos). Quem for a Salvador, onde Musotto está radicado desde 1984, pode vê-lo com a Orchestra Sudaka, às segundas e terças, no Teatro Vila Velha (tel. 71 3336-1384), tocando os temas do novo CD e do anterior, Sudaka (2004).

Com título inspirado no romance ensaio político Facundo - Civilização e Barbárie, de Domingo Faustino Sarmiento, o álbum ganha edição nacional no início de março, pelo selo Cavaleiros de Jorge, distribuído pela gravadora Eldorado. Lançado em novembro na Argentina, onde ficou entre os dez melhores de 2006 na lista do jornal La Nación, o CD também já pode ser ouvido inteiro no site de Ramiro Musotto.

'Escolhi esse título porque tem a ver com o trabalho que faço. É uma análise sociológica da história argentina, aborda todos os conflitos, desde a conquista do deserto até a imigração. Minha música é uma mescla de cantos tribais afro-americanos com soluções tecnológicas', diz, exemplificando a atração dos extremos em contraponto. A grafia, sem acentos, tem por finalidade, como Sudaka, alcançar dimensões universais.

Se o livro tem até um ranço racista ('era o pensamento da época', 1845), o disco desenrola-se como uma viagem sonora multirracial, reflexo da ideologia do autor. Gravado em Salvador, Estocolmo, Grenoble e no Rio, o CD acolhe cantos de crianças indígenas guaranis, sons rituais de candomblé, choro de Jacob do Bandolim, mistura cangaço e tradição africana, tem sample de discurso do zapatista, reúne parceiros e cantores de Cuba (Léo Leobons), EUA (Arto Lindsay), Argentina (Santiago Vazquez), Irã (Rostam Miriashari), Bahia (Lucas Santtana), Paraíba (Chico César) e Suécia (Sebastian Notini), entre outros.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Feira Música Brasil

Se seu negócio é música, se ligue nessa:

De 7 a 11 de fevereiro, a cidade do Recife recebe a Feira Música Brasil, o maior encontro entre artistas, produtores e empresários do setor nacional. Promovida pelo MINC e pelo BNDES, a programação prevê mostra de clipes, documentários, curso de especialização, entre outras atrações e atividades, promovendo um contato privilegiado com a diversidade e a qualidade da música brasileira.

+ info: http://www.feiramusicabrasil.com.br

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

A Sensação das Oficinas

Neste final de semana acontece o ponto alto das Oficinas Vila Verão 2007, com a mostra geral dos cursos. Cada turma terá cerca de 20 minutos para exibir o que aprendeu ao longo de um mês de aulas práticas nas salas de ensaios e palcos do Vila. E o público vai poder assistir de graça as apresentações de teatro, música e dança preparadas por nossos alunos e professores. A Mostra das Oficinas Vila Verão traz a alegria das pessoas que estarão pisando pela primeira vez no palco, com a satisfação de ter aprendido coisas novas e de ter descoberto novas habilidades até então escondidas. Para quem ainda não participou de uma das Oficinas do Vila, é uma chance de saber o que a gente apronta por aqui e onde é possível chegar!


Oficina de Dança do Ventre

As apresentações irão acontecer no sábado e no domingo, a partir das 10h da manhã. No primeiro dia, programamos as mostras de Dança silvestre, Teatro para crianças, Teatro/Comédia e Dança Afro-brasileira. Para o domingo, 'mostraremos' ainda mais: Percussão, Tranças e penteados afro, Canto, Teatro, Teatro para iniciantes (2 turmas), Teatro para crianças e Dança do ventre.


Dança do Ventre invade a ADM

Por falar em Dança do Ventre, a oficina causou um verdadeiro frisson aqui no Vila. Nem mesmo a explosão das oficinas de Teatro (lotadas, com uma turma extra igualmente cheia e duas turmas infantis que também ultrapassaram o número de vagas oferecido inicialmente) provocou tantas transformações. É que boa parte da mulherada que participou das aulas integra a equipe do Vila. E todas foram empenhadíssimas, com ensaios extras (foto) e, como não podia deixar de ser, altos investimentos no figurino. Saias sensuais esvoaçantes de todas as cores, bustiês bordados com muito brilho e xales adornados com medalhas ciganas para chacoalhar com o balanço dos quadris vêm ocupando as moças ao longo da semana, numa produção arrasadora. Essa mostra promete!

O sucesso da Dança do Ventre no Vila foi tão grande, que a oficina continuará sendo oferecida ao longo do ano. A partir de março, as aulas continuam acontecendo de 12h30 às 14h. Ficou interessada? Fale com a gente - 3336-1384 / comunicacao@teatrovilavelha.com.br

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Diretamente de Roraima para o Vila

texto e fotos: Sheila de Andrade

Este ano, aconteceu algo muito interessante nas Oficinas Vila Verão: uma inscrição vinda de um estado distante e que é pouco conhecido. Bem ao norte, acima do Amazonas. Foi de lá que veio a roraimense Vânia Maria Helena de Souza e Silva. Mineira, 47 anos, mora há 26 em Boa Vista-RR, com 6 filhos e 2 netos e veio com a cara e a coragem, conhecendo Salvador apenas pela TV, especialmente para os cursos de verão.

E como foi que ela soube da gente? Através da Cia Viladança, que andou pelo Brasil no ano passado, através do Palco Giratório e da Mostra Brasil, ambos do SESC. Como muitos moradores de Boa Vista, ela foi conferir os espetáculos que estavam anunciando: José ULISSES da Silva e Da ponta da língua à ponta do pé, sob a direção de Cristina Castro. "Me apaixonei pelo espetáculo e pelos atores. Eles fizeram uma oficina e eu participei. Cris contou a história da dança e que é possível praticar sem ter nenhum estudo. Mostrou a liberdade de criar e de pensar o fazer. Cris falou sobre as oficinas de verão no Vila. Pensei comigo: atrás disso aí tem mais e eu vou ver. Pedi o endereço e decidi vir pra cá em dezembro, nas férias, sem conhecer ninguém e nem saber onde ficava o Teatro", conta.

Vânia aproveitou a novidade deste ano e se inscreveu para a oficina pela internet. Pagou o boleto em Roraima, enviou o recibo por e-mail e quando chegou a matrícula já estava feita. Aliás, as matrículas. Ela está inscrita em 3 cursos de verão: Dança afro brasileira (foto), com Nildinha, Teatro para iniciantes, com Vinício Oliveira e Luiz Antônio Júnior e Teatro, à noite, com Iara Colina. "Fiz assim porque tava com medo de perder as vagas". Bem recebida pelos baianos, dentro e fora do teatro, ela se instalou em uma pensão para senhoras, na Mouraria.



Sobre as oficinas, até agora está adorando: "A gente teve um planejamento de idéias e isso eu senti desde a oficina de Cris. Essa metodologia de passar fácil para a gente foi o que mais chamou minha atenção. Em Roraima fiz outros cursos, mas eles não passavam as técnicas". Funcionária federal, há 22 anos trabalha como professora de Educação Física com crianças. "Inclusive, as técnicas que aprendi aqui vou jogar no plano de aula", sorri satisfeita. Vânia também teve que ralar muito aqui no Vila. "A única coisa que já tinha visto de dança afro foi no filme Um Príncipe em Nova Iorque, mas ao vivo é uma coisa maravilhosa. Agora que já conheço, vou vir malhada. É para agüentar Nildinha. Ano que vem ela não vai me pegar porque vou estar preparada", planeja.

Ela já tem passagem de volta marcada para o dia 05/02, depois da mostra das Oficinas Vila Verão no fim de semana pela manhã. "De todas as viagens que eu fiz, esta foi uma das melhores". Ano que vem ela pretende voltar para mais Oficinas de verão e já planejou tudo: "Vou comprar a passagem logo que surgir uma promoção. Como ela vale um ano, espero chegar as férias e voltar para cá". Ela também pensa em uma mudança definitiva para Salvador, mas só depois que concluir sua Licenciatura em Letras. "Decidi isso depois que cheguei aqui. Quando vi o mar e andei na praia... a vista, o vento no rosto... é inesquecível", relembra. Alguns filhos ficarão porque já têm empregos fixos e outros virão. Vânia já está antenada nos processos de transferência para solicitar a mudança de cidade. Quando pergunto como ela conseguiu atravessar o país sem saber direito para onde ia ela respode, categoricamente: "Eu não tenho medo. Ele impede você de chegar onde você quer".