quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Oficina de Leitura e Produção de Textos VilaJorge




A partir do projeto VilaJorge, o Teatro Vila Velha e as Faculdades Jorge Amado promovem a interação cultural. Dessa vez, a FJA oferece, através do Programa de Extensão Continuada, uma oficina de produção de texto baseada na leitura de peças teatrais do Vila, com duração de três meses a partir de setembro, às terças e sextas-feiras, das 19h às 22h. O objetivo é oferecer aos inscritos a possibilidade de estabelecer relações de identificação de estruturas textuais e temáticas, de analisar o desenvolvimento de temas, focos e pesquisas de outros textos a partir de discussões dirigidas.

A orientadora é a professora Rita de Cássia Gomes Barbosa Lima, formada em Economia e doutorada em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Atualmente é professora de RTVC do curso de Publicidade da Universidade Católica de Salvador. A Oficina vai oferecer uma estrutura de apoio on-line, o Blog VilaJorge Oficina de Texto, que vai manter a comunicação entre os participantes da oficina fora da sala de aula, além das sessões de teatro e cinema comentadas durante o mês através do blog, por convidados.

As inscrições vão até o dia 02/09.

Período de realização: 26/09 a 07/12/2006
Dias de aula:
terça e sexta
Setembro:
26 e 29
Outubro:
03, 06, 10, 17, 20, 24, 27 e 31
Novembro:
07, 10, 14, 17, 21, 24 e 28
Dezembro:
01, 05 e 07
Horário das aulas:
19:00h as 22:00
Local de Inscrição:
No sitio www.fja.edu.br ou Central de Atendimento Campus da FJA
Local de Realização:
Campus da FJAL
Período de inscrições:
09 de agosto a 21 de setembro

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

A Outra Companhia de Teatro visita o Porto de Salvador


Da esquerda: Joedson Silva, Isabela Silveira, Lorena Torres Peixoto,
Camilo Fróes, Vinício Oliveira Oliveira, Luiz Antonio e Edvandro Sachs (do Porto)


O grupo residente do Teatro Vila Velha está a todo vapor na produção do seu mais novo espetáculo, O Contêiner, que estréia no próximo dia 08/09/06 (sexta-feira), às 20 horas, no palco principal do TVV. O espetáculo fala de sonhos, viagens, escolhas e fugas. Três africanos decidem sair do continente como clandestinos em um navio, em busca de melhores condições de vida na Europa. Descobertos pela tripulação, os homens são presos em um contêiner no convés do navio, passando calor, frio e fome durante dias. O texto da peça une O Contentor, escrito pelo angolano José Mena Abrantes, e improvisações criadas pelo elenco. No cenário, um contêiner fechado, suspenso no palco, isola alguns personagens e as cenas internas são transmitidas por câmeras infravermelhas para televisores espalhados pelo palco. Do lado de fora, outros personagens buscam um outro caminho para migrar. A pesquisa sobre África para criação da montagem foi financiada pelo prêmio Myriam Muniz de Teatro, da FUNARTE.

Na última sexta-feira (25/08/06), às 15 horas, o diretor do espetáculo Vinicio de Oliveira Oliveira levou o diretor musical João Meirelles, a cenógrafa Lorena Peixoto e os atores Luiz Antonio, Eddy Veríssimo, Camilo Fróes, Isabela Silveira e Eu a uma visita ao Porto de Salvador. Nós conhecemos de perto o funcionamento de carga e descarga de contêineres num porto de grande movimentação, coletando dados reais sobre situações de migração clandestina em navios de carga.


Edvandro Sachs bate um papo com A Outra e depois eles fazem um tour pelas instalações do Porto

Fomos muito bem recebidos por Edvandro Sachs, coordenador de operações da Tecon Salvador S.A, empresa que trabalha no ramo de carga, descarga e armazenamento de contêineres em navios e pátios e que apóia a nossa nova montagem. Recebemos atenção especial dele, que respondeu todas as nossas perguntas e nos conduziu pelo porto. Subimos em um dos guindastes de carga, de lá podíamos ver um navio alemão de 09 andares a baixo do convés, sendo carregado com 6.500 contêineres. Do outro lado, víamos milhares de outros contêineres empilhados, como se fossem edifícios, no gigantesco pátio de armazenamento do porto.


Os contêineres na fila para viajar

Edvandro nos contou que é freqüente a chegada de clandestinos em navios, geralmente, vindos do continente africano. Disse ainda que é comum a chegada de clandestinos mortos, devido às condições as quais eles se submetem, arriscando a vida para sair dos seus países. "Eles fogem, principalmente, da fome e das guerras", informou. No depósito, víamos muitas mercadorias vindas de outros países, destinadas a entidades filantrópicas que se estragam por causa da demora na liberação pela Receita Federal.

Então é isso! O resultado de todo esse processo de pesquisa, visitas, palestras, filmes e ensaios vocês conferem em O CONTÊINER, a partir do dia 08/09/06, de sexta a domingo no palco principal do Teatro Vila Velha, às 20 horas! Espero vocês!

Joedson Silva
Cia Novos Novos e Faculdades Jorge Amado promovem
Fala Vila: Toda Diferença é Igual

Dando continuidade à proposta do espetáculo Diferentes Iguais, da Cia Novos Novos, que provoca uma reflexão sobre a intolerância humana, o Cabaré dos Novos torna-se espaço de discussão no dia 02 de setembro, às 19h, após a apresentação da peça. Conflitos religiosos, econômicos, políticos e culturais serão discutidos como marcas dessa falsa idéia de que só pode existir uma verdade. O bate-papo é uma realização do projeto VilaJorge (parceria pedagógica e cultural entre o Teatro Vila Velha e as Faculdades Jorge Amado) e da Cia Novos Novos.

Saja, filósofo e professor de estética da UFBA e André Stangl, também filósofo e professor das Faculdades Jorge Amado são os convidados para a mesa redonda. A proposta do encontro é prolongar a discussão acerca das reflexões sobre o modelo de sociedade de hoje, levantadas pelos adolescentes no espetáculo. "Prefiro discutir a poética da direção e a forma como os atores trouxeram essa discussão. A peça em si é o maior barato da coisa, o texto tem valor inestimável e o nível de reflexão desses jovens de 2° grau foi muito bem trabalhado", explica Saja. Já Stangl vai falar sobre a idéia de verdade, a relação de dependência entre a diferença e a igualdade, questões de convivência e identidade.

Diferentes Iguais é o quarto espetáculo da Companhia Novos Novos, montado com o elenco adolescente, que trata das questões raciais, conflitos ideológicos, religiosos e políticos. Utilizando-se do espaço circense e seus característicos personagens, a montagem mostra a ausência da tolerância em relação à posição do outro e o atropelamento da ética e da moral pela sociedade capitalista atual. Esta peça é resultado de um intercâmbio com a companhia inglesa Young Blood, integrante do projeto Contacting the World, que promove o contato entre grupos de teatro infanto-juvenil de diversos países.

O Fala Vila é um projeto gratuito do Teatro Vila Velha, que estimula a reflexão e a troca de conhecimento entre especialistas, artistas e público. Sua entrada franca é possibilitada graças aos recursos de manutenção do Vila, que conta com o patrocínio da Chesf e do Governo do Estado da Bahia (através do Fazcultura) e da Petrobrás (através da Lei Rouanet). Já a nossa programação conta com o patrocínio do Governo do Estado da Bahia (através do Fundo de Cultura da Bahia).

ANOTE!

Fala Vila - Toda diferença é igual
Palestrantes: Saja - filósofo, professor de estética da UFBA e André Stangl - filósofo, professor das Faculdades Jorge Amado
Dia: 02/09/2006 - sábado
Horário: 19h (após o espetáculo)
Onde: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha
Entrada franca*

* Lembramos que os ingressos para a peça, apresentada às 18h, custam R$ 14,00 e R$ 7,00(meia)

terça-feira, 29 de agosto de 2006

O Vila ligado no mundo.
O mundo ligado no Vila.


Para quem conhece o Teatro Vila Velha, a realização de intercâmbios internacionais e o vai e vem de artistas e estudantes estrangeiros por aqui não é novidade alguma. Recentemente, tivemos a Novos Novos em contato com a Inglaterra. O Bando esteve em Angola e se prepara para ir à Alemanha. Ano passado, a Cia. Teatro dos Novos estendeu seus tentáculos pela América Latina, mantendo contato com dramaturgos dos países vizinhos. Houve também o Viladança, também com os alemães. E temos uma norte-americana, pesquisadora da cultura afro que vive lá e cá, alémde um monte de outras experiências interessantes que vem sendo realizadas desde os idos 70's.

Porém, é curioso notar que parece ter períodos em que dá o comichão nesse pessoal lá fora e a coisa ferve por aqui. No atual momento, contamos com a gradual aproximação de uma estudante alemã, Stella, que chegou até nós por indicação de Nehle Franke, do ICBA. A moça já veio assistir a alguns ensaios e aos poucos está conhecendo a mecânica do Vila. Ela diz que está empolgada e doida para encontrar alguma coisa que possa fazer para contribuir com o teatro. Que seja bem-vinda!

Concomitantemente, temos a proposta de uma produtora portuguesa recém-formada, ansiosa por aprendizado e novas experiências no campo da cultura. Estamos estudando a possibilidade de tê-la conosco, o que pode ser um interessante processo de intercâmbio entre Salvador e Lisboa. Vamos ver o que é necessário no que diz respeito aos trâmites burocráticos para tomarmos uma decisão.

E hoje, em resposta a um dos informativos do Vila, olha só o que recebemos:

Gracias compañeros, mantenganme informada de toda la actividad teatral, festivales y cursos que realicen que yo me dedico a esto, el teatro. Y me gustaría volver a ese hermoso lugar para perfeccionarme o intercambiar trabajos.
Gracias. María Rosa Bianchi. Trelew. Chubut. Patagonia Argentina.

É o Vila pela união entre os povos.
Dia desses é capaz de sediarmos algum petit comité da ONU...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

João Miguel, A Outra e Jardim das Folhas Sagradas


Por trás das cenas de Jardim das Folhas Sagradas. Fotos: Juliana Protásio.

Hoje pela manhã o Vila vivencia uma agitação incomum no palco principal. É a gravação de uma das cenas do filme Jardim das Folhas Sagradas, dirigido por Pola Ribeiro, que tem A Outra Companhia de Teatro numa figuração especial. Na cena que está sendo gravada aqui, A Outra é o grupo teatral do qual faz parte Castro, personagem vivido pelo ator João Miguel, que tem grande importância simbólica na trama. Ele faz o papel de amante do protagonista, vivido por Antônio Godi e sua morte promove uma verdadeira reviravolta na narrativa.

João Miguel, que já foi produtor do Bando de Teatro Olodum e também se apresentou no palco do Vila antes da reforma, recentemente vem ganhando destaque no cinema nacional, principalmente por sua marcante atuação no longa Cinema, aspirinas e urubus. Para ele, que bateu um papo conosco em meio aos ensaios, voltar ao Vila interpretando o papel de um ator de teatro para o cinema é uma metáfora no mínimo curiosa. Ele faz questão de demonstrar a reverência pelo trabalho do Bando e do diretor Marcio Meirelles, responsável pela preparação de elenco. João também falou da importância do Vila no cenário baiano e de sua vontade de voltar a fazer teatro, revelando a vontade de que os circuitos artísticos tenham mais interação, em vez da separação que existe entre eixo Rio-São Paulo e o restante do país. "Quero fazer teatro no Brasil", disse.

Confira algumas fotos dos ensaios para a gravação que aconteceu hoje.


Marcio Meirelles, João Miguel e Pola Ribeiro acertam detalhes da cena


Camilo Fróes mostra seu talento expressivo. Ao lado, João Miguel e A Outra Companhia de Teatro se preparam.


Marcio e Pola passam instruções ao elenco. Ao lado, a dupla confere as marcações no monitor.
Da Ponta da Língua à Ponta do Pé
é encenado para adultos em Triunfo



Dançarinos aproveitam uma folguinha entre as apresentações

Em Triunfo, o musical infanto-juvenil Da Ponta da Língua à Ponta do Pé foi pela primeira vez encenado exclusivamente para adultos. A apresentação começou às 22h, no Teatro SESC Triunfo e a platéia foi basicamente constituída por empresários. É que, na cidade, se realizava uma convenção da empresa Tupan, grande distribuidora de materiais de construção no interior de Pernambuco e da Bahia. O resultado foi além do esperado e a platéia recebeu carinhosamente o grupo baiano. Mais tarde, Marcelo Francisco, coordenador de cultura do SESC Triunfo, nos escreveu uma carta (que postamos abaixo na íntegra) detalhando as impressões que o Viladança deixou na cidade.





DA PONTA DA ALMA AO CENTRO DO CORAÇÃO!

O Projeto Palco Giratório é um verdadeiro incentivador no que concerne à Cultura e sua Pluralidade, tão batalhada por grupos e artistas no país nos últimos anos. Digo isto pelo fato de todos os interiores, e não só as capitais poderem usufruir de grandes encenações, propostas e debates questionadores da arte como um todo, bem como de cada espetáculo mais particularmente. Apesar dos contratempos e correrias e adaptações e tantos outros "es"... As cortinas sempre se abrem e deixam de algum modo uma marca naqueles que acompanham e trabalham em prol de um projeto grandioso como esse.

Nessa 3ª Etapa do Projeto em sua versão 2006, a cidade de Triunfo recebeu a Cia Viladança, da Bahia. O espetáculo previsto, na verdade, era José Ulisses da Silva, que devido a capacidade do nosso espaço não foi possível acontecer. Foi decidido então que o mais adequado seria o musical: Da Ponta Da Língua À Ponta Do Pé. O nosso receio era que o público pudesse não simpatizar com esse estilo já que se tratava de um texto infanto-juvenil. Porém a diretora (e uma das autoras) Cristina Castro falou: "Pode ser que a platéia goste, pois é uma viagem a quando éramos crianças". Isso me aliviou bastante, como se ela tivesse dito: - Tenha calma, sei o que estou fazendo! - E confio em pessoas que mostram sensibilidade.

Diante de meus olhos vejo uma Companhia toda empenhada em fazer valer a pena! O espetáculo que seria as 21h, tinha apenas trinta minutos para organizar cenário, luz e todos as pendências necessárias para a realização do musical. Como no Brasil, atraso é bem comum, não fugimos à regra, principalmente porque não havia como "se virar nesses trinta!" quando se tem de transformar um Auditório num Teatro! E foi isso que aconteceu. O mais interessante é que ficou diferente, mas bonito de se ver. E aquela espera foi sendo sanada pela leveza e simplicidade que o musical começava a mostrar à platéia, tão ansiosa e aguçada pela arte.

Pouco antes, comentei que confiava em pessoas de sensibilidade. Essa é a principal característica do espetáculo. O perfil do público, quase cem por cento adulto, parecia ter regressado décadas e ali estavam se deliciando com as sutilezas da encenação. Da Ponta, como o próprio elenco chama, não é só um projeto de cunho educacional; é claro que afirma com convicção a História da Dança, mas também coloca em questionamento o quanto é importante observar, sentir, aprender e praticar arte. O personagem do Zé é um reflexo de como nós arte educadores precisamos trabalhar os nossos alunos, nossa platéia em formação, em âmbito de SESC, o nosso modo sensível de ver e agir. É divertido, mas ao mesmo tempo é interrogador! Será que o Zé não terminou gostando também da Dança, ou ficou interessado só na Isadora? A comédia-romântica que costura a encenação foi um modo inteligente de tratar um assunto tão pouco explorado pelos grupos como é o caso da História da Dança. Certamente, uma criança, ou adulto mesmo que assista, falo por mim, terá seu conceito mais aprimorado sobre essa modalidade artística, e quem sabe até um interesse mais aguçado em praticá-la.

Quando intitulei esse microtexto "DA PONTA DA ALMA AO CENTRO DO CORAÇÃO" queria simplesmente, dizer que a Cia Viladança mostrou um trabalho feito de alma e que conseguiu tocar os corações mais frios (não só pelo clima) presentes aqui em Triunfo. Espero que continuem aquecendo cada vez mais órgãos como estes que muitas vezes carecem de arte e cultura e precisam urgentemente serem tocados antes que a falta de "comida, diversão e ballet" termine por isolar os indivíduos. O coração precisa de várias outras Vilasdança para continuar esse processo universal de democratização cultural A arte aproxima, une e aquece Da Ponta Da Língua A Ponta Do Pé.

Afetuosamente,



Marcelo Francisco
Coordenador de Cultura - SESC Triunfo

Triunfo, 24 de agosto de 2006

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Uma das coisas interessantes por trás do espetáculo Diferentes Iguais é o projeto Vila Novos Novos. Nesta montagem, a companhia investiu na performance dos adolescentes do grupo, agregando ainda outros jovens no processo, abrindo as portas do meio artístico, ao mesmo tempo construindo uma realização que tem energia juvenil e qualidade profissional.

Parte do trabalho técnico da peça foi concebido e viabilizado através das oficinas gratuitas realizadas com adolescentes aprendizes que participaram do projeto. Em sua segunda edição, que assim como no ano passado, foi patrocinada pela COELBA, o Vila Novos Novos voltou-se para a formação de jovens entre 15 e 19 anos, convidando-os a participar ativamente do mundo da arte aprendendo alguns dos chamados "ofícios da cena". Em Diferentes Iguais, os meninos são responsáveis pela iluminação cênica, sob a tutela de Fábio Espírito Santo, que os orientou na oficina e confere de perto a realização do pessoal. Nesta sexta-feira, pela manhã, o trabalho de montagem ocupou o Cabaré dos Novos para que tudo esteja prontinho para as apresentações de sábado e domingo. Veja a galera em ação.




Fotos: João Meirelles

quinta-feira, 24 de agosto de 2006




EU QUE FIZ!


Até 24 de setembro, você pode conferir no corredor de acesso ao palco principal do Vila a exposição fotográfica de Giovana Dantas, que integra o Festival Nacional de Fotografia - ano 2, produzido pela Casa da Photographia. Nesta mostra, intitulada Eu que fiz!, a fotógrafa faz um recorte dos personagens que participaram da Parada Gay de Salvador em 2005, em imagens que capturam fragmentos da moda casual e cheia de riqueza, criada seguindo o princípio do "faça-você-mesmo".

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Últimos dias para ver os Canteiros de Rosa


Vilavox em cena inspirada no conto A Menina de Lá - foto: Márcio Lima

Neste final de semana acontecem as últimas apresentações do espetáculo Canteiros de Rosa, do grupo Vilavox. A peça traz três contos de Guimarães Rosa, numa releitura escrita por Gordo Neto, sob direção de Jacyan Castilho, que ressalta os elementos rítmicos da linguagem e as sutilezas do humor que aparece na obra do ator. Ao longo da temporada, o Vilavox abriu apresentações gratuitas para comunidades de baixa renda e recebeu estudantes para discutir sobre literatura, especialmente o universo de Guimarães. O espetáculo foi um dos contemplados pelo Prêmio Myriam Muniz de Teatro em 2006 e vem sendo elogiado por professores e estudantes de Letras de nível médio e universitário.

Venha: sexta/sábado/domingo (20h) r$10/5

terça-feira, 22 de agosto de 2006

O Viladança manda notícias direto de Arcoverde (PE)

Depois de Rodar a Bahia e estrear Aroeira, agora o Viladança encontra-se em turnê pelo Brasil através do projeto Palco Giratório, do SESC. No momento, o grupo encontra-se na cidade de Arcoverde, onde se prepara para apresentações e vivências com a comunidade. Estes são os trechos de um bate-papo com Cristina Castro, diretora da companhia, via GoogleTalk no final da manhã de hoje:

A gente está agora em Arcoverde, uma cidade em pleno sertão pernambucano. O mais incrível é que fica em uma serra, então faz frio à noite e sol, sol, sol pela manhã e à tarde. É uma delícia! A gente está adorando, curtindo e conhecendo tanta gente bacana por aqui. Falo do Vila a cada segundo.

Saiu uma matéria enorme de capa no jornal Diário de Pernambuco, é um dos mais famosos e circula na capital e no interior. Tem foto e a matéria ficou legal. No hotel que ficamos em Triunfo, tinha uma máquina de escrever super antiga, mas bota antiga nisso, LINDA!!!! Lembrei de Ju e de Mila, as jornalistas do pedaço.

A companhia está fazendo bonito e crescendo, amadurecendo com tantas adaptações, tantas resoluções e tantas idas e vindas. Não teve um palco parecido com o outro, nem um hotel do mesmo nível, TUDO é DIFERENTE!!!!!

Os dançarinos estão otimos, cada um com seu jeito, com sua mania, com suas bobagens como todos nós. Estamos curtindo a cidade e vamos lá conhecer a comunidade. Tem um barzinho onde o pessoal daqui fica cantando e dançando. Estou louca para ver isso.

Sinto falta do agito, da claustrofobia do puxadinho, da bagunça da produção... essas coisas Vila Velha da vida, juntas a tantas outras tão maravilhosas. Ainda somos mesmo privilegiados trabalhando com arte.

E como ela não deixa de estar antenada com tudo que acontece por aqui, manda avisar:

Diz para os grupos residentes que saiu o edital do BNB. Vi na internet e já está disponível para quem quiser mandar projetos 2007.
O Vila no Tubo

Você já conhece o YouTube? É um site onde pessoas do mundo inteiro podem disponibilizar vídeos, desde os mais caseiros, como aquele do batizado do seu coelho de estimação, até os mais artísticos e experimentais. Sempre atento às novas tendências e caindo na rede, o Vila também já chegou lá e começa a disponibilizar material através do site. A idéia é divulgar para vocês trechos de nossos eventos e, quem sabe até, "trailers" dos espetáculos em cartaz. Tudo isso na medida do possível, é claro. O nosso mais recente lançamento apresenta o Vila por dentro e por fora, mostrando imagens e nomes marcantes que fazem parte dos nossos 42 anos de história. Para conhecer melhor nossa casa e entender um pouco como funcionamos, assista ao vídeo abaixo. Aproveite e registre sua opinião!

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Comentário sobre Canteiros de Rosa

"A atriz com naturalidade encarna a estranha menina, que primeiro era olhada com desconfiança, mais tarde com fascínio. Em idas e voltas no balanço, ela leva o espectador a ver uma garota cuja boca emana poesia nova, sentido novo pra palavras velhas, vocábulos estranhos. No palco, põe em diagonal Nininha e o sertão. Sertão de dores, de seca, de cegueira, se contrapondo a um mundo úmido, mas também de encanto. Com muita delicadeza, a direção resolve bem a subida da pequena às estrelas, aproveitando com maestria as possibilidades que o espaço do Vila Velha oferece."

Para ler o comentário na íntegra, você precisa ir até A Casa da Atriz, o blog de uma 'aspirante a atriz, que na verdade é jornalista'.

E para ver o espetáculo, você tem até este domingo (27/08). às 20h.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

COMO FOI?

de como uma célula xoxinha virou imaginação, Alice, estrela e veio constelar com a gente

Este é o relato de Jamile de Menezes Cerqueira, de como ela veio parar no Vila

Eu fui pro E ao quadrado por causa de minha irmã, que fazia teatro lá. Eu fiquei encantada! Acho que eu tinha uns 8 ou 7 anos". A história de Jamile com teatro começou assim. Foi atrás da irmã ver o que era, lá chegando tinha alguém imitando Tiririca, só de gaiatice. Jamile achou o máximo, queria imitar também, queria brincar de fazer cena. O "E ao Quadrado" é projeto múltiplo - logo, difícil de definir em poucas palavras, é teatro, é música, é... múltiplo - que trabalha com jovens e arte no subúrbio de Salvador. Mais precisamente, Alto do Cabrito. Vários dos "nossos" foram ou são "deles" também. Lá vai Jamile fazer teatro. Aí tinha esse projeto, o Tomaladacá no Teatro Vila Velha, "então Elizete ficou mantendo contato com Inácio, acho que foi Inácio, não me lembro bem que eu era pequenininha", vieram assistir uma peça. Ou foi outra coisa? "Eu era pequena! Não lembro! Sei que acabou da gente vir apresentar a peça do vírus HIV. Eu era uma célula, toda xoxinha". Ao mesmo tempo, o que acontecia no Vila? Pé-de-Guerra, de Sônia Robatto. O espetáculo seria montado com uma grande parte do elenco formada por crianças. "Então ele [Marcio Meirelles, diretor do espetáculo] resolveu ligar pra diretora, convidando os meninos pra fazer o teste. E a gente foi: eu, Flaviana, Chaiend, William e duas meninas que não ficaram porque já eram grandes. E Marcio gostou de todo mundo e ficou todo mundo. Aí eu fiz Pé-de-Guerra". Então surgiu a Companhia Novos Novos, capitaneada por Débora e com elenco só de crianças "Eu tinha 10 anos!". Montaram o premiado "Imagina Só... Aventura do Fazer". Daí Jamile foi ficando. Fez Trilhas do Vila, Mundo Novo Mundo, Auto-Retrato aos 40, Cartas Abertas, Despertar da Primavera, Alices e Camaleões... "Em Alices e Camaleões teve um fato muito marcante em minha vida. Eu cantei. E eu adoro cantar. Jarbas deixou eu cantar!". Hoje Jamile tem 16 anos. De Vila Velha e palco, já são seis anos, mais estrada que um monte de marmanjo daqui. As experiências ao longo desses anos não foram poucas. Jamile conta que operou som em Imagina Só..., desceu de rapel em Auto-Retrato, caiu, levantou, aprendeu foi coisa, perna-de-pau, malabares, berimbau... Hoje cursa terceiro ano do ensino médio no Colégio Estadual Odorico Tavares. E vestibular? "Enfermagem". E é? "É. Já tenho tudo organizado". Recentemente, Jamile foi a Manchester na Inglaterra. "Foi perfeito. Foi muito bom, adoraram nossa peça, conhecemos várias pessoas, eu nunca pensei que ia me comunicar, ia ter uma relação tão boa com pessoas de lá por conta da língua. Foi massa. A comida foi horrível. A comida era horrível. Sentia muita saudade do feijão. Mas foi perfeito." Foi fazer o quê, lá? Foi com os Novos Novos estrear o quarto espetáculo da companhia, Diferentes Iguais. Depois dos ingleses é nossa vez de curtir esta nova aventura, que estréia neste sábado, 19 de agosto e permanece em cartaz até o dia 17 de setembro, no Cabaré dos Novos, sempre às 18h.

Esta é Jamile, personagem do Vila.
Gordo Neto bombou

Passeando pelo Google para montar seu clipping pessoal, o dramaturgo Gordo Neto (o nosso, do Vilavox, que está em cartaz com Canteiros de Rosa) descobriu que teve uma de suas peças montada em São Paulo. E parece que o pessoal realmente gostou do trabalho dele. Olha só.

E com isso, aprendemos que a internet, e não a Espada Justiceira, nos dá visão além do alcance.
Leituras Dramáticas homenageiam Gianfrancesco Guarnieri


Fernando Guerreiro, Ewald Hackler, Marcio Meirelles e Harildo Deda


Uma das últimas reuniões da Companhia Teatro dos Novos contou com presenças muito especiais e foi repleta de decisões para o projeto de leituras da companhia, marcado para novembro deste ano. Os quatro diretores convidados para dirigir as leituras, Marcio Meirelles, Fernando Guerreiro, Ewald Hackler e Harildo Deda, estiveram presentes e muito contribuíram com sugestões de textos. A partir da reunião, que mais parecia um típico estudo de mesa de início de montagem, com atores e diretores trocando idéias, decidiu-se então por realizar uma homenagem a Gianfrancesco Guarnieri. Um dos textos escolhidos, Eles não Usam Black Tie foi, justamente, a primeira peça apresentada pela companhia no Teatro Vila Velha, em 1964, ano de sua inauguração


Companhia Teatro dos Novos e os diretores convidados homenagearão Guarnieri

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

PARTICIPE! DIVULGUE! SE INSCREVA!


+ informações: [71] 3336-1384 - das 14h às 18h
PARCERIA ENTRE MINC E IBGE PREVÊ ATUALIZAÇÃO DE ESTATÍSTICAS CULTURAIS
divulgado no boletim do Ministério da Cultura

Visando criar e atualiar as estatíticas culturais do Brasil, como sendo um esboço do primeiro censo de cultura do país, o Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) firmaram cooperação orçamentária e financeira. O acordo para a realização do Projeto Suplemento de Cultura da Pesquisa de Perfil Municipal, que prevê investimentos de R$ 1.760 mil, foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (14).

Como nesta gestão do MinC percebeu-se a necessidade de reunir dados, informações, números, incluir e colher a circulação econômica das diversas atividades culturais surgiu a idéia da pesquisa, A partir desta iniciativa pretende-se consolidar uma rede de informações e compromissos, ampliando e dinamizando o processo de institucionalização do setor cultural. Nesse sentido, projetos como o Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Sistema Nacional de Cultura
(SNC) enfatizam a definição e atribuição de papéis em níveis municipais, estaduais e federais.

MUNIC - A Pesquisa de Perfil Municipal (MUNIC) busca obter informações referentes às gestões de todas as prefeituras brasileiras.

A pesquisa já havia inserido uma seção dedicada à cultura desde 2001, mas a partir de 2005, com a inclusão de outros tópicos sobre a área cultural, a equipe do MinC envolvida com o estudo percebeu o incrível potencial de geração de dados que a MUNIC propicia. Deste momento surgiu a articulação do MinC com o IBGE no sentido de incluir o Suplemento de Cultura na MUNIC 2006.

O objetivo real é poder realizar uma pesquisa que transceda os aspectos numéricos e forneça dados qualitativos, que possam de fato contribuir para o mapeamento das atividades culturais vinculadas à gestão municipal e assim constituir uma série consistente, contínua, que possa permitir a mensuração do processo de transformações culturais no âmbito dos municípios. Clique aqui para saber mais.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

O BLOG DO VILA ESTÁ DE CARA NOVA.

Aproveite este link aí embaixo e diga o que você achou!
Teatro baiano concorre ao Prêmio Cláudia 2006

A cada ano, a revista Cláudia oferece uma premiação a mulheres que se destacam em suas áreas de atuação, realizando projetos e ações em diversos campos sociais. Este ano, o Theatro XVIII está concorrendo ao prêmio de melhor projeto cultural brasileiro através da dramaturga e diretora teatral Aninha Franco.

Diz o site da premiação sobre as concorrentes: "As histórias de sucesso dessas mulheres, que atuam nos grandes centros ou em locais de difícil acesso, nas cinco regiões do país, nos dão verdadeiras lições de ânimo e persistência. São três finalistas por área - ciências, cultura, negócios, políticas públicas e trabalho social. As cinco vencedoras - uma por categoria - serão escolhidas por três júris: o de notáveis, o da redação e o de leitoras".

Você pode participar com o seu voto, até o dia 15/09, no site da premiação: http://claudia.abril.com.br/premioclaudia/votar.shtml

terça-feira, 15 de agosto de 2006

História agora mesmo

Lázaro Ramos era pouco mais que um guri quando se meteu com o Bando de Teatro Olodum, porque quando ele ainda era guri, já era mesmo metido com teatro. Em nossos arquivos, encontramos um material curioso - a ficha de inscrição de Lázaro em sua primeira oficina com o Bando. Olha só:


Clique na imagem para ver a ficha de perto!
IMPRENSA ALTERNATIVA
Entrevista com o jornaleiro que decidiu parar
de comercializar as revistas Veja, Época e Primeira Leitura

Por Thaís Fernandes/fazendomedia.com [10/8/2006]

Trinta e três anos, jornaleiro há nove. Proprietário da banca que fica num movimentado ponto de Porto Alegre, Fábio Marinho tomou uma decisão: não vai mais vender a revista Veja. "Não é mais possível ficarmos esperando que os outros venham fazer algo por nós (...). Todos somos, de alguma forma, responsáveis pelo mundo em que vivemos". Fábio está se formando em História e comunicou sua decisão em carta enviada ao jornalista Hamilton Octávio de Souza e publicada na revista Caros Amigos de julho. Sua esperança é, como conta nessa entrevista, contribuir para que outros jornaleiros "também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população". Seu endereço eletrônico é: marinho147@hotmail.com. E seu endereço físico, pra quem quiser fazer uma visita, é o número 100 da Rua Dom Diogo de Souza, Cristo Redentor.

Entrevista concedida a Marcelo Salles

Há quanto tempo você trabalha como jornaleiro?
Tenho 33 anos, sou jornaleiro há nove anos, sempre como proprietário e no mesmo ponto de venda.

Qual o perfil dos seus clientes?
O perfil de meus clientes é variado devido ao fato de minha banca ficar próximo a um terminal de ônibus que atravessa a cidade de norte a sul e na frente de uma instituição de ensino particular. Então, atendo desde o desempregado sem perspectiva até ao empresário de sucesso; atendo pessoas de todas as classes econômicas.

Por que a decisão de parar de comercializar a revista Veja?
A gota d'água que me fez parar com a Veja foi uma "reportagem" sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, onde ele era retratado como um tiranete, um ser exótico, só que tudo era escrito num tom muito ofensivo, sem o menor respeito por um presidente de Estado, de uma nação soberana, eleito pelo voto popular. Aí eu pensei: a Veja foi longe demais. E tomei a decisão de não vendê-la novamente. Mas era uma decisão que vinha sendo amadurecida desde a época do "escândalo" do jornalista [Larry Rother], aquele que chamou o Lula de bêbado, quando a Veja fez uma série de reportagens tentando afirmar a mesma coisa. Olha, não sou lulista, mas a Veja foi desrespeitosa naquele momento, e comecei a pensar em não vendê-la. Essa decisão foi levada a termo a partir da tomada de consciência de que não é mais possível ficarmos esperando que os "outros" - ou o Lula, ou o "salvador" - venham fazer algo por nós, e de que todos nós, de alguma forma, somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Então, na minha opinião, é chegada a hora de fazermos algo para modificar a realidade que nos cerca; o que eu posso fazer é isto, então fiz.

Sua decisão se estende a alguma outra publicação ou é restrita à revista Veja?
A revista Época recebe um tratamento semelhante, embora há menos tempo, a partir da crise do "mensalão" (um ano, não é?). Também não sou petista, mas é fato que a revista forçou a barra, se calou durante os anos FHC e agora resolve praticar jornalismo investigativo? Dá licença! A revista Primeira Leitura também recebe tratamento semelhante, nem preciso dizer por quê, né?

Thaís Fernandes/fazendomedia.com

"Não dá mais para agüentar a Veja"

Isso não pode prejudicar o seu trabalho, visto que a Veja é uma das publicações mais vendidas e que, portanto, gera grande retorno à banca?
Sobre perder vendas, bem, entre ganhar dinheiro com a Veja ou perder algumas vendas e contribuir para que os meus clientes descubram a Caros Amigos, a CartaCapital, a Reportagem, fico com esta segunda opção, sem falar no componente ético que em mim é muito forte.

Você não corre risco de sofrer algum tipo de boicote pelo mercado editorial como um todo, ou pela editora Abril em especial?
Realmente não dá mais para agüentar a Veja. Olha, não temo boicote, mas estou surpreso com a repercussão. Recebi vários e-mails de pessoas me cumprimentando e elogiando minha atitude. Vamos ver como a [editora] Abril vai reagir. Se me boicotarem, espero contar com sua ajuda para denunciarmos mais uma da Abril.

O que você gosta de ler, entre livros, jornais, revistas e sítios na internet?
Estou me formando em História e, portanto, gosto de tudo que esteja relacionado à política, teoria e educação. Afora isto, gosto dos grandes escritores nacionais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, Érico Veríssimo, Mário Quintana. Enfim, ler é meu vício. Revistas eu não leio muito por ter pego o vício de ler um livro inteiro de um autor e tentar entender suas teses. As poucas revistas que leio são Caros Amigos, CartaCapital e Reportagem e só. Jornal aqui no sul não tem um que preste, pelo menos que eu conheça. Infelizmente não consegui leitores para o Brasil de Fato e a distribuidora cortou meu reparte, de modo que evito ler jornais. De internet eu não gosto muito não, só utilizo para correspondência e downloads.

Pelo que você observa entre seus clientes, há uma insatisfação com as publicações da grande imprensa? Você acredita haver espaço entre os leitores para publicações com linhas editoriais que destoam da mídia hegemônica?
Pois é, já está tão difícil vender as revistas alternativas... não sei se há espaço para novas publicações. Se você já esteve em alguma edição do Fórum Social Mundial, deve ter percebido que a indignação é maior do que a gente pensa, mas daí a sustentar uma nova revista eu já não sei, minha percepção de jornaleiro é que não, mas estou vendo a situação de um ponto de observação muito restrito que é minha banca.

Por favor, esteja à vontade para acrescentar qualquer outra informação que julgue relevante.
Olha, escrevi aquela carta para o Hamilton Octávio de Souza na esperança de vê-la publicada e que outros jornaleiros como eu fizessem algo parecido. A minha categoria é muito desunida e o sindicato (pelo menos aqui em Porto Alegre) trabalha para mantê-la desunida. Assim, espero que outros também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população.

Onde achar este tipo de matéria:

REVISTA FÓRUM - Outro mundo em debate
Uma publicação inspirada pelo Fórum Social Mundial.
http://www.revistaforum.com.br

FAZENDO MEDIA
Um grupo de estudantes de jornalismo procurando entender a chamada grande mídia.
http://www.fazendomedia.com

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Vida e obra de Samuel Beckett


Quem chega aqui no Vila até o dia 24 de agosto se depara com uma grata surpresa no foyer: uma exposição sobre a vida e a obra de Samuel Beckett, dramaturgo irlandês nascido há exatos 100 anos atrás. Figura importantíssima no teatro contemporâneo, Beckett soube como poucos compreender e demonstrar as angústias e o sofrimento do homem do século XX.

Para celebrar o centenário de nascimento de um cidadão tão ilustre, a Embaixada da Irlanda promove a exposição, que passará por três pontos no mundo (além de Salvador, São Paulo e Londres), levando textos e fotos sobre trajetória do artista. A homenagem é uma forma criativa de despertar o interesse do público sobre a obra de Beckett, difundindo seu trabalho para além dos limites da Grã-Bretanha. Salvador pode ter acesso às fotos e textos que compõe a mostra através de uma parceria entre Embaixada da Irlanda, a Universidade Federal da Bahia/Departamento de Letras Germânicas e o Teatro Vila Velha.

A foto acima integra a mostra. O crédito é de John Minihan, amigo de Beckett e responsável pelos últimos registros de imagem da vida do dramaturgo, que era avesso a posar para fotografias.

Aqui você pode fazer o download do texto que acompanha as fotos na exposição, escrito por Ronan McDonald, diretor da Beckett International Foundation, Universidade de Reading (Irlanda) - versão traduzida para o português.

Leia também esta matéria publicada no Correio da Bahia.

PROGRAMAÇÃO GERAL

Exposição ? Vida e Obra de Samuel Beckett
Período: Até 24 de AGOSTO
Horário de visitação: das 9h às 18h
Local: Foyer do Teatro Vila Velha (Av. Sete de Setembro, s/n ? Passeio Público)

Fala Vila - Beckett
Data: 21/08/2006 (segunda-feira)
Horário: 19h
Local: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha

Palestrantes:
Noélia Borges de Araújo ? Um panorama do Teatro Irlandês
Luiz Marfuz ? Beckett ? o Poeta do Caos

Ciclo de Palestras
Local: Instituto de Letras da UFBA ? Campus de Ondina
Horário: das 14h às 18h

Datas e palestras:

15/08 - Uma visão panorâmica do Teatro, com o prof. e diretor de Teatro Gil Vicente Tavares (UFBA)

22/08 - Irlanda - Literatura, História e Teatro, com a Profa. Dra. Beatriz Kolpichitz (USP)

29/08 - Teatro irlandês, com o Prof. Dr. Roberto Ferreira Rocha (UFRJ)

05/09 - Traduzindo peças teatrais, com o Prof. Dr. John Milton (USP)

03/10 - O Teatro de W.B. Yeats e Brian Friel, com a Profa. Dra. Hedwig Schwall (Universidade da Bélgica)

31/10 - O Teatro de Marina Carr, com a Profa. Zoraide Mesquita (Universidade de Ibirapuera-SP)

Para mais informações sobre as homenagens a Samuel Beckett em Salvador:
Instituto de Letras - 71 3263-6207 / 6209 / 6210

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

COMO FOI?

de como a diretora carioaca saiua do Rioa, para a Bahia... aí.

Este é o relato de Jacyan Castilho de Oliveira (a única Jacyan do MUNDO!), de como ela veio parar no Vila

No Rio de Janeiro ainda, eu ouvi falar do Bando de Teatro Olodum e de Marcio Meirelles, algumas vezes, principalmente com a repercussão de Medeamaterial, e depois, de Cabaré da RRRRRaça...". Para você ver como são as coisas. Começou assim, como se fosse uma notícia distante de um negócio longínquo e improvável. "Eu achava que era uma coisa com o grupo de percussão". Tá vendo? Mas logo as coisas mudaram de rumo. Surgiu uma oportunidade na Bahia alguns anos depois e a diretora carioca mudou-se com a família para Salvador. Não por causa do Vila Velha, Jacyan agora virou professora da Escola de Teatro da UFBA. Logo no primeiro semestre de aulas, uma aluna, Nildes Vieira, convidou-a para assistir Cabaré da RRRRRaça. Jacyan compareceu. Primeira vez no Vila. Aproveitou que estava aqui e procurou Marcio para uma ajudinha. "Eu disse que no Rio eu estava pensando em montar Fausto #Zero, e ia escrever pra ele, pedindo uma orientação sobre direitos autorais... Aí ele me deu não só o livreto de Fausto #Zero, como todos os programas de todos os espetáculos do Vila". Material suficiente para se apaixonar pela casa. Deu certo? Não de cara. Um ano de adaptação para uma recém-chegada carioca não é um ano qualquer, muitas transformações acontecem, a água do mar aqui é quente, as pessoas não sibilam, mil coisas, todo um novo universo, não deu. De novo, alunos insistentes arrastaram-na para junto de nós: Danilo (Viladança) e Iara (CTN) chamaram Jacyan para dar oficina de teatro no Verão. Veio. Deu a oficina mas a adaptação ao ambiente ainda não havia se completado. Jacyan ficou um ano, praticamente, sem vir ao Vila, tempo necessário para completar a sua aclimatação. Finalmente rolou um terceiro convite para dar aulas de teatro ao Vilavox. Vencida pelo cansaço e seduzida por trabalhar com um grupo fortemente ligado a música, Jacyan relaxou e finalmente se deixou envolver pelas amarras do Vila Velha. Isso foi em 2004 e vinha aí Auto-Retrato aos 40. Se alinhou junto às fileiras vilavoxianas, e entrou como atriz nos palcos do Vila. "Foi pedido que eu definisse quem eu era, e eu me auto-defini como Vilavox. Aí, como Vilavox eu me meti no Primeiro de Abril", fazendo direção de ator. Em seguida o convite para atuar em Cartas Abertas, Diatribe de Amor Contra um Homem Sentado e dirigir Cão!, pela CTN. "Quando eu vi, eu tava aqui, fazendo tudo aqui, já, já tava virando mobília". Jacyan é atriz, formada em dança e mestre a caminho do doutorado, "tudo em teatro, o que aliás, não quer dizer muita coisa". --- Neste momento da conversa foi que ela se empolgou e começou a falar na terceira pessoa --- "A Jacyan cozinha muito bem, cuida do filho, e faz muitas coisas maravilhosamente bem que só o marido sabe, bebe uma cerveja como ninguém, top model de Luiz Santana, a Jacyan é assim...". Fã de Led Zeppelin, estudiosa da técnica de Laban e profundamente carioca, Jacyan está em cartaz com Canteiros de Rosa, uma homenagem a Guimarães, sextas, sábados e domingos às 20h no palco principal do Teatro Vila Velha somente até o dia 27 de agosto e se prepara para a oficina de teatro para atores não-virgens "ai, será que tem um jeito elegante de dizer 'teatro para pessoas com alguma experiência?'" que acontecerá em outubro, aqui no Vila.

Esta é Jacyan, a diretora carioca, personagem do Vila.
O workshop de Karina Holla no Vila foi um sucesso!



Cerca de 20 artistas se reuniram na sala de ensaios João Augusto para participar do workshop de Teatro de Movimento ministrado pela artista holandesa Karina Holla. Com uma aula dinâmica, Holla colocou todo mundo para suar, com exercícios de movimentos vigorosos e muita interação envolvendo todos os participantes. Entre eles, o povo do Vila esteve representado por Marísia Motta e Cláudio Machado (que está em cartaz com o Vilavox na peça Canteiros de Rosa), assistidos de perto por Sônia Robatto (Cia. Teatro dos Novos).



As aulas contaram com o apoio de Camila Kowalski, da produção do Viladança, que ficou responsável pela tradução simultânea das orientações da artista holandesa. Sempre sorridente e com ares de animada, Karina Holla causou boa impressão em sua passagem pelo Vila.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

L Í B A N O
ATÉ QUANDO?

por Eduardo Galeano*

Um país bombardeia dois países. A impunidade poderia ser assombrosa, se não fosse costumeira. Alguns tímidos protestos dizem que houve erros. Até quanto os horrores continuarão sendo chamados de erros? Esta carnificina de civis começou a partir do seqüestro de um soldado. Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina? Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo o Líbano?

A caça aos judeus foi, durante séculos, o esporte preferido dos europeus. Em Auschwitz desembocou um antigo rio de espantos, que havia atravessado toda a Europa. Até quando palestinos e outros árabes continuarão pagando por crimes que não cometeram? O Hezbollah não existia quando Israel arrasou o Líbano em suas invasões anteriores. Até quando continuaremos acreditando no conto do agressor agredido, que pratica o terrorismo porque tem direito de se defender do terrorismo? Iraque, Afeganistão, Palestina, Líbano... Até quando se poderá continuar exterminando países impunemente?

As torturas de Abu Ghraib, que despertaram certo mal-estar universal, nada têm de novo para nós, os latino-americanos. Nossos militares aprenderam essas técnicas de interrogatório na Escola das Américas, que agora perdeu o nome, mas não as manhas. Até quando continuaremos aceitando que a tortura continue legitimando, como fez o Supremo Tribunal de Israel, em nome da legítima defesa da pátria?

Israel deixou de ouvir 46 recomendações da Assembléia Geral e de outros organismos das Nações Unidas. Até quando o governo israelense continuará exercendo o privilégio de ser surdo? As Nações Unidas recomendam, mas não decidem. Quando decidem, a Casa Branca impede que decidam, porque tem direito de veto. A Casa Branca vetou, no Conselho de Segurança, 40 resoluções que condenavam Israel. Até quando as Nações Unidas continuarão atuando como se fossem outro nome dos Estados Unidos? Desde que os palestinos foram desalojados de suas casas e despojados de suas terras, muito sangue correu. Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega?

A história se repete, dia após dia, ano após ano, e um israelense morre para cada 10 árabes que morrem. Até quando a vida de cada israelense continuará valendo 10 vezes mais? Em proporção à população, os 50 mil civis, em sua maioria mulheres e crianças, mortos no Iraque equivalem a 800 mil norte-americanos. Até quando continuaremos aceitando, como se fosse costume, a matança de iraquianos, em uma guerra cega que esqueceu seus pretextos? Até quando continuará sendo normal que os vivos e os mortos sejam de primeira, segunda, terceira ou quarta categoria?

O Irã está desenvolvendo a energia nuclear. Até quando continuaremos acreditando que isso basta para provar que um país é um perigo para a humanidade? A chamada comunidade internacional não se angustia em nada com o fato de Israel ter 250 bombas atômicas, embora seja um país que vive à beira de um ataque de nervos. Quem maneja o perigosímetro universal? Terá sido o Irã o país que lançou as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki?

Na era da globalização, o direito de pressão pode mais do que o direito de expressão. Para justificar a ocupação ilegal de terras palestinas, a guerra se chama paz. Os israelenses são patriotas e os palestinos são terroristas, e os terroristas semeiam o alarme universal. Até quando os meios de comunicação continuarão sendo medos de comunicação. Esta matança de agora, que não é a primeira nem será - temo - a última, ocorre em silêncio? O mundo está mudo? Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação?

Estes bombardeios matam crianças: mais de um terço das vítimas, não menos da metade. Os que se atrevem a denunciar isto são acusados de anti-semitismo. Até quando continuarão sendo anti-semitas os críticos dos crimes do terrorismo de Estado? Até quando aceitaremos esta extorsão? São anti-semitas os judeus horrorizados pelo que se faz em seu nome? São anti-semitas os árabes, tão semitas como os judeus? Por acaso não há vozes árabes que defendem a pátria palestina e repudiam o manicômio fundamentalista?

Os terroristas se parecem entre si: os terroristas de Estado, respeitáveis homens de governo, e os terroristas privados, que são loucos soltos ou loucos organizados desde os tempos da Guerra Fria contra o totalitarismo comunista. E todos agem em nome de Deus, seja Deus, Alá ou Jeová. Até quando continuaremos ignorando que todos os terrorismos desprezam a vida humana e que todos se alimentam mutuamente. Não é evidente que nesta guerra entre Israel e Hezbollah são civis, libaneses, palestinos, israelenses, os que choram os mortos? Não é evidente que as guerras do Afeganistão e do Iraque e as invasões de Gaza e do Líbano são incubadoras do ódio, que fabricam fanáticos em série?

Somos a única espécie animal especializada no extermínio mútuo. Destinamos US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos. Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?

* Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de "As veias abertas da América Latina" e "Memórias do fogo". Este artigo foi publicado originalmente em www.envolverde.com.br.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Glamourosas!

Na passarela, um festival de feminilidade para todos os gostos: mulheres de todos os tamanhos, cores e modelos. Longe de objetificá-las, as roupas criadas por Luiz Santana ressaltou a beleza peculiar de cada uma delas. Conhecidas dos palcos ou corredores dos teatros, as manequins que ontem à noite deram vida aos modelos inventivos da coleção Mistureba Fashion trouxeram o ao palco do Vila uma dose extra de charme.

Como o próprio Luiz já havia anunciado, as roupas de sua coleção vestem mulheres que não têm vergonha dos olhares alheios. Por isso, muitas transparências, decotes reveladores e tecidos coloridos esvoaçantes. Peças para exaltar o corpo da mulher e sua personalidade marcante, em qualquer que seja o cenário.

A trilha sonora do desfile foi um show à parte, com a apresentação da banda Aglomera Sons, liderada pelo carismático Leno, do Bando de Teatro Olodum. Eles embalaram o público com uma mistura de reggae e música pop, apresentando sucessos nacionais e internacionais que levantaram os ânimos da galera.

Para não ficar de fora do que aconteceu por aqui, clique na foto e confira!



E se você se interessou por alguma das peças que foram apresentadas, uma boa notícia: elas estão à venda! Entre em contato diretamente com Luiz pelo telefone 8135-8419 / 3328-7964

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Sobradinho como ninguém nunca viu

Entre 287 alunos nas oficinas e 800 crianças de público durante a passagem do Rodando a Bahia por Sobradinho, uma das atrações principais foi a própria Chesf, patrocinadora do projeto que leva a Companhia Viladança a 11 cidades do interior da Bahia. Trata-se de um programa de formação de platéia criado pela diretora e coreógrafa Cristina Castro.

O grupo de dança foi até a barragem de Sobradinho, cujas eclusas atingem a altura de 32,5m e contemplou o pôr-do-sol diante do 2º maior lago artificial do mundo. Em seguida, numa visita exclusiva, o Viladança conheceu os 1.720.000 m² de concreto das instalações da Chesf na cidade, uma construção fantástica que deixaria o mais experiente engenheiro impressionado. A companhia teve a oportunidade de conhecer desde os geradores até a sala de comando. Na barragem, é gerada energia a 13.800 volts, e mais tarde este número é convertido pela própria Chesf em 500.000 volts, valor regulamentado para o transporte para o Nordeste.

O Viladança conheceu também alguns funcionários do setor administrativo da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. O Sr. Alexandre Tavares, gerente regional, foi muito simpático e atendeu a diretora Cristina Castro na sua sala. Da reunião participou também o Sr. Lourinaldo Santana, administrador regional.

Ainda foi de extrema relevância a recepção de Cleide Oliveira, agente de recursos humanos, que organizou a hospedagem da Cia. na casa de trânsito da empresa. Também Paloma, coordenadora de educação da cidade, foi muito atenciosa durante toda a estadia do Viladança, chegando a presentear cada membro da equipe com um porta-retrato feito de material reciclável.

A empresa Círculo Recursos Humanos promove curso sobre ?Montagem de Exposições de Arte?

DATAS: 07 e 08 de outubro de 2006.

DIAS: sábado e domingo.

HORÁRIO: das 08:30 às 17:30h.

CARGA HORÁRIA: 15 horas.

LOCAL DE REALIZAÇÃO: Aliança Francesa de Salvador.
Av. Sete de Setembro, 401, Ladeira da Barra ? Salvador-BA.

INSTRUTOR: Gilberto Habib Oliveira.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Guilda: como montar um corpo híbrido?


hoje é o último dia para ver GUILDA, não perca! foto: joão meirelles

Por Jorge Alencar*

Não seria capaz de apontar uma outra investigação cênica soteropolitana que emparelhasse tão bem duas nuanças - outrora rivais - do termo montar como em Guilda, texto de Bertho Filho, encenado por Marcelo Sousa Brito. O espetáculo faz parte do projeto O que cabe nesse palco do Teatro Vila Velha que incentiva a emergência de novos talentos ao oferecer infra-estrutura e apoio técnico para a montagem de obras inéditas. E bota inédita nisso.

Não cairia na armadilha de misturar noções como originalidade e pós-modernidade a travestismo e moda. Até porque alguns dos grandes fetiches e triunfos desses esquemas são justamente a citação e a apropriação de elementos "alheios". O que tem um enorme valor de ineditismo, além, é claro, das criativas soluções cênicas do espetáculo de Marcelo, é a sua realização propriamente dita. Aí voltamos à questão inicial. Montar Guilda contempla tanto o seu sentido mais "tradicional", de traduzir um texto dramático em encenação, como aquele que evoca as performances de travestismo quando, por exemplo, uma drag queen "se monta" para entrar em cena.

Guilda é a peça de formatura de Marcelo em direção teatral pela Escola de Teatro da UFBA. Mesmo com seu pioneirismo no ensino das artes cênicas em nível acadêmico, a Escola tem promovido ao longo desses anos resultados cênicos de conclusão de curso de naturezas bem diferentes da do feito artístico de Marcelo. Esse ponto sublinha, desde já, a relevância tanto da abertura da Escola para novas discussões, como, sobretudo, da realização de um projeto como Guilda que engrossa, positivamente, o caldo de uma possível crise de identidade cultural.

O texto de Bertho traz cinco personagens preocupadas em vencer um concurso de beleza. O ?problema? da encenação ultrapassa essa disputa quando atualiza a noção de personagem ao propor a elaboração de um corpo híbrido. Esse hibridismo está tanto na construção de gênero (masculino/feminino), como na fronteira entre intérprete e personagem. Quando falo corpo, quero afirmar um sentido largo do termo que incrementa aquela clássica idéia de personagem psicologizado. Além do comportamento e das ações realizadas por cada personagem na cena, tudo é corpo em Guilda: as músicas, os figurinos (criados por Silverino Oju, que levam uma certa decadência para a alta-costura, construídos com gaze e ataduras), a passarela, o público, os sapatos feitos sob medida pelo aclamado designer Fernando Pires. Tudo isso é efetivamente incorporado, realizando um incrível embodiment. Os sapatos de Fernando Pires são mesmo corpo, não sendo apenas um adorno chique em camada superficial.

O talentoso elenco formado por Leonardo Luz, Luiz Santana, Olga Lamas, Vanessa Mello, Xanda Fontes e pelo próprio Marcelo, passa da beleza à decadência em segundos. No papel de público, a gente tanto deseja quanto rejeita aquelas figuras em tempo real. Isso contribui de maneira definitiva na elaboração desse corpo híbrido com identidade esquizofrênica.

Guilda, ao contrário do que olhos preguiçosos podem capturar, não se resume aos deliciosos números musicais de dublagem com seu poder de fogo de entretenimento instantâneo, mas se apresenta como um sistema de organização complexa que já vinha sendo delineado mais explicitamente na montagem anterior de Marcelo: Luz, adaptado de Lux in Tenebris de Bertold Brecht. Nessa última peça, a cena já abria mão de uma assepsia estetizada, apresentando marcações intencionalmente imprecisas vividas por seres marginalizados - prostitutas, homossexuais, miseráveis moribundos - que xingavam nas ruas de um Pelourinho hiper-realista.

Essa poética de ambigüidades e polissemias que se estabelece nas porosidades das fronteiras ideologias e estéticas, no "entre", se aproxima em muitos aspectos do que venho chamando de "corpo borrado" na pesquisa que desenvolvo junto ao também híbrido grupo Dimenti há quase nove anos.

Marcelo Sousa Brito é um artista que veio do interior, trabalha sem patrocínio, se arrisca em trabalhos colocados à margem das grandes produções... Contextualizar esse autor nos ajuda a acessar sua obra e entender de vez que teoria e prática não são coisas apartadas - sobretudo em âmbito acadêmico - e a enxergar a importância do surgimento desse jovem encenador e de Guilda como um acontecimento de relevância igualmente estética e política.

* Jorrge Alenca é comunicólogo, diretor e coreógrafo do grupo Dimenti. Atualmente desenvolve sua pesquisa no Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFBA (PPGAC).

Bibliografia

BUTLER, Judith. "Critically Queer" in Bodies that matter: On the discursive limits of the "sex". New York & London, 1993.

HALL, Stuart. "Identidade cultural na Pós-modernidade" .Rio de Janeiro: DP&A, 1997.

PASSOS, Fernando. "Corpos em Trânsito X Tráfico de Danças: Coreografando nas Fronteiras". In Revista da Fundarte. Fundação Municipal das Artes de Montenegro, 2001.

:: ATENÇÃO ARTISTAS ::

WORKSHOP GRATUITO TEATRO DE MOVIMENTO

Nos dia 8 e 9 de agosto, a artista holandesa Karina Holla estará aqui no Vila para ministrar um workshop de Teatro de Movimento. A atividade acontece das 9h às 13h, com inscrições gratuitas no local, a partir das 8h. O workshop integra o programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura e acontece em diversas cidades brasileiras, nos espaços eleitos como Pontos de Cultura.

FIQUE POR DENTRO

TEATRO DE MOVIMENTO

O Teatro de Movimento é uma linguagem amplamente desenvolvida na Holanda. É uma forma de expressão artística que procura comunicar o máximo com o mínimo de palavras, utilizando o corpo como meio. Baseia-se no movimento corporal, é uma arte individual, na qual o artista não só é o executor, mas também o diretor e o criador do espetáculo. O Teatro de Movimento é importante nas pesquisas corporais de áreas de dança, teatro ou mímica.

KARINA HOLLA

Durante os últimos 20 anos, Karina Holla tem produzido espetáculos considerados pela crítica especializada como expressivos e desafiadores, nos quais atua como diretora e/ou atriz. Sua linguagem teatral transita entre opostos: história e atualidade; atividade extrema e silêncio sutil. Muitas vezes a sua fonte de inspiração são personagens conduzidos por desejos intensos e paixões fortes, pessoas que assumem riscos e continuam em movimento. Seu trabalho teatral mostra emoções em sua forma primitiva e a força da imaginação.

Karina Holla esteve no Brasil em 2002, quando ministrou workshops em São Paulo e Rio de Janeiro para estudantes e representantes de renomadas escolas de teatro, dança e de projetos socio-culturais. Impressionada com o país, a artista agora retorna com o apoio de uma bolsa do Governo Holandês, que a permite dar continuidade à sua pesquisa por aqui. Nesta nova oportunidade, Karina traçou uma turnê que irá permitir a realização de intercâmbio com artistas das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas (SP), Salvador, Brasília (DF), Olinda (PE) e Rio Branco (AC).

ANOTE!!!

O que: Workshop - Teatro de Movimento
Orientadora: Karina Holla (Holanda)
Dias: 08 e 09 de agosto (terça e quarta-feira)
Horário: das 9h às 13h
Inscrições: Gratuitas - a partir das 8h, no dia 08
Público-alvo: Pessoas a partir de 15 anos
Vagas Limitadas

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

FELICIDADES PARA O VILA!



Faz uns dois meses que o Vila tem seu perfil no orkut e este foi o primeiro aniversário on-line. 42 anos do Teatro e olha só que surpresa: 42 amigos desejando felicidades! Para quem curte numerologia, coincidências e destino eis um prato cheio. Já separamos alguns dos recados com as fotos da galera e colocamos no mural. É muito bom ser lembrado no dia do seu aniversário e por isso, agradecemos todos os abraços, beijinhos e anos de vida! Aos que esqueceram: não tem problema. A gente releva, mas dá próxima vez não haverá perdão! E aos que não sabiam é melhor anotar: dia 31 de julho é o aniversário do Teatro Vila Velha.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

VEM AÍ:
Mistureba Fashion
segunda
07/08

19h


Letícia, Olga e Fernanda na lente de João Meirelles

Vestir um personagem.Conceituar o figurino de um espetáculo teatral/filme/show/etc. Interpretar e traduzir sob a forma de roupa a abstração de uma coreografia de dança. Atribuições de um figurinista. Figurino/roupa; moda/modo; personagem/indivíduo; palco/rua; texto/contexto; cena/vida.

Criando e recriando figurinos sempre me deparo com essas palavras/conceitos. Sempre me questiono sobre o significado de cada uma delas. O que caracteriza o que chamamos de roupa e o que denominamos figurino? A forma? A função? Ambas? Se a roupa sobe ao palco para vestir um personagem na cena, porque o figurino não pode sair à rua para individualizar, criar uma moda pessoal, contextualizar um indivíduo no seu meio dando-lhe uma assinatura única e intransferível? E o que é roupa? E o que vem a ser figurino? Que linha os separa? A vida imita a arte ou a arte (re)trata a vida?

Nessa minha nova aventura entre linhas e agulhas procuro não responder a esses questionamentos (porque, obviamente, ainda não encontrei as respostas). Vejo a roupa como a tradução da personalidade de cada um - esse é um pensamento conceitual, porque o que vejo quase sempre nos outros e as vezes em mim mesmo é bem diferente - com todas as suas nuances e variações de humores, amores e dores. Não compactuo com os cegos seguidores das ditas "tendências"( que mudam a cada...6 meses!). As chamadas ?fashion victms?, um exército numeroso que se massifica/banaliza/globaliza sem o menor pudor, desrespeitando suas individualidades, sejam elas físicas, regionais morais ou comportamentais. São os contribuintes que a cada dia engordam o saldo da (já bem gordinha) Indústria da Moda, os fiéis pastores da Nossa Senhora da Última Moda.

Nessa coleção retrato em forma de peças do vestuário feminino, sentimentos, cores,, formas, sensações e lembranças que me acompanham desde de criança, quando observava fascinado, a movimentação de minha mãe e tias entre tecidos coloridos, carretéis e fitas costurando as roupas de festa para toda a família. Não segui tendências, não pesquisei as cores nem as estampas da moda, não me interessei pelas "peças-chave" da estação. Para mim, tendência é estilo pessoal, cor da moda é aquela que nos agrada e estampa legal é aquela que nos faz se sentir feliz. Ah, e "peça-chave" é aquela que dá vontade de vestir, seja ela uma saia-lápis, uma bata bem riponga (bem setentinha) ou uma míni-micro-saia de lurex (faiscando!), pouco importando se é isso que está nas revistas especializadas em moda ou se é o que a atriz/modelo da novela das oito está usando exaustivamente.

Fiz uma roupa para a mulher que tem prazer em se enfeitar, em se exibir e não tem pudores em relação aos olhos alheios.O minimalismo passa longe dela.Ela é barroca, rococó, cheia de fitas/flores/cores/bordados/brilhos. Ela dá pinta. A inspiração vem do artesanal, do "hand-made". AS formas flertam com os anos 50, 70 e 80 ( saias godês + cintura alta + batas soltas + saiões à Janis Joplin + volumes + mangas morcego) e toda essa ?mistureba? fashion com que somos bombardeados diariamente nesse início de século XXI.

Para apresentar essa coleção, mulheres acostumadas a vestir figurinos, a dar vida à outras personas sem perder a sua própria. Atrizes, dançarinas, mulheres do palco/vida de todo dia. Mulheres que sabem que a moda passa, repassa e ...volta a passar. Mas que a vida continua. Sempre.

Luiz Santana - estilista / figurinista