quinta-feira, 30 de março de 2006

Super Negão censurado em Angola


Super Negão - nada de pelados em Angola
Foto: Márcio Lima


Como muita gente já sabe, o Bando de Teatro Olodum foi convidado pelo Ministério da Cultura de Angola para apresentar o Cabaré da RRRRRaça em Luanda, comemorando o dia internacional do teatro (27/03). O que ninguém esperava é que fosse rolar uma censura. Depois de assistir ontem à estréia em Luanda, o Ministro da Cultura pediu à direção do espetáculo que a cena em que quatro atores aparecem dançando nus (ao som de Super Negão, composição em clima de axé de Jarbas Bittencourt) fosse realizada com uso de tapa-sexos. Sem ver sentido nisso, Marcio Meirelles, de cá do Brasil, preferiu que a cena fosse retirada das apresentações, que acontecem até dia 1º de abril. Choques culturais a parte, o Bando estará de volta no dia 2 de abril, se preparando para África/Cinema - exibições gratuitas de filmes africanos no Vila.
ATENÇÃO

MUITA ATENÇÃO

Informamos que saiu o resultado do Prêmio Myriam Muniz. Está disponível no site da Funarte (www.funarte.gov.br), mas podemos adiantar que dois projetos do Teatro Vila Velha foram contemplados. São eles, A Outra Companhia de Teatro - Manutenção e Pesquisa (dA Outra) e Canteiros de Rosa (do Vilavox). Dessa vez, sem xabu!

Sucesso absoluto. Bora baêa!

quarta-feira, 29 de março de 2006

Quem planta, colhe. Esse ditado popular tem sido marcante em 2006 para a Companhia Viladança, grupo residente do Teatro Vila Velha. O musical infantil "Da Ponta da Língua à Ponta do Pé" levado aos palcos pela companhia recebeu, pelo segundo ano seguido, a autorização para utilizar a chancela da UNESCO. Isso significa que o espetáculo é reconhecido por uma das mais respaldadas organizações internacionais. Mérito de poucos, a conquista vem coroar um ano de trabalho árduo, 2005, quando mais de 10.000 crianças assistiram à peça.

terça-feira, 28 de março de 2006

Desligar o celular?

"Pedimos a gentileza de desligarem os telefones celulares ou quaisquer aparelhos eletrônicos..."

Entre um assunto e outro de uma de nossas muitas reuniões, surgiu o assunto do celular; alguns fatos históricos, depoimentos cômicos e poucos relatos de constrangimento, também. É absolutamente necessário que os telefones celulares não toquem durante o espetáculo, por uma série de motivos bastante claros: incomoda os outros espectadores, é desrespeitoso com o público e com os atores, atrapalha o elenco, mas talvez o maior dano, seja que o toque do celular puxa as pessoas para fora da história; lembra a todos que estamos em um teatro, assistindo a uma encenação. Assim, fica muito mais difícil embarcar na viagem e acreditar na ilusão.

É diferente de uma tosse, um espirro ou um nariz fungando. É mais como jogar papel no chão, furar sinal vermelho. Desligar o celular não requer grande esforço ou habilidade. Os atributos exigidos são: bom-senso, audição (para ouvir Jarbas pedir que por gentileza desligue o aparelho) e um pouco de civilidade. Não muita. Um pouco, já basta.

Como bom-senso tem faltado, de maneira geral, no Vila, em cinemas e em outras platéias da Bahia, pensamos em mesnagens mais persuasivas, como:

"Nos reservamos o direito de maldizer eternamente aqueles que deixarem o celular tocar durante a apresentação deste espetáculo. Mau olhado, simpatias e feitiços malignos não estão descartados..."

ou

"Senhores espectadores, atrás dessa colchia, além de contra-regras e elenco, estão os mestres de capoeira e kung fu, Maneco e XJin Jao, que os perseguirão até as suas casas para fazer maldades de forma que pareça um acidente, no caso de ouvirem um celular tocar..."

ou ainda,

"Atenção: esta sala se auto-destruirá se alguma ligação de celular se completar durante o espetáculo..."

Japoneses já desenvolveram (mesmo) um bloqueador de sinal portátil (tô falando sério). Não acho que precisamos chegar a tanto.

É uma mera questão de hábito. Imagino que a maioria das pessoas que recebem ligações durante espetáculos, tenha esquecido o celular ligado, por falta de hábito de desligar. Como os motoristas que esquecem de colocar o cinto de segurança logo que entram no carro, mas lembram alguns metros à frente. Infelizmente, já ouvi depoimentos de pessoas que "simplesmente não podem desligar o telefone". Imagino como deve ser difícil namorar, ou tomar banho, para essas pessoas. O celular pode tocar enquanto escovam os dentes!

Minha opinião particular é que pessoas tão importantes são importantes demais para fazer coisas em conjunto. Fica a título de sugestão para quem estiver esperando o resultado do teste de paternidade, resultados de seleção de emprego ou a resolução de conflitos amorosos, colocar o celular no silencioso e resolver a pendenga logo que o espetáculo acabar. Ou, se o impasse for gravíssimo, deixa para ir ao teatro outro dia.

Camilo Fróes

segunda-feira, 27 de março de 2006

FIT edição 2006

Mais um encontro internacional de artistas de 14 a 23 de julho em São José do Rio Preto. Quem sai ganhando? O público.

A edição 2006 do Festival Internacional de Teatro (FIT) de Rio Preto tem como tema territóriosXestratégias. O que ele propõe é uma desconstrução do teatro tradicional, mergulhando nas novas e criativas estratégias que aproximam a dança, artes visuais, música, literatura e tecnologia da teatralidade contemporânea. Os percursos serão os mais variados ? de lineares a espirais ? com a certeza de que o teatro provocador, intuitivo e sugestivo estará presente.

A grande proposta defendida pelo FIT é escolher onde, quando e com o que travar o combate-espetáculo. Os artistas não devem temer o risco desse mix de dimensões da arte, mas devem adaptar-se a ele, destruindo as fronteiras que impedem o horizonte teatral de se expandir.

Além da mostra de espetáculos nacionais selecionados, grupos nacionais e internacionais convidados farão apresentações e haverá ainda atividades formativas.

As inscrições já começaram e vão até o dia 20 de abril. Além de espetáculos, estão abertas também oportunidades aos interessados em trabalhar a identidade visual do Festival ? para cartaz, banners, etc ? mas, neste caso, somente os moradores de São José podem participar.

O regulamento e material necessário está listado no site http://www.festivalriopreto.com.br/. Mais informações ligue (17) 3215-1830 ou mande um e-mail para festivalriopreto@festivalriopreto.com.br .

Feliz Dia do Teatro para todos!!

Que possamos ter mais dignidade, trabalho, projetos e respeito tanto para o artista do interior quanto para o da capital!
Evoéh Diosínio!
Dignidade, trabalho, cultura e arte para todos!!
Estaremos hoje pela manha nas ruas de Conquista comemorando e reivindicando nossas causas!
Conquista NÃO POSSUI políticas públicas que comtemplem seus artistas cênicos e isso é um vergonha!!Ser artista é ter também opinião e querer mudar as coisas também!!

Pão e Circo já era!!
Merda para nós!
abraço!

Marcelo Benigno
27-03-2006
MOVAI- MOVIMENTO DE VALORIZAÇÃO DO ARTISTA DO INTERIOR
"Um povo que não fomenta o seu Teatro, se não está morto, está moribundo."
Garcia Lorca

quinta-feira, 23 de março de 2006

Projeto Phakama em Salvador

Salvador pode se preparar para um evento teatral de igualdade criativa em 2007. O Phakama propõe uma nova metodologia de trabalho que valoriza a realidade em que os jovens artistas vivem e que tenta se desvencilhar da pré-concepção de que o Teatro tem de ser fixo. Eles prezam nas peças a interatividade com o público, a improvisação, o movimento no palco e a participação de todos os envolvidos em todas as funções.

O Phakama surgiu como um projeto do LIFT (London International Festival of Theatre) para suprir a demanda que os adolescentes negros da África do Sul, que precisavam de um espaço para se expressar através das artes cênicas. Hoje, já desvinculado do LIFT, o Phakama funciona como uma idéia de arte-educação e atua em diversos países, especialmente no sul da África, na Ásia e América Latina.

O ator Fábio Santos, ex-membro do Bando de Teatro Olodum e coordenador do Phakama em Londres, fica em Salvador até o dia 27 de março para acertar os detalhes para as atividades de intercâmbio entre a Cia. Novos Novos e outras de caráter juvenil ligadas à organização. Morando na Europa há 12 anos, desde quando saiu do Bando, ele vem se envolvendo em importantes projetos de ativismo social por meio das artes cênicas.

O projeto Phakama para a América do Sul já começou. A 1ª fase aconteceu em março na Argentina e a 2ª ocorrerá no Brasil, aqui em Salvador, possivelmente em junho de 2007. Esse evento ocorrerá em 3 semanas nas dependências do Teatro Vila Velha. Enquanto isso, pequenos projetos de intercâmbio já foram iniciados com a viagem da diretora Débora Landim e os integrantes da Novos Novos à Argentina durante este mês para que os grupos que atuarão juntos no grande projeto interajam.
Leia. Ouça. Veja.
De graça e sem pirataria!


Imagine um lugar onde você possa ler gratuitamente todas as obras de Machado de Assis, obras como a "A Divina Comédia" ou ter acesso a historinhas infantis. Que ess e lugar lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo da Vinci, ou você pudesse escutar gratuitamente uma música em MP3 de alta qualidade. Pois o Ministério da Educação- está disponibilizando tudo
isso.

Basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br

Divulgue essa boa notícia por aí, para que esta excelente iniciativa continue a crescer. Só de Literatura em língua portuguesa tem 732 obras!

quarta-feira, 22 de março de 2006

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

É simplesmente impressionante:

Recebi um e-mail anônimo com uma extensa teoria da conspiração sobre o espetáculo infanto-juvenil em cartaz no Teatro Vila Velha: Rerembelde.

Pouca gente sabe ou percebe, mas já nas primeiras cenas do espetáculo, o personagem principal acorda com um despertador que foi sampleado do disco "The Dark Side of the Moon", gravado em 1973 pelo grupo inglês Pink Floyd. O autor deste e-mail anônimo é uma das poucas pessoas que sabe.

Ele afirma que, se sincornizarmos o toque do despertador do espetáculo com o despertador do disco (localizado na terceira faixa, "Time"), poderemos perceber que o espetáculo se desenvolve em hamornia com o disco. Um dos detalhes mais evidentes de acordo com o teórico da conspiração é que dez minutos depois, começa no disco a música "Money" (dinheiro), justo no momento em que Lucas começa a ganhar dinheiro com uma feira de frutas que monta em frente à casa.

Outras canções do disco como "Any Colour You Like" (porcamente traduzível para "Qualquer cor que você queira") foi considerada uma clara referência ao mundo mágico de Rerembelde. O show, incluído no espetáculo, supostamente se inicia com músicas no mesmo andamento da música que está tocando no disco.

"Não podemos esquecer" afirma este atento espectador não identificado "que Rerembelde ao contrário é Edlebmerer, ou Edleb Merer, guerrilheiro turco comunista preso pela polícia alemã em 1918 do qual nunca mais se ouviu falar".

O despertador toca quando já são idos 6 minutos de espetáculo. O disco, a partir do despertador tem ainda 36 minutos de canções. Paralelo ao fim do disco, resolve-se no espetáculo o último conflito e a partir daí "o garoto realiza o seu sonho. A sincronia com o disco marca a trajetória para a realização do sonho... Intrigante".

O autor e diretor Gordo Neto nega qualquer influência fundamentalista psicodélica. Afirma que o espetáculo é parcialmente auto-biográfico e é incisivo ao negar tal teoria "Esse sujeito é louco! Meu espetáculo socialista é outro!" e revela: "Rerembelde é provavelmente uma confusão com o nome Arembepe, onde ia passar minhas férias...". Essas férias, vale ressaltar, foram na década de 70. O espetáculo socialista a que Gordo se referiu é Primeiro de Abril, também em cartaz no Vila.

Psicodélico, guerrilheiro, sincronizado ou não, Rerembelde está em cartaz aos sábados e domingos às 16h no Teatro Vila Velha até o dia 23 de Abril. Venha tirar suas conclusões.


Camilo Fróes

terça-feira, 21 de março de 2006

Soteropolitano, comemore com a sua cidade!

Pelo segundo ano consecutivo, o Vila participa das comemorações do aniversário da cidade de Salvador. Em parceria com a Fundação Gregório de Mattos, que realiza o projeto Viva Salvador, oferecemos 50% de desconto* para as pessoas nascidas em Salvador que vierem assistir aos espetáculos Rerembelde (infanto-juvenil) e Primeiro de Abril neste domingo (26/03). Portanto, se você nasceu na capital baiana, apresente sua identidade na bilheteria e pague meia!

* sobre o valor da inteira (r$14)

segunda-feira, 20 de março de 2006

Foi para trabalhar na trilha sonora da nova montagem da premiada Companhia Viladança, grupo residente do Teatro Vila Velha, que o músico Marcos Povoas viajou na segunda-feira passada, dia 13 de Março, para o Rio de Janeiro. No Blue Estúdio, ao lado da diretora e coreógrafa Cristina Castro e do técnico Sérgio Ricardo, Marcos pôde se concentrar nas músicas de "AROEIRA - com quantos nós se faz uma árvore". A trilha sonora conta com músicas inéditas de Milton Nascimento (cedida com exclusividade ao grupo de dança baiano) e o espetáculo está previsto para estrear no primeiro semestre deste ano. É esperar para ver!
Teatro em Conquista

Os artistas de Vitória da Conquista convidam seus conterrâneos a valorizarem a cultura local assistindo às apresentações do projeto Palco Aberto, que acontece aos domingos, às 17h, no Espaço Atuar - idealizado pela atriz Sônia Leite. O ingresso é uma taxa simbólica de R$ 2,00

Esse projeto tem como objetivo proporcionar à comunidade conquistense um espaço alternativo, onde todas as linguagens artisticas se relacionam, onde o artista pode e deve mostrar o seu talento.

Para maiores informações entre em contato: cacuadeteatro@hotmail.com

Divulgue, participe!!

Projeto Palco Aberto - Vitória da Conquista
Dias: domingos
Horário: 17:00
Onde: Espaço Atuar (rua do Bar Gegê - Bairro Alto Maron)
Ingressos: R$ 2,00

sexta-feira, 17 de março de 2006

A Outra promove bate-papo sobre África contemporânea

Nesta segunda-feira, A Outra Companhia de Teatro convida o professor Luís Nicolau Parés para uma aula informal sobre a África contemporânea. O encontro é aberto aos grupos do Vila e ao público, integrando o processo de pesquisa para a montagem de O Contêiner, espetáculo inédito da companhia, que estréia dia 18 de agosto. Parés é africanista, professor de Antropologia da UFBA e do Centro de Estudos Afro-Orientais, e falará sobre o que é viver na África hoje, procurando desfazer a imagem romântica e folclorizada do continente.

PARA LEMBRAR:
Bate-papo sobre África contemporânea com Luís Nicolau Parés
Dia:
20/03 - segunda-feira
Horário: das 19:00 às 22:00
Onde: Cabaré dos Novos doTeatro Vila Velha
Entrada franca

quinta-feira, 16 de março de 2006

Bando comemora dia do Teatro em Angola


Cabaré da RRRRRaça - apresentações em Angola
Foto: Márcio Lima

Nas últimas semanas, o Bando de Teatro Olodum vem se dedicando aos preparativos para sua viagem à Luanda, a convite do Ministério da Cultura da República de Angola. O grupo apresentará seu Cabaré da RRRRRaça entre os dias 28 de março e 1° de abril, num evento especial em homenagem ao dia internacional do Teatro, comemorado no dia 27 deste mês. Além das apresentações, os diretores artísticos do grupo participarão de encontros e bate-papos com os artistas locais para falar um pouco da experiência de fazer teatro negro no Brasil

Em tempo: aproveite para ler este belo artigo da professora Kátia Santos, que emocionou o Bando na última edição do jornal Irohin

Na orelha do livro O Teatro do Bando: Negro, Baiano e Popular, de Marcos Uzel, a atriz Ruth de Souza afirma haver um hiato de mais de 50 anos entre o TEN (Teatro Experimental do Negro) e o Bando, e que este último seria "um dos raros grupos a conseguir dar continuidade e a contribuir para a afirmação do ator negro no campo da arte brasileira". Quando li essa declaração foi que me dei conta de que a emoção que senti ao assistir à peça Ó Paí, Ó! só teria tradução imediata se não tivesse havido o tal hiato entre os citados grupos negros de dramaturgia. Como se já não bastasse estar em Salvador, tive ainda a oportunidade de assistir (3 vezes!) à montagem de Essa é a Nossa Praia. Foi maravilhoso me ver refletida naquele maravilhoso espelho em que o palco se transformara. A diferença era que naquele reflexo eu tinha talento. Mentia o espelho? Não! O espelho era o Bando de Teatro do Olodum - que para mim passou a ser o meu Olodum, com todo o respeito que tenho à banda de mesmo nome. Foi uma experiência indescritível ver, literalmente, um bando de negros, sendo negros, numa peça de teatro que nos fazia rir e refletir sobre as questões apresentadas por seus personagens, por mais engraçadas que fossem suas performances. No final da minha viagem eu já tinha personagens prediletos: saí de Salvador apaixonada por Severino Lixeiro (Fábio Santos), de quem inclusive decorei algumas falas; a ginga e o sorriso de Seu Matias (Jorge Washington) já me informavam que aquele ser teria que habitar o meu universo para sempre; a Baiana (Rejane Maia) para mim era todas as mulheres negras do mundo em uma só pessoa; o Pintor (Rivaldo Rio) todo ludismo com seu pincel em riste, fosse ele o pintor o Pelô não teria perdido a cor; Maria de Bonfim (Arlete Dias) não sabe mas ela pertence à minha família, eu a adotei, e a reconheço mesmo quando se transveste de outras personagens. Assim, o bando passou a fazer parte da minha vida. Passou a ser também meu veículo de informação. Lembro-me sempre de um dia, um bom tempo depois deste primeiro encontro, quando perguntei ao ator Ednaldo Muniz qual era o significado daquele enorme X que ele trazia na camiseta do Olodum, e ali fui informada da existência (sim, ele está no meio de nós!) de Malcolm X. E mais tarde descobriria que o Bando, para nós negros, tem também fins teurapêuticos. Esta descoberta se deu quando eu assistia à Cabaré da Raça no Rio de Janeiro e, de repente, no meio da peça, eu tinha um microfone para relatar no timing da peça a situação de racismo que eu havia passado pouco tempo antes na portaria de um prédio da zona sul do Rio. Nunca pensei que eu teria coragem. Mas a coragem não era minha, era emprestada do Bando que, assim como o nome Malcolm X, me ensinava também o que pode uma sessão de open mic. Acho que é isso: o Bando para mim é o meu open mic, onde a minha negritude, no que ela tem de mais significativo, criativo e crítico, é levada à máxima potência sonora. Há dias nebulosos em que para me fortalecer danço ao som de Luciano Patrocinado (Cristóvão da Silva) numa sequência restauradora de Separatismo Não/Ilê de Luz/Negrume da Noite, da última faixa do CD do Cabaré. É tão eficaz quanto banho de folhas.

Vida longa a esse grupo de menestréis das causas negras.

Katia Santos, Dra. em literatura, professora visitante de cultura brasileira, afro-brasileira e afro-americana na Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, EUA.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Novos Novos realizam intercâmbio de arte-educação na Argentina



Cia. Novos Novos e os Defensores del Chaco na sede da instituição

Integrantes e colaboradores da Companhia Novos Novos de Teatro estão na província de Moreno, nas proximidades de Buenos Aires, realizando um intercâmbio com artistas e jovens participantes de grupos culturais da Argentina e da Inglaterra. As atividades vêm acontecendo desde o dia 26 de fevereiro e terminam dia 17 de março com a apresentação da encenação Lacalle, el pátio delantero de casa. A viagem dos seis artistas brasileiros à Argentina foi possibilitada pela Bahiatursa, que doou as passagens em reconhecimento ao convite ao grupo baiano, único representante brasileiro desse projeto internacional coordenado pela Universidade Metropolitana de Londres.

O grupo brasileiro está sendo coordenado por Débora Landim, arte-educadora e diretora da Companhia Novos Novos. Conta também com aparticipação da atriz, artista plástica e arte-educadora Marísia Motta; da dançarina e coreógrafa Lulu Pugliese (coreógrafa da Novos Novos e também integrante do Grupo Tran Chan); do percussionista e ator Agnaldo Buiu; e de dois jovensatores-aprendizes da companhia: Elaine Adorno e Victor Porfírio. Junto aos brasileiros estão promotores artísticos e facilitadores do Projeto Phakama(Inglaterra) e da Fundación Defensores Del Chaco (Argentina).

Também participam dos trabalhos cerca de 30 jovens vindos de várias entidades do chamado Conurbano Bonaerense, área constituída por 30 municípios da província de Buenos Aires, onde está localizada Moreno, sede dos trabalhos. É uma área periférica da Argentina onde estão os bolsões urbanos de pobreza do país. Os jovens estão distribuídos nas oficinas de dança, música, sensibilização pela arte e teatro, em aulas que vêm sendo realizadas, em período integral, nas diversas dependências do CentroCultural Defensores Del Chaco.

Grupo residente do Teatro Vila Velha, a Companhia Novos Novos leva à organização argentina a experiência com a linguagem artística. A Fundación Defensores Del Chaco tem um trabalho reconhecido na Argentina, com foco em meninos das camadas mais pobres das províncias ao redor de Buenos Aires. A Defensores Del Chaco, tradicionalmente, tem uma forte ação de inclusão através do esporte, notadamente o futebol, e agora acrescenta a seu trabalho uma visão de sensibilização através da arte. Para isso buscou a experiência de artistas do Projeto Phakama (Inglaterra) e da Companhia Novos Novos (Brasil ? Bahia).

O Projeto Phakama, por sua vez, existe desde 1996 e é uma iniciativa do London International Festival of Theater (LIFT), junto à Sibikwa Community Theatre de Johannesburg. Com realizações em várias partes do planeta, notadamente em países do chamado Terceiro Mundo, o Projeto Phakama fomenta o intercâmbio cultural entre os diversos povos, com ênfase no aperfeiçoamento das potencialidades dos jovens e na formação de futuros facilitadores. Além de um coordenador do Phakama, também estão na Argentina dois adolescentes do projeto inglês, que são atores-facilitadores.

Um trabalho entre diferentes nações

Esse projeto que vem sendo desenvolvido na província de Moreno, naArgentina, teve sua primeira iniciativa em 2005, em Londres. Naquele ano, Débora Landim foi convidada a participar de um encontro internacional de grupos de teatro que lidam com a temática jovem, representando a Companhia Novos Novos. A CNN foi a única representante brasileira no evento. O encontro foi promovido pelo London International Festival of Theater (o LIFT), que incentivou o intercâmbio entre as companhias participantes. Dentre as células de trabalho resultantes daquele encontro nasceu essa que agora tem lugar na Argentina, somando um dos braços do LIFT (o Projeto Phakama), a Fundación Defensores Del Chaco e a Companhia Novos Novos deTeatro. O projeto também conta com a supervisão da UniversidadeMetropolitana de Londres. Dentro desse mesmo trabalho de intercâmbio, Débora Landim segue para Londres ainda no primeiro semestre deste ano e, no segundo semestre, a Companhia Novos Novos estréia um espetáculo para adolescentes na capital da Inglaterra, na sede do LIFT. O grupo brasileiro retorna a Salvador dessa fase argentina do projeto no dia 19 de março.

EdsonR

segunda-feira, 13 de março de 2006

Já tem nome!

Nem mal nasceu, a nova montagem da Companhia Viladança já tem nome! A coreografia
se chamará "Aroeira - com quantos nós se faz uma árvore".

A aroeira é uma árvore que já foi abundante em quase todo o Brasil e hoje corre risco de
extinção. Nela, quase tudo é aproveitado: a madeira resistente tem muita utilidade na
construção de pontes e cercas; as folhas curam úlceras e feridas; a casca é utilizada para
curtir couro e fortalecer redes de pesca. Um mito popular sertanejo diz que a aroeira ?dura
a vida toda e mais 100 anos?.

Segundo a coreógrafa e diretora do Viladança, Cristina Castro, o nome foi escolhido
porque "estamos falando de uma árvore dura, pau pesado, que resiste à eternidade de
nossas vidas tão curtas, que caminha com a história servindo para quase tudo, matéria
para o uso, para o 'uso externo', que resiste a diferentes formas e se propõe à superficie
de marcas e atritos do tempo."

O espetáculo pretende abordar a fotografia e as emoções acarretadas pela mesma -
saudade, raiva, desejo, etc. A trilha sonora foi entregue à companhia por Milton
Nascimento. Trata-se de músicas inéditas feitas há mais de 15 anos.
A estréia está prevista para o dia 05 de maio.

Aguardaremos ansiosos este "Nascimento"!

quinta-feira, 9 de março de 2006

Veja Primeiro de Abril nesta sexta - ensaio aberto!



fotos: Márcio Lima

Neste mês, o Vilavox e a Cia Teatro dos Novos estão de volta com a nova temporada de seu musical sobre o Golpe Militar. Como a estréia do espetáculo foi adiada para o próximo dia 17 (pedimos desculpas a você, que recebeu a Agenda do Vila com a data antiga), a direção manda avisar: nesta sexta-feira (10/03), às 20h tem ensaio aberto aos amigos, público e imprensa. Se você quer conhecer o espetáculo e acompanhar um pouco o funcionamento dos bastidores de uma montagem, é só chegar e conferir, porque a entrada é franca.

Você poderá ver os atores em cena e conferir como agem os diretores artístico e musical para que tudo apareça no palco na mais perfeita ordem. E como o clima é de ensaio mesmo, pode até ter "replay" de cenas. É como olhar pelo buraco da fechadura!

Venha ver!

terça-feira, 7 de março de 2006

c.o.r.r.e.s.p.o.n.d.ê.n.c.i.a.

À turma do Vila Velha,

A Roda de Choro é uma das melhores opções para quem gosta de boa música.
É um contra-senso o que vou dizer: o preço é muito barato para um espetáculo de tanta qualidade, com músicos de excelente nível. Qualquer apresentação hoje de padrão medíocre cobra R$ 10,00. Vocês poderiam estudar a majoração para R$ 10,00 e adotar a meia-entrada para estudantes e idosos.

O amigo que me acompanha vai dizer que sou louca, dando essa sugestão, mas já tinha dito a ele que eu faria isso na primeira oportunidade que tivesse e essa é agora.

Um abraço
Noêmia

sexta-feira, 3 de março de 2006

Passeio Público em foco

Alexandre de Albuquerque deitou seu olhar sobre o Passeio Público no flog Eventos Naturais. O Vila agradece a singela homenagem. Clique e confira.

quinta-feira, 2 de março de 2006

Como assim?

Mudança nos dias do projeto O que Cabe Neste Palco

Me digam que não é verdade! Não é possível transferir um projeto tão bom para dias mortos da semana. Se fosse bom por que não mantiveram o três e pronto.

Sabe o que vai acontecer o teatro vai voltar a só investir nos seus grupos que são bons mas enjoam!! Só besta vai querer participar desse projeto suicida e ainda por cima reduziram o número de grupos, por que?


Conversei com um funcionário daí e ele me disse que era para dar mais assitências aos grupos participantes, isso é mentira e vcs sabem disso, o espaço vai ser o mesmo e nada vai mudar há não ser a ausência de publico, afinal formar platéia sem oferecer convite é só para vocês.Ainda bem que o Aliança Francesa investe em novos talentos, o vila não é mais aquele perdeu-se na vaidade de seus diretores e nada do faz cultura é compartilhado com o ideal do projeto. Estou muito magoada,indignada. Sei que não vão publicar o meu desabafo, pois só faturam o que é bom, mas frequento o Vila há muito tempo ,e lamento que essa fogueira de vaidades venha acabar um projeto só por que é bom, por que dá público e algumas vezes até melhor que alguns espetaculos dirigidos por vocês,isso é puro egoísmo,inveja pois assisto a todos e público eles tem.

Xista Santos


Cara Xista,

Sabemos que é difícil agradar a todos, mas procuramos atender aos pedidos do público na medida do possível e isso inclui alterações na nossa grade de programação. Vamos tentar responder aos seus questionamentos e esperamos que isso a ajude a compreender melhor o funcionamento e o pensamento do Vila.

Primeiramente, esclarecemos que mudança de dias do O que Cabe Neste Palco se deu em virtude da nossa mudança de horário, constantemente solicitada pelo público através das pesquisas de opinião. Com a idéia de manter todos os espetáculos às 20h, ficaria impossível manter o projeto às sextas e sábados sem prejudicar as atrações do palco principal, que são mais rentáveis que as do Cabaré. Acreditamos que o teatro tem que ser rentável também, porque as pessoas pagam por aquilo que têm interesse e se ninguém se interessar por teatro, perde-se o sentido de fazê-lo, não é verdade?

Temos uma política bastante definida com relação à formação de platéia, que tem beneficiado muitas pessoas, mas talvez ainda não seja de seu conhecimento. Acreditamos que formação artística tem relação direta com conhecimento, com troca, com sensibilização e valorização da arte. Por isso, oferecemos convites em troca de poesias, textos, colagens, desenhos e pinturas no projeto Tomaladacá, voltado para grupos artísticos de comunidades de baixa renda. Temos o projeto escola, em que fazemos apresentações para alunos de escolas públicas municipais, numa parceria com a Secretaria da Educação e Cultura. E também oferecemos promoções para que as pessoas possam vir ao teatro pagando um preço bastante reduzido pelos ingressos. Em números, ano passado isso significou: 3.850 espectadores pelo Tomaladacá e 8.800 pelo projeto escola, sem contar os participantes de palestras e debates, que têm sempre entrada franca.

Por que não distribuir convites? Fazemos nossas as palavras da atriz Cacilda Becker: "Não me peça para dar a única coisa que tenho para vender"...

Com relação ao projeto 3 & Pronto, ele foi interrompido este ano justamente para que pudéssemos manter o O que Cabe Neste Palco. Contrariando o seu pensamento, optamos por suprimir um projeto encabeçado por um dos grupos residentes, a Cia. Teatro dos Novos, a fim de manter aberto o espaço para grupos e artistas emergentes e que não estão ligados ao Vila.

O que Cabe Neste Palco este ano alcançou um número recorde de inscritos. Para nós, isso demonstra que o projeto vem crescendo e que, assim como nós, mais grupos artísticos compreendem que os dias alternativos da semana não são mortos e podem ser melhor explorados. Para isso, inclusive, daremos mais tempo aos grupos para programarem seu calendário de produção - outra razão para a redução da quantidade dos apoiados. Com uma demanda menor, teremos como acompanhar mais de perto o desenvolvimento do trabalho dos grupos. Afinal, além de apresentar ao público produções inéditas, também é objetivo do projeto contribuir para a formação dos artistas selecionados. De qualquer maneira, devido ao grande número de propostas que recebemos, pretendemos alterar os planos do projeto para esse ano e pensamos em fazer uma mostra de monólogos e uma outra com artistas do interior, para poder atender a um número maior de espetáculos que consideramos interessantes.

Bem, Xista, essas são as nossas maneiras de dividir o Vila com a sociedade e outros artistas. Mesmo contentes com os resultados alcançados, nossa vontade é aumentá-los cada vez mais, dentro daquilo em que acreditamos. E só podemos ficar felizes com o fato de que outros espaços tenham suas próprias iniciativas para incentivar novos artistas e formação de platéia, pois todo mundo só tem a ganhar com isso.

Como você é uma entusiasta do O que Cabe..., lembramos que é possível que já tenhamos novos espetáculos a partir de maio. Os resultados saem agora em março e vamos divulgar no site do Vila, no Blog e no informativo.
A importância do Candomblé para manutenção
da vida do povo negro no Brasil


Um dos maiores patrimônios do povo negro no Brasil, é com certeza a sua cultura e a crença nas divindades africanas cultuadas no candomblé. Acredita-se sobretudo, que essas divindades foram e ainda são, os pilares da manutenção da vida desse povo no Brasil. É a cultura e a religião de matriz africana que sustenta e enraíza o homem/mulher negro(a), permitindo que sua identidade e ancestralidade permaneçam vivas e se perpetue. A riqueza contida nessa religião é tão plena que se eterniza por gerações, vence preconceitos, supera o racismo e se instala no âmago da sociedade com o poder de influenciar e redefinir conceitos. É tão forte que resiste a tudo e a todos e se mantém soberana.

Para exemplificar o que estamos dizendo, citemos como exemplo dois momentos da história da humanidade: a perseguição aos judeus e o extermínio do povo africano. Durante a segunda guerra milhares de judeus foram submetidos à humilhação, muitos foram queimados em fogueiras, jogados nos campos de concentração e outros desfiaram até a morte com sede, frio e fome. No entanto, foi possível observar que num curto período de tempo houve uma sensibilidade a nível mundial. Todos se comoveram e os países responsáveis pelas mazelas praticadas contra os judeus foram obrigados a reparar o erro e a pagar indenizações às famílias das vítimas. Hoje os judeus constituem um povo forte e possuidor de grande riqueza.

Voltando a história, analisemos agora o que aconteceu com o povo africano. Vários países da Europa invadiram a África, promoveram a guerra entre tribos, destruíram as matas, envenenaram os rios e escravizaram homens, mulheres e crianças. Muitos chefes de famílias africanos tiveram que assistir suas filhas serem estupradas pelos colonizadores brancos. Muitas mulheres grávidas preferiram a morte ao ver seus filhos se tornarem escravos.

O tempo passou e a situação não mudou muito para os negros. Não houve comoção por parte da sociedade mundial. Os países que promoveram a desgraça na África não foram punidos e a reparação não foi feita, pelo contrário, quando se instituiu a lei das cotas nas universidades para os negros, a sociedade foi levada a acreditar que cota é racismo ao contrário.

As estatísticas atestam que cerca de 40 milhões de negros foram seqüestrados do continente africano e trazidos para a América como escravos, muitos deles morreram nos navios negreiros durante a travessia do Oceano Atlântico.

A importância do candomblé para a manutenção da vida dos negros no Brasil

Todo homem e mulher negra têm o dever de reconhecer o importante papel que o candomblé desempenhou para a manutenção da vida dos negros no Brasil. Vejamos o porque. Existiu um período na história do povo negro chamado A grande noite. Esse período eram os seis meses de travessia da costa do continente africano ao litoral brasileiro. Nesse momento os negros africanos encontravam-se acorrentados e amontoados nos porões dos navios negreiros, dividindo espaço com cadáveres, fezes, urinas, placenta e vômitos. A dor de ter perdido os familiares era grande. Filhos separados dos pais, irmãos separados dos seus parentes. Nas senzalas a situação não era melhor, chibatadas nas costas durante todo o dia, além dos trabalhos pesados no campo, comida azeda e insuficiente. A noite dormiam em pé ou sentados por falta de espaço.

Nesses momentos de extremo sofrimento e dor, os sinos da Sagrada Igreja Católica não tocavam para os negros, os bispos e pastores não faziam correntes nem orações fortes, as Testemunhas de Jeová não batiam nas portas das senzalas para levar uma palavra de amor. Nesse momento de extremo sofrimento e solidão só os atabaques do candomblé e os orixás se faziam presentes naqueles espaços.

Era o conhecimento das folhas de Ossãe que curavam as doenças e cicatrizavam as feridas abertas com as chibatadas. Era o fogo de Xangô que aquecia o frio da gélida madrugada escura. Era a terra de Nanã que limpava a pele leprosa dos negros. Era a chuva de Oxumarê que enchia de água as cabaças penduradas nas árvores de Iroko.

Foram os atabaques que influenciaram as rebeliões. Eram os feitiços que aleijava os senhores de engenho. Foi nos terreiros de candomblé que a capoeira ganhou força e se manteve viva, pois sua prática era proibida.

Sendo assim, compreendemos que o candomblé tem um significado todo especial para o povo brasileiro e sua preservação é de fundamental importância para o equilíbrio da sociedade. Reparar o povo negro a partir do resgate de sua história e de sua crença deve ser um desafio de todos e um compromisso do estado, pois nenhuma nação se faz forte, sem um povo forte. Bem aventurada é a nação que se respeita e respeita o seu povo.

O candomblé é algo tão grande que não cabe na cabeça das pessoas pequenas. Sua simplicidadeBlocked image confunde os amantes das coisas complexas. É como o rio que sempre corre para o lado mais baixo do relevo. É como o fogo que procura sempre o mato mais seco para queimar. É como o peixe que explora todo o rio e depois nada contra a correnteza para tudo começar do início outra vez. O candomblé é a chave da porta e a fechadura para quem tem a chave. O candomblé sabe de onde veio, sabe onde está e sobre tudo, para onde vai. Tudo que acontece Olorum tem sob controle. A fé africana é muito antiga, por isso mesmo se mantém nova constatemente.

Edvaldo Fradique (Pai Kenu) - Babalorixá do Ilê Axé Opô Ajá Omim, localizado no bairro de Jambeiro, município de Lauro de Freitas / Bahia / Brasil.