quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Mistérios contemporâneos

Há questões que Vêm para ficar. O que seria da vida sem os grandes mistérios? Porque matéria atrai matéria, por exemplo? Ninguém sabe, mas sabemmos que matéria atrái matéria, é um fato. Organizamos esta dúvida chamando-a de lei da gravidade. Ela está aí. Convivemos com ela. Existe vida em outros planetas? Existe uma verdade universal? Pra que serve o apêndice? O que significa gonostomatídeos? Porque tanta gente votou em Collor? Lidamos com essas dúvidas, e sentimos que a resposta nunca vem. Aqui no Vila, temos a nossa própria dúvida permanente:

O que é, exatamente, a Companhia Teatro dos Novos?

Responder como surgiu, muita gente sabe. Uns com mais riqueza de detalhes que outros. O que era, em 1998, já é um pouco mais difícil, mas há quem responda sem gaguejar. Responder hoje, está ficando cada vez mais complicado. Aquele que se atreve a dar uma breve definição de o que é a CTN geralmente muda de postura, mexe as mãos, levanta as sobrancelhas, usa muitas reticências e faz uma série de ressalvas...

Hoje a Companhia está com duas montagens no forno: Uma é Rerembelde, espetáculo infanto-juvenil dirigido por Gordo Neto, que estréia dia 29 de Outubro, sábado que vem. A outra é Os Dois Ladrões, dirigida por Vinício de Oliveira Oliveira, que estréia dia 07 de Novembro, pelo projeto 3&Pronto. Os Dois Ladrões tem no elenco uma série de figuras que todo mundo sabe, são "da CTN": Fernando Fulco, Chica Carelli, Cida Oliveira, Marísia Motta... Mas conta ainda com a participação de umas figuras de uma outra companhia do teatro, sem que isso configure uma parceria entre companhias: Eddy, Marcelo Sousa Brito e Roquildes Júnior. No Rerembelde, se você for parar pra pensar, o cenário é de Lorena Torres Peixoto, uma assistência de figurino de Indaiá Oliveira e um Camilo Fróes no elenco, que não são exatamente, veja bem, CTN. Isso sem falar que Daniel Farias, que faz o personagem principal do Rerembelde, não era do Vilavox?

Claro que todo mundo no Vila trabalha com parcerias, que é permitido que as coisas se misturem, que O Despertar da Primavera tinha um monte de Novos Novos infiltrados e é bom que isso aconteça, mas como a CTN atualmente não tem "dono", na hora de ver quem é que vai balançar Mateus, é natural que haja alguma confusão.

Etérea, confusa, maleável ou não, a Companhia continuará produzindo e já discute planos para 2006. Vamos ver o que acontece.

SE LIGUE, QUE AS OFICINAS VÊM AÍ!

O verão ainda está chegando, mas já está no ar e a gente se prepara para mais uma temporada das Oficinas Vila Verão, que anualmente atrai baianos e turistas para as salas de ensaios do teatro. De 9 de janeiro a 5 de fevereiro, artistas e técnicos oferecem cursos introdutórios ou de aprofundamento nas áreas de teatro, dança, música, abarcando o público formado tanto por profissionais quanto por amadores. As aulas acontecem nas dependências do Vila, com os recursos oferecidos pela infra-estrutura do teatro, dando aos alunos a oportunidade de entrar em contato com os bastidores de um espaço artístico dinâmico e na ativa. As inscrições começam no dia 7 de novembro e os valores variam de R$ 70,00 a R$ 150,00.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Só se vê na Bahia


Quinta-feira passada, Gordo (diretor de Rerembelde, espetáculo infanto-juvenil da CTN [Companhia Teatro dos Novos] que estréia agora, dia 29 às 17h) foi a uma reunião do SATED, e na volta, correndo para pegar o ensaio do Rerembelde, encontrou com um cambista na porta do Passeio Público:

"Ingresssso, ingresssso! Ingresssso pro show da Confraria. Show da Confraria, ingresssso!..."

Aqui no Vila detestamos cambistas. Declaradamente. Lutamos contra eles. Latimos para eles. Também por isso, entre outros fatores, é raro encontrar cambistas negociando ingressos para espetáculos ou eventos do Vila.

Ao ver o cambista, Gordo não resistiu, se fez de besta e perguntou: "Ingresso pra Confra, é? Quanto tá?" 5 conto! "E esse ingresso é verdadeiro mesmo?" É, rapá! É niuma, pegaí, leva logo dois! "Vamo lá então, vamo na porta, aí se o cara disser que é real mermo, aí eu compro." Bora.

Vão Gordo e o cambista para a bilheteria. Gordo de ingresso na mão, olha para Cláudio (funcionário que estava fazendo a portaria no dia) como se não conhecesse ele, mostra o ingresso, "ô meu velho, esse ingresso aí é verdadeiro?". Cláudio fica, obviamente alguns segundos sem entender a situação, não diz nada e vai checar a validade do ingresso.

Checando a numeração e o carimbo com Jeudy, o gerente-noturno, chega-se à procedência do ingresso: foi distribuído como cortesia. Jeudy vai até a porta averiguar. Compreende a história toda, explica ao cambista que o ingresso é cortesia, que ele não pode vender, que se outra pessoa que não ele, vier com aquele ingresso, ele não vai deixar entrar. Acuado, o contraventor não vê outra saída: "É... Então... Então eu vou entrar, né? Tenho nada melhor pra fazer, mermo. Ô vei? Cê não queria ver o show? Se quiser, então fica com o outro ingresso pra você, pa cê entrar também". Só então, com a intervenção de Jeudy, a farsa é revelada: "Esse aqui pode entrar na hora que quiser!".

O cambista ficou sem entender. Depois entendeu. Entrou, viu o show e ninguém nunca mais ouviu falar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Uma das linhas de ação que mais consome as preocupações dos artistas aqui do Vila é a formação de platéia. Mas, afinal, o que é formação de platéia?

A grosso modo, pode ser entendido como trazer gente para o teatro. Algumas pessoas entendem que isso significa distribuir ingressos de graça ou apresentações especiais a "preços populares". A forma como o Vila atua é um tanto diferente. Queremos, sim, atrair pessoas para o teatro. Mas, acima disso, queremos que este público seja capaz de apreciar e valorizar o trabalho do artista, que seja tocado por um espetáculo e deseje repetir essa experiência.


Da Ponta da Língua à Ponta do Pé

E como fazemos isso? Realizando trocas entre artistas e público, através de oficinas, palestras, bate-papos e, em alguns casos, promovendo acesso através da redução do preço do ingresso. As "trocas" são mesmo o principal foco da nossa ação. Acreditamos que, através do contato mais direto entre artistas e público, a difusão do conhecimento sobre as linguagens artísticas as torna mais próximas das pessoas, flui mais fácil, despertando tanto a compreensão quanto a sensibilidade. Sem formalismos ou pretensão, metemos a mão na massa e realizamos educação artística!

Há algum tempo já trabalhamos neste sentido, mas 2005 certamente vem sendo um ano especial de semeadura. Este ano, projetos como Vila Novos Novos, Da Ponta da Língua à Ponta do Pé e Vilerê foram bulir no começo de tudo: as crianças. Resolvemos fazer um investimento a longo prazo para a cultura baiana - estimular o crescimento do público das artes cênicas para daqui a uns 10 ou 15 anos.

Com o Vila Novos Novos, a Cia. Novos Novos ofereceu diversas oficinas a crianças de bairros populares, alunos de escolas públicas, que culminaram na inclusão de alguns deles no elenco de suas montagens. As atividades, que tiveram patrocínio da COELBA, trouxeram para o meio artístico crianças que normalmente não têm acesso a ele. Em novembro, a Novos Novos planeja uma temporada de apresentações para escolas públicas, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação e Cultura, a exemplo do que já aconteceu com seus outros espetáculos e que este ano também foi feito pelo Viladança - que conta com o patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Nesta parceria com a SMEC, o Viladança se apresentou para 8.800 alunos da rede pública municipal e agora, com o patrocínio do BNB, leva Da Ponta da Língua à Ponta do Pé às cidades de Brumado, Livramento, Rio de Contas e Jequié, onde faz apresentações do espetáculo e oficinas. Foi fácil perceber a empolgação dos pequenos ao longo do projeto, com muitos depoimentos de fascinação com o teatro e a vontade de alguns de se tornarem artistas...

Já o Vilerê - o Mês da Criança no Vila, com uma bela combinação de eventos lúdicos, artísticos e educativos, procura trazer ao público o divertimento com uma proposta de sensibilizar as crianças para a arte e a relação com o outro. Neste primeiro ano do projeto, estamos fincando as bases e, no ano que vem, vai ser melhor ainda!

É nisso que acreditamos. E quem compartilha desta mesma idéia são organizações como Petrobras, Chesf, Vivo e Fundação Cultural do Estado da Bahia, que vêm patrocinando o Vila, palco dessas iniciativas de educação pela arte.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Mais Vilerê - 3ª semana

Alices e Camaleões no mês da Criança no Vila

No próximo final de semana, o espetáculo Alices e Camaleões, da Cia. Novos Novos, é a atração teatral do Vilerê - O Mês da Criança no Vila. Com crianças no palco e na platéia, a montagem é uma fábula moderna, que tem como núcleo a discussão sobre a prepotência e o convívio social. As apresentações acontecem sábado e domingo (dias 22 e 23), às 17:00. Antes do espetáculo, acontecem jogos recreativos no Passeio Público, a partir das 15:00, e a exibição de filmes curta-metragem infantis.

Alices e Camaleões estreou em novembro de 2004. O tema veio da idéia de se juntar, em um mesmo projeto, dois desejos: homenagear os 40 anos do Vila e também falar do nosso momento atual, com o planeta inseguro em meio a ditadores, terroristas, extremistas e presidentes imperialistas. Como material de apoio para a dramaturgia, foram pesquisados textos e documentos sobre o Golpe de 64 e suas conseqüências. A tirania observada em vários contos para crianças também foi estudada, e nesse quesito foram lidos trabalhos como as obras-primas do escritor inglês Lewis Carrol (1832-1898), Alice no País das Maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou lá.

Outra inspiração que encorpou todo esse processo e também seu texto foi Yellow Submarine, filme psicodélico dos Beatles, produzido nos anos 60. As referências ao Quarteto de Liverpool emprestaram à peça, sobretudo, inspirações estéticas para a encenação e para a sua trilha sonora, além do clima alto astral do texto, que pretende tratar de coisa séria sem ser enfadonho ou carrancudo. A história de Alices e Camaleões começa com uma comprovação: criança é muito, e sempre, curiosa.

Venha ver!

Dias: 22 e 23 (sábado e domingo)
Horário: 17:00
Onde: Palco principal do Teatro Vila Velha
Ingressos: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia)

Exposição de Brinquedos Populares

As crianças de hoje poderão entrar em contato com peças em madeira, metal, papel e outros materiais, que há muito tempo divertem e encantam os pequenos por todo canto. Bonecos, parque de diversão em miniatura, brinquedos criados para o Sírio de Nazaré, entre outras peças, poderão ser vistas e adquiridas durante a exposição.
Horário: De segunda a sexta, das 14:00 às 17:00. Sábado e domingo, a partir das 15:00.
Onde: Foyer do Vila
Temporada: Até dia 30 de outubro
Entrada franca


Mostra de Curtas

Antes de cada espetáculo, serão exibidos filmes e animações em curta-metragem de ficção direcionada a crianças e adolescentes. A maioria dos filmes são realizações feitas em parceria com a TVE Rede-Brasil, que foram premiadas pelo edital Curta-criança, do Ministério da Cultura em 2003, além de algumas animações baianas. A mostra será realizada através da parceria firmada entre o Vila e a ABCV - Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABD - BA).
Horário: 17:00 (antes dos espetáculos)
Dias: Sábados e Domingos
Ingressos: incluso no ingresso para os espetáculos


Jogos e Brincadeiras no Passeio Público

Todo sábado e domingo, antes dos espetáculos, a turma do Acampamento Arraial comanda uma série de jogos e brincadeiras inéditos, tendo como mote as peças em cartaz. A cada dia uma atividade diferente, promovendo a interação entre as crianças através da valorização de suas mais diversas habilidades intelectuais e motoras.
Horário: Das 15:30 às 16:45.
Dias: Sábados e Domingos
Onde: Passeio Público
Entrada franca


Oficinas Artísticas para Crianças

Continuam abertas as inscrições para as oficinas. Ministradas por arte-educadores, as oficinas artísticas oferecem às crianças a oportunidade de ter um primeiro contato com trabalhos manuais, desenvolvendo a criatividade e a concentração, criando peças lúdicas artesanais. Ofereceremos, nos próximos sábados, aulas de Criação de Bonecas de Pano, Origami e Brinquedos de Sucata.
Horário: Das 9:00 às 12:00.
Dias: Sábados
Valor: R$ 15,00 (cada oficina)
Inscrições: de segunda a sexta-feira, das 14:00 às 17:00
Informações: 3336-1384

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

enquanto isso, nos bastidores...

Jorge, você tem 108 cm de quadril?
Ganhou até de Carla Perez!

Valdinéia Soriano, dando conta do novo figurino de Cabaré da RRRRRaça

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

*FLOCOS*DA*PRIMAVERA*

Estamos num período de "nevasca" aqui no Passeio Público. Vejam as imagens da manhã de hoje.




fotos: juliana protásio
Vocês viram a foto de Rivaldo no iBahia?



terça-feira, 11 de outubro de 2005

Vestígios de uma temporada

O Viladança está terminando a mega-temporada de apresentações de Da Ponta da Língua à Ponta do Pé para crianças da rede pública municipal. Foram quantas sessões mesmo? Umas 80! Como vocês podem imaginar, os dançarinos estão acabados. Mas não são somente eles...


pilhas utilizadas nos microfones sem-fio

sapatos que fazem parte do figurino

BAKULO NA TV

O pessoal do Rio manda avisar:

O espetáculo Bakulo - os bem lembrados , da Cia dos Comuns, que esteve em cartaz no Conjunto Cultural da Caixa no Rio de Janeiro, ganha destaque no programa Arte com Sérgio Brito, da TVE/Rede Brasil, nesta terça-feira, 11 outubro às 21h00.

Horário alternativo: Quinta, às 1h30 e sábado às 19h.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

FALA VILA ESPECIAL DIA DA CRIANÇA
Tema: ECA ? Estatuto da Criança e do Adolescente

O Estatuto da Criança e do Adolescente completou 15 anos, mas será que tem o que comemorar? No dia 12 de outubro, Dia da Criança, a Cia. Novos Novos promove o primeiro Fala Vila organizado por adolescentes para tratar a falta de conhecimento sobre o Estatuto, debater questão da diminuição da maioridade penal e outros temas ligados aos direitos do jovem. Há cerca de um mês, o grupo vem reunindo alunos de escolas públicas e particulares, e adolescentes atendidos pela APAE para discutir os temas, que nesta quarta-feira serão debatidos com psicólogo e psicoterapeuta Romero Magalhães e com a assistente social Gilca Carreira. A mesa redonda acontece às 10:00 e será aberta ao público, com entrada franca.


SE LIGUE!
Fala Vila: Especial Dia da Criança (mesa-redonda)
Dia: 12/10/2005 (quarta-feira)
Horário: 10:00
Onde: Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha Entrada franca

Coordenação: Cia. Novos Novos

Palestrantes:
Gilca Carreira - assistente social com trabalho voltado para infância e juventude
Romero Magalhães - psicólogo e psicoterapeuta, abordagem sobre adolescência

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

PERFIL
Já que estamos na Semana da Criança...


Nome: Felipe Gonzales
Codinome: Bobina (porque quer dirigir todos os outros atores)
Função: Ator e monitor da Cia Novos Novos
Tempo de Vila: 5 anos
Quantas vezes assistiu a Cabaré da RRRRRaça: várias vezes, mas não deixe o juizado saber disso!Gostamos dele porque: ele é empolgado
Dá raiva dele quando: ele enche o saco para colocarmos seu perfil no ar

O que dizem sobre ele:
"Felipe é uma gracinha, apesar de ser muito mandão" (Débora Landim)
"Ele é como um irmão pra mim. Um cara companheiro, divertido, palhaço..." (Thierry Gomes)
"Não aguento mais ele pedir para colocar o perfil dele no blog!" (Chambinho, estagiário)

Citação:
"E aí, véi? Quando é que vai entrar meu perfil?"
"Além da sustentabilidade econômica da Empresa, interessa à Chesf a sustentabilidade social e ambiental para o país e para o planeta."

Com esta frase, João Bosco de Almeida, diretor administrativo da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) abre a apresentação do catálogo que foi publicado este ano pela empresa, que vem registrando espécies do ecossistema ao redor de seu escritório em Pituaçu. Além da publicação, a Chesf desenvolve também ações de preservação da área - remanescene da Mata Atlântica.

A publicação tem como objetivo informar aos visitantes e moradores da região sobre as espécies encontradas ali, a fim de que as pessoas possam respeitar e desfrutar essa natureza.

A Chesf é um dos patrocinadores do Teatro Vila Velha.
Saiba mais: http://www.chesf.gov.br/

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Paralelos

Marcelo Sousa Brito (A Outra Companhia de Teatro) ganhou uma canga do estilista Jean Paul Gaultier. João Meirelles (Orquestra Furi-Furi/ Unidade de) fez uma foto dele com a tal canga. A foto foi publicada nesta revista francesa, junto com fotos de outros ganhadores do "mimo". Ficou bonito, não?


quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Tem espetáculo? Tem sim, senhor!
Tem oficina? Tem sim, senhor!
E tem mais um monte de coisa? TEM SIM, SENHOR!
Em outubro, o Vila dedica sua programação aos espectadores mais participativos, de gosto mais delicado, e... críticos: as crianças e os adolescentes! Preparamos o primeiro VILERÊ - O Mês da Criança no Vila. A cada final de semana, oficinas de trabalhos manuais, recreação de graça no Passeio Público, apresentação de curtas-metragens, exposição de brinquedos e, como não poderia deixar de ser: Teatro!!! São quatro espetáculos diferentes ao longo do mês e outras estripulias que os artistas do Vila inventaram para ocupar o Vila com os ?erês?.

O projeto é uma iniciativa do Teatro Vila Velha, que vem se dedicando cada vez mais à sensibilização artística do público jovem, através de alternativas que fazem uma ponte entre educação e diversão para a galera na faixa entre 4 e 14 anos.

Fique por dentro da nossa programação através dos informativos e da nossa página. Se tiver alguma dúvida, pode entrar em contato conosco através do comunicacao@teatrovilavelha.com.br ou pelo telefone (71) 3336-1384.

1 ano Da Ponta da Língua à Ponta do Pé

Neste domingo, dia 9 de outubro, a Cia. Viladança comemora 1 ano da estréia de seu primeiro espetáculo infanto-juvenil, Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, a peça principal do seu projeto de formação de platéia entre crianças e adolescentes. De sua primeira apresentação para cá, foram realizadas 100 sessões da peça, que passou também por cidades como Maceió, Aracaju e 5 cidades do interior baiano, tendo sido assistida por mais de 20.000 pessoas, entre as quais, estudantes de escolas públicas municipais, através de uma parceria realizada com a Secretaria Municipal de Educação, que até o final do mês terá contemplado 8.800 alunos de e 80 instituições. Cristina Castro e os dançarinos da companhia estão orgulhosos dos resultados alcançados e devem continuar investindo no projeto de formação de platéia em 2006. Venha comemorar com a gente! (sab/dom - 17h - r$14/7)

Oficinas para crianças

Oferecidas por artistas plásticos, artesãos e arte-educadores, as oficinas irão trazer às crianças a oportunidade de ter um primeiro contato com as artes plásticas e trabalhos manuais. Oficinas oferecidas: Máscaras, Origami, Brinquedos de Sucata e Criação de Bonecas de Pano. Inscrições: De segunda à sexta-feira, das 14:00 às 17:00. Informações: 71 3336-1384

Jogo e brincadeiras no Passeio Público

Todo final de semana, antes dos espetáculos do Vilerê, a turma da colônia de férias Acampamento Arraial comanda uma série de jogos e brincadeiras inéditos, estimulando as crianças a desenvolverem noções de solidariedade, respeito e confiança pessoal. (sab/dom - das 16:30 às 16:45 - gratuito)

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Diretamente das entranhas do Vila...

Anda muito interessante a movimentação dos ensaios dos grupos residentes aqui no Vila. Como vocês já devem saber, a quantidade de produções esse ano cresceu bastante com alguns dos nossos projetos de montagens e formação de platéia. A quantidade de trabalho e pessoas trabalhando cresceu, as salas de ensaio, não. O povo tem encontrado alguns espaços "alternativos" para se reunir e dar vazão a seus textos e personagens. Camarins, estúdio, sala das costureiras (com elas dentro!), depósito, atrás do balcão do Cabaré... tudo vira lugar para ensaiar. Reza a lenda que um certo diretor de espetáculo infantil - que estréia no final de outubro - queria ensaiar até uma coreografia dentro do estúdio!!! Ensaios no estúdio passaram a ser freqüentes. Um determinado elenco certo dia ensaiou no Cabaré, até que este teve de ser liberado para o público, foram para a sala João Augusto, perderam na negociação, no mesmo dia ainda pleitearam um camarim e não conseguiram: Os que não estavam em uso por apresentações do dia, estavam tendo ensaio. Os camarins estão disputadíssimos!!! O burburinho pode ser ouvido a qualquer hora, enquanto as atenções estão voltadas para quem está em cena. É esse movimento "invisível" que dá cara ao Vila, que promove trocas e faz tudo isso aqui funcionar como um organismo - ou formigueiro - por todos esses anos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

CRÍTICA TEATRAL

A dramaturgia étnica da Companhia dos Comuns
Peça sobre origens africanas fica no limite do panfletário

Macksen Luiz - Folha de S.Paulo
[01/OUT/2005]

Com Bakulo - Os bem lembrados, a Companhia dos Comuns retoma o ciclo de espetáculos sobre as origens africanas do negro brasileiro, já exploradas em A roda do mundo e Candaces. Nesta trilogia encenada pelo grupo de atores negros investigam-se os fundamentos de uma cultura e as relações decorrentes de contradições sociais e históricas. Há coerência estilística e segmentação cultural na companhia, que a cada montagem se solidifica no depuramento de meios e no ajuste da dramaturgia.

Se em Roda do mundo se enfatizava a condição social do negro, num quadro expositivo, quase naturalista, e com caráter de denúncia, em Candaces remete-se ao divinal para estabelecer a construção mítica do mundo. Já Bakulo procura integrar os dois planos, com ênfase maior nas próprias dificuldades da comunidade negra em conviver com o preconceito e a exclusão. A perspectiva agora se desvia para as suas entranhas e vivências, o conflito na convivência da ascensão social com as origens.

Tal como em Roda do mundo, Bakulo pode ser considerado um agit-prop (agitação e propaganda), forma de encenação que se propõe, diretamente, a instigar e divulgar determinada idéia. Para tanto, o grupo selecionou alguns textos do geógrafo Milton Santos para estabelecer contexto para aquilo que está sendo apresentado, textos que são lidos diante de microfones, como informes de um quadro social. Por outro lado, a narrativa assume a função de apontar ''causas'' dos problemas, sem qualquer intermediação de metáforas ou de artifícios para encobrir nomes e instituições.

As histórias paralelas, já que se pretende painel mais amplo e didático ligado ao contexto geral, procuram discutir as questões propostas através de cenas realistas. O líder comunitário e o irmão, o casal de classe média, ele postulante a cineasta, ela professora universitária, são os veículos para a auto-reflexão social e política.

Mas as informações mais diretas, explícitas, ressurgem a todo instante, induzindo à ação. Muitas vezes isso funciona, outras torna-se acentuadamente panfletário. Quando se buscam as referências ancestrais, apontadas como possibilidade de resistência cultural e mudanças sociais, esse tom impositivo arrefece e se desenham nuanças numa narrativa que se configura mais monolítica do que flexível.

Márcio Meirelles fragmenta o roteiro, com cortes bruscos, cenas contrastadas, uso constante do microfone e muita música. Essa pulverização contribui para flexibilizar o texto, num relativo desmonte da rigidez das ''mensagens''. O diretor cria, com a simplicidade da cenografia, os sugestivos figurinos de Biza Vianna e a coreografia de Zebrinha, imagens de efeito, para as quais contribui a luz de Jorginho de Carvalho.

A direção musical de Jarbas Bittencourt valoriza as vozes dos atores, bem preparadas por Agnes Moço e Carolina Futuro e o grupo de músicos: Alanzinho Rocha, Filipe Juliano, Frida Maurine, Gláucia Brum e Rocino. A cena inicial, com os atores sobre pedestais, como deuses humanos de uma celebração entre a ancestralidade e o contemporâneo, pode ser vista como a síntese das tentativas de encontrar expressão original para uma dramaturgia étnica. A montagem é envolvente, mas parece se quebrar quando o caráter de agit-prop ameaça deixar a cena menos filigranada.

O elenco - Cridemar Aquino, Débora Almeida, Fábio Negret, Gustavo Melo, Hilton Cobra, Rodrigo dos Santos, Tatiana Tibúrcio, Valéria Mona e Vânia Massari - demonstra aprimoramento em relação às montagens anteriores do grupo, com atuações harmoniosas que se enquadram nas múltiplas exigências da direção.

Bakulo - Os bem lembrados. Texto de Marcio Meirelles e Cia dos Comuns. Com a Cia dos Comuns. Teatro Nelson Rodrigues. Av. Chile, 230, Centro.

E se, quando sair de férias, seu filho quiser dar um pulo no Rerembelde?

Já faz mais ou menos um mês que parte da Cia. Teatro dos Novos vem dando vazão ao seu lado mais criança. No final de outubro, eles estréiam Rerembelde, espetáculo escrito e dirigido por Gordo Neto para os pequenos, com idéias tiradas de sua própria infância. Vamos conhecer a história de Lucas, um garoto cheio de idéias, que meteu na cabeça que quer visitar sua amiga Aninha no Rerembelde, um lugar diferente, onde moram os seres das histórias maravilhosas e as casas são feitas de doces.


Ilustração: Luiz Santana

Ao longo dos ensaios, cada artista se desdobrou em personagens inusitados, tornando a história ainda mais divertida, com tipos que devem provocar risadas em gente grande também. Nessa história, quem acabou ganhando mais trabalho foi o figurinista Luiz Santana, responsável por criar o visual de cada criatura do universo do Rerembelde. Outra pessoa que vai trabalhar duro é a cenógrafa Lorena Torres Peixoto, que criará objetos coloridos e funcionais para mostrar os lugares onde acontecem as aventuras de Lucas.

Conheça agora uma prévia do que vai ser a cara do espetáculo:



Ilustrações: Luiz Santana




Ilustrações: Lorena Torres Peixoto