quarta-feira, 31 de agosto de 2005

TOMALADACÁ

Domingo passado, às 10h, os grupos Beje eró (do Ogunjá), Jovens do Amanhã (de Canabrava), Os Teatrais (do Colégio Manoel Novais) e Trapos e Cia. (da Ribeira) se apresentaram aqui no Vila para mais de 60 pessoas. Era o segundo encontro do projeto Tomaladacá, que vem trazendo grupos comunitários de teatro e dança para assistir aos espetáculos do Vila e gerar com eles um intercâmbio artístico.

A Sala 2 ficou pequena para tamanha receptvidade! Como convidados, estiveram presentes ainda o pessoal do NACRE (do Eng. Velho de Brotas) e do Corppus (de Tancredo Neves). Em suas performances teatrais, cada grupo trouxe ao palco um pouco do contexto em que vive sua comunidade, tomando isso como base para algumas reflexões de teor crítico social.

O grupo do Colégio Manoel Novais, por exemplo, mostrou um trabalho a respeito dos impostos que pagamos sobre as mercadorias. Elogiado pela qualidade da apresentação, o grupo levará a encenação para a Bienal do Livro, no próximo dia 06. Além disso, por encomenda da Secretaria da Fazenda, o grupo se apresentará também para jovens de outras escolas e comunidades.

Os grupos que participaram do encontro ressaltaram a importância de aprender assistindo aos espetáculos teatrais, atualmente, a principal frente de ação do projeto Tomaladacá, uma iniciativa do Vila que vem sendo possibilitada com o apoio de seus patrocinadores - Vivo, Chesf, Petrobras e Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Logo mais, os organizadores do Tomaladacá terão um encontro com Gedalva da Paz, da Secretaria Municipal de Educação, visando fazer um mapeamento para detectar grupos de teatro amador em escolas e comunidades, para que eles também possam ser integrados e beneficiados pelo projeto.

No momento, a organização do Tomaladacá está fazendo um esforço para ampliar o projeto e retomar atividades que existiam no seu primeiro formato, como mostras e oficinas. Por isso a preocupação em procurar os grupos e fazer um reconhecimento de seu trabalho.

Se você tem um grupo e quer chegar junto, mande um e-mail para nós ou entre em contato pelo telefonte 3336-1384.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

MANIFESTAÇÕES PELA VERBA DO MINC

Prezados colegas,

Acabamos de fazer uma reunião de avaliação da mobilização do dia 10 último em SP e da coleta de assinaturas e todo o nosso esforço para descontingenciar o orçamento, etc, etc. Na semana passada conseguimos os seguintes dados:

O orçamento do MINC para 2005 é de 470 milhões.
Até agora só 220 milhões foram liberados.

O Governo Federal liberou recentemente 1 bi para todos os ministérios, mas para o MINC vieram só 30 milhões e estes NÃO SERÃO UTILIZADOS PARA OS NOSSOS ESPERADOS EDITAIS. Ainda não há perspectiva de sermos contemplados, portanto vamos à luta.
Pela nossa reunião decidimos:

- criar a médio prazo um conselho de entidades paulistas para estudar melhor a realidade cultural e tirar conceitos mais embasados com vistas a uma política cultural avançada.

- continuar a luta pela liberação de recursos para a execução dos editais de teatro, dança, circo, cultura popular e também de outras áreas, através da contínua captação de assinaturas do já conhecido abaixo-assinado.

- aumentar e MUITO o número de entidades que apóiem o abaixo-assinado por todo o Brasil para:


IR A BRASÍLIA EM CARAVANA COM FAMOSOS E PRINCIPALMENTE NÓS - OS CARREgADORES DE PIANO -, NO FINAL DE SETEMBRO e CONSEGUIR AUDiÊNCIA COM A MINiSTRA DILMA, PALOCCI, VISITAR O CONGRESSO, ETC, ETC.

Podemos aproveitar os encontros da Câmara, que vão acontecer nos dias 19, 20 e 21 para fazer a organização final da caravana à Brasília.

Também é muito importante recolhermos todo o material de imprensa, de jornais a televisões, sobre a nossa manifestação, para fazermos um grande e único clipping. A nossa assessora de imprensa pode coordenar isto.

O Bernardes pode dar notícias do número de assinaturas. Aqui em SP, além do que já enviamos temos mais 5.000 assinaturas até agora.

Manifestem-se por favor e abraços a todos.

Ney Piacentini
Cooperativa Paulista de Teatro

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

A Outra volta de viagem

Arlequim foi a Valença pelo Circulação Cultural da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Foi legal. Infelizmente, os possuidores de câmera digital não levaram as câmeras, então ficamos sem fotos nossas para agora. O dono do restaurante que frequentamos enquanto estivemos por lá, o Cabral, bateu algumas fotos da mesa cheia.

Deu tudo certo, foi massa. Os pequenos transtornos foram contornados na medida do possível e o saldo foi positivo. O público de Valença é muito divertido, uma esculhambação só. A comida foi boa, a viagem divertida, o workshop foi divertido, o hotel... Bem... O hotel. No hotel a gente não volta nunca mais, mas isso não abalou os humores significativamente.

Foi a primeira viagem da companhia, a estréia dos "refletores de viagem" do Vila, a prova de fogo do cenário depois de reformado... Mil coisas. Agora é ensaiar mais um pouco e pra deixar Arlequim tinindo para a próxima temporada que começa dia 23 de Setembro.

Camilo Fróes

3 x Novos Novos


PIRULITO, CATAVENTO E TEATRO PARA CRIANÇAS


Primeiro, mais uma bela apresentação de Imagina só... Aventura do Fazer. Depois, o lançamento do primeiro livro da Cia. Novos Novos, com direito a uma performance criada pelos próprios atores da Companhia. Foi no final da tarde de ontem, aqui no Cabaré, com um verdadeiro banquete de guloseimas para a criançada.


sexta-feira, 26 de agosto de 2005

Letras do Teatro Infanto-juvenil


Imagina Só...Aventura do Fazer

Domingo, a Cia. Novos Novos, dirigida por Débora Landim, realiza o lançamento do livro que conta a sua história. Escrito pelo jornalista Edson Rodrigues, que assina também o texto de todos os trabalhos da companhia, o livro traz o registro dos espetáculos Imagina só... Aventura do Fazer, Mundo Novo Mundo e Alices e Camaleões, encenados pelos Novos Novos nestes 5 anos de história.


Mundo Novo Mundo

O livro tem mais do que os textos das peças. Traz também fotos das montagens, indicações do material que foi usado na pesquisa de concepção dos espetáculos e outras indicações que auxiliam a compreensão do contexto em que foram criados e como é o processo criativo do grupo. A compilação mostra ainda uma breve cronologia do teatro infantil no Teatro Vila Velha, resgatando espetáculos que passaram por aqui nesses 41 anos, até chegar a ter a Cia. Novos Novos entre seus grupos residentes.



Alices e Camaleões

O marco dos 5 anos da Novos Novos chega com grandes realizações, como o projeto Vila Novos Novos, que conseguiu patrocínio da COELBA para oferecer oficinas gratuitas para 40 crianças de escolas públicas e agora está possibilitando a reapresentação do repertório do grupo, além do registro de seu trabalho em livro e cd.

É isso aí.
Parabéns, Novos Novos!

Fotos: Márcio Lima

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Caminhos da Arte


Estudantes de escolas públicas estão lotando a nossa platéia

Desde a semana passada, um grande número de estudantes de escolas públicas municipais têm vindo ao Vila para assistir ao musical Da Ponta da Língua à Ponta do Pé, nas apresentações viabilizadas pela parceria entre a Cia. Viladança e a Secretaria Municipal de Educação (SMEC), coordenada por Olívia Santana. Muitas dessas crianças estão vindo pela primeira vez a um teatro e essa descoberta ocorre graças ao encontro entre dois projetos de cunho educativo: a proposta de formação de platéia do Viladança e os Caminhos da Arte, iniciativa da Prefeitura de Salvador.


Público ligado nos mínimos detalhes em cena

Mais do que levar crianças para assistir a um espetáculo, a idéia do Viladança e da SMEC é proporcionar uma sensibilização artística nos jovens, que passa pelo bate-papo que ocorre ao final das apresentações. Nesse momento, os dançarinos da companhia respondem aos questionamentos levantados pela platéia, sempre muito curiosa sobre a vida dos artistas e os bastidores da montagem.


Contato com o público infantil - informação e cuidado

A diretora do Viladança, Cristina Castro, e seu elenco estão em clima de grande alegria pelo contato próximo com uma platéia tão especial. Apesar da estafante maratona de apresentações (são pelo menos duas por dia, três vezes por semana e ainda tem a temporada de ULISSES em cartaz nos finais de semana), o grupo concorda que a energia que vem das crianças tem sido um grande reforço do ritmo em cena.


Crianças esperam a vez para assistir ao espetáculo e trocar uma idéia com o elenco

Ao final de cada apresentação, os dançarinos são tratados pelos pequenos como verdadeiras estrelas, com direito a autógrafo, beijos, abraços e apertos de mão. O carinho é mútuo e é fácil perceber essa felicidade compartilhada.


Bastidores - Léo se prepara para virar o Zé

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Debate em cena


No último domingo, alunos das Faculdades Jorge Amado lotaram a nossa platéia para assistir ao espetáculo José ULISSES da Silva. A apresentação foi seguida de um debate sobre a montagem, com direito à interpretação, junto com a diretora Cristina Castro, das metáforas colocadas no palco. Houve espaço ainda para questões sobre a produção cultural na Bahia. O encontro aconteceu graças ao projeto VilaJorge, uma parceria entre o Vila e a FJA.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Vila de muitas linguagens

teatro popular

teatro europeu

dança contemporânea

teatro infanto-juvenil

música cênica

teatro multimídia


teatro experimental
Hermanos teatrales

Em tempos de 3 & Pronto que ronda a América Latina, vale a pena divulgar o trabalho de nossos vizinhos argentinos: CELCIT - Centro Latinoamericano de Criação e Investigação Teatral. Eis um belo portal do teatro iberoamericano, com notícias, cursos, publicações, espetáculos... Lá você acha de um tudo, com bonitas imagens (como essa ao lado) e uma boa organização. É possível também encontrar textos de diversos autores - foi de lá, por exemplo, que Vinício de Oliveira Oliveira tirou o material que usará no seu 3 & Pronto, em novembro.

Visite: http://www.celcit.org.ar

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Artigo indefinido

Quem lida diretamente (e diariamente) com os nomes das coisas aqui no Vila já conhece o problema de perto. Quer dizer, não é bem um problema... Mas não deixa de ser um dado curioso a constante atrapalhação com os artigos (o, a, os, as, etc...) nos títulos dos espetáculos e grupos residentes.

A começar pelo nome do teatro. Teatro Vila Velha, carinhosamente chamado de Vila. O Vila. Porque é UM teatro. É estranho, mas fácil de entender. E O Viladança, que é UMA companhia de dança contemporânea? Começou a complicar. Temos também OS Novos Novos, que são UMA companhia de teatro infanto-juvenil...

Passemos agora aos títulos. Do Bando de Teatro Olodum, o espetáculo chama-se Essa é nossa praia ou Essa é A nossa praia? Errou quem disse que tem o artigo, porque não tem. Dos Novos Novos, estréia nesse final de semana Imagina só... Aventura do Fazer e não ...A ou UMA Aventura, como a gente costuma pensar. Também não é Alices e OS Camaleões o nome do último espetáculo desse grupo. Em outubro Gordo Neto dirige O Rerembelde. Aliás: é só Rerembelde, sem "o" na frente. E até hoje, com o espetáculo entrando em sua quarta temporada em setembro, tem gente que pensa que é Arlequim - O servidor de dois patrões...

E só pra lembrar: os shows que estão rolando nas quintas-feiras são Confraria, assim mesmo, sem o tal do A para fazer cerimônia.

terça-feira, 16 de agosto de 2005

fotos atrasadas

Houve um cortejo cênico. Em defesa da escola de teatro da UFBa e por 2% do orçamento da união para o ministério da cultura, que atualmente se vira com 0,34%.

Temos fotos. Atrasamos de publicar. Antes tarde do que nunca.

ói Gordinho! reencontros. muita emoção você é cultura! o guarda é cultura! o acarajé...
tinha era faixa malabarismo e gente pintando um quadro. ali, ó. fotógrafo da imprensa também tinha
esse aí não é aquele artista? dinâmica de grupo na praça municipal ói as zorrinha do vila
A PM tava lá ajudando e «ajudando» era cada discurso, nesse microfone que... ói! convocatória pro povo do TCA vir pra chuva

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

FRASE
No DIGAÍ, nossa pesquisa interna sobre o teatro e espetáculos,
uma das respostas a 'o que te motiva a vir ao vila?' foi:
"O Vila tem cara de gente popular"
E em outra pesquisa:
"O Vila está bem melhor que no ano passado"
Continuamos trabalhando. Obrigado, obrigado, obrigado.
Traillers Musicais do Vila


Ontem à noite, uma estranha performance cênico-musical tomou conta do foyer do Vila antes do início da apresentação de José ULISSES da Silva. De repente, em meio ao público, eis que surge um sujeito tocando fagote. Entre os presentes, um brado: "MAN!". Vozes em vários timbres, instrumentos de sopro - aos poucos, os músicos foram se revelando misturados ao público. Começava assim a primeira aparição do Unidade de, grupo de músicos-compositores-intérpretes, que apresentará o que chamam de 'traillers' musicais antes dos espetáculos do Vila. No mês que vem, o grupo faz sua estréia oficial, no Concerto 11 de setembro.

Até lá, eles farão intervenções com peças curtas de 5 a 10 minutos, antes de alguns dos nossos espetáculos. Inspirado em ULISSES, o Unidade de criou a "instalação musical" intitulada Mandala que mostrou aqui no último domingo. Os caras viajaram na idéia de uma mandala, a partir do cenário circular e do movimento cíclico do espetáculo e sua interseção entre as diversas linguagens. Assim, criaram a sua própria mandala, com camadas de voz e instrumentos de sopro, visualmente configurada no formato em círculo em que ocuparam o foyer. Dentro deste círculo, os esbarrões e obstáculos urbanos que são tema da montagem. Ao fim da apresentação, o Unidade de pede que "Me deixe passar, ULISSES!"


Antes que a performance dos meninos (meninos sim, porque a idade do pessoal está em torno dos 20) começasse, já rolava uma certa expectativa por parte de quem sabia o que iria acontecer. O compositor e "confrade" Jarbas Bittencourt, por exemplo, parecia uma criança a guardar um segredo, cheio de sorrisos inquietos. Confessava que se sentia à beira do acontecimento de um ataque terrorista.


E para Gilmário, um dos membros da Unidade de, a idéia era essa mesmo: atacar de surpresa. E assim foi. Além dele, participaram também Aaron Lopes (flauta transversal), Diogo Duarte (coro), Guilherme Gentil (oboé), Marcos di Silva (coro), Maurício Ribeiro (flauta de bambu), Moisés Oliveira (flauta doce), Rodrigo Garcia (coro e regência), Túlio Augusto (coro), Wruahy Mcmilliam (fagote).

As próximas intervenções ainda não têm previsão ou data marcada. Será um outro evento súbito. Para ver, é só aparecer.
FRAGMENTOS DE POESIA URBANA, INSÓLITA E MODERNA
Ulisses e Cristina Castro (DANÇANDO!) juntos no Vila
texto: Marcelo Benigno / fotos: Juliana Protásio

A Cia Viladança reestreou o espetáculo José ULISSES da Silva na sexta-feira, dia 12 de agosto de 2005, no Teatro Vila Velha, em Salvador.

A reestréia tinha um gostinho a mais, pois a coreógrafa e coordenadora do grupo, Cristina Castro, estaria em cena dançando com a sua companhia, após um tempo só coreografando seus espetáculos. Não é preciso falar da força e beleza de Cristina em cena, que já esbanjava talento desde os tempos do Balé do TCA, do qual foi bailarina.

De lá para cá, os caminhos mudaram e já fazem sete anos de muitas conquistas, trabalho e contribuição da CiaViladança para a dança contemporânea na Bahia.

ULISSES, se me permitem a intimidade, estreou no dia 12 de julho de 2002, no teatro Vila Velha, e se resume, ainda hoje, em muito mais que insólito, num conjunto harmonioso de aspectos positivos que compõem toda esta montagem.

Cristina consegue como coreógrafa, e agora como intérprete (criador X criatura), causar aquela sensação de bem estar na platéia. Muitos, como eu, ao sair do teatro, ficam inspirados e começam logo a reacreditar na vida, na poesia e em valores e sentimentos tão antigos e esquecidos por nós, sufocados pela massificação na nossa selva ou arena reais.

Em cena está toda a companhia, com a formação atual, com exceção do estreante João Rafael e da bailarina Maitê Soares, que já foi do Viladança e retorna para dançar ULISSES. O espetáculo impressiona pela pesquisa de movimento e dramaturgia, que aliada a várias seqüências viscerais de movimentos rápidos, sugere uma luta coreografada, estressante e repetitiva, reflexo dos nossos dias modernos, com suas relações rápidas e descartáveis construídas pela globalização da nossa sobrevivência, do abraço sem ternura ao consumismo exagerado, do mau humor constante e mordaz ao cotidiano mecânico e frio, do sexo rápido e decorado às lutas nossas de cada dia, que nos leva a labirintos, espirais confusos, estradas erradas, pausas fugidias de consciência... ou a andar em círculos em busca de soluções e saídas desse ciclo vicioso que renova, ou não, diariamente.

Castro coloca em cena personagens que refletem o (in)consciente coletivo e suas relações de poder nos lembram Foucault, com figuras e personagens símbolos das nossas ideologias como o executivo capitalista que tudo quer, interpretado por Jairson Bispo, em excelente forma; o operário destemido, porém acuado de Rafael Neto; o andarilho urbano interpretado pelo ator-dançarino Danillo Brachi ganha uma construção contundente e divertida, ao vigor e impetuosidade de Sérgio Diaz e Bárbara Barbará, que diga-se de passagem, ela está com visual e cabelos arrojados, dignos de sua personagem. A doçura de Leandro Oliveira brinca com a força de Janahina Santos e Maitê Soares, que somadas a maturidade de Cristina, completam o ciclo de sentimentos aflorados em várias relações sugeridas e/ou desenvolvidas na trama apresentada.

Este trabalho é feito para bailarinos intérpretes, pois a maturidade cênica vem não só da perfeita execução dos movimentos, mas do clima vivido por cada história das personagens-pessoas-arquétipos que os bailarinos interpretam e dançam ou vice-e-versa, em cada seqüência.

Outro detalhe interessante é uso do vídeo em cena, que é preciso e necessário, sem as afetações daqueles espetáculos que só utilizam este recurso "para encher lingüiça" ou para adquirem conceito de pós-modernos e tecnológicos. Em alguns momentos ele chega a representar, para os mais intelectualizados, um alter-ego da coreógrafa que nos guia por esta história com seus pingos de poesia urbana. Será isso possível, no meio de tanta correria cotidiana?!



A luz, concebida por Fábio Espírito Santo, dá várias nuances de interpretação, principalmente quando o público não é mais platéia e sim palco. Pequenos focos são acesos em pontos estratégicos da platéia trazendo para dentro da cena, aos olhos e condução das personagens, as personas reais, que os assistem.Talvez esse seja um dos momentos mais reflexivos do espetáculo quando a coreógrafa "brechtianamente" em silêncio, pergunta para o público:

"E você, como se vê diante desse nosso mundo? Já se achou? Ou se perdeu?"

Isso ela já sugere, com os espelhos estrategicamente focalizando o público, numas das cenas iniciais, quando os dançarinos estão se vestindo. Somos o reflexo daquilo que queremos ser ou daquilo que os outros querem? Filosofia moderna!

Sem mencionar a trilha sonora composta para o espetáculo com a direção de Jarbas Bittencourt (a menina dos olhos musicais e teatrais de Salvador) e Kico Póvoas. Esta trilha inclusive, está reunida em um cd a venda no próprio teatro.
Que ficha técnica, hein!!

Cristina Castro volta com todo gás e é novo e bonito vê-la em cena!

Ela está mais acostumada a se mostrar por detrás das suas obras ou aulas, como a seqüência que fez para a audição do Ateliê de Coreógrafos Brasileiros deste ano, ainda nesta semana, tirando aplausos calorosos e suspiros de todos os presentes, ilustres e anônimos, com mais um de seus fragmentos de sonhos e devaneios, emergidos de uma artista intrigante e de grande sensibilidade, que a torna, junto com seu guerreiro grupo, num dos grandes nomes atuais da dança no cenário nacional.

Que sua fábula moderna continue contagiando a todos, guiando-nos por este labirinto real onde a arte certamente é uma saída. As outras poderão estar em vários lugares, talvez bem mais perto do que se imagina, como diz a voz masculina em off, bem distante, já perto do fim do espetáculo:


"A resposta, cara, tá com você, dentro de você!"

Não foram exatamente estas as palavras, mas que a mensagem eu ?captei?, isso pode ter certeza que sim!

Merda para todos! Uma ótima Temporada!!


Marcelo Benigno não é crítico de dança e nem especialista da área, mas é público, e como tal sente, ri, se emociona e se inspira, construindo um diálogo possível e sincero entre a obra de arte e o expectador.