sexta-feira, 29 de julho de 2005

Barrado na porta por causa das legítimas Havaianas

Falamos desse mesmo assunto aqui há um tempo atrás, mas não tem jeito, voltamos a ele. A regra de barrar pessoas de chinelos na entrada de alguns prédios de instituições públicas ou particulares continua dando dores de cabeça a muitas pessoas. Inclusive, ao nosso Marcio Meirelles, usuário contumaz das tradicionais e brasileiríssimas Havaianas.

Pois então, enquanto no exterior, Havaianas são puro luxo fashion, vendidas a peso de ouro, e tidas como o ápice do charme despojado nos pés de modelos e dos mais descolados mortais do planeta, aqui, atravancam o direito de ir e vir das pessoas. Na última quinta, Marcio Meirelles foi impedido de ter acesso ao prédio de um dos nossos patrocinadores, onde teria uma reunião de prestação de contas, por conta do modelito nos seus pés. Detalhe: há anos ele entra e sai do mesmo prédio utilizando este tipo de calçado. Mesmo após uma sabatina que envolveu porteiros, equipe de segurança e secretárias, o diretor teatral foi barrado. Tentando aliviar (?), alguém ainda comentou que "se fosse daquele modelo fechado atrás, podia".

Em outras palavras: o grau de aporrinhação está ficando especializado! Agora, a pergunta que não quer calar é: qual é o real problema de entrar de chinelos num prédio institucional?

Hipóteses, por favor.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

c.o.r.r.e.s.p.o.n.d.ê.n.c.i.a.


Recebo as mensagens do Vila e a cada dia fico mais ansioso para dar uma volta em Salvador, estando distante quase mil quilômetros a saudade queima feito fogo de munturo. Romenil


Temos admiradores à distância. Uma das coisas boas dessas novidades da comunicação é poder mandar notícias para quem está longe. E receber também. Esse cara é legal, sempre escreve para nós. Esperamos retribuir sua atenção. Um grande abraço, Romenil!

terça-feira, 26 de julho de 2005

P.R.O.M.O.Ç.Ã.O
Quer vir ao Concerto #41?



Gilmário Celso, Marcos di Silva, João Millet Meirelles e Rodrigo Garcia
Estudantes de Composição da UFBA que terão peças executadas no Concerto #41


Envie um e-mail com seu nome completo para comunicacao@teatrovilavelha.com.br, dizendo o nome de um de nossos grupos residentes e um de seus espetáculos. As 15 primeiras pessoas que derem respostas corretas, levam um par de convites para participar da nossa festa. Os ganhadores receberão o aviso por e-mail.

Venha festejar com a gente!
Bando e Biko



Neste sábado, acontece o V Festival de Arte, Cultura e Ciência, no Instituto Cultural Beneficente Steve Biko e o Bando estará por lá, ministrando um workshop de teatro para os alunos. Com o tema O Teatro e a Arte de Encenar, a oficina conta também com a participação do ator Cristóvão da Silva e integra uma grade que abrange teatro, música, dança, artes plásticas, literatura, cinema, entre outras, com assuntos sempre ligados à cultura negra. O evento marca também a comemoração de 13 anos do instituto, que desenvolve ações afirmativas pela inserção qualificada do negro na sociedade, com ênfase na Educação, através de cursos preparatórios para o ingresso no ensino universitário. O Festival acontece nos dias 29, 30 e 31, no colégio Teixeira de Freitas (Mouraria) e o encerramento terá atrações musicais como Lazzo Matumbi, Ilê Aiyê, Simples Rap'ortagem. + info: (71) 3241 8708

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Concerto #41

No domingão, o Vila completa 41 anos. Depois da festa que foi ano passado, com o grandioso Auto-retrato aos 40, a atenção da mídia e o reconhecimento de patrocinadores como a Petrobras, a Fundação Cultural do Estado da Bahia, a Vivo e, posteriormente, a CHESF, esse ano celebramos, mais uma vez, com uma nova parceria. Agora o Vila inicia uma relação com a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (EMUS), num intercâmbio que tem como objetivo a criação de espaço para dar visibilidade aos músicos e compositores em formação nesta instituição.

Para comemorar o aniversário do Vila e marcar esse encontro com a Escola, voltamos a um ponto no passado, quando houve pela primeira vez essa junção. Um tempo de efervescência cultural na Bahia, época de muitas histórias, em que nascia o Vila, a Tropicália dava seus primeiros passos e na Escola de Música surgia um certo "Grupo de Compositores da Bahia", que mostraria ao mundo a música erudita produzida aqui. Por uma dessas maravilhosas conexões artísticas que acontecem até hoje, a idéia da criação do Grupo pintou aqui mesmo no Vila, quando aqueles jovens compositores criaram os Oratórios do espetáculo Semana Santa, dirigido por João Augusto. O ano era 1966.

Assim, 39 anos depois, realizaremos o Concerto #41, com peças de Jamary Oliveira, Milton Gomes e Antonio José Santana Martins, alguns dos integrantes do Grupo de Compositores da Bahia, interpretadas pelo grupo e coro de câmara da UFBA. Além de suas obras, serão executados também os trabalhos dos jovens Rodrigo Garcia, Marcos di Silva, Gilmário Celso e João Millet Meirelles, que atualmente estudam Composição na Escola.


Grupo de Compositores da Bahia

Para quem quiser saber mais sobre a fascinante trajetória do Grupo, que inclui eficientes projetos de formação de platéia, númeras apresentações, experimentação, pesquisa, divulgação de obras pelo Brasil e pelo mundo, premiações, entre outras aventuras no campo artístico-cultural, uma boa alternativa é este artigo da professora Ilza Nogueira.

Se você ficou interessado em assistir ao Concerto #41 neste domingo, fique ligado aqui no blog e no nosso informativo semanal por e-mail, que sai nesta terça-feira.

Ah! A propósito: esse tal Antonio José Santana Martins, que escreveu Impropérios para a Semana Santa continuou atuando na área musical. Hoje, ele é conhecido como Tom Zé.
Coisas 'Orkutas'

Estamos todos digitalizados. Como vocês devem imaginar, o Vila e o Teatro baiano, também estão no Orkut, inclusive o Bando. O curioso disso tudo é o fato de que uma comunidade do Bando de Teatro Olodum, foi criada por uma pessoa que não faz parte do grupo e é moderada - ou seja, só entram as pessoas autorizadas por seu administrador. Achamos legal a homenagem, é massa saber do interesse dos outros pelo trabalho dos nossos. Agora, engraçado mesmo é que Jorge Washington, praticamente um dos fundadores do Bando e uma de suas figuras mais populares, não teve permissão para entrar na comunidade.

Entenda essa tal internet!

Faça parte e fique por dentro:

Comunidade Teatro na Bahia
Comunidade Teatro Vila Velha
Comunidade Bando de Teatro Olodum

sexta-feira, 22 de julho de 2005

c.o.r.r.e.s.p.o.n.d.ê.n.c.i.a.


Sempre que posso, eu apareço....


Olá, sou Anderson Danttas do grupo BAC, - Bando de Artistas Cênicos - Alagoinhas/Ba, estou sempre por dentro das novidades do Vila, o meu trabalho ñ permite que eu esteja sempre na capital, mas sempre que posso estou: já pude prestigiar as peças cafezinho e debaixo d'agua em cima d'areia, de meu amigão Luiz Antonio, com a direção de Vinício. Adorei o cenário e a movimentação do mesmo. Abraços!!!!

Eu sempre recomendo aos meus amigos: Vá ao VILA, VELHO... (rsrsrrs)
ADAPTAÇÃO

Lembra quando a gente anunciou que o Viladança ia para Porto Alegre participar do V Conesul com ULISSES? Pois é, os planos mudaram. Quer dizer, eles ainda vão participar do Conesul, mas agora vão fazer a abertura do festival, dia 26. Massa! Com Sagração da Vida Toda. Ahn? Peraê, eu perdi algum capítulo???

O Viladança ia se apresentar na Usina do Gasometro, mas por um desses imprevistos que podem acontecer em qualquer produção, a data e o local foram alterados. No novo espaço, o belo Teatro São Pedro, projetado com palco italiano (platéia frontal, fixa), ULISSES não ficaria tão bonito assim... Por isso, a "pequena" mudança.


E Cristina vira para Jai: "Você tem como levantar Sagração em 4 dias?"

Levantar significa relembrar marcações, movimentos, ensaiar e, neste caso, descer de rapel, subir na perna de pau...

Mas artista é assim mesmo: se adapta. Agora o Viladança está lá no palcão, ensaiando.

quinta-feira, 21 de julho de 2005

COMUNS NA ÁREA


Conversa afiada com:

Alberto da Costa e Silva - poeta, embaixador de Daomé na África, estudioso de historia da África e autor do livro: Francisco Félix de Souza, o Mercadante de escravos. Outros de seus livros: A enxada e a lança, A manilha e o libambo, Um rio chamado Atlântico.

A Comuns recebeu esta semana a presença importantíssima de Alberto da Costa e Silva.


A idéia inicial da Cia dos Comuns era receber o professor Alberto para um bate-papo e buscar nele novas idéias que pudessem somar na construção do novo espetáculo - Bakulo.
Não foi diferente, mas tudo tomou um rumo mais intimista, parecia que éramos grandes e velhos amigos, tudo que aquele sábio homem dizia era tão familiar e tão próximo do caminho que o espetáculo está levando, que suspiros e pensamentos eram freqüentes.
"Na África todo mundo sabe o seu lugar"*

Alberto da Costa falou um pouco das suas andanças pela África, suas descobertas, tudo estava em seu controle, principalmente o mapa da África, no qual o tempo todo fez questão de citar e mostrar cada pedaço e suas histórias, ou melhor, histórias daquele povo (nosso povo).
A viagem que fizemos com novas descobertas de antigas histórias semelhantes às nossas atuais,nos fizeram comparar as duas épocas e ver que a coisa mais importante que se perdeu ao longo dessas décadas foi a Tradição, a identidade da resistência negra que vem se deteriorando. Nossos gestos, nossas amas de leite, tudo se perdeu.
É como se o fator escravidão fosse uma linha do tempo, na qual as freqüentes mudanças escrevem o rumo de um povo, de uma nação. Houve a industrialização dos escravos, o uso da mão-de-obra, através do qual os escravos produziam a fortuna de seus donos, que por sua vez, não contribuíam para a liberdade desses escravos, que custavam caro, segundo o professor.

"A escravidão é a morte civil"*

Esse grupo minoritário de negros que veio para o Brasil criou as matrizes da cultura Negra, de uma maneira muito curiosa, pois eram escravos urbanos acostumados a viverem nas cidades da África, em suas tribos. Todos esses grupos que vieram, e aqui se tornaram Nagôs, Keto, Angola, Gege, eram de cidades, alguns agricultores, trabalhadores do campo em funções variadas. No Brasil foram escravizados, os chamados "escravos urbanos", e aqui também foram nomeados NEGROS, isso porque na África eles eram chamados de acordo com a sua tribo ou pelo seu nome de origem. Começaram então a trabalhar nas casas reais, sendo carregadores de peso, construtores de casas. Construíram seus impérios, fizeram casas que tinham modelos diferentes do que vemos hoje, mas que tinham semelhança com as favelas atuais.

Marcio Meirelles e Gustavo Mello

Não deixando de falar das favelas, após a Abolição da Escravatura a escravidão continua. Agora bem pior, marginalizando os negros pobres e das favelas, que cada vez mais se aglutinam como os antigos escravos alforriados, aumentando seu "habitat" e difundindo ainda mais a discriminação.

"Como os escravos não nasceram nos navios negreiros, precisamos conhecer a África para entender o Brasil" *

A Comuns agradece ao professor por fazer do nosso dia um novo dia, por nos ter feito refletir sobre pequenas coisas, sobre o que somos e o que queremos com a nossa história. E como na antiga tradição: toda vez que os mais velhos falam, os mais novos fazem a reverência. Te reverenciamos.


Outras Informações e Pedidos Importantes:

Estamos passando por um momento muito delicado, no qual a guerra pelo tráfico de drogas, em confronto com a polícia, tem tirado a vida de muitos inocentes. Os governantes do País estão preocupados com os conflitos externos e estão a cada dia fechando os olhos para os problemas existentes nas favelas cariocas. Não deixem de rezar pelo Haiti, mais rezem também pelo Rio de Janeiro, em especial para as favelas da Rocinha, Vidigal, Cidade de Deus (CDD), Morro do Turano, Vigário Geral, Morro do Santo Cristo, Morro dos Macacos, Morro do Urubu, Morro do Dendê, Complexo da Maré, Parada de Lucas, entre outros, que essa guerra tem derrubado os soldados do bem.

* Frases de Alberto da Costa e Silva

Cynthia Rachel Lima

terça-feira, 19 de julho de 2005

c.o.r.r.e.s.p.o.n.d.ê.n.c.i.a.

Venho agradecer a gentileza de enviar-me uma cortesia para a peça Debaixo d'água em cima d'areia, uma espetáculo ÓTIMO. Espero ter mais oportunidades como essa e informar a vcs que melhor que esse teatro não existe outro.

Faço parte de um curso na cidade baixa, no bairro do JARDIM CRUZEIRO, que também teve essa oportunidade de assistir a uma peça no mês de abril, pois Raimundo consegiu umas cortesias e selecionou pessoas para ir. Foi uma peça espetacular.

São jovens que fazem curso Pré-vestibular totalmente gratuito e profesores que ensinam como voluntários. Temos 3 anos de funcionamento e já aprovamamos 20 alunos nas grandes universidades. Gostaria que vcs mandassem cortesias para que posamos prestigiar os espetáculos estreados no TEATRO VILA VELHA. Somos 41 alunos, mas nem todos teriam a oportunidade de ir. Isso é, se vcs conseguissem cortesias, poderiam enviar a metade dos ingressos e selecionaremos pessoas para ir.


Grata,
IVONISE NASCIMENTO


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Cara Ivonise,

O grupo de vocês será incluído no projeto Tomaladacá, para possibilitar o acesso ao teatro a partir de uma troca artística. Num país de exclusão escancarada, vale a pena dizer que nos preocupamos, dentro do possível, em fazer um movimento inverso.

Equipe do Teatro Vila Velha.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

PROJETO PONTE AÉREA RECEBE MARCIO MEIRELLES

Essa é para quem está no Rio. Na próxima segunda (25/07), o diretor teatral Marcio Meirelles fala um pouco sobre a sua experiência no Teatro Baiano no projeto Ponte Aérea, que vem promovendo encontros com artistas de diversos estados, no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro. O teatro, fundado pelas atrizes Marieta Severo e Andréa Beltrão, abre espaço para vozes do teatro brasileiro como José Celso Martinez (São Paulo), Luís Mello (ator do Ateliê de Criação Teatral - Curitiba), Antônio Araújo (diretor do Teatro Vertigem - São Paulo) e Chico Pelúcio (ator do grupo Galpão, em Belo Horizonte). A idéia é gerar um intercâmbio teatral entre artistas e público. A palestra acontecerá às 21:00, com entrada franca. O Teatro Poeira fica na rua São João Batista 104, Botafogo (21 2537-8053).

sexta-feira, 15 de julho de 2005

JEANS!
Na sua casa tem uma calça jeans que você não usa mais? O buraco no joelho daquela calça jeans que você comprou em 95 ficou indecentemente grande? Você ganhou calças jeans novas no Natal e despreza as suas calças velhas? Seus problemas acabaram! As calças jeans que você não teve coragem de jogar fora ou não usa mais, podem ir para o palco. O Bando de Teatro Olodum abre temporada de doação de calças jeans para a confecção do figurino de Processo Marighella. O figurino é de Marcio Meirelles, mas a idéia da doação foi do simpático Jorge Washington. As calças jeans serão destruídas, recortadas, recosturadas, e vão virar outra coisa. Que coisa? Só vendo. Processo Marighella invade os palcos do Vila em Novembro.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Fino Trato

Que coisas estranhas beirando o sobrenatural acontecem no Teatro Vila Velha, isso todo mundo sabe. Que criam-se expectativas das mais esdrúxulas sobre o que pode ser encontrado aqui dentro também já é do conhecimento de todos. Uma vez ligaram para cá perguntando por mágico, palhaço, macaco, anão... tudo isso em uma só ligação. Esses acontecimentos geralmente mais divertem do que incomodam. Quando uma senhora ligou perguntando se algum técnico poderia dar um pulinho no auditório do Colégio 2 de Julho pra resolver um problema com a cortina, foi constrangedor, mas pelo menos foi engraçado. Há, no entanto, uma série de acontecimentos, que podem ser classificados como equivocados, esdrúxulos ou mesmo surreais que incomodam bastante.

Não raro, aparece alguém pelas redondezas do Teatro perguntando para qualquer um: "Ô menino, Marcio Meirelles tá aí?". A resposta geralmente é "Não sei". Dificilmente sabe-se, mesmo. Saber se Marcio está é tarefa complicada para qualquer um. A pergunta em si, não se pode condenar, condenável é o tom, e a reação ao "não sei". As pessoas reagem como se fosse um absurdo não sabermos onde está Marcio Meirelles, Chica Carelli, Zebrinha, Sônia Robatto, Othon Bastos ou quem quer que se esteja procurando. A reação é como se estivéssemos enrolando, ou dando uma resposta padrão. Aí vem: "Eu sou fulano de tal de não sei aonde, Marcio é muito meu amigo, trabalhamos juntos em tal, tal e tal produções, eu tenho certeza que se você disser que sou EU, ele vai me atender". Chega-se nessa parte do diálogo geralmente antes de dar tempo de saber se Marcio ou quem quer que seja, está, esteve, ou estará no teatro. As vezes é melhor ainda! As vezes o ilustre desconhecido (desconhecido para mim, pelo menos, que nasci em 83...) solta pérolas como: "Mas eu que construí isso aqui. O Vila Velha é o que é hoje por minha causa" e por aí vai. Recentemente até "você sabe quem eu sou?" teve.

Dia desses ligaram, eram três da tarde, mais ou menos, fui eu que atendi: "Alô, João Sanches está?" Olha, eu não sei, não tive notícia dele hoje aqui ainda, quem quer falar?... "mas ele não tá com uma peça aí?", está, está sim, "chame ele aí", aguarde um momento que eu vou ver se ele está. Nas duas portarias, ninguém tinha visto João entrar ou sair no tal dia. Alô?, pois, João não está "mas ele não é daí?", mais ou menos, não sei, ele é diretor de um espetáculo que está em cartaz, mas não é funcionário da casa... "tá, tá, deixe". E desligou.

Parece excepcional tanto imediatismo e tão pouca educação, mas não é tão fora do comum quanto minha mãe me ensinou que seria. Esse personagem, a "grande figura" que chega sem avisar, sem marcar e quer ser atendido por pessoas que as vezes sequer trabalham aqui - atendi uma vez alguém que queria urgentemente falar com Biza Vianna - simplesmente porque querem. Ou porque são sicrano de não sei aonde, pessoa muito importante para a história deste teatro, e não precisariam nem se identificar.

Voltando à realidade eu fico aqui pensando: se nem o estagiário pode, a qualquer hora, largar o que estiver fazendo para atender quem quer que seja, que apareça sem avisar, porque alguém mais poderia? E muito mais grave: Porque as mais de duzentas pessoas que trabalham com o Vila diretamente saberiam quem são essas sub-celebridades-importantíssimas para a história do Vila? Pois saibam que isso é frequente, e que as tais pessoas ainda por cima ficam ofendidíssimas. Quer dizer...

Camilo Fróes

terça-feira, 12 de julho de 2005

Comuns na Área



A Cia dos Comuns continua a pleno vapor, com ensaios de domingo a domingo, folgas somente às terças-feiras. Na carga horária, aulas de: expressão corporal, dança, voz, canto, toques instrumentais e improvisações para o espetáculo. A peça ainda não tem definições, apenas objetivos. Como tudo que é feito pela Cia dos Comuns junto com Marcio Meirelles, a construção de todos os espetáculos é feita de descobertas e pesquisas durante todo o processo. Marcio já começou a esboçar cenas e diálogos, que estão sendo construídos conforme o discurso que os atores produzem.

"O novo espetáculo terá fechamento extraordinário, diferente. Com finalidade simples e rica, porém, pois mexe com o lúdico. O discurso é próprio do gromelo e o lado contemporâneo, que é atual, o lado teatral que mexe com esse sentido, é a comunicação. Mexe com passado e o futuro do negro no Brasil. *Não sei no que vai dar".

(Rodrigo dos Santos - que vive um personagem rapper)

A Comuns conta com a presença essencial do profissional Felipe Cury, que desde o primeiro processo de Candaces - A Reconstrução do Fogo, segundo espetáculo da Cia, vem sendo o braço direito de Marcio Meirelles na assistência de direção. E contribuindo também com seus jogos teatrais, para o desenvolvimento da Cia enquanto "grupo".

Outras presenças indispensáveis são os músicos, que estão cada vez mais integrados ao trabalho, possibilitando um clima de ensaios harmoniosos e confiantes para toda a equipe, que tem como objetivo apresentar um belíssimo espetáculo, com novos ritmos e melodias.


Outras Informações:

*No dia 25 de junho houve uma comemoração de 50 anos de santo da Mãe Beata de Yemanjá, e a Comuns, adivinha? Estava lá. Foi uma festa linda, que valorizou a resistência do culto afro no Rio de Janeiro, que vem a cada dia perdendo sua força. A importância da Cia ter participado dessa comemoração foi estar reafirmando e contribuindo para não deixar acabarem nossas tradições e deixar sempre vivas nossas origens.


*Já no dia seguinte o Rio de Janeiro, literalmente, parou. Aconteceu a 10ª Parada do Orgulho Gay, que em estatística são 80% da população brasileira. O tema da parada este ano foi a "Igualdade de União Civil entre pessoas do mesmo sexo". Mais uma vez, os gays saíram às ruas para defender os seus direitos como cidadãos. A luta tem sido constante, tanto que Ipanema ferveu com cerca de 400 mil pessoas (entre heterossexuais, homossexuais, bissexuais e outro BANDO de COMUNS).



Cynthia Rachel Lima, com colaboração de Ana Cê - Cia. dos Comuns.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

TREINAMENTO DE ATORES

A partir do dia 25, a Cia. Teatro dos Novos oferece um treinamento de atores, coordenado pela atriz Mônica Mello, mestranda da Escola de Teatro da UFBA. Os encontros são direcionados para atores profissionais ou amadores, com entrada franca, e fazem parte de uma pesquisa prática que integra o projeto desenvolvido por Mônica em seu mestrado.

De acordo com Mônica, o treinamento terá enfoque no desenvolvimento das habilidades corporais do ator, independentemente da montagem em que esteja envolvido e ao mesmo tempo é um espaço de suporte para construção de personagens e de cenas.

Para maiores informações, Mônica atende nos telefones 9197-2543 / 3263-0536

sexta-feira, 8 de julho de 2005


Um concerto para o aniversário do Vila

No dia 31 de julho, o TeatroVila Velha completa 41 anos de fundação e comemora com a realização de um concerto erudito contemporâneo com jovens compositores e intérpretes. A apresentação marca a abertura dos XX Seminários Internacionais de Música, promovidos pela Universidade Federal da Bahia, e dá início a uma parceria entre o Vila e a Escola de Música. A idéia é criar espaço para novos músicos e incentivar a formação de grupos de câmara. Com isso, o público também sai ganhando, com a oportunidade de conhecer a produção de música erudita contemporânea na Bahia.

Aguarde!
Viladança vai para POA!


ULISSES por Márcio Lima

A Cia. Viladança está arrumando as malas. No próximo dia 22, o grupo viaja para Porto Alegre, para o IV Festival Conesul Dança, onde apresentará o espetáculo José ULISSES da Silva, na sala Elis Regina localizada na Usina do Gasometro. O evento traz um painel da dança contemporânea, promovendo o encontro entre artistas de diversas regiões. Durante o festival, o Viladança participa também de oficinas e terá a oportunidade de conferir o trabalho dos outros grupos. Em seguida, o grupo volta a Salvador, entrando em nova temporada de ULISSES e numa maratona de apresentações de Da Ponta da Língua à Ponta do Pé para escolas da rede municipal, em parceria com a Secretaria de Educação. Ao todo, 4.400 alunos participarão do projeto! E tem uma coisa que a gente não pode esquecer: o Viladança conta com o patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

DIMENTI no Vila



O horário dos espetáculos infanto-juvenis no mês de julho será ocupado pelo delírio cênico proposto pelo Dimenti com a montagem Chuá. A nova temporada entra em cartaz neste sábado, às 17:00 e segue até o início de agosto, integrando a programação do Circuito Dimenti.

Chuá, nas palavras dos próprios criadores, é uma leitura contemporânea e reconfigurada de O Lago dos Cisnes, num mosaico cênico intertextual, que toca em questões sobre gênero, diversidade, educação doméstica e consumo na infância.

Em cena, uma piscina de bolinhas plásticas e personagens tortos, remendados com roupas de pós-operatório provocam o riso irônico e o questionamento sobre o que se passa na cabeça das nossas crianças.

em cartaz:
SAB/DOM
17H

quarta-feira, 6 de julho de 2005

A volta dos Latinos Enlatados

Índio, negro, miscigenado - sem diferença de raça ou mistura, colonizados nessas terras cuja espinha dorsal é a cordilheira dos Andes. Meio milênio depois, as sequelas vivas na formatação de uma cultura industrializada pelo imperialismo. Mas isso não é tudo. Há autenticidade!

Para levantar a bandeira da América Latina de verdade, desconhecida dos próprios "hermanos", a Cia. Teatro dos Novos criou Latin in Box, um recital cênico-musical, misto de ironia e lirismo, que vai além dos clichês. O espetáculo, dirigido por João Sanches, estreou no Projeto 3 & Pronto e agora cumpre nova temporada no Cabaré dos Novos.

Em cartaz às quintas-feiras de julho, às 21:00.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Avelãz y Avestruz

Ontem, o diretor teatral Marcio Meirelles foi à Escola de Teatro da UFBA, onde falou sobre a história do Avelãz y Avestruz. O grupo , que existiu em Salvador entre os anos de 1976 e 1984, foi tema do trabalho elaborado pelos novos diretores/estudantes Vinício de Oliveira Oliveira e Iara Colina para a conclusão da disciplina História do Teatro Brasileiro.

De acordo com Vinício, o grupo foi um grande acontecimento na época em que foi criado, com grande sucesso em montagens ousadas e amplo espaço na mídia. Com espetáculos grandiosos e cheios de simbologias sociais e psicológicas, foi uma maravilha no cenário artístico baiano, com passagens em outros cantos do país.

E Meirelles, um dos fundadores do grupo, fez parte dessa história como ator, como diretor, como artista plástico... Sempre 1000 em 1.

Na foto ao lado, o elenco de Alice, uma desconstrução visceral do conto de Lewis Carrol: Paulo Exlácio, Jerry Faro, Jorge Santori, Milton Macedo, Hebe Alves, Maria Eugênia Milet, Fernando Fulco e Sérgio Carvalho.
Projeto O que Cabe neste Palco apresenta: Xeque-mate
Absurdo no Vila!

O grupo Tablados do Absurdo surgiu do interesse em estudar e conhecer melhor a estética do Teatro do Absurdo, de autores como Samuel Beckett, Eugene Ionesco e Fernando Arrabal. Das discussões e leituras, naturalmente veio a prática, com a encenação de trechos de algumas peças como Esperando Godot e Fim de Partida, de Beckett. Encantados com a possibilidade de abordar a natureza humana num universo complexo de relações através de uma estética que escapa ao realismo, os artistas conceberam Xeque-mate, inspirados pela obra Fando e Lis, de Fernando Arrabal. Nesta peça, um casal e um grupo de homens encontram-se a caminho da cidade de Tálus. Juntos, ao mesmo tempo em que querem se desgarrar uns dos outros, mantém-se numa relação ambígua de isolamento e dependência, pontuada por uma crueldade quase infantil. Nesta entrevista, os diretores Hedre Lavnzk Couto e Marcelle Pamponet falam um pouco sobre a montagem e o trabalho do grupo.

Qual é o tema da montagem?
A peça aborda as peculiaridades de comportamento implícitas nas relações humanas, o modo inseguro como o homem lida consigo mesmo e com o próximo; numa sociedade hipócrita, cheia de relações simuladas, de aparências. Mostramos a busca da razão como algo inatingível. Questionamos: quais são as regras e estratégias usadas nessa busca?

Por que Xeque-mate?
Observando as ações dos personagens desta peça é inevitável não se deixar levar e encantar pela inebriante sensação da cartada eminente, da constante estratégia psicológica que os personagens exigem uns dos outros. A todo instante, inesperadamente, desfere-se um golpe. A cada palavra, gesto, olhar e mesmo na respiração, dá-se um xeque. E este pode ser o último: o xeque-mate. Entre eles, está configurado um jogo, estar na estrada, é como estar num tabuleiro. E ao que parece o jogo não pode acabar. É como se o tabuleiro não pudesse jamais descansar, as peças ali continuam... disponíveis, impenetráveis, inseparáveis, comendo umas as outras.

O que caracteriza a estética do absurdo?
De um modo geral o teatro do absurdo trabalha uma imagem concreta de personagens decadentes, presos num desesperado presente eterno, envolvidos por uma profunda atmosfera de alienação, pessimismo e incomunicabilidade. Eles se encontram num estado de afasia, onde cada sussurro exige o esforço de toda uma vida. Como se não bastasse, na obra de Arrabal, o homem se debate diante de uma possível existência de uma lei moral que não conhece perfeitamente. Aqui esses personagens vivem num interminável ciclo de erros e culpas, suas ações são uma mistura de ingenuidade e crueldade semelhante às das crianças.

Como estes elementos aparecem na montagem?
Procuramos ser fiéis ao universo da peça e provocar a identificação do público com os personagens. Por isso, em relação à construção visual, optamos por fazer da estrada de Tálus um caminho circular "sem começo nem fim", além disso, colocamos o público no meio dela. Existe também o carrinho de bebê que transporta Lisa, o guarda-chuva usado pelos três homens, reforçando simbolicamente a interdependência dos personagens. E há uma série de coisas que optamos por manter em aberto, uma vez que "fechadas", correríamos o risco de tornar o espetáculo menos rico.

Vocês não têm receio de que o espetáculo seja taxado como hermético?
Interessante pensar sobre isso, mas acreditamos que nosso trabalho seja para todo tipo de espectador. Sabemos que estamos lidando com uma estética ainda bastante inexplorada, o enredo não é linear e os conflitos não são determinados segundo uma estrutura tradicional. Por outro lado, o universo que abordamos é, ao mesmo tempo, excêntrico e familiar à maioria das pessoas. Quem de nós não se depara com a dificuldade de se comunicar? O que colocamos em cena são as nossas próprias relações, descortinadas de um modo tão cruel, que assusta.

Pelo que vocês falaram, é um espetáculo bastante pessimista. Essa é a visão de mundo de vocês?

Os textos absurdos são pessimistas,desolados; a construção dos personagens e sua materialização, idem, mas procuram alcançar o contrário. Estamos buscando um antídoto desse quadro de confusão de valores experimentado pelo nosso tempo. Por trás, há um aviso de que ainda é possível melhorar. Os próprios personagens da peça representam a persistência, quando afirmam "vamos tentar mais uma vez". Existe em tudo isso um otimismo implícito. Nos identificamos com Arrabal nessa vontade de gritar que ainda há luz no fim do túnel. Achamos que ainda é possível chegar à Tálus.

em cartaz
sex/sab - 19h
r$ 5

segunda-feira, 4 de julho de 2005

OFICINA COM LÁZARO RAMOS
TRUQUES DO CINEMA


Lázaro Ramos (conhecido aqui no Vila como Lazinho) passou uma semana com os atores do Bando de Teatro Olodum fazendo uma oficina de cinema. Além dele, o diretor Sérgio Machado (Cidade Baixa) esteve por aqui passando para o pessoal um pouco das "manhas" da sétima arte. As aulas aconteceram nas dependências do Vila, diariamente, das 19:00 às 22:00, lidando diretamente com a câmera e as técnicas de interpretação para o cinema.


Lázaro está fazendo uma pesquisa sobre o cotidiano do bairro da Liberdade, o maior de população negra em Salvador, um símbolo do movimento racial. O Bando, grupo do qual até hoje ele faz parte, mesmo à distância, também fortemente ligado à militância negra, é uma ponte próxima e relevante para este trabalho. Por isso, unindo o útil ao agradável, Lázaro veio novamente a Salvador para trabalhar em sua pesquisa e também transmitir seus conhecimentos práticos sobre cinema para os queridos colegas.

Durante a oficina, o Bando aprendeu técnicas de posicionamento, luz, construção de personagens e atuação que, segundo os próprios atores, é bem diferente do teatro pelo grau de detalhamento da imagem possibilitado pelo formato e enquadramento do cinema.

Para Jorge Washington, ator do grupo desde sua criação e que acompanha a carreira de Lazinho dentro e fora do Bando, oferecer esta oficina foi uma demonstração da generosidade do colega, hoje um destaque na TV e no cinema nacionais. "A bagagem que ele levou do Bando, devolve agora, trazendo o que ele aprendeu lá fora, pelo mundo. Quando ele fala ?sou do Bando?, não fala da boca pra fora!", brinca.

COMUNS NA ARÉA
Bakulo - Os Bem Lembrados

A Cia dos Comuns parte de um principio nulo para o novo espetáculo, mas por que nulo? A política da Cia é uma ou única, onde todos buscam em seus discursos fazer parte de um processo igualitário, mesmo com as diferenças existentes.

E esse espetáculo novo é base forte desse discurso, Milton Santos o carro chefe, a fonte inspiradora, discutir as diferenças, falar de espaço, globalização e valorização da comunidade negra. Isso tudo em palco soa incrível, mas é com beleza, política, garra, profissionalismo que Bakulo esta nascendo. As falas são lúdicas, o publico vai viajar nesta nova descoberta, a fala gromelo*, que da á vida a esse trabalho.

São nove atores em cena, sete músicos, e varias possibilidades de experimentar, brincar, criar, ao som de violino, violão, bandolim, flauta, sax, teclado e atabaques, que não podemos esquecê-los. A mistura esta construtiva, um jogo, soma, obra, criação coletiva, o conjunto perfeito de...Improviso.

*Gromelo: Linguagem criada sem falas, ou melhor, falas criadas sem linguagem formal.

COMUNS, FALA:


Da importância que tem sido a união dos Estados, ou melhor, de Márcio Meirelles e Cia com Cobra e Comuns, para a realização de espetáculos e criações "MASSA".
A coletividade que gera a cada dia bons resultados, Ótimas criações.

De passagem pelo Rio, os agradecimentos especiais ao profissional Jarbas Bittencourt, que não brinca em serviço, com seu senso ágil, deu a Cia dos Comuns uma nova visão de criação musical, com seu 1 2 3 e...Montou uma orquestra de Lascar na Comuns...Os atores quem digam! Todos estão empolgados com seu som...Ago...Agôa.

Valeu Jarbas, por fazer parte dessa Família e somar toda vez que está... E assim os demais profissionais Baianos que abraçam a Cia como sua.

* Márcio Meirelles / Zebrinha / Jarbas Bittencourth e todos do Teatro Vila Velha.

FORMOU?

Cynthia Rachel Lima.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

A prévia da cachorrada

O Cão! de Jacyan Castilho estréia nessa segunda-feira, no projeto 3 & Pronto. Antes disso, rola uma pré-estréia, no domingo, às 11:30, para artistas e funcionários do Vila, e alguns convidados.

Chique!
Caruru da UNEGRO

Comida baiana e muito samba no pé!

Neste sábado, às 12:00.
Preço: R$ 5,00
Local: Sede da UNEGRO - Rua Frei Vicente, 13 - Pelourinho