sexta-feira, 30 de abril de 2004

40 anos do Teatro Vila Velha
Sugestão de tombamento e imunidade fiscal



Na sessão especial em homenagem aos 40 anos do Teatro Vila Velha, realizada ontem à noite na câmara de vereadores, o que se viu foi o reconhecimento da relevância histórica do teatro. Numa fala longa e que passeava entre períodos históricos e fatos contemporâneos, o historiador Ubiratan Castro pontuou a importância do Teatro Vila Velha para o desenvolvimento de movimentos artísticos e para a reflexão de fatos sociais na Bahia. Lembrou de como o Vila Velha se abriu aos artistas que resistiram à ditadura militar e, mais recentemente, em 2002, de como foi o único espaço em que se discutiu a questão da greve da polícia militar, que resultou no espetáculo Relato de uma guerra que (não) acabou. Por fim, sugeriu que o tombamento do Vila como patrimônio da cultura baiana e brasileira.

Os trabalhos foram iniciados pelo presidente da câmara, o vereador Emmerson José, com a leitura de uma carta do prefeito Antônio Imbassahy, na qual reconhecia a imunidade com relação ao IPTU. Depois disso, depoimentos emocionados seguiram reforçando a importância do Vila na formação política e artística de diversas gerações na Bahia.
A sessão especial, que havia sido pensada inicialmente como uma solenidade meramente comemorativa, acabou sendo o momento máximo de uma polêmica iniciada há dois anos e que ganhou notoriedade na semana passada, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Braskem, quando veio a público o problema da penhora do Teatro Vila Velha. Criou-se uma grande ansiedade entre a classe artística e a mídia locais, que se viram entre declarações contraditórias por parte da Prefeitura, uma saga que parece ter chegado ao final com o último pronunciamento oficial do prefeito Antônio Imbassahy sobre o assunto.

Presidida pela vereadora Olívia Santana (PC do B), a sessão contou com as presenças do diretor teatral Marcio Meirelles, do presidente da Fundação Palmares e representante do Ministério da Cultura, Ubiratan Castro, do reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar Almeida, da atriz do Bando de Teatro Olodum, Rejane Maia, da representante da Fundação Gregório de Mattos, Célia dos Humildes, da coordenadora do grupo É ao Quadrado, Elizete Cardoso, e do representante do Secretário da Cultura e Turismo, Nonato Freire. Também participaram da homenagem o saxofonista Antonino e um grupo da Escola de Dança da UFBA, que apresentou uma coreografia resultado dos trabalhos de pesquisa na tradição afro.

Todos que fizeram uso da palavra ressaltaram o papel desempenhado pelo Vila na dinâmica cultural da cidade. Marcio Meirelles, coordenador do coletivo que atualmente administra o Teatro, ressaltou a utilidade pública dos teatros, enfatizando o benefício que suas atividades trazem para a sociedade. Em seguida, Rejane Maia, Elizete Cardoso e Célia dos Humildes falaram da forma como o trabalho do Vila Velha influenciou sua formação pessoal, ideológica e profissional, por se tratar de um espaço popular, receptivo ao público, a projetos inovadores e onde há diálogo entre os artistas e a comunidade.

Marcada pela emoção e resgate histórico, a sessão acabou representando a vitória do Teatro Vila Velha em uma mais luta em prol da arte e do público baiano.

quarta-feira, 28 de abril de 2004

Aniversário

Logo mais o mês de maio está entrando aí e o Vila comemora os 6 anos de reinauguração. O aniversário, dia 5, cai numa quarta-feira, diazinho bem inconveniente. Só que isso não é motivo para passar em branco! Ontem, na reunião geral, surgiu a idéia de fazer um movimentozinho por aqui. Vai ser no sábado, dia 8, juntando artistas, funcionários, amigos... enfim, toda a imensa família do Vila. Deve ser uma festinha com gosto de manifesto.

Aguardem mais informações!


Juliana Protásio

segunda-feira, 26 de abril de 2004

Murucutu, o que não nos contaram* tem um mascote: MURUCUTÉURIS. É um vira-lata que apareceu no instituto Araketu no inicio dos ensaios da peça . O pequeno animal, com poucos peses de vida, magricela, cheio de pulgas e carrapatos se divertia mordendo os pés dos atores, que tinham que se esforçar um bocado para se concentrar.

O pobrezinho só quer brincar e em muitas vezes não escapava de algumas pisadelas do elenco que tentava ensaiar suas marcações. Ele conseguia tirar a concentração e fazer rir todo o elenco. Resultado: uma semana se passou e ele, apelidado por nós de Murucutéuris, depois de um tratamento cuidadoso, ganhou corpo, os pêlos ficaram brilhantes, engordou e ficou forte. Devido à sua esperteza, agora ele é trancado antes de começarem os ensaios, para a gente não fique disperso.

Ficam duas imagens de Murucutéuris: a primeira, de um pulguento sem pelo e a outra de um bonito e gordo vira-lata. O que um “bom tratamento” não faz hein?!!

A peça vai indo bem, assim como o nosso mascote.

*O espetáculo infanto-juvenil entra em cartaz no dia 22 de maio. Aguardem!

Cell Dantas (Grupo Trilharte)


sexta-feira, 23 de abril de 2004

quinta-feira, 22 de abril de 2004

Divagações de Cinema Americano


Estávamos na já habitual reunião de quinta-feira, do grupo de comunicação, quando discutimos as estratégias, localizamos problemas e pensamos soluções para as mais diversas questões comunicacionais do teatro. Chegamos então ao assunto do foco da semana, no blog, no Informativo TVV, no site... Jogaremos luzes na semana que vem sobre uma questão importante:

Devido a cobrança indevida de IPTU da parte da
Prefeitura Municipal de Salvador, o Teatro Vila Velha foi penhorado.


A notícia já é pública. Carlos Petrovich, ator da formação original da Sociedade Teatro dos Novos que fundou o Teatro Vila Velha, fez um breve discurso sobre o fato na entrega do Prêmio Braskem de Teatro ontem à noite.

Maíra, a nossa nova estagiária de comunicação, levantou uma dúvida técnica:

Maira
O que acontece quando é penhorado?

MM
Depois de um tempo vai a leilão...

Camilo
E no leilão vendem por qualquer ninharia. (...) quando forem comprar o Vila no leilão, vai começar assim: "Dez conto!", e pronto, lá se vai o teatro por dez conto.

(Silêncio)
MM
Olha só a cena de filme. Filme americano. O teatro vai a leilão, aí o diretor dá o lance de dez conto, sobe no palanque, faz um super discurso emocionado sobre como o teatro é importante pra ele, e como ele deve ficar com o teatro porque é a coisa certa, e todo mundo se emociona e ninguém dá outro lance. Aí a câmera se afasta, as pessoas se dão as mãos, choram, vão falar com o diretor...

Chica
Ah, mas aí alguém ia dar um lance mais alto!

MM
Ah, sim, claro que ia ter o vilão que vinha e ia dar o lance maior, só que aí a galera bota ele pra fora, a galera do mal expulsa o cara, vira uma confusão... Filme americano, né?


Essas reuniões têm sido bastante produtivas e por vezes divertidas, com situações divertidas como essas e outras piadas menos publicáveis...


Camilo Fróes

terça-feira, 20 de abril de 2004

Maio no Vila

Que mês das mães que nada! Maio é o mês do Vila. O grande marco deste ano são os 40 anos do Teatro - que não são comemorados em maio, mas em julho - mas nem por isso o aniversário de reforma (05/05) passará em branco. Estamos preparando uma surpresinha para você. E olha que nem estou me referindo à programação azeitadíssima, com umas 10 atrações diferentes. Olha lá na página. Ritmo de Vila Verão em pleno outono? Isso mesmo. Estamos amadurecendo frutos e quem vai poder saborear é você, espectador, que participa ativamente da vida do Teatro. Aqui no Vila, a filosofia é estimular a atitude do público, seja através da reflexão e da interatividade cênica que rola, por exemplo, em Cabaré da RRRRRaça, seja através das pesquisas de opinião, seja participando do(s) aniversário(s) da casa...

Calma, não posso adiantar mais nada. E deixe de pressa, que Maio já está vindo aí. Não faltam nem quinze dias! O tempo passa rápido. Veja só: já partimos pro quinto mês do ano que parece ter começado ontem. Daqui a pouco são 100 anos de Vila! Quando a gente menos espera... Já passou!

Espere só Maio chegar...

Juliana Protásio

segunda-feira, 19 de abril de 2004

Sabia que tinha esquecido...

Claro!! Como pude esquecer da ADM?? Jó, Gilka, Isabela!! Me desculpem! Valeu, gente!!

Juliana Valente
DESPEDIDA...

Pois é, meu povo... Não sei se vocês já sabem, mas a partir de hoje o Vila passar a ter menos uma Juliana... Aêêêê!!!!! As confusões na produção acabaraaaam! Hahahaha! Agora ? sério... Eu tô me despedindo hoje do ESTÁGIO no Vila, mas jamais vou deixar de vim aqui para os espetáculos e tb pra encher o saco de vocês!
Com certeza o Vila já faz parte da minha história, não só por ter sido o meu primeiro estágio, mas pq é algo que faz parte da minha vida desde criança e que eu tenho um carinho imenso! Aprendi muito nesses três meses aqui (apesar de parecer pouco tempo). Foi uma experiência fantástica! Tanto pra minha vida profissional quanto pra minha vida pessoal, mesmo. Tive o prazer de conhecer e conviver com pessoas maravilhosas. Sem falar nas milhões de gargalhadas que dei com as figuras do Vila! Uma coisa que eu posso garantir é que me diverti demais com vocês! Queria agradecer é todos que me receberam de braços abertos quando entrei aqui morrrrrendo de medo de encarar o primeiro estágio. Juliana Protásio (que foi a pessoa que trabalhei mais diretamente), valeu por tudo, pelos toques que me deu nas vezes que eu fiquei perdidona! Camilo, tb muito obrigada por me ensinar as manhas do Mac, pelas risadas, pelos toques. Gordo, valeu pela paciência, pelos milhões de toques tb! Chica, muito obrigada por tudo! Meirelles, nem se fala... nem sei como agradecer! Mai, valeu por me salvar dos apertos, minha fonte de informações! Cell, brigadão tb por tudo, pelas tardes de risada... mas agora vc não vai mais poder fazer aquela brincadeirinha simpática de gritar : "Juliana!" no meio da produção só pra deixar Protásio e eu malucas, as duas olhando na mesma hora sem saber quem vc tava chamando! Sandro, valeu painhooooo, dei muita risada com vc! Nalvinha, valeu pela paciência, das milhões de ligações que fez pra mim! Dona Val, Dona Irá, Vânia, galera da técnica, Cris, Dan, Jarbas... enfim.... UFA!!!! Pô galera... Me desculpem se esqueci de alguém, mas o importante é que sempre vou levar vcs no coração, de verdade!
Beijão!!

Juliana Valente

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Leitura Massa

A leitura dramática de Arlequim servidor de dois patrões, que rolou ontem aqui no Cabaré dos Novos foi ótima. A divertida "novíssima A Outra Companhia de Teatro", dirigida por Vinício Oliveira Oliveira, fez uma apresentação dinâmica, que mais parecia um ensaio aberto, com bastante movimento e errinhos que só davam mais charme ao acontecimento. Com este pequeno evento inaugural, o grupo já deu mostras da qualidade do trabalho de artistas comprometidos também com o bom-humor.

O pessoal está de parabéns, inclusive pelo saboroso macarrão servido para fechar uma noite marcada pelo clima de comemoração. Belo primeiro passo!

Juliana Protásio

terça-feira, 13 de abril de 2004

Acontece...

Sexta-feira o Viladança re-estréia com José ULISSES da Silva, todo bambambam, com lançamento de CD e tudo mais. Lindo! Mas hoje, tão pertinho do dia D, o povo roda doido aqui pelo Vila procurando "A Fita". Fita? Que fita? A fita do tapete de ULISSES. Han? Como assim?

Danilo Bracchi explica: sumiram com a fita do vídeo que é projetado sobre o tapete redondo - criado exclusivamente pelo Núcleo de Artes Plásticas - durante o espetáculo. Ainda de acordo com Danilo, a culpa da confusão toda é o Estúdio, "que é que nem o Triângulo das Bermudas, lá some de tudo..."

... nas melhores famílias!

sexta-feira, 9 de abril de 2004

muita gente deixa, como sugestão para melhorar o Vila, o conselho ou pedido de que melhoremos a divulgação. Respondemos sempre que estamos tentando várias formas alternativas de fazer isso, uma vez que, inversamente ao crescimento da produção cultural, ao aumento do número de espaços e eventos, as páginas de cultura dos jornais locais e os espaços na mídia informativa têm diminuido consideravelmente; e a mídia paga - chamadas em televisão, outdoor, etc - são muito caras. Outra coisa que estamos fazendo é tentando nos organizar mais, com reuniões semanais de uma galera, para pensar, articular e somar esforços e dividir tarefas para uma mais eficiente divulgação do excesso de atividades do Vila.
Por outro lado, as pesqisas nos dizem que a maior parte do público sabe dos espetáculos através de amigos , atores ou funcionários do teatro. Por isso o blog, as respostas pessoais a quem tem i-meio e deixa opiniões sobre o teatro e os espetáculos. Por isso essa tentativa de sermos mais humanos e exercitarmos a comunicação mesmo. não só a informação.
o curioso desse nos tonarmos mais humanos é que quem nos ajuda muito é o computador. Talvez tenhamos que aprender com as máquinas a sermos mais humanos e justos e corretos.
mm

quinta-feira, 8 de abril de 2004

Causos da Telefonia do Vila

Aqui pelo Teatro circula muita gente e por se tratar de um espaço público, também rola muita ligação vinda de fora. Ou seja: passa muita coisa pelos ouvidos das nossas telefonistas. Algumas delas bem... digamos... "peculiares". Como a senhora que outro dia ligou pedindo o telefone de Santo Antônio (!).

- A senhora ligou para o Teatro Vila Velha...
- Eu sei pra onde eu liguei, mas eu quero o número de Santo Antônio!
- Deve estar havendo um engano, senhora.
- Não, é com vocês mesmo. Eu quero o número de Santo Antônio. Do Santo Antônio daí.
- Senhora... aqui não tem nenhum Santo Antônio!

E a mulher não desistia de tentar. Prendia a linha do Teatro com a ligação. Uma coisa estranhíssima. Foi então que a telefonista se viu obrigada a pedir ajuda a outros funcionários do Teatro. Virou um inquérito absurdo. Até que, finalmente, a sabedoria de Dona Val, responsável pela limpeza, desvendou o mistério: a mulher queria saber o telefone de Jorge Washington, ator do Bando, que fazia o papel de Santo Antônio em um dos programas de Oxente, Cordel de Novo?.

Tenha santa paciência...

segunda-feira, 5 de abril de 2004

Minha amiga, Angela Andrade, quando acabou de assistir a O MURO, me disse que o espetáculo era muito sombrio, era preciso uma luz. Que não dava pra viver sem luz. Eu respondi que a luz viria no próximo espetáculo do Bando, que fecha uma trilogia: A TRAGÉDIA DA ORDEM, iniciada com RELATO DE UMA GUERRA QUE (NÃO) ACABOU, seguida pel'O MURO e a ser concluida com PROJETO MARIGHELLA.

Montar um espetáculo sobre a poética da vida, discurso e ação de Carlos Marighella é uma idéia antiga. Sempre achei que o teatro merecia a visita de sua poesia. Isso ficou mais claro quando nos foi solicitado o espaço do Vila para uma homenagem a ele, prestada por artistas, inclusive os grupos residentes do teatro, quando dos 10 anos de seu assassinato. E, mais ainda, depois que li o livro de Emiliano José, baseado principalmente no longo processo movido pela família para provar que o líder revolucionário foi, de fato, assassinado.

Decisão tomada e comunicada à família, tive o consentimento e aprovação. Isso foi oficializado no último sábado, após o espetáculo O MURO, como está aí, no último post. Clara Chearf, além de Carlinhos e Maria Marighella (atriz que estará na montagem, como convidada do Bando) subiram ao palco e falaram um pouco sobre a idéia e porque o Teatro Vila Velha seria o palco natural, para acontecer o espetáculo. Brás, ator do Bando, também agradeceu, pelo grupo, o repasse daquela tarefa. Foi muito emocionante tudo aquilo. Para mim, além de tudo, foi muito impactante receber das mãos de Carlinhos Marighella, o dossiê com vários documentos de seu pai. Sentí aí, fisicamente o peso da responsabilidade que estava assumindo publicamente. Mas foi com muito prazer, que recebí essa obrigação. A obrigação que temos, nós do teatro, de fazer a poesia viva estar no palco falando sempre o que não se pode calar.

O Bando, agora, junto com o Vila Vox, que também está montando um espetáculo sobre os anos da ditadura, o Viladança, sobre a memória, e a Novos Novos, vão promover seminários, debates e vários eventos sobre o período para embasar seus projetos.

mm

sexta-feira, 2 de abril de 2004

O Muro e seus convidados especiais

Desde que estreou cheio de badalação, o espetáculo novo do Bando só tem dado motivos para não sair de evidência. Neste sábado, quem estará na platéia é Clara Charf, veterana da militância política de esquerda, mulher que esteve ao lado do revolucionário baiano Carlos Marighella (foto) até sua morte, em 1969. Além de assistir ao espetáculo, Clara deve dirigir algumas palavras ao público e estará também oficializando o lançamento do Projeto Marighella, uma homenagem idealizada pelo Teatro Vila Velha.

Além de Clara, outra presença notável na platéia de O Muro neste final de semana é o ator Lázaro Ramos, que cogita inclusive fazer uma participação especial em uma das apresentações desta temporada.
Sobre Os Manga

Olha só o e-mail que chegou até nós:

"Saudações, pessoas do Vila!
Seguinte: A convite de um amigo, fui ao Vila ver "os
Manga"(bacana, desculpem, mas PRA CARALHO!!). Gostei
muito. Queria sabe como é que rola a programação, se é
semanal, mensal. Quando é que aquela banda se apresenta
de novo? E me falem sobre outras apresentações musicais.
Agradeço, desde já.
Já ia esquecendo:Parabéns! Vocês dão um tapa na cara
dessa gente que só discrimina a Bahia, e mostram que
aqui se faz trabalhos com muito peso de qualidade!
Precisamos de mais divulgação. Um show excelente
daquele, precisa de quem prestigie e ao mesmo tempo
seja privilegiado de ver."