quarta-feira, 31 de março de 2004

Trilha Sonora

Uma das coisas mais legais de poder trabalhar no Vila é poder escutar a trilha sonora dos espetáculos no dia-a-dia. Trechos de algumas delas estão no CD Trilhas do Vila, que o público pode comprar na lojinha aqui do Teatro. Mas a trilha todinha, todinha não é todo mundo que tem acesso. Agora mesmo, estou escutando José Ulisses da Silva e aos poucos o espetáculo vai se reconstruindo dentro da minha cabeça. Oh, por favor, não fique assim se mordendo de inveja, caro leitor! Logo mais, estas músicas vão estar disponíveis para você também. Se ligue: quando entrar em temporada, agora no mês de abril, o Viladança faz também o lançamento do CD com a trilha do espetáculo. Massa, né?

Mais um produto com a qualidade Padaria do Vila®.

Juliana Protásio

terça-feira, 30 de março de 2004

ops.


Muita gente recebeu um i-meio (internet meio) do Vila esses dias.

Não fui eu que mandei.

Parece que não foi ninguém. Parece que um senhor chamado W32.Beagle.U@MM esteve aqui no teatro enviando mensagens com vírus para todos os endereços que encontrava.

O senhor W32.Beagle.U@MM é um vírus. Se espalha com facilidade pela internet fazendo isso mesmo: entrando no computador dos outros e se enviando pelo mundo afora. Aqui no teatro, muitas pessoas usam os poucos computadores, o que contribui para o caos. O que contribui para que não tenhamos uma controle 100% efetivo da prevenção de todo o caos.

Por isso, o i-meio que eu deveria enviar hoje (o famigerado Informativo TVV), ficou engavetado. Um monte de coisas que deveriam ter saído quentinhas, prontas para o consumo, ficaram engavetadas... Passei o dia na selva terrível da internet, combatendo esse senhor vírus do mal. AVG, Avast!, Norton, FixTools de todas as espécies, cores e nacionalidades... E minha vitória foi apenas parcial (até o momento). Ao que parece, não exterminei o danado, mas já impedi que ele se distribuísse. É um passo.

No entanto, esse longo, chato, entediante e produtivo dia de pesquisa sobre como se proteger dos terríveis vírus do mal, deu a nossos computadores um arcabouço de artimanhas, artifícios e proteções extras contra o possível envio massivo de mensagens viróticas.

Sentimos MUITO por termos não-intencionalmente ajudado a distruibuir essa peste moderna pela rede mundial de computadores. Nunca se está completamente protegido, mas estamos lutando.

Mil desculpas e protejam-se, esse mundo é um lugar terrível.

Atenciosamente,

Camilo Fróes

segunda-feira, 29 de março de 2004

queremos:


Queremos alguém para organizar as coisas pra gente.

Alguém que saiba fazer uso do Access, que dê uma olhada na nossa bagunça entulhada em .docs e .xlss, ria, e apresente uma solução inteligente e eficiente para os nossos problema biblioteconômicos, e que nos torne possível sobreviver apenas adicionando dados ao banco de dados de forma alegre e descontraída.

Se essa mesma pessoa souber como fazer um banco de dados que nos auxilie na com a página na internet, (php, asp, etc.), mataríamos uma manada inteira com uma caixa d'água só.

Se você é esta pessoa, ou conhece essa pessoa, faça do Vila Velha um lugar mais feliz, ligue pra gente:

336-1384

Muro de Polêmica

O Muro estreou nesse final de semana e com casa cheíssima todos os dias, gente saindo pelo ladrão. Foi um bafafá na sexta-feira, com um monte de pessoas aborrecidas porque não conseguiram entrar, inclusive gente notória do meio intelectual da cidade. Um sucesso, sem dúvida! Mas o que foi que as pessoas acharam?

A primeira amostragem que temos são algumas respostas ao Diga Aí e as opiniões vão de 8 a 80. Teve quem achasse o espetáculo excelente, como um arte-educador que comentou que "acredita no maturamento do grupo, bem como apóia suas ideologias". Mas também teve quem achou péssimo, complementando que é "preciso rever o conceito do Bando e do Teatro".

Pelo visto, o Bando vem emplacando mais uma de suas polêmicas. Bom sinal! Se provoca reação, provoca debate. A idéia de uma peça como O Muro é exatamente essa.

sexta-feira, 26 de março de 2004

Ironia

Quarta-feira rolou um ensaio geral d'O Muro para convidados. No palco, um espetáculo sobre fome, sem um tostão de patrocínio, encenado num teatro cuja infra-estrutura já dá sinais de desgaste. A nossa seleta platéia era formada por pessoas ligadas a grupos comunitários como Agente Jovem do Lobato, CRIA, FUNDAC/CAM, BEGERÓ, Axé, Liceu, Grupo de Teatro da AMUCEF (Associação de Moradores Unidos de Cosme de Farias), GRUCON (Grupo de Consciência Negra), Grupo de Teatro Improviso Cabricultura (Alto do Cabrito), Balé Folclórico, Grupo EPA (Evangelização Pela Arte), Grupo de Teatro CEMPA (Coordenação Especial dos Núcleos de Prevenção à AIDS)...

Enquanto isso, no Palácio da Aclamação...

... acontecia um jantar desses super chiques, realizado por quem faz os coquetéis mais célebres da cidade. Os convidados de lá, cercados pelos muros que protegem os jardins do Palácio, onde o banquete era servido, eram políticos que participam do Encontro Ibero-Americano de Seguridade Social.
E o povo fala...

Continuamos prestando atenção nas respostas do público ao nosso "Diga aí". A cada semana, lemos, respondemos, cadastramos endereços e e-mails na nossa mala-direta. Os espectadores, por sua vez, parecem estar ficando cada vez mais entusiasmados e interessados em responder à pesquisa.

Em geral, o tom é elogioso ao trabalho dos artistas e funcionários do Vila, mas é claro que há críticas também. A maioria delas diz respeito ao valor do ingresso e à infra-estrutura do Teatro. Bem, não é difícil perceber que dinheiro não é problema, é solução. Problema mesmo é que ninguém tem ele sobrando: nem o público, nem o Vila.

A gente aqui se esforça para fazer o melhor nesse eterno estado de contingência, mas não há goteira que se conserte ou energia elétrica que se pague somente na base da boa vontade. Mesmo assim, tentamos tornar o ingresso mais acessível através de bônus e outras promoções - sem contar que, ao contrário de tudo nesse país, seu preço está congelado há uns dois anos...

Outra coisa de que se reclama bastante é a falta de divulgação. Também rebolamos para dar conta do recado, mas do mesmo jeito que a infra-estrutura, outdoor, chamada na TV, no rádio, anúncio no jornal, etc. depende da "grana que ergue e destrói coisas belas". Enfim... é uma guerra.

E nessa guerra, a única certeza que temos é de que o nosso maior aliado é o público que vem, assiste aos espetáculos, dá opiniões para melhorarmos o Vila e chama os amigos, divulga o nosso trabalho com uma indelével assinatura de qualidade embaixo.

Juliana Protásio

quarta-feira, 24 de março de 2004

MOVIMENTO


Tem gente nova se mexendo no Teatro. O diretor Vinício Oliveira Oliveira, depois do fim da temporada de A Pena e a Lei podia ter ido descansar. Ao invés disso ele arregaçou as mangas e veio nos ajudar no nosso trabalho de escavação da história do teatro. O rapaz pode ser visto no Cabaré dos Novos pela tarde chafurdando papéis amarelados e envelopando documentos antigos.

E quê mais? No momento, está em processo embrionário um novo espetáculo: Arlequim - Servidor de Dois Patrões, de Carlo Goldoni, um clássico da Commedia Dell'arte. Depois do expediente tem gente que fica e tem gente que chega de longe pra participar desse processo.

A coisa toda já saiu do mundo das idéias, e começa a caminhar. Dia 06 acontecerá aqui no Teatro uma leitura dramática aberta ao público do texto de Arlequim.

quinta-feira, 18 de março de 2004

Saudade esquisita.



Estou trabalhando com a memória do Vila, que em 2004 faz 40 anos de idade, em bom estado de saúde. A minha parte nessa árdua tarefa arqueológica, é selecionar e adequar parte do material já catalogado para ser exposto na internet. É um trabalho duro. Chato. Difícil. Mas não estou reclamando, estou aqui é para isso mesmo. E na verdade, não vim falar de como é chato, duro e difícil, que isso ninguém quer saber, as pessoas querem saber é da coisa pronta.

Enquanto a coisa não está pronta, resta-me falar da parte boa do processo. No momento estou debruçado sobre o espetáculo infantil "O Casaco Encantado" que a Sociedade Teatro dos Novos montou em 1960. Digitei o texto do espetáculo inteiro (sim, deu trabalho) e em seguida fui selecionar as fotos que entrarão na página da internet. E tem umas fotos ótimas. Eu batia os olhos nas fotos e sabia que cena era aquela, porque acabei de ler o espetáculo! As fotos com cara de antigamente, registrando aquela gente com cara de antigamente... Vendo isso foi me dando uma saudade daquele tempo, uma vontade de voltar a 1960, ver a STN montando aqueles espetáculos em praça pública, as crianças conhecendo os atores no fim da peça, aqueles penteados horríveis...

E é uma sensação esquisitíssima. Muito boa, é verdade, mas quando eu nasci a Sociedade Teatro dos Novos já tinha abandonado os palcos há muito tempo. Nesse processo eu tenho visto tanta coisa deles, que agora não-raro me bate essa saudade. Essa saudade esquisita.

Camilo Fróes

terça-feira, 16 de março de 2004



O Programa de "O MURO", a nova montagem do Bando que estréia dia 26 de Março está praticamente finalizado. Dos vários bons textos que poderão ser lidos no programa, podemos adiantar este:

A OVELHA NEGRA

Texto integrante de Um General na Biblioteca


Havia um país onde todos eram ladrões.

À noite, cada assaltante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa de um vizinho. Voltava de madrugada, carregado, e encontrava sua casa roubada.

E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último, que roubava o primeiro. O comércio daquele país só era praticado como trapaça, tanto por quem vendia como por quem comprava. O governo era uma associação de delinquentes vivendo à custa dos súditos, e os súditos por sua vez só se preocupavam em fraudar o governo. Assim a vida prosseguia sem tropeços, e não havia ricos nem pobres.

Ora, não se sabe como, ocorre que no país apareceu um homem honesto. À noite, em vez de sair com o saco e a lanterna, ficava em casa fumando e lendo romances.

Vinham os ladrões, viam a luz acesa e não subiam.

Essa situação durou algum tempo: depois foi preciso fazê-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, não era essa uma boa razão para não deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma família que não comia no dia seguinte.

Diante desses argumentos, o homem honesto não tinha o que objetar. Também começou a sair de noite para voltar de madrugada, mas não ia roubar. Era honesto, não havia nada a fazer. Andava até a ponte e ficava vendo a água passar embaixo. Voltava para casa e a encontrava roubada.

Em menos de uma semana o homem honesto ficou sem um tostão, sem o que comer, com a casa vazia. Mas até aí tudo bem, porque era culpa sua; o problema era que seu comportamento criava uma grande confusão. ele deixava que lhe roubassem tudo e, ao mesmo tempo, não roubava ninguém; assim, sempre havia alguém que, voltando para casa de madrugada, achava a casa intacta: a casa que o homem honesto deveria ter roubado. O fato é que, pouco depois, os que não eram roubados acabaram ficando mais ricos que os outros e passaram a não querer mais roubar. E, além disso, os que vinham para roubar a casa do homem honesto sempre a encontravam vazia; assim, iam ficando pobres.

Enquanto isso, os que tinham se tornado ricos pegaram o costume, eles também, de ir de noite até a ponte, para ver a água que passava embaixo. Isso aumentou a confusão, pois muitos outros ficaram ricos e muitos outros ficaram pobres.

Ora, os ricos perceberam que, indo à noite até a ponte, mais tarde ficariam pobres. E pensaram: "paguemos aos pobres para irem roubar para nós". Fizeram-se os contratos, estabeleceram-se os salários, as percentagens: naturalmente, continuavam a ser ladrões e procuravam enganar-se uns aos outros. Mas, como acontece, os ricos tornavam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Havia ricos tão ricos que não precisavam mais roubar e que mandavam roubar para continuarem a ser ricos. Mas, se paravam de roubar, ficavam pobres porque os pobres os roubavam. Então pagaram aos mais pobres para defenderem as suas coisas contra os outros pobres, e assim instituíram a polícia e constituíram as prisões.

Dessa forma, já poucos anos depois do episódio do homem honesto, não se falava mais de roubar ou de ser roubado, mas só de ricos ou de pobres; e no entanto todos continuavam a ser pobres.

Honesto só tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome.

quarta-feira, 10 de março de 2004

semântica


Recebemos o seguinte e-mail:

"
Galera do Vila:

Fico contente em ver as sementinhas que plantamos quando convivi com vocês como Coordenador de Marketing em 98/99: o blog, o site, gerenciamento dos espetáculos como produtos, investimentos nas "vacas leiteiras", o informativo...

Sobre o informativo impresso, adorei receber aqui no IRDEB, agora faço parte do mailing do VILA! Só que, a despeito de tudo isso, na etiqueta veio o meu nome com a bizarra denominação de Coordenador de MARQUETING (com "Q U E")!!!!??!!!! O que é isso? Erro de português ou xenofobia? O correto é MARKETING! Por favor corrijam, ok?

No mais, parabéns pelo Vila muito Vivo!

Celso de Carvalho
"


Celso,

É isso mesmo. Aqui a gente aportuguesa tudo (quando quer). Quando não quer, deixa como está. A língua é nossa, a gente estica e puxa à vontade.

Quanto à questão mais acadêmica, se é certo, ou errado, apropriado ou não, nos interessa pouco ou nada.

Em 64 estreou nesse teatro um espetáculo de nome "Eles Não Usam Bleque-Tai". Bote farinha e fermento, mexa por 40 anos e veja o que acontece!

Forte abraço,

Camilo Fróes


terça-feira, 9 de março de 2004

Lua dos Amantes
coisas que acontecem no Vila



A garota veio assistir ao Almanaque da Lua em uma de suas primeiras temporadas, mas deu de cara na porta porque a sessão estava lotada. Com o rapaz aconteceu a mesmíssima coisa, no mesmo dia. Não se conheciam, mas acabaram trocando algumas palavras ainda na bilheteria do Vila. Daí o papo foi se esticando até um dos bancos do Passeio Público... E quem diria que um programa furado iria se transformar numa coisa totalmente nova na vida daqueles dois? Conversa vai, conversa vem... e eles, que não tinham conseguido entrar para ver o espetáculo mais apaixonante da temporada, foram se apaixonando, acabaram ficando e estão juntos até hoje, apaixonadíssimos!

Solteiros e solteiras à procura: Venham ao Vila! Quem sabe o próximo casal não pode ser formado por você?

(E, depois disso, eles já assistiram Almanaque da Lua umas três vezes...)

A história aconteceu com a irmã da atriz dessa foto aí em cima.

segunda-feira, 8 de março de 2004

finalmente consegui um tempo para responder ao e-mail do amigo que veio ver e comentou Cabaré da RRRRRaça. aí vai a resposta:

"desculpe a demora na resposta, mas é que a vida pós carnaval aqui na Bahia é fogo! paramos mais de uma semana e quando tudo recomeça.... é muita coisa que recomeça.

bom, agradecemos que você tenha escrito este longo e-mail questionando o Cabaré. Realmente é um espetáculo que gostamos q seja discutido, ele foi feito pra isso. Ele, em sí, é uma discussão, não é?


bom, mas vamos por partes:

OBRIGADO PELOS ELOGIOS À QUALIDADE DO ESPETÁCULO.

> O tema (que é o que me traz "à baila", como diríamos aqui no Sul) é que acho que foi posto de forma equivocada, ou infelizmente eu posso não ter
"captado" a mensagem da forma correta.

VOCÊ CAPTOU A MENSAGEM CORRETA, SIM. O PROBLEMA É QUE O ESPETÁCULO TEM VÁRIAS MENSAGENS. COMO FALEI, É UMA DISCUSSÃO. SE VC REPAROU, CADA PERSONAGEM TEM UM A VISÃO DIFERENTE SOBRE A QUESTÃO RACIAL. INCLUSIVE, TEM UMA PERSONAGEM QUE ACREDITA, COMO VOCÊ, QUE SOMOS TODOS MESTIÇOS, LOGO NÃO PODE HAVER DISCRIMINAÇÃO RACIAL, NO BRASIL.

> Eu achei que o Grupo colocou o racismo de uma forma muito "segregadora".

NÃO FOI O GRUPO QUEM COLOCOU O RACISMO DE UMA FORMA SEGREGADORA. O RACISMO É QUE SE COLOCA ASSIM. ELE É UMA COISA SEGREGADORA. E É A SOCIEDADE QUEM O MANTÉM.

> Acho que os valores cultuados na peça são de um Brasil que tá ficando pra
> trás, ou de alguns lugares que ainda existe um pouco desse resquício. Porque
> digo isso? No Brasil existe uma série de racismos "reais". Nível financeiro,
> lugar que mora, condição física, religião, etc..e o que acho que está cada
> vez menos forte a cada dia é a questão das cores.

COMO VOCÊ É BRANCO E DE OLHOS VERDES, NÃO DEVE PERCEBER BEM. MAS, ANTES DE ALGUÉM SABER QUE O OUTRO TEM DINHEIRO E CASA E CARRO E EDUCAÇÃO E EMPREGO E OUTROS DESSES VALORES QUE A SOCIEDADE LEVA EM CONTA PARA ADMITIR O NEGRO, ANTES DISSO O CARA É NEGRO, E É MOLESTADO PELO POLICIAL QUE PEDE O DOCUMENTO DO CARRO E, ÀS VEZES, ATÉ A NOTA FISCAL, PARA SABER SE O CARRO NÃO É ROUBADO. É MOLESTADO PELO VIZINHO, ENQUANTO LAVA SEU CARRO, COM A PROPOSTA DE QUE VÁ TAMBÉM LAVAR O DELE PARA GANHAR UM TROCADO, E POR AÍ VAI. ISSO NA PEÇA É SINTETIZADO PELO REFRÃO "A PATROA ESTÁ?". COMO VOCÊ É BRANCO, APESAR DE SUA PELE ESCURECER, COM O SOL, SEUS TRAÇOS FISIONÔMICOS E CULTURAIS CONTIONUAM BRANCOS, POR ISSO VOCÊ É UM POUCO MAIS RESPEITADO, NESTE PAÍS.

> Ora, nós somos um País "misturado". Essa é a nossa identidade. Essa é a
> nossa feliz realidade!
> Aqui no Sul nós temos loiros, negros, índios, guaranis, etc..e tudo é uma
> sociedade só.

SOMOS UMA SOCIEDADE SÓ, É VERDADE. aÍ NO SUL, COMO AQUI NO NORDESTE. MAS OS ÍNDIOS, OS GUARANÍS E OS NEGROS, AQUI, COMO AÍ NO SUL, SÃO TRATADOS DE FORMA DIFERENTE DO QUE O SÃO OS LOIROS. E, AÍ NO SUL, AINDA TEMOS OS NORDESTINOS A SEREM TRATADOS DE FORMA DIFERENTE DO QUE OS SULISTAS, OS CARIOCAS, ETC...

> Evidentemente já ouvi coisas do tipo "esse negrão", "coisa de crioulo",
> etc..Assim como já ouvi também "alemão batata", "gordo", "japa", etc...Mas
> acho que isso é mais uma referência do que um preconceito.

DEPENDE COMO A COISA É DITA. PODE SER SÓ UMA REFERÊNCIA. MAS VOCÊ TAMBÉM JÁ DEVE TER OUVIDO MUITO "NEGRO SUJO" OU "A SITUAÇÃO TÁ PRETA" OU MESMO "COISA DE NEGRO" OU "DE CRIOULO" COMO PEJORATIVO, CARREGADO DE PRECONCEITOS. O PROBLEMA É QUE NOS ACOSTUMAMOS A OUVIR E PARECE NATURAL QUE SE DIGA. PARECE NATURAL QUE DESCONFIEMOS PRIMEIRO DOS PRETOS. QUE A POLÍCIA REVISTE PRIMEIRO OS PRETOS, QUE SE PEÇA DOCUMENTOS PRINCIPALMENTE AOS NEGROS PARA DEIXÁ-LOS ENTRAR EM QUALQUER LUGAR. É NATURAL ATÉ QUE NEGROS RIAM DAS PIADAS SOBRE NEGROS QUE COLOCAMOS NO ESPETÁCULO.
CREIO TAMBÉM QUE, ALÉM DO RACIAL, EXISTE TAMBÉM O PRECONCEITO SOCIAL, MAS ELES SE FUNDEM, SE MESCLAM, SE COMPLETAM... E NOS CONFUNDEM, VENDENDO ESSE PEIXE: "NÃO, O QUE EXISTE É PRECONCEITO SOCIAL". MAS MUITOS AMIGOS DE MARIETA SEVERO PERGUNTARAM A ELA COMO ELA SE SENTIA SENDO AVÓ DE PRETINHOS (FILHOS DE CARLINHOS BROWN E SUA FILHA LELÊ). E QUANTOS PAIS BRANCOS, DA CLASSE MÉDIA, VOCÊ CONHECE QUE FICARIAM MUITO FELIZES DE VER SEUS FILHOS CASADOS COM NEGROS? DEPOIS PODEM ATÉ ACEITAR E AMAR MUITO SEUS NETINHOS "MESTIÇOS", COMO SE FOSSEM BRANCOS MAS, ANTES, FARÃO TODO O POSSÍVEL PARA DISSUADIR SEUS FILHOS DESSA UNIÃO INTERRACIAL.
QUERO DIZER QUE TAMBÉM SOU BRANCO, PELO MENOS NA CARTEIRA DE IDENTIDADE. MAS DESDE QUE FORMEI O BANDO, TENHO CONVIVIDO COM O RACISMO CORDIAL BRASILEIRO DIARIAMENTE, E DIGO A VC, MEU IRMÃO: É DURO!

> Claro que aqui também existem alguns lugares (e algumas pessoas) que ainda
> tem essa coisa do "sou mais do que ele" quando o assunto é cor. Mas isso ta
> ficando vez mais pra trás, cada vez mais ultrapassada.
> Principalmente em relação ao negro, que todo mundo espera qualquer solzinho
> pra buscar uma corzinha mais acentuada.

O NEGRO PODE SER MODA, PODE SER SEXI, PODE SER UMA REFERÊNCIA ESTÉTICA PARA ALGUMAS COISAS, MAS NA HORA DO VAMOS VER... NEGRO É NEGRO E A MULATA NÃO É A TAL.

> Bom, se essa tendência não for uma coisa meio óbvia, o que me chocou foi que
> a posição do Grupo pareceu meio contramão das coisas (claro, em relação a
> essa peça). Ou seja, enquanto a gente vê um País lutando para que a
> igualdade fique mais evidenciada, o Grupo Bando do Teatro Oludum pareceu
> buscar uma nova situação. Uma espécie de "revanchismo", ou de racismo negro.

VOCÊ DISSE CERTO O: "O PAÍS LUTANDO PARA QUE A IGUALDADE FIQUE MAIS EVIDENCIADA", MAS NÃO É O MELHOR. O MELHOR É QUE SE POSSA RECONHECER A DIFERENÇA: A BELEZA DO OUTRO NÃO SER COMO EU, E NO ENTANTO ELE É TÃO IMPORTANTE QUANTO. A BELEZA DO MUNDO - E DO BRAZIL - SÃO AS DIFERENÇAS. NÃO SOMOS IGUAIS BRANCOS E PRETOS E ÍNDIOS E ALEMÃES E NORDESTINOS E SULISTAS. eSSA É A BELEZA.

> (Desculpem qualquer termo ou frase que possa parecer agressiva. Não é o
> objetivo do meu email).
> Juro que fiquei com a impressão de estar vendo um Grupo buscando uma espécie
> de ordem racial aonde o negro superasse ao branco. (!?!?!?!).
>
BRINCAMOS COM ISSO TAMBÉM. BRINCAMOS COM AS OPINIÕES DIVERSAS, DE VÁRIOS, DIFERENTES NEGROS. DESDE OS QUE IGNORAM QUE O RACISMO EXISTE, AOS QUE NÃO ACREDITAM NISSO, AOS QUE DEFENDEM A SUPERIRIDADE DA RAÇA NEGRA. NÃO QUER DIZER QUE O ESPETÁCULO CONCORDA COM NENHUMA DESSAS OPINIÕES. O ESPETÁCULO MOSTRA VÁRIAS E CONCLUI COM A BELEZA DO ILÊ AYÊ, NAS CANÇÕES FINAIS.

> Gente, se esse for o objetivo, fiquei um pouco desapontado. Acho que esse
> caminho nos traria um retrocesso a níveis existentes nem nos EUA, aonde acho
> um dos lugares que o racismo fica mais saliente.

O RACISMO LÁ É CONCRETO, PORQUE FAZ PARTE DA LEI, TANTO ANTES QUANDO ERA PERMITIDO E ALIMENTADO POR LEIS SEGREGACIONISTAS, QUANTO AGORA, QUANDO É DESENCORAJADO POR LEIS INCLUDENTES, QUE LEGISLAM COTAS E QUE TAIS. NÃO QUEREMOS SER IGUAIS AOS EUA EM NADA. EM NADA MESMO. SOMOS CULTURAS DIVERSAS E TEMOS QUE BUSCAR NOSSAS PRÓPRIAS SOLUÇÕES. SOMOS UM PAÍS COLONIZADO PELA FÉ CATOLICA E NÃO PELA LUTERANA. ISSO MUDA TUDO. EM NÓS O CANDOMBLÉ MARCOU FUNDO MUITAS COISAS. ELES NÃO TIVERAM ESSA SORTE.

> Inclusive quero fazer uma referência ao folder do Grupo que diz "grupo negro
> de teatro". O que aconteceria se fosse um "grupo branco de teatro"? Tava
> armado o barraco!

PORQUE OS GRUPOS BRANCOS DE TEATRO NÃO PRECISAM ASSUMIR ISSO, PORQUE SERIA UMA REDUNDÂNCIA. QUANTOS GRUPOS DE TEATRO VOCÊ CONHECE NO BRASIL QUE TEM UMA MAIORIA NEGRA NO ELENCO? ORA, EM ALGUNS LUGARES COMO SALVADOR, PORTO ALEGRE, SÃO LUÍS, EXISTE UMA POPULAÇÃO NEGRA ENORME QUE NÃO É REPRESENTADA NEM PELA DRAMATURGIA, NEM PELA PERFORMANCE. OS TEXTOS IGNORAM OS NEGROS, OS GRUPOS IGNORAM OS NEGROS E O PÚBLICO ACHA QUE É NATURAL QUE, NUM PAÍS MESTIÇO, COM TANTOS NEGROS E ÍNDIOS, ELES NÃO APAREÇAM NO PALCO. POR ISSO NENHUM GRUPO DE TEATRO É UM GRUPO DE TEATRO BRANCO, PORQUE, SE VOCÊ OBSERVAR BEM, TODOS O SÃO. É PRECISO QUE POR UM TEMPO, OS GRUPOS NEGROS APAREÇAM, TRATEM DE SEUS TEMAS, CRIEM UMA DRAMATURGIA E, AOS POUCOS, A SOCIEDADE BRASILEIRA VÁ SE ACOSTUMANDO A ISSO: A OUVIR O DISCURSO DOS NEGROS. SEJAM ELES NA CONTRAMÃO, OU NÃO. E É CLARO QUE O DISCURSO DO NEGRO É UM DISCURSO NA CONTRAMÃO. O DISCURSO NA MÃO É O DISCURSO DO BRANCO, HÁ SÉCULOS...
O QUE VOCÊ ACHA DE DURANTE 500 ANOS SER ESCRAVO E DE REPENTE NÃO SER MAIS NADA. SER MESTIÇO, IGUAL A TODOS, NESSE PAÍS QUE NÃO O TRATA COMO A TODOS? QUE NÃO LHE DÁ AS MESMAS OPORTUNIDADES, E POR AÍ VAI? AMIGO, O TEMA É MUITO COMPLEXO E A FERIDA MUITO PROFUNDA. NÃO ADIANTA ESCONDER. É PRECISO FICAR EXPOSTA PARA SER TRATADA. ESTA POLÍTICA DE DIZER QUE SOMOS TODOS MESTIÇOS, PULA UMA ETAPA IMPORTANTÍSSIMA NO PROCESSO DE ACEITAÇÃO DO OUTRO. É PRECISO PRIMEIRO QUE O NEGRO SEJA ACEITO COMO NEGRO, QUE ELE SE RECONHEÇA NA SOCIEDADE, NOS LIVROS DE ESCOLA, NA TELEVISÃO, PARA ENTÃO COMEÇARMOS A PENSAR E A PERCEBER UMA VERDADE ÓBVIA, QUE UM NEGRO PURO É TÃO DIFÍCIL COMO UM BRANCO PURO, NO BRASIL. MAS SER NEGRO NÃO É SÓ UMA QUESTÃO BIOLÓGICA, DE GENS E DNAS. SER NEGRO É TAMBÉM UMA QUESTÃO CULTURAL, E PORQUE NÃO DIZER TAMBÉM: SOCIAL E POLÍTICA. SER NEGRO É TAMBÉM UMA ATITUDE, QUANDO VOCÊ NÃO É SUFICIENTEMENTE ESCURO, OU POBRE, PARA PODER DIZER SOU MORENO OU MULATO. SER NEGRO PARA QUEM O É PODE SER UMA OPÇÃO. MAS PARA A SOCIEDADE NÃO É. PARA A SOCIEDADE, SER NEGRO É UM ESTIGMA. E UM NEGRO TEM QUE SEMPRE PROVAR COISAS, ANTES DE SER ACEITO.

> Já vi algumas camisetas com dizerem "100% negro", mas aí não tem a ver com a
> peça em si mas com o tema. Imaginem uma camiseta dizendo "100%
> branco".....isso até crime inafiançável é.....

COMO DISSE, É UMA QUESTÃO DE ATITUDE. ENTÃO AFIRMAR ISSO, MESMO QUE SEJA UMA PROVÁVEL INVERDADE, PORQUE TEMOS SEMPRE UM ANTEPASSADO INDIO, OU NEGRO OU BRANCO QUE NOS FAZ SER ALGUNS % MESTIÇOS... A CAMISA É UMA ATITUDE DE AFIRMAÇÃO QUE, QUANDO VOCÊ NÃO SE VÊ - POR EXEMPLO DURANTE A INFÂNCIA EM NENHUM PROGRAMA INFANTIL DA TELEVISÃO - VC TEM NECESSIDADE DE EXERCITAR.

> Mas se entendi errado, então fico contente, e continuo fazendo a minha parte
> para essa País 100% brasileiro, independente da raça que predomine na origem
> de cada brasileiro.

VOCÊ NÃO ENTENDEU ERRADO, FEZ UMA LEITURA PARCIAL, COMO TODA LEITURA QUE FAZEMOS. DIRIGIDA PELAS INFORMAÇÕES QUE VOCÊ TEM SOBRE O ASSUNTO. NÃO ESTAMOS PREGANDO, COM ESSE ESPETÁCULO O RACISMO. ESTAMOS PROPONDO QUE SE ASSUMA QUE ELE EXISTE E SE DISCUTA SOBRE ELE. E O ESPETÁCULO ESTÁ EM CARTAZ HÁ SETE ANOS, SEMPRE COM CASA CHEIA, COMO PROVAVELMENTE ESTAVA NO DIA EM QUE VOCÊ VIU. ISSO DEVE DIZER ALGUMA COISA. A NÕS NOS DIZ QUE O DISCURSO QUE FAZEMOS INTERESSA A MUITA GENTE. É UM DISCURSO QUE PRECISA SER FEITO E OUVIDO. AINDA. ESPERAMOS QUE UM DIA REALMENTE POSSAMOS DIZER QUE SOMOS IGUAIS E, POR ISSO, DEVEMOS CELEBRAR A IGUALDADE. MAS POR ENQUANTO, NÃO, AMIGO. NÃO SOMOS IGUAIS... PODEMOS ATÉ SER TODOS MESTIÇOS, MAS HÁ OS MESTIÇOS BRANCOS, COMO NÓS E OS MESTIÇOS NEGROS COMO OS OUTROS. A QUEM ADMIRO TAMBÉM. PRINCIPALMENTE PELA FORÇA DE LUTA E PELA HERANÇA QUE NOS DEIXARAM OS SEUS ANTEPASSADOS (que são nossos também, vá lá... mas são muito mais deles).

> A propósito, tenho pele branca e olhos verdes (segundo consta no meu
> alistamento militar), mas sou bisneto de escravo e qualquer solzinho me
> deixa negrão (como é o meu apelido entre os amigos quando estamos no verão),
> coisas da minha mãe que é mulata com meu pai que puxa um "branquelo" (será
> que estou sendo racista com meu pai chamando ele de "branquelo" ?..risos).
>
> Bom pessoal, de qualquer forma, um abraço a todos e obrigado pelo espaço de
> expressão.
> E como vocês dizem, Muito Axé para todos nós !!

> Abraço

DE FATO, FICAMOS MUITO CONTENTES DE TER RECEBIDO SEU E-MAIL E DE PODER ESTAR RESPONDENDO, NÃO NOS SENTIMOS OFENDIDOS OU MAGOADOS POR NADA DO QUE VOCÊ DISSE. ENTENDO PERFEITAMENTE. PORQUE SOU MESTIÇO BRANCO TAMBÉM, E SEI QUE PRA NÓS O MUNDO É DIFERENTE. MAS ACREDITE, JULIANO, O MUNDO AINDA É PRETO E BRANCO. O QUE FAZEMOS NO CABARÉ, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, É LUTAR PARA QUE ELE SEJA COLORIDO.

UM FORTE ABRAÇO

marcio meirelles

sexta-feira, 5 de março de 2004

vilavodu

A Nova Brasil saiu do ar.

Na verdade foi rapidinho, mas foi o seguinte:

Mandamos spots de propaganda da programação para a Nova Brasil veicular. Os 30 segundos do Bando foram ao ar sem problemas. Os 30 segundos do Viladança também se comportaram perfeitamente bem. Na hora do meio minuto do Vilavox, o computador travou, deu um pepino tal que a Rádio saiu do ar.

A moça assustou-se. Mandou o mp3 endiabrado para os técnicos em São Paulo descobrirem o que era aquilo.

Reequalizamos. Aumentamos o volume. Dos três. Mandamos de novo, e parece que deu tudo certo.

Por algum motivo as pessoas ainda não ouvem o BG do Vilandaça. Mas isso ainda pode mudar.

Camilo Fróes

quarta-feira, 3 de março de 2004

está vivo! vivo! está vivo! vivo! viiiiiiiiivoooo!

É delicioso - e a palavra é especificamente esta e nenhuma outra - quando um bicho de sete cabeças, um super pepino, um problemão que você tem, vira coisa do passado. O problema parecia insolúvel, coisa da rebimboca da parafuseta, que não tinha jeito, a busca da solução parecia a busca pelo cálice sagrado. Agora o cálice é nosso e depois de resolvido, pareceu tudo muito fácil.

Mas do que eu estou falando afinal? O informativo TVV. O nosso boletim informativo semanal estava não estava mais sendo enviado, porque o grande número de inscritos impedia o envio 'saudável' das mensagens. Conseguir uma maneira de enviar essas mensagens de forma segura, rápida e eficiente foi uma dor de cabeça. Chegamos a recorrer ao lado negro da força, baixando programas de SPAM, mas PASMem, nem os programas de SPAM funcionaram.

Entramos em contato com a COMPOS e a um preço módico, eles estão administrando o envio do nosso informativo, que, saiu essa quarta, mas sairá todas as terças.

A novidade do informativo é que agora ele vem com um bônus de internet. Você imprime esse bônus e ganha 20% na programação da semana do informativo. Os bônus são desenhados em tons de cinza (o mais cinza claro que a gente consegue, para economizar vossa tinta), aí é só imprimir e sair gannhando.

Você não recebe o informativo? Gostaria de receber? Então envia um emelho para comunicaca@teatrovilavelha.com.br pedindo pra receber e pronto.

Camilo Fróes


Este post não foi patrocinado

terça-feira, 2 de março de 2004

agora sim

PROCURA-SE
(vivo, só serve vivo)


Sujeito de boa índole, formada em eletrotécnica para trabalhar no Teatro Vila Velha.

Temos alguns currículos em mãos, aceitamos currículos até o dia 05 do mês corrente.