domingo, 29 de fevereiro de 2004

recebemos este e-mail e queremos partilhar a opinião do amigo, que veio assistir nosso CABARÉ DA RRRRRAÇA.

"Ao Grupo Bando de Teatro Oludum e ao diretor Marcio Meirelles.

(...)
Assisti no Teatro Vila Velha a peça Cabaré da Rrrrraça e fiquei com uma
opnião presa na garganta.
Eu fiquei com muita vontade de ir ao evento pós peça para conversarmos,
opção essa oferecida pelo Grupo, mas não deu. Uma colega que estava junto
estava muito cansada e pediu para voltarmos para o hotel.

Bom, a peça é super bem montada. Iluminação, som, coreografia, performance
de palco, tudo super bonito e muito bem elaborado.
Isso sem contar na atuação da galera que foi show de bola.
O tema (que é o que me traz "à baila", como diríamos aqui no Sul) é que acho
que foi posto de forma equivocada, ou infelizmente eu posso não ter
"captado" a mensagem da forma correta.

Eu achei que o Grupo colocou o racismo de uma forma muito "segregadora".
Acho que os valores cultuados na peça são de um Brasil que tá ficando pra
trás, ou de alguns lugares que ainda existe um pouco desse resquício. Porque
digo isso? No Brasil existe uma série de racismos "reais". Nível financeiro,
lugar que mora, condição física, religião, etc..e o que acho que está cada
vez menos forte a cada dia é a questão das cores.
Ora, nós somos um País "misturado". Essa é a nossa identidade. Essa é a
nossa feliz realidade!
Aqui no Sul nós temos loiros, negros, índios, guaranis, etc..e tudo é uma
sociedade só.
Evidentemente já ouvi coisas do tipo "esse negrão", "coisa de crioulo",
etc..Assim como já ouvi também "alemão batata", "gordo", "japa", etc...Mas
acho que isso é mais uma referência do que um preconceito.
Claro que aqui também existem alguns lugares (e algumas pessoas) que ainda
tem essa coisa do "sou mais do que ele" quando o assunto é cor. Mas isso ta
ficando vez mais pra trás, cada vez mais ultrapassada.
Principalmente em relação ao negro, que todo mundo espera qualquer solzinho
pra buscar uma corzinha mais acentuada.

Bom, se essa tendência não for uma coisa meio óbvia, o que me chocou foi que
a posição do Grupo pareceu meio contramão das coisas (claro, em relação a
essa peça). Ou seja, enquanto a gente vê um País lutando para que a
igualdade fique mais evidenciada, o Grupo Bando do Teatro Oludum pareceu
buscar uma nova situação. Uma espécie de "revanchismo", ou de racismo negro.
(Desculpem qualquer termo ou frase que possa parecer agressiva. Não é o
objetivo do meu email).
Juro que fiquei com a impressão de estar vendo um Grupo buscando uma espécie
de ordem racial aonde o negro superasse ao branco. (!?!?!?!).

Gente, se esse for o objetivo, fiquei um pouco desapontado. Acho que esse
caminho nos traria um retrocesso a níveis existentes nem nos EUA, aonde acho
um dos lugares que o racismo fica mais saliente.
Inclusive quero fazer uma referência ao folder do Grupo que diz "grupo negro
de teatro". O que aconteceria se fosse um "grupo branco de teatro"? Tava
armado o barraco!
Já vi algumas camisetas com dizerem "100% negro", mas aí não tem a ver com a
peça em si mas com o tema. Imaginem uma camiseta dizendo "100%
branco".....isso até crime inafiançável é.....

Mas se entendi errado, então fico contente, e continuo fazendo a minha parte
para essa País 100% brasileiro, independente da raça que predomine na origem
de cada brasileiro.

A propósito, tenho pele branca e olhos verdes (segundo consta no meu
alistamento militar), mas sou bisneto de escravo e qualquer solzinho me
deixa negrão (como é o meu apelido entre os amigos quando estamos no verão),
coisas da minha mãe que é mulata com meu pai que puxa um "branquelo" (será
que estou sendo racista com meu pai chamando ele de "branquelo" ?..risos).

Bom pessoal, de qualquer forma, um abraço a todos e obrigado pelo espaço de
expressão.
E como vocês dizem, Muito Axé para todos nós !!"

fica aí uma opinião...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

pois é... como diz a antiga canção:

acabou nosso carnaval,
ninguém ouve cantar canções
....
e no entanto é preciso cantar,
mais que nunca é preciso cantar
é preciso cantar e alegrar a cidade

Durante muitos anos - os tristes anos da ditadura militar - esta música nos dizia que não podíamos desistir. Era necessário mudar os rumos do país. Era necessário não ficar calado. Por isso também o Vila Velha foi construído. Por isso foi mantido durante 40 anos, por artistas.

porque é preciso cantar. E ainda é preciso cantar porque, agora, apesar do carnaval constante que nos enfiam goela abaixo, a cidade está triste.

mm

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

Isso aqui está meio parado. É que aqui no Teatro tá todo mundo louco pra que chegue o Carnaval.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004

A mensagem de amor não enxerga fronteiras!


Todos os dias quando chego ao teatro, uma das minhas primeiras tarefas é checar emelhos. Nos emelhos estão geralmente recados, contatos, sugestões, etc. Tarefas. Hoje tinha apenas uma mensagem naquele que me compete (webmaster@teatrovilavelha.com.br), de Marcio Meirelles, com o assunto: "Leia". Abri a mensagem na espectativa de ser algo muito importante, de caráter urgente. A mensagem era a seguinte:

Sei que é uma bobagem, mas fiquei impressionada c/ a precisão
do horário.
Vamos conferir se acontecerá alguma coisa. bjs.
Os anjos existem. Mas algumas vezes não possuem asas e
passamos a chamá-los de amigos como você... Passe para todos
os seus amigos de verdade... Algo bom vai te acontecer
hoje... às 11h11 da noite. Isto não é uma brincadeira -
alguém vai te telefonar ou falar contigo e dizer que te adora
(ou que te ama ). Não quebres esta corrente. Mande isto para
sete pessoas no mínimo.. Com carinho e amor
Boa sorte.... Fique com Deus
Luz & Paz
tenha um ótimo dia!
Até mais!!!!!!!!


Beijo


Analisando os cabeçalhos da mensagem, percebi que observando a trajetória deste emelho pode-se constatar algo de realmente belo e maravilhoso que suplanta a 'importância' da mágica das 11h11 - Esta mensagem, ao que parece, foi enviada por Rita Assemany para Aninha Franco, de Aninha Franco para Marcio Meirelles e de Marcio Meirelles para mim!

Trata-se portanto não apenas de uma mensagem de amor, mas de uma mensagem de amor que passeia pelo mundo do teatro! E agora chegou pra mim. Uma honra! Acho que eu vou repassar essa mensagem para Gerald Thomas e expandir essa corrente e todo o seu amor ao infinito.

Amanhã eu conto o que aconteceu comigo hoje, às 11h11 da noite.

Camilo Fróes

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

hoje foi um dia meio brabo. 3 atores estavam muito gripados, quase não fazem o espetáculo OXENTE, CORDEL DE NOVO? mas acabaram fazendo. E além disso, de manhã, apresentamos, duas vezes, uma das peças - O MALANDRO E A GRAXEIRA NO XUMBREGO DA ORGIA - para os jovens reclusos do Centro de Acolhimento. A realidade deles é muito complicada e é meio dura essa experiência de estar com eles. Sempre mexe muito com a gente emocionalmente, mas é bom fazer espetáculos lá.

Solta o verbo, meu povo!!

Cabaré da RRRRRaça:

“O texto bem atual, a linguagem...”

“Gostei muito da junção de som, movimentos e interpretação do texto.”

“Assim como já haviam me falado, um espetáculo muito bom!”

“Galera, gostei tanto da última vez que voltei com seis amigos!”

“Muito tri legal TCHÊ!”

“Maravilhoso! Foi um show de consciência negra e humana.”


Almanaque da Lua:


“Bom trabalho de corpo e de voz.”


Os Manga:


“Muito boa a banda Os Manga.”

“Os meninos têm talento.”


Sagração:

“Lindo de se ver, além de ser muito bem desenvolvido no aspecto técnico.”


Deu pra ver que a galera continua se amarrando nos espetáculos! Então, aqueles que ainda não vieram, ainda têm até dia 15 para vir conferir os sucessos do Amostrão... Corram!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2004

SAUDAÇÕES CATINGUEIRAS,

Esta é a última semana para quem ainda não assitiu o espetáculo: O CORDEL DO PAVÃO MISTERIOSO do Grupo Caçuá de Teatro de Vitória da Conquista. O recente trabalho do grupo conquistense resgate o folclore da região sudoeste da Bahia e a literatura de cordel nordestina.

Apesar de todas dificuldades de trazer um grupo do interior para a capital, conseguiremos finalizar a nossa temporada no Teatro Vila Velha.

Desde já, convocamos os amigos artistas, professores da Escola de Teatro e todos os amantes do teatro popular para prestigiarem o nosso trabalho pois, depois desta temporada, não temos nenhuma previsão de retorno à capital.

Contamos com vocês!
Venham conhecer um pouco da produção teatral do interior baiano e "ajudar nós a pagar" as dívidas e a pauta do teatro.

TEATRO VILA VELHA, SEXTA (DIA 13) E SÁBADO (DIA 14) ÀS 19 HORAS.


FORTE ABRAÇO!

Marcelo Benigno
Pelourinho presta homenagem ao Vila

A organização do carnaval na Bahia, resolveu prestar uma homenagem ao Teatro Vila Velha, através do teatro de cordel que tem sido uma das bandeiras do teatro desde a época de João Augusto. O Pelourinho está todo enfeitado com reproduções de capas de folhetos, gravuras e a logomarca do espetáculo Oxente, Cordel de Novo?. A homenagem é portanto oportuna, já que o Teatro, desde a estréia de Oxente, Cordel de Novo? retoma a pesquisa, o desenvolvimento a difusão da linguagem popular de forma geral, tendo como símbolo máximo o Cordel.

O espetáculo está em cartaz somente até quarta (11) e quinta (12), às 20h.

Corre pra ver, galera! O espetáculo, porque o Pelourinho vai estar lá até o Carnaval...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Mais Alemanha!

Estou mandando uma foto de Suzanne Linke uma das mais importantes coreografas da Alemanha, quem sabe do mundo. Ao lado dela está um senegales, de Dakar chamado Jean Tamba que trabalhou com ela em um projeto de intercâmbio África-Alemanha e agora integra o mesmo grupo de visitantes internacionais que eu.



Assitir Suzanne Linke dançar realmente é um presente para toda vida. Uma lição de sabedoria e determinação, de domínio e pesquisa.
O espetáculo, Tanz-Dis-tanz, mistura vídeo e movimento e centra-se no trabalho do espaço tanto através do corpo , como das imagens no vídeo. aos poucos vamos assitindo a ocupação do vazio inicial do espaço, e por ele percorremos linhas e curvas, caminhos...

A apresentação contou também com a performance de Urs Dietrich, o parceiro de suzanne já há muitos anos.

O espetáculo foi mostrado no Choreographisches Zentrum, uma antiga usina de carvão que foi transformada em um centro de produção e apresentação de dança contemporânea. Quem quiser visitar esse centro, pela internet, é só acessar: www.pact-zollverein.de

beijos

cris

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2004

A SAIA JUSTA DO PADRE

Quando estávamos ensaiando CORDEL, como os atores tinham muito texto para decorar e trabalhamos a partir de um método novo, diferente do que estávamos acostumados, permiti a Leno que colocasse uma pesca para a fala do padre de AS ARTES DO CRIOULO DOIDO. Ele abre um livro e o texto está lá dentro digitado. Isso era uma muleta para a primeira semana, depois do que, ele deveria decorar o texto e dizer como se estivesse lendo. Ele se acostumou e nunca decorou o discurso do padre.
Quarta feira, depois do ensaio pré apresentação, ele colocou o livro no lugar e foi vestir o figurino. Fui lá e, sem que ninguém visse, tirei a página onde estava colado o discurso.
Na cena em que o padre profere o tal discurso, ele pegou o livro, abriu e começou a procurar a página onde estava a cola. E não estava. Ele começou a desesperar e gagejar e os outros começaram a perceber que estava acontecendo alguma coisa errada e a gritar "aleluia" e ele a se embananar mais.
Eu não estava lá pra ver. Mas me diverti muito sabendo do resultado.
Vamos ver se na próxima quarta feira o padre se safa dessa.
mm

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004

Vem ver o que a gente fez na Oficina

Domingo acontece a mostra das Oficinas Vila Verão. Para muitos dos alunos, essa será a primeira oportunidade de mostrar em público seu talento artístico. Para outros, talvez seja apenas a parte mais divertida do processo. As oficinas têm ao mesmo tempo algo de lúdico e revelador. Tem gente que pode estar enfrentando verdadeiros desafios ao trazer à tona algumas emoções e expressões físicas que somente a arte pode resgatar. Deve ser algo bonito de se ver.

Quem quiser pode aparecer por aqui e ver o que o pessoal preparou. A mostra começa às 10 da manhã e tem entrada gratuita. Apareçam!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004

Notícias da Alemanha

Cristina Castro, diretora e coreógrafa do Viladança - a companhia de dança contemporânea do TVV - está na Alemanha. Foi convidada para um festival internacional de dança, e compareceu, levando o sol do Vila e a loucura do Viladança para o velho mundo

"
Trouxe o calor da Bahia para o inverno alemão, antes de eu chegar aqui, uns dois dias atrás tava nevando horrores e o maior frio, mais ou menos zero grau, por aí. Agora tá simplemente 14 graus... ou seja, o maior CALORRRRR, para os alemães é claro, pois estou no caminho para virar um picolé.

Amanhã começa o trabalho duro, muitos espetáculos e seminários sobre dança contemporânea alemã, estratégias e novas tendências, estarei fazendo parte do grupo de visitantes internacionais que vem de varias partes do mundo como: Otawa / Canada, Riga / Latria, Moscou / Russia, Cairo / Egito, San Jose / Costa Rica, Sofia / Bulgaria, Budapeste / Hungria, Jakarta / Indonesia,.
Pois é muita coisa para trocar e aprender.
Muitas culturas reunidas, cabeças e corpos que se unem para conhecer e descobrir a dança alemã.
Me sinto super feliz e orgulhosa de colocar o Viladança dentro dessa mistura cultural.
beijos
beijos
cris
"


terça-feira, 3 de fevereiro de 2004

PROTESTO

Oi Vila,

Quero dizer que estou irritado com propaganda da Coca-Cola® dizendo que a mesma é morena!

É o cúmulo da falta de dicernimento,

A Coca-Cola® é negra!


S. L. Laurentino
E o povo continua falando sobre os espetáculos do Amostrão...


Cabaré da RRRRRaça:

“ Mostra a raiz do negro, o que ao longo do tempo tentou-se apagar, mas que agora observamos uma valorização ótima.”

“Perfeito, tal como o negro é! Com dignidade, versatilidade e sabedoria vocês deram o seu recado. Espero que muita gente ( muita mesmo) tenha a oportunidade que eu tive de ver vocês!”

“ Muito hilariante, ao mesmo tempo que traz a tona uma questão social importante que é o racismo.”


Mundo Novo Mundo :



“Gosto da linguagem que utilizam!”

Sagração da Vida Toda:

“Adorei o espetáculo, pois é integrado todos os tipos de danças, inclusive rappel, circo, capoeira, etc.”

“Muito bom, para mim é o melhor grupo de dança da Bahia! Cristina, você está de parabéns! E, principalmente, para a bailarina Bárbara Barbará.”

“ Coisa mais linda! Estou sem palavras! Bravo!”

“Fantástico, plástico! Sorte! Beleza!”

Fala povo!



As pesquisas do Vila continuam nos dando o que pensar. Há sugestões interessantíssimas, outras bastante... digamos... peculiares. Pelo que as pessoas nos dizem através das respostas ao nosso "Diga aí", vemos que o principal obstáculo entre o público e o Teatro é o preço. A gente faz o possível, espreme daqui, aperta de lá, faz promoção... E a coisa continua difícil.

Outra sugestão que sempre nos dão é divulgar mais os espetáculos pela TV, mas aí também é difícil. Tudo tem um custo e na TV ele é bem alto. Tentamos "cavar" matérias, reportagens, espaços de patrocinadores... Mas não somos só nós, está todo mundo correndo pelo mesmo caminho. De vez em quando até rola e ficamos felizes por chegar melhor ao público. Depois do boca-a-boca, a babá eletrônica é a nossa melhor divulgadora, temos de admitir.

Mesmo assim, a cada semana se confirma que o bom e velho corpo-a-corpo é o que fala mais alto. As pessoas que respondem às pesquisas, em sua maioria, vêm ver nossos espetáculos por recomendações de amigos. Sejam amigos que estão no elenco ou que viram o trabalho e gostaram. Nas relações pessoais está uma importante semente de difusão. Pois bem... Se você vem ao Vila e gosta do que temos a oferecer, fale para as pessoas ao seu redor. Sua opinião é importante para nós e para os seus amigos também!

Juliana Protásio